27 de abril de 2023

813: A Vida Dupla de Arsène Lupin | Maurice Leblanc

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha de ‘813: A Vida Dupla de Arsène Lupin’, um clássico da literatura francesa.

 

813: A Vida Dupla de Arsène Lupin | Maurice Leblanc
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

21/60
Livro: 813- A Vida Dupla de Arsène Lupin
Autor: Maurice Leblanc
Tradução: Fernando Paz
Editora: Novo Século
Ano: 2021 (original em 1910)
Páginas: 512
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Maurice Leblanc soube criar narrativas versáteis, com enigmas complexos, explorando os artifícios do romance policial. Em ‘813’, que teve sua primeira versão publicada em 1910, nos deparamos com um Lupin mais inquietante e sóbrio, mas que continua desafiando a polícia e a todos que acompanham a sua astúcia e perspicácia.

Nestas Aventuras Extraordinárias, o Ladrão de Casaca tem um novo e misterioso adversário secreto —“L. M.”—, e precisará sacrificar a nova identidade para desvendar o cruel assassinato de Rudolf Kesselbach, o multimilionário rei do diamante. Além disso, Lupin terá de decifrar o enigma em torno de uma estranha etiqueta com o número 813 que têm aparecido no cenário dos crimes em Paris, crimes dos quais Lupin está sendo falsamente responsabilizado. Prepare-se para muitas reviravoltas.

 

813: A Vida Dupla de Arsène Lupin | Maurice Leblanc

 

A França está sob ataque novamente. Uma série de assassinatos bárbaros choca o país e a polícia precisa descobrir o culpado o mais rápido possível.
Após uma breve investigação, tudo aponta para Arsène Lupin. No entanto, é preciso olhar com muita atenção os detalhes dos incidentes, os quais parecem bastante refinados e bem articulados. Porém, existe um pequeno detalhe que diferencia da assinatura do Ladrão de Casaca: ele não mata suas vítimas.
Enquanto tenta provar sua inocência para os investigadores, Lupin se depara com um novo obstáculo: verdadeiro responsável pelos assassinatos tem uma mente tão brilhante quanto a dele (ou talvez até mais). Contudo, sua identidade permanece um mistério para todos, sendo chamado apenas de “L. M.”. O tempo é curto e cada segundo conta para que a justiça seja feita e o caso solucionado.
No entanto, Arsène terá que lidar não apenas com uma disputa de inteligência, mas também contra seus próprios demônios. Eles estão ficando bem fortes a cada vez que é passado para trás. Será que o Ladrão de Casaca vai sobreviver até o fim da batalha?

 

“Lupin não era homem de conviver com a dúvida.”

 

 

 

Há muito tempo que eu queria ler esse livro, mas infelizmente foi o menos publicado de toda a série e eu nunca encontrava em versão física para comprar/trocar. Um dia, procurando pelo catálogo do Kindle Unlimited, encontrei o volume e tratei de pegar emprestado.
Minhas expectativas eram altas, especialmente por sempre ver comentários positivos a respeito da obra. Além disso, é bem comum a opinião de que ‘813’ seria um divisor de águas na trajetória de Lupin — o que só me deixou mais curiosa ainda.
   Consegui colocar na minha TBR de março, mas me espantei por ter levado
tanto tempo para concluir a leitura (quase um mês).
Em parte, foi porque eu
estava mais lenta nesse sentido devido ao cansaço. Porém, acho que também não
esperava encontrar uma história tão densa.
A narrativa mantém o padrão dos demais livros do personagem. Ou seja, é em terceira pessoa, sendo contada por um narrador que ouviu a história do próprio Lupin e passou para o papel (talvez até o alter ego do autor original).
E aqui conhecemos uma das situações mais complicadas pelas quais Lupin passou. O protagonista é acusado de uma série de assassinatos, os quais teriam começado com o caso de Kesselbach, um homem da alta sociedade morto com um corte profundo no pescoço.
 
 
 
813: A Vida Dupla de Arsène Lupin | Maurice Leblanc
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
O crime era limpo, com indícios de ser perfeito e tudo apontava para Arsène Lupin, já que apenas ele poderia pensar em algo do tipo. No entanto, apenas um detetive nota as pequenas sutilezas no caso e levanta a dúvida a esse respeito.
Até porque, de acordo com o inspetor Lenormand e seu parceiro Gourel, o Ladrão de Casaca pode ser bastante ardiloso e sempre se safa de cenas espetaculares, levando consigo grandes somas. Mas ele nunca matou antes e não seria agora que essa característica mudaria.
Contudo, mais provas aparecem e só complicam o suspeito. Lupin vai preso, embora continue alegando inocência. Sua tranquilidade é tamanha que nunca se sabe se ele está falando a verdade ou apenas cumprindo mais um de seus planos brilhantes.
Mas não existe crime perfeito e o tempo não para. Um mistério paralelo começa a se desenrolar, envolvendo um código com o número 813 e a palavra Apoo. Arsène tem sua chance: ele ajuda a resolver e, ao mesmo tempo, aproveita para investigar suas próprias acusações e provar que foi preso injustamente. A proposta, por sua vez, é aceita a muito contragosto.
Porém, isso não quer dizer que será fácil de cumprir. Até porque o L. M. é uma mente tão brilhante quanto a de Lupin e também já deixou clara sua intenção de manter o adversário na reta da forca.
O jogo de xadrez se forma e cada detalhe conta. Todo mundo pode estar mentindo e é preciso ficar de ouvidos bem atentos a cada frase que dizem.

 

“Quando Lupin fala, a coisa acontece.”

 

 

O livro é dividido em partes, as quais são importantes para o desenvolvimento da trama. Entretanto, achei que as primeiras eram um tanto monótonas, o que deixou minha leitura mais lenta do que eu esperava.
Apesar de gostar tanto do protagonista e panfletar a cada oportunidade, pensei algumas vezes em abandonar a obra. Contudo, decidi dar mais uma chance por conta da opinião geral dos leitores. E foi lendo devagar, intercalando com outros livros, que tive minhas surpresas e depois “fiz as pazes” com Lupin de novo.
 
 
 

 

813: A Vida Dupla de Arsène Lupin | Maurice Leblanc
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
Existe um motivo para a leitura ser arrastada dessa forma e minha mente explodiu quando entendi. A partir daí a trama passa a ser mais dinâmica e praticamente passei a me dedicar apenas ao Ladrão de Casaca.
Arsène se vê cercado de inúmeras teias de mentiras. Assim, ele precisam ser ainda mais esperto do que o de costume se quiser sair vivo dessa enrascada. Até porque o verdadeiro assassino não está de brincadeira.
O mistério paralelo, por sua vez, toma forma aos poucos. Conforme vamos conhecendo o elenco dos outros cenários, percebemos que tudo pode estar interligado e é preciso estar atento a qualquer detalhe. Além disso, Lupin mostra mais uma vez que pode ser o mestre dos disfarces e está em todos os lugares que se possa imaginar.
No entanto, não sei se é o cansaço pela idade, ou o susto por encontrar um adversário decente, mas senti o Ladrão de Casaca um tanto trouxa dessa vez. Eu não sabia se queria dar uns tabefes na cara dele e mandar acordar, ou dar um abraço e um olhar de pena.

 

“A cena tinha qualquer coisa de trágico, aquela espécie de grandeza e solenidade que as horas adquirem quando estamos próximos de um possível milagre. É como se a própria voz do destino estivesse a ponto de soar.”

 

Os detetives, por sua vez, são menos presentes após um certo tempo. O que deixa boa parte do espetáculo para o protagonista, que mostra sua veia investigadora. 
Embora tenha passado meus momentos de raiva com ele, a verdade é que Lupin continua sendo Lupin. Com a inteligência que tem, acabou fazendo um ótimo trabalho, de modo especial depois que acordou para a vida.
Ao longo da trama, fui feita de trouxa quase que a cada capítulo. Mas acertei a identidade do verdadeiro assassino e fiquei bem feliz. Porém fui feita de trouxa logo em seguida com as atitudes do Ladrão de Casaca ao constatar a informação.
Confesso que, já tendo lido os primeiros livros do personagem, sabia da sua fama de justiceiro e até um tanto precipitado demais. Entretanto, não esperava ver um lado tão sombrio como vi em ‘813’. Lupin praticamente muda da água para o vinho e eu deixei de reconhecê-lo. Ainda tenho dúvidas se isso é bom ou ruim, mas também não sei o que faria se estivesse no lugar dele.

 

“Diabos, Lupin! Você vai ser sempre o mesmo, até o fim da vida, insuportável e cínico!”

 

 

O desfecho é surpreendente e, ao mesmo tempo, assustador. Simplesmente devorei o livro a partir da metade e ainda não sei definir o que senti. 
Mas posso dizer que terminei a leitura com uma sensação de ter visto uma pessoa apanhar bastante da vida e que agora quer se vingar a todo custo. Talvez por isso eu já tenha notado uma sutileza de suas mudanças em ‘A Rolha de Cristal’ (o volume depois de 813). Veremos agora como será a personalidade de Lupin nos demais livros.
 
 
 
813: A Vida Dupla de Arsène Lupin | Maurice Leblanc
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
Como li a versão digital, posso falar que a diagramação e a revisão estão muito bem feitas. A capa é objetiva e passa a mensagem do que encontraremos (sim, minha mente explodiu quando entendi o motivo das engrenagens e me agarrei mais ainda ao livr0).
Por fim, se nunca leram as aventuras de Arsène Lupin, recomendo que leiam. Ainda mais se curtem os clássicos de investigação. A série é um tanto longa, mas os livros estão em domínio público. Então, são fáceis de encontrar por meios gratuitos.

 

E aí, o que acharam da resenha? E de ‘813’? Me contem nos comentários.
 
 
Texto revisado por Emerson Silva 
Postado por:

Hanna de Paiva

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