Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de romance policial por aqui. E sabe o melhor? Ele é nacional e descobri por mero acaso.
Livro: O Roteiro da Culpa
Autoria: Breno Massena
Editora: Independente
Ano: 2025
Páginas: 207
País: Brasil
Formato: Digital (disponível no catálogo do Kindle Unlimited até o momento)
Nota: 5/5

Quando sua namorada é assassinada no Rio de Janeiro seguindo exatamente a cena de um dos seus romances, o escritor Téo de Castro se torna o principal suspeito — e a única testemunha de uma verdade que a sua memória falha não consegue alcançar. Entre culpa, álcool e lembranças quebradas, ele precisa descobrir quem está transformando sua ficção em crime antes que o próximo capítulo seja escrito com o próprio sangue.
O Roteiro da Culpa é um thriller policial brasileiro de forte suspense psicológico, ambientado na Tijuca e em outros cantos do Rio de Janeiro: ruas chuvosas, estacionamentos vazios, bares e apartamentos apertados onde cada detalhe pode ser uma pista. Aqui, o romance policial brasileiro encontra o clima de romance policial noir: o autor vira assassino simbólico, a literatura vira tribunal moral e cada decisão pesa como uma nova prova.
À medida que a investigação avança, Téo é empurrado para dentro do próprio passado. Ele precisa encarar o que escreveu, o que viveu e o que escolheu esquecer, num jogo em que a mente é o cenário mais perigoso. Ideal para leitores que buscam suspense policial, thriller psicológico e livros de investigação policial com personagens de moral cinzenta e atmosfera urbana intensa.
Téo de Castro é um autor carioca de grande prestígio, especialmente depois que seus livros ficaram famosos e venderam milhares de cópias. Ele é um escritor de thriller e tem bastante criatividade ao pensar em elementos mais marcantes de cenas de crime.
Contudo, depois que sua namorada foi encontrada morta em uma situação semelhante à que foi publicada em seu primeiro best-seller, a polícia se pergunta: será que os livros de Téo de Castro são puramente imaginativos, ou tem uma inspiração macabra por trás?
O escritor jura inocência, mas nem mesmo ele se lembra de onde estava na hora do assassinato. Para complicar, novas vítimas aparecem, sempre submetidas às cenas relatadas em seus livros mais vendidos. Téo teria mesmo tanta coragem para cometer os crimes que até então estavam apenas em sua cabeça, ou é tudo obra de um fã que levou sua admiração a um novo nível?
Esse livro entrou no meu radar muito por acaso, através daqueles posts patrocinados do Instagram (foi a primeira vez que aquelas propagandas chatas serviram para alguma coisa, hehe). A capa me chamou atenção e fiquei feliz quando vi que estava disponível no Kindle Unlimited.
Mesmo tendo diversos livros na nuvem do kindle (e na estante também), estava com problemas sérios para engatar uma leitura depois que entrei em ressaca literária. Nenhuma estava dando certo e resolvi testar com uma obra desconhecida.
A narrativa é em terceira pessoa (na maior parte das vezes), trazendo uma visão mais geral de tudo que está acontecendo. Ambientada na Tijuca, um bairro nobre do Rio de Janeiro, conhecemos Téo de Castro.
Ele é um escritor que se consagrou no suspense e está no topo da lista dos mais vendidos por anos seguidos. Os livros já tem alguns anos no mercado, mas ainda rendem um bom dinheiro por direitos autorais para o autor. Contudo, o rapaz sabe que precisa escrever um novo livro logo, pois a editora está cobrando.
Enquanto a criatividade não vem, Téo passa seus dias afogando as mágoas no bar próximo de casa. E é num desses que uma coisa macabra (e estranha acontece). Lygia, a namorada do escritor, é encontrada morta num estacionamento de shopping.
O fato por si só é aterrorizante. Porém os detalhes da cena do crime chamam bastante atenção, exatamente porque Téo sabe de onde todos eles vieram: Visconde 75, seu primeiro romance policial publicado anos atrás. A polícia percebeu a mesma coisa e logo o autor se tornou o suspeito número 1. Afinal, quem melhor que o próprio criador da história para tornar ficção uma realidade com tanto esmero?
Contudo, os últimos dias de Téo tem sido um verdadeiro borrão. Se nem ele mesmo se lembra do que tomou no café da manhã, como pode saber se matou a própria namorada? Porém, saber da possibilidade deixa o rapaz depressivo e afundado no remorso.
“Sabia que estava entrando onde não devia. Mas, também, sabia que alguém precisava contar o que ninguém mais tinha coragem de escrever.”
Com a narrativa se tornando mais intimista, chegamos perto do que se passa na cabeça do personagem. E não é uma parte fácil de se ler. O escritor vive dias turbulentos, especialmente quando o caso do escritor assassino sai na mídia. Ele realmente seria capaz de algo tão brutal? O que se passa na cabeça de um escritor de suspense, que ganha a vida vendendo cenas de morte e sangue?

O público também não perdoa e a notícia ganha grandes proporções, fazendo pressão na polícia, especialmente depois que novas vítimas surgem. Será que o Téo vende livros baseados em fatos reais que ele mesmo cria?
Essa pergunta começa a girar em torno dos pensamentos, não apenas do leitor, mas do próprio protagonista, que se torna menos confiável a cada capítulo. A trama é não-linear, então também podemos conhecer uma versão do passado do autor antes de toda a repercussão do caso, bem como dos personagens secundários.
O elenco é pequeno, porém bem desenvolvido. Cada personagem tem um papel importante na história, que pode ser fundamental para a resolução do problema. Por isso, é preciso estar atento a cada detalhe.
“Tudo nela dizia que aquilo não era uma coincidência – era um recado.”
Ao longo dos capítulos, vamos entendendo um pouco do papel de cada um. Assim, temos a mãe de Téo, sempre amorosa e tentando compensar a falta do pai já falecido. Conhecemos também o irmão mais velho, que age mais como anjo da guarda do caçula, especialmente quando a mídia começa a cair em cima. Embora não sejam perfeitos, gostei de ver a relação entre eles, tentando se manter unidos, mesmo quando estavam contra a maré sensacionalista.
Falando nisso, não poderia deixar de citar os jornalistas investigativos, que parecem apostar numa corrida frenética com a polícia para ver quem resolvia o caso mais rápido. De modo especial, Luisa Biaz é a minha favorita. Ela é honesta, esperta e sempre tenta se manter um passo adiante de seus colegas.
Como eu estava saindo uma ressaca literária, embarquei sem me preocupar com detalhes técnicos. Fui apenas pelo deleite de uma escrita fluida e envolvente, que me prendeu até o final. Não criei teorias dessa vez e só me deixei levar pela leitura. Mesmo assim, algumas coisas já estavam tão óbvias, que foi impossível não pescar o que tinha acontecido.
Outra coisa que reparei foi que a premissa é simples e não oferece grandes promessas. É aquela história simples, básica, com pé no chão, que poderia muito bem ser transmitida num jornal.
“A frase parecia uma confissão divina. A loucura dele era quase tóxica. Inacreditavelmente cortante. E, paradoxalmente, fazia algum sentido.”
Mas ganhou pontos comigo, por mostrar que um bom livro não precisa de métodos revolucionários. Às vezes, um básico do tipo “feijão com arroz” bem feito funciona perfeitamente.
Além disso, eu nunca tinha pensado num Rio de Janeiro mais sombrio, ao estilo noir. Porém surpreendeu positivamente, até porque admito que combinamos com essa vibe. E acho que ficou mais imersivo para mim, pois eu conheço os locais reais citados na história. Então me imaginei com facilidade nas cenas (o que é ótimo, porém dependendo da cena, perturbador, hehe).

O desfecho é previsível, porém satisfatório. Gostei da forma como o autor fechou o arco, trazendo respostas que eram condizentes com a trama. E, assim como toda a trama, aqui temos um encerramento sem grandes reviravoltas. Porém, terminei com um sorriso no rosto, por ter devorado um livro em menos de uma semana.
Falando sobre o livro em si, li em versão digital. Então posso afirmar que gostei da diagramação e de como a narrativa foi estruturada. A revisão deixou passar uns errinhos, porém nada que impeça a compreensão da leitura. A capa também é simples, mas traz elementos que já nos mostram o que iremos encontrar ao longo das páginas, além de já mostrar o estilo mais sombrio.
Em resumo, ‘O Roteiro da Culpa’ é um romance policial simples e sem grandes promessas. Mas recomendo se você está tentando sair de uma ressaca, ou mesmo se aventurar em uma literatura nacional.

Você já conhecia esse livro? Também se surpreendeu com um livro que não prometia nada, mas entregou tudo? Me conta nos comentários!
Moonlight Books
oi HANNA!aQUELAS PROPAGANDAS SÃO BEM CANSATIVAS, MAS AINDA BEM QUE DESSA VEZ TROUXERAM ALGO BOM. eU NÃO CONHECIA, MAS SE TIROU VOCÊ DA RESSACA, REALMENTE VALE A PENA CONFERIR. Bjos!!
Moonlight Books
@moonlightbooks
Hanna de Paiva
Oi Cida, eu também tenho ranço dessas propagandas, hehe. Mas pelo menos dessa vez posso dizer que serviu de alguma coisa. =)