Olá meu povo, como estamos? Guerra Primitiva chegou ao Brasil no finalzinho do ano passado, prometendo muito scifi misturado com terror. E agora, já tendo terminado a leitura, trago minhas impressões finais para vocês.
Livro: Guerra Primitiva
Autoria: Ethan Pettus
Tradução: Jonas Vendrame
Editora: Skull
Ano: 2025
Páginas: 308
País: EUA/Vietnã
Formato: Impresso
Nota: 4.5/5
*A GUERRA NUNCA TERMINOU… E A SELVA ESCONDE MAIS DO QUE HOMENS.*
A SKULL EDITORA tem o orgulho de anunciar o lançamento nacional de *GUERRA PRIMITIVA*, o aclamado livro de Ethan Pettus — uma mistura explosiva de horror, ação militar e dinossauros sanguinários.
Uma equipe de busca e resgate conhecida como Esquadrão Abutre é enviada a um vale isolado na selva para descobrir o destino de um pelotão de Boinas Verdes desaparecido. Enquanto caçam nas profundezas primordiais do vale, descobrem horrores ancestrais que ameaçam não apenas desvendar suas mentes, mas também acabar com suas vidas. À medida que as baixas aumentam, os homens do Esquadrão Abutre devem abandonar sua natureza humana e ceder aos seus instintos selvagens para sobreviver… à Guerra Primitiva.
E prepare-se: Guerra Primitiva vai ganhar as telas do cinema.
Leia antes que a selva o engula.

Os anos de 1960 foram marcados pela Guerra do Vietnã. Estados Unidos e Rússia disputavam uma verdadeira corrida armamentista e sempre queriam ser os melhores em tudo.
Tais movimentos exigiam soldados de elite, que os Estados Unidos chamavam de Boinas Verdes. Esse grupo era responsável por descobrir os planos do inimigo para usar contra eles mesmos. Porém, numa dessas missões, a equipe desapareceu nas matas vietnamitas.
É quando o Esquadrão Abutre entra em ação, para resgatar os colegas e completar o plano original. O esquadrão só é requisitado em questões de emergência. Logo, são treinados para as mais diversas dificuldades. Eles só não esperavam que tais adversidades incluiriam seres extintos há milhões de anos.
Agora precisam correr contra o tempo para tentar salvar os Boinas Verdes, além de descobrir como (e por que) dinossauros foram parar no meio do Vietnã. Mas será que estarão vivos quando as respostas chegarem?
“[…] Aquilo não podia estar acontecendo. Nada daquilo podia ser real. Aqueles seres, aqueles olhos gigantescos… ele sentia o tecido da própria sanidade começando a se rasgar.”
Esse livro me chamou atenção assim que a Skull anunciou que traria para o Brasil. Primeiro por ser vendido como “o livro que inspirou o filme homônimo”, e segundo por ter uma proposta que lembra bastante Jurassic Park.
Porém a única semelhança entre ambas as tramas é a presença de dinossauros. Enquanto o mais antigo trazia os seres como fonte de entretenimento, como uma espécie de safari (que obviamente deu errado), Guerra Primitiva traz dinossauros com um propósito bem mais perigoso.
A trama é narrada em terceira pessoa, circulando livremente pelo núcleo dos soldados do Esquadrão Abutre (estadunidenses), intercalando com os russos. Dessa forma, temos uma visão bem ampla do que está acontecendo, para podermos criar nossas próprias teorias.
Além disso, achei interessante que a trama passa pelos esquemas e politicagens da Guerra do Vietnã, mas também passeia pelos pensamentos mais íntimos dos personagens. Então não temos apenas as aventuras e ação que esse tipo de história traz, mas também uma visão mais aprofundada das consequências que a guerra traz na cabeça de quem está na linha de frente.
O elenco, por sua vez, é enorme. Então tive certa dificuldade para me ambientar com os acontecimentos e diálogos. Além disso, ver o que se passava na cabeça de cada personagem deixou a leitura mais densa, lenta e repetitiva em diversos momentos. Talvez por isso ela tenha demorado tanto para engatar.
Porém, conforme a trama avança, entendi o motivo da escolha de cada personagem. Ao longo das reviravoltas, me tornei próxima de cada soldado e fui me solidarizando com os sentimentos e os fantasmas que carregavam.
“[…] Você não sabe quem está machucando até que o dano já esteja feito. Lembre-se disso.”
Até vi comentários negativos a esse respeito, mas eu acho que a sinopse fez os leitores criarem expectativas demais para um romance com “tiro, porrada e bomba” do início ao fim. Contudo, ao se depararem com questionamentos e dilemas de mentes quebradas no meio do caminho deve ter “broxado” o público.
Porém, indo na contramão do senso comum, foi exatamente isso que me fez gostar e continuar a leitura. Exatamente por trazer personagens humanos e próximos da realidade. Até mesmo porque não acho que as pessoas sairiam de um cenário assustador como o de uma guerra, sem precisar de apoio psicológico (ou até psiquiátrico) depois.

Se vão aceitar ou não, aí é papo para outro post. Mas gostei muito de ver como os personagens lidavam com essa necessidade, tentando lidar com isso no meio das trincheiras. Mostrando que a relação deles era de amizade verdadeira e solidariedade.
Outro ponto positivo nesse livro é a trama central. Ela traz o clima de espionagem e suspense, prometendo reviravoltas e entregando respostas críveis. Então, também acompanhamos os soldados brilhando como a equipe de elite que são.
Amei ver, não apenas os estadunidenses, mas também os russos tentando provar quem eram os melhores, mais fortes e mais espertos. Claro que, sendo estadunidense, o autor iria puxar mais a sardinha para seu país nessa disputa.
“[…] Quando se torna parte da guerra, a guerra se torna parte de você. Nunca se livrará dela. Você quer isso? […] Quer conviver com esses erros pelo resto da vida?”
Por conta disso, senti falta de ver mais cenas dos inimigos, especialmente Sergei e o Dr. Andrei. Embora estivessem em fases diferentes da vida, com visões distintas da guerra, é fascinante ver como a jornada de amadurecimento e redenção deles foi emocionante. Apesar de ficar triste com algumas consequências, acho que o autor só mostrou o quanto a vida pode ser brutal e não podemos impedir.
O mesmo posso dizer sobre o Esquadrão Abutre, especialmente em relação ao Ryan (líder), Eli e Logan. O primeiro já era quebrado de batalhas passadas e tentava não surtar ao ver que não poderia salvar o mundo como sonhava. Já os outros são mais jovens e idealistas.
Porém enquanto Eli desejava voltar para casa com medalhas para conquistar garotas como herói de guerra, Logan só queria que as vozes de sua cabeça se calassem para ele ter um pouco de paz. O que é assustador e, ao mesmo tempo, tão real. Pois a verdade é que podemos conviver com pessoas há tanto tempo e nunca saber o quanto estão sofrendo dentro da própria mente.

Assim como no elenco russo, o estadunidense segue uma jornada de redenção tão real quanto. O que me fez tirar o chapéu para o autor que, mesmo querendo trazer um livro de ação, conseguiu tocar em pontos tão sensíveis da humanidade de forma delicada e sensível.
Mas de todos os personagens, os que mais brilharam foram os dinossauros. Se em Jurassic Park eles eram vistos como seres abomináveis, perigosos e assustadores, espera até ver o que te aguarda em Guerra Primitiva.
O Ethan conseguiu trazer dinos de uma forma completamente diferente do imaginário que o público tinha durante os anos 1990-2000. Aqui, eles são retratados como verdadeiras galinhas gigantes, com penas e uma biomecânica que retratam as atualizações científicas mais recentes. O mesmo eu posso falar sobre a paleoecologia desses bichos, que mesmo ainda com diversos hiatos (já que estamos lidando com animais extintos há milhões de anos), contudo já renderam descobertas impressionantes.
Mesmo sabendo que se tratava de um livro de entretenimento e não técnico, eu fiquei surpresa com o nível de pesquisa que o autor fez. Não apenas isso, mas ele teve a solução perfeita para resolver a questão de dinossauros que nunca conviveram juntos (seja por geografia ou época em que existiram).
Como paleontóloga/paleoecóloga, fiquei surpresa positivamente e dei mais alguns pontos para a leitura. Além de ter me sentido lendo cenas que sairiam perfeitamente num episódio do Discovery Channel ou documentário da BBC. E é aqui que o terror gore entra, já que não são cenas fáceis de serem lidas.
Eu tive que parar a leitura diversas vezes para respirar fundo ao imaginar as cenas fortes e cheias de detalhes, que me deram nó no estômago. Não apenas elas, mas também as de tortura de soldados inimigos, que não recomendo para leitores mais sensíveis.
“A natureza não pode ser controlada. Nossos erros sobreviverão a nós. As consequências se espalharão e não haverá como reverter.”
O desfecho, ao contrário do início, traz muito “tiro, porrada e bomba”, mas também reviravoltas que dão um gancho perfeito para a sequência (confirmada para ser lançada no segundo semestre de 2026). No entanto, tendo visto como as coisas aconteceram, senti falta de respostas para alguns personagens (especialmente os do Vietnã, que ficaram esquecidos no churrasco).
Falando sobre o livro em si, eu gosto das edições da Skull, sempre caprichadas na diagramação e capa. A revisão também está de parabéns, com uma fonte confortável à leitura, conferindo uma experiência positiva.

Em resumo, Guerra Primitiva é uma leitura que demora para engatar, mas depois você não vai querer largar. Tem uma proposta fora da caixa e lembra um dos clássicos mais icônicos do cinema/literatura. No entanto, ele tem personalidade própria e vai te dar muitos sustos e incômodos ao longo das páginas.
Agora me conta nos comentários: você gosta de livros que tenham dinossauros como tema central? Já tinham lido esse livro, ou algum outro do autor?