Olá meu povo, como estamos? Já tinha um bom tempo que eu queria ler algo da Claudia Lemes, pois sempre via comentários positivos. Finalmente tive a chance e hoje estou aqui para contar minhas impressões finais sobre Medeia Morta.
Livro: Medeia Morta
Autoria: Claudia Lemes
Editora: Harper Collins
Ano: 2023
Páginas: 344
País: Brasil
Formato: Digital (disponível no catálogo do Kindle Unlimited até o momento)
Nota: 5/5
ATÉ ONDE VOCÊ IRIA PARA FUGIR DO PASSADO?
QUANDO MEDEIA, a ex-professora de literatura de Ian, é assassinada, ele sente o mundo desmoronar. Além de ser o principal suspeito, o jovem estava apaixonado por ela, e agora a relação proibida dos dois, que até então era mantida em segredo, tornou-se pública.Deprimido, Ian é atacado na mídia e nas redes sociais enquanto espera o desenrolar da investigação. Mas tudo muda quando ele recebe uma carta misteriosa escrita por ninguém menos que a própria Medeia.
A correspondência está repleta de referências aos filmes e livros policiais que ela tanto adorava. Agora, caberá a Ian desvendar o conteúdo oculto das mensagens de Medeia, descobrir a verdade por trás do crime e vingar a morte de sua amada.

Maria Clara Medeia Muniz é professora de literatura no Colégio Machado de Assis. Suas aulas sempre eram conhecidas por serem monótonas e sem graça. Porém, seus alunos tinham certo medo, especialmente por conta da postura poderosa que passava quando entrava em sala.
Embora ela tivesse esse ar inalcançável para as turmas, nos bastidores era uma mulher quebrada e cheia de receios. Fato que um de seus alunos, Ian Torres, vai conhecer da forma mais inusitada (ou não). A interação logo toma outro rumo e Medeia se vê no dilema entre seguir o que a sociedade manda e ceder aos encantos do rapaz.
Não demora muito até que o relacionamento improvável se concretize. O que pode trazer consequências perigosas para o casal. Especialmente quando a professora morre em um incêndio criminoso e tudo indica que Ian seria o responsável, já que ele foi a última pessoa a ver a namorada com vida.
O caso logo toma conta das mídias sociais. Afinal, Ian não era apenas um aluno terminando o ensino médio, era também filho de um dos políticos mais corruptos que o país já viu. Usando da máxima “filho de peixe, peixinho é”, o rapaz é julgado pelo público como assassino frio e cruel, mesmo que ele alegue inocência.
Tentando manter a sanidade enquanto a investigação avança, Ian esperava encontrar de tudo em seu caminho, menos uma carta enviada por sua amada pouco antes de morrer. A carta era bem reveladora e pode conter as pistas necessárias para que o rapaz descubra o que realmente aconteceu naquele dia e, enfim, fazer a justiça que a professora merece.
Contudo, a pressão das mídias e da polícia aumenta a cada dia, deixando Ian também mais perto de ir para trás das grades. Será que ele vai conseguir provar que é inocente?
“Ah, Medeia, você não é nenhuma Garota Exemplar. Além de não ser linda, não é inteligente. E isso não é um livro policial: planos dão errado, ninguém age como o esperado, é tudo uma merda.”
Como falei no começo deste post, eu sempre via os livros da Claudia Lemes indicados como bons suspenses nacionais. Depois de muito tempo vendo suas obras no catálogo do Kindle Unlimited, e também de ver as indicações de vocês nas minhas redes sociais/canal, resolvi tentar a sorte com o primeiro livro da autora. E tive uma grata surpresa.
A narrativa é não-linear, e também muda o ângulo dos pontos de vista conforme o tempo. Assim, a parte do presente é em terceira pessoa, onde acompanhamos a história em um ângulo mais geral. Já a parte do passado é em primeira pessoa, contada pela própria Medeia, através das cartas que deixa para Ian.
A protagonista é gente como a gente. Desde jovem tinha planos de um relacionamento estável, construir uma família amorosa e feliz, além de cuidar da mãe já idosa. No entanto, conforme avançamos nas cartas, vamos entendendo como era realmente o núcleo familiar que ela tinha.
Sendo bem sincera, eu não sei como Medeia não surtou diante de tanta desgraça. A coitada comeu o pão que o diabo amassou e ainda passou na fila para a sobremesa. Quando a gente achava que não tinha mais nada para acontecer, a vida vinha e mostrava que era possível encaixar mais um problema.
Não era de se admirar que a personagem vivesse do jeito que vivia pouco antes do assassinato, especialmente a armadura que criou no ambiente profissional. Acho que, no fundo, aquele foi o único jeito que ela conseguiu para fingir que o mundo ainda poderia ser bom, mesmo que nem ela acreditasse muito nisso.
Lendo tudo pelo que a protagonista passou, eu me via pelos olhos dela e passando pelos mesmos perrengues. O que me fez lembrar dos meus próprios relacionamentos anteriores e como eu sabia que tinha algo errado, mas continuava por simples comodismo. Precisei de muita terapia para entender que nada daquilo era saudável e que eu também merecia ser feliz.
E, conforme Medeia relata o que aconteceu, parece adivinhar tudo o que Ian queria lhe questionar. Afinal, quem está de fora do furacão sempre acha que as coisas são fáceis de resolver. Mas só quem vive isso realmente entende as respostas que ela dá (e mesmo assim, são aqueles momentos de verdade dolorosa, mas que precisam ser ditas).
Por outro lado, Ian é um rapaz que acabou de completar 18 anos e está cheio de gás. Apaixonado pelo mistério de Medeia, faz de tudo para se manter presente e burlar todos os obstáculos que ela impõe.
Sinceramente, achei que a abordagem dele era até invasiva demais. Se eu estivesse no lugar da professora, teria sido mais incisiva ao dar os cortes nele. Mas sabe como é, se os personagens não tivessem algum problema, a gente não teria história. Então não demorou até que a mais velha cedesse ao charme do jovem e respondesse aos seus sentimentos mais profundos.
A química entre os dois é rápida, como um romance adolescente. O que é compreensível, dado o que Medeia sofreu no passado, além da idade do amante. O relacionamento dos dois era válido, já que Ian esperou completar 18 anos antes de insistir. Porém não é assim que a mãe dele pensa, causando muitos momentos de faíscas na casa dos Torres.
“Era curioso que as pessoas pudessem sentir raiva e paz ao mesmo tempo, revolta e libertação. Talvez sentimentos fossem como cores, e quando você os juntava vinha a clareza absoluta.”
Fabíola já tem muitos problemas com a mídia, por conta do marido, encontrado morto em circunstâncias suspeitas. Sua cabeça estava a mil, mas em momento algum deixou de dar atenção ao filho. Assim, fazia de tudo para que ele continuasse sendo o “filhinho da mamãe”, mimado e com tudo na mão.

Mas seu domínio corre risco quando Medeia entra em cena. Sendo uma mulher madura e sem grandes poderes aquisitivos, só poderia estar com Ian por puro interesse financeiro. Dessa forma, Fabíola estava protegendo não apenas o filho iludido com seu primeiro amor, mas também os interesses da família. Ao menos era isso o que ela pensava, até que tudo mudou.
“O mundo ainda tá aqui, ainda é o mesmo. Você que não se encaixa mais nele. E ele não te quer.”
A sua “não tão querida” nora é encontrada morta, vítima de um incêndio criminoso, dentro de uma das propriedades dos Torres. Quando a polícia afirma que tudo aponta para Ian, e não parece fazer grandes esforços para seguir outra linha de investigação, Fabíola só confirma que Medeia era uma interesseira e a tensão só aumenta em casa.
Conforme os investigadores se aprofundam mais no caso, Ian se vê com a corda no pescoço e quer provar de uma vez por todas sua inocência. E vê nas cartas deixadas por sua amada uma chance para tal.
Cada carta tem um título, explicado quando entendemos o tema. Medeia era não apenas uma professora de literatura, mas também ávida leitora e espectadora de obras de suspense. Inclusive esse foi o motivo que mais aproximou o casal. E talvez essas referências sejam também a tábua de salvação do rapaz (ao menos é o que ele espera).
No entanto, precisa estar muito atento ao que elas querem dizer para confirmar se tudo não passa de simples coincidência. Eu confesso que estava junto do Ian nessa premissa e logo passei a prestar atenção quando apareciam.
E foi exatamente por conta disso que minha forma de pensar mudou e eu passei bancar a detetive. O que me deixou bem orgulhosa no final, pois acertei em 100% o plot. Contudo, minha alegria se tornou uma surpresa ao ver que faltavam páginas e a autora ainda conseguiu adicionar reviravoltas aos 45 do segundo tempo, que me deram um belo tapa na cara.
“O mundo só gosta de vítimas quando elas ficam quebradas para sempre, além de qualquer salvação.
Minha única “reclamação” em relação a esse livro é que a autora fechou muito bem o arco, porém senti que alguns personagens secundários foram esquecidos no churrasco. Se não me engano, esse livro não tem sequência. Então já sei que nunca terei as respostas do fechamento de algumas situações. Mas nem por isso tirou o mérito da leitura, que continua com nota máxima.

Fiquei pensando nesse livro por dias, pois fui realmente arrebatada pela leitura e já quero ler outros títulos da autora. Falando sobre o livro em si, li a versão digital. Então posso falar da capa, que gostei bastante (e foi exatamente ela que me atraiu para a leitura). Gostei também da diagramação simples e objetiva, que rendeu uma experiência positiva de leitura e recomendo de olhos fechados.
Agora me conta: já leu esse ou algum outro livro da autora?

Andrea Morais
Preciso ler mais autoras nacionais! Adorei a premissa desse livro, apesar de, como você, eu não concordar com a postura da professora em se envolver com um aluno, mas, se não fosse assim, não haveria história né, então, relevamos! Já vou procurar no Kindle para ler! Obrigada pela dica, Hanna!
https://www.livrelendo.com
Hanna de Paiva
Pois é, amiga. Se não fossem essas problemáticas, não teríamos histórias, haha. Mas espero que goste da leitura. =)
Moonlight Books
Oi hanna! Essa autora é bastante elogiada e tenho vontade de ler uma de suas obras. Gostei de saber sua opinião.
Boa semana!
Moonlight Books
@moonlightbooks
Hanna de Paiva
Sim, ela é muito elogiada, e foi premiada com esse livro, inclusive, né?