Olá meu povo, como estamos? Fazia tempo que eu queria conhecer a escrita de Guillaume Musso. Mas nunca conseguia, pois o preço estava fora do orçamento. E pense na minha felicidade ao encontrar a bibliografia dele no catálogo do MEC Livros! Agora que tive a chance, deixo com vocês minha opinião sobre A Garota e A Noite, o primeiro volume da Trilogia dos Escritores.
Livro: A Garota e A Noite
Autoria: Guillaume Musso
Tradução: Julia da Rosa Simões
Editora: L&PMl
Ano: 2021
Páginas: 296
País: França
Formato: Digital (disponível no catálogo do MEC Livros)
Nota: 4/5
“O amor é tudo ou não é nada.” Liceu Internacional Saint-Exupéry, na Côte d’Azur francesa. Uma das mais festejadas escolas da França, focada em línguas estrangeiras e frequentada pela elite, está completando cinquenta anos de existência. Em função desse aniversário, os formandos dos anos de 1990 a 1995 são convidados para um reencontro que promete alegrias e muitas recordações. Um dos ex-alunos que torna à terrinha para a ocasião é Thomas Degalais, ficcionista autoexilado em Nova York. Há mais de vinte anos, ele passou boa parte da adolescência nesse lugar idílico, e voltar para lá depois de tanto tempo pode ser um tanto perturbador. E não só porque a maioria de seus colegas do sexo masculino estão carecas, nem porque o reencontro inevitavelmente suscitará reflexões e comparações quanto a quem se deu bem na vida, quem está em melhor forma, quem está pior. Um jornalista local, também ex-aluno do Saint-Exupéry, parece querer mais do que apenas relembrar um acontecimento de 25 anos antes: o desaparecimento de Vinca Rockwell. Ela, uma das alunas mais populares e brilhantes da escola, adorada e amada por muitos, fugiu no meio da noite com um professor com quem mantinha um caso secreto, e nunca mais ninguém teve notícias suas. Estranhos eventos recebem os convivas no lugarejo, principalmente Thomas, Fanny e Maxime – estes dois os melhores amigos da desaparecida. Teriam eles comparecido somente por causa do reencontro, ou há algo no passado que querem manter escondido?”

O Liceu Internacional Saint-Exupéry é bastante conhecido na Côte d’Azur francesa. Agora, prestes a completar seus 50 anos de existência, os diretores estão organizando uma baita festa, com o objetivo de reunir alunos formados entre 1990-95 e anunciar uma grande reforma no prédio.
Como já se passou muito tempo da formatura, diversos alunos seguiram seus caminhos e precisam cruzar o oceano para chegar até o local do evento, como é o caso de Thomas Degalais. Escritor renomado e conhecido por seus romances arrebatadores, o rapaz achou que jamais pisaria novamente na cidade onde passou boa parte de sua vida.
Mas sendo filho dos diretores do Liceu na década de 1990, fica impossível negar o convite para voltar aos antigos corredores. Assim, ele parte de Nova York rumo à sua cidade natal e sabe que vai precisar lidar com muitas coisas indesejadas.
Uma delas é ver que o tempo passou para todos. Então vai ter que encarar seus jovens colegas de turma agora carecas e com barriguinhas salientes, devido aos anos de vida sedentária.
Mas tem outra coisa que perturba Thomas há muito tempo, o suficiente para fazer ele nunca mais querer voltar para a França. Há 25 anos, Vinka Rockwell, seu grande amor da escola, desapareceu de repente. Tudo indicava que ela teria fugido para viver um romance proibido com Alexis Clemént, o professor de Filosofia. Porém o casal apaixonado nunca foi encontrado, o que alimentou décadas de histórias e lendas urbanas.
A narrativa é em primeira pessoa, então vemos tudo pelo ponto de vista de Thomas. Conforme ele reencontra seus antigos colegas e passeia pelos corredores do liceu, vamos também acompanhando suas memórias de quando ainda era um aluno cheio de sonhos e incertezas.
Por conta disso, a história se torna não-linear. Contudo, o vai e volta foi de grande importância para que pudéssemos juntar as peças do que aconteceu na noite mais marcante para os alunos de Saint-Exupéry. Thomas também segue cada vez mais incomodado, especialmente quando coisas estranhas começam a acontecer entre os convidados, que parecem indicar que mais alguém sabe a verdade e está disposto a fazer com que todos paguem.
Mas o que essa pessoa sabe? O que aconteceu de tão grave, ao ponto de levar a uma vingança tão bem elaborada? É o que Thomas começa a se perguntar e percebe que precisa correr atrás de respostas, antes que seja tarde.
Como falei no início dessa resenha, eu nunca li os livros do autor, porém tinha muita curiosidade, por ver comentários sempre positivos a respeito de tramas bem elaboradas e complexas. E eu concordo com esses comentários.
A escrita de Guillaume é fluida e faz o leitor se ambientar com facilidade ao cenário. E achei mais impressionante o fato de acontecerem tantos fatos e reviravoltas num intervalo tão curto de tempo, dado que Thomas foi passar apenas o final de semana na sua cidade-natal.
Além disso, o protagonista me rendeu um misto de sentimentos. Em alguns momentos, eu sentia pena dele. É nítido o quanto ele tem relutância em lidar com a própria família. Em parte, eu tentei levar em consideração que a relação fria dele com os pais era devido à cultura do país, que não tem histórico de ser caloroso com os elos familiares como aqui no Brasil.
No entanto, o tempo todo eu sentia que havia algo a mais nesse distanciamento. Em especial por ver o grande esforço que Thomas faz para garantir que fique cada dia mais isolado.
Conforme conhecia mais do personagem, entendi o motivo. Juntando isso com as confissões do passado do narrador, fui de pena a ranço num estalar de dedos.
Thomas era o típico adolescente metido e mimado. Seu poder aquisitivo lhe permitia isso e estar numa escola de alta elite apenas reforçava o ego inflado de todos os alunos. Talvez por isso meus sentimentos eram conflitantes em boa parte do tempo.
Aos poucos, fui conhecendo também os personagens do elenco secundário e entendendo como era a relação deles com Thomas. E aqui eu gostei da jogada que o autor fez, de dar voz a alguns personagens também, deixando que eles contassem seus próprios pontos de vista.
Assim eu pude ter uma ideia mais geral do que estava acontecendo e não fiquei apenas com a versão de Thomas (que se tornava menos confiável a cada capítulo).
No entanto, isso não diminuiu meu ranço, muito pelo contrário. Percebi que nesse livro não temos personagens 100% mocinhos ou vilões. Talvez, se estivesse no lugar deles e passasse pelas mesmas situações, eu não sei o que faria.
Mas isso não me impediria de ser sensata, coisa que esse elenco não foi. Por conta disso, o desfecho foi bom, mas me deu a sensação de impunidade. O que mostra que nem sempre o mundo é justo como a gente gostaria, mas somos obrigados a aceitar.
Foi um livro que me fez refletir sobre tanta coisa, que ganhei bem mais do que a experiência de ler um livro de mistério. Só fiquei incomodada com algumas respostas que não foram dadas como eu esperava. Ainda mais por parecerem tão importantes antes e depois caírem no esquecimento.
Falando sobre o livro em si, eu gostei da experiência de ter lido no MEC Livros. Então eu gostei do sistema do catálogo e de poder configurar o livro para ter uma melhor experiência de leitura. Só senti falta de poder destacar os trechos que mais me marcaram durante a leitura. Mas é algo que eu posso sobreviver e vou continuar usando o catálogo, até porque já vi outros livros de meu interesse disponíveis por lá também.
Em resumo, eu gostei da leitura e recomendo, especialmente se estiver querendo sair um pouco da bolha de livros que se passam apenas na bolha EUA x Reino Unido.
Agora me conta: Já leu esse livro, ou algum outro do autor?
