22 de September de 2026

Mistério em Cinnamon Falls | R.L. Killmore

Olá meu povo, como estamos? Já aconteceu de você encontrar um livro que queria muito ler em promoção e foi lendo assim que chegou em casa? Pois é, comigo aconteceu exatamente isso com ‘Mistério em Cinnamon Falls’, e hoje estou aqui para deixar meus dois centavos de opinião sobre a leitura. 

Livro: Mistério em Cinnamon Falls   

Autoria: R.L. Killmore

Tradução: Carolina Simmer

Editora: Verus

Ano: 2026

Páginas: 341

País: Estados Unidos

Formato: Digital 

Nota: 4/5

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Depois de descobrir que seu namorado, na verdade, já tinha uma esposa, tudo o que Nia quer é sumir da face da terra. E que lugar melhor para viver a fossa de sua dor de cotovelo que a pacata Cinnamon Falls?

Porém, quando ela volta à sua cidade natal após seis longos anos, todos estão se preparando para o grande Festival de Outono, que recebe turistas de toda parte para esculpir abóboras, competir em gincanas e coroar o rei e a rainha de Cinnamon. Mas, a apenas alguns dias do festival, um acontecimento choca a cidade: o corpo de uma das moradoras mais queridas é encontrado com um bilhete: “Quem será a próxima?”

Nia, então, se une a um grupo de cidadãos de Cinnamon para tentar resolver o caso… entre eles Jesse, um policial que, por acaso, é seu lindo ex-namorado da época da escola, que ela talvez nunca tenha superado completamente.

Será que eles conseguirão encontrar o assassino antes que ele faça a próxima vítima?

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Nia Bennet achou que estava vivendo um romance de contos de fadas, quando seu mundo virou de cabeça para baixo. Ao descobrir, da pior forma possível, que seu namorado perfeito já era casado, ela não sabe onde enfiar a cara de tanta vergonha. 

Sua solução mais lógica é voltar para Cinnamon Falls, a cidade onde nasceu e passou boa parte da vida. Contudo, se passaram seis anos desde que ela arrumou as malas e saiu sem olhar para trás. Como evitou contato por muito tempo, ela só tem lembranças da juventude. 

Mesmo assim, cria coragem e volta. A data escolhida para seu retorno não poderia ser mais animada: a época do Festival de Outono, período em que a Cinnamon Falls se enche de turistas do mundo todo, que vem em busca de guloseimas e do campeonato de abóboras esculpidas. 

Nia tenta se esconder em meio aos demais visitantes, para evitar chamar atenção. Porém, vai ser meio difícil quando um assassinato acontece na véspera do evento. Rosie, uma das moradoras mais queridas da cidade, morreu de forma bem violenta. O choque da população é ainda maior quando se espalha a notícia de que o corpo foi encontrado com um bilhete que perguntava quem seria a próxima vítima. 

O pânico se instala e a pressão aumenta sobre o departamento de polícia, que precisa correr para resolver o caso antes que os turistas resolvam sair da cidade. É quando alguns cidadãos decidem ajudar nas investigações, incluindo Nia, que aproveita para fazer algo de bom pelo local em que nasceu. Ela só não contava que o detetive responsável pelo caso seria Jess, seu ex-namorado de seis anos atrás. 

Será que esse reencontro vai ser bom nesse momento? 

“Aquela cidade era uma âncora, não no sentido de prendê-lo, e sim de mantê-lo firme. E ele precisava disso.”

Desde que ‘Mistério em Cinnamon Falls’ foi anunciado aqui no Brasil, eu coloquei em minha lista de desejados. A proposta dele era inusitada (ao menos para mim), trazendo uma mistura de comédia romântica com um suspense a la Agatha Christie. 

Aproveitei que ele estava baratinho na versão ebook (ainda está por R$9,90 até a data de publicação desta resenha, pelo menos), e decidi comprar para ver se ia gostar. Até porque nunca tinha lido nada da autora e a Verus já tinha anunciado a continuação agora em meados de setembro. 

A narrativa é em terceira pessoa, assim vemos os fatos de um ponto de vista mais geral. No entanto, ele é alternado entre o núcleo de Nia e de Jess. A moça é uma assistente de escritório de advocacia, que se mandou para a cidade grande há alguns anos. 

O motivo que a levou a sair sem olhar para trás permanece um mistério por boa parte do livro. Mas já somos apresentados a uma mulher que se sente feliz com suas conquistas longe de casa. No entanto, o mundo desmorona ao saber que o namorado em quem ela confiava tanto não era nada do que ela esperava. 

O choque e a vergonha são tamanhos, que ela acha que a melhor forma de resolver tudo é voltando para a casa de onde nunca deveria ter saído. Contudo, voltar para Cinnamon Falls traz de volta fantasmas do passado que Nia jurou nunca mais revisitar. 

Assim, ir contra seu próprio juramento é um dilema constante na sua cabeça. Especialmente quando ela reencontra sua família e amigos. Ver que a vida seguiu enquanto ela saiu de cena é uma situação que me fez refletir. Acho que todo mundo já deve ter passado por uma situação em que precisou voltar para um mundo que achava que nunca mais faria parte de sua vida. E a sensação estranha de “não se encaixar mais” naquele mundo fica muito latente. 

Embora eu tenha entendido o que a autora quis passar, achei que os capítulos retratando isso eram extensos demais e acabaram se tornando repetitivos e cansativos. O que quase me fez desistir da leitura. 

Jess, por outro lado, é aquele rapaz responsável e cuidados com os pais de idade avançada. Apesar de ter vivido suas aventuras mundo afora, agora faz questão de aplicar tudo que aprendeu no departamento de polícia da cidade. 

No entanto, por mais experiência que tivesse, nada o preparou para um caso de assassinato. Ainda mais um tão marcante quanto o de Rosie, a mulher mais conhecida da cidade. 

Exatamente por conta dessa familiaridade, a pressão em cima do departamento é muito grande. E Jess está à frente do caso mais importante, não apenas da carreira, mas também de Cinnamon Falls. Assim, começa-se uma corrida contra o tempo, até porque ninguém sabe quem pode ser a próxima vítima. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

É nessa parte que senti a história crescer e voltei a me interessar mais pela trama. Ver como os suspeitos iam aparecendo e justificando seus álibis me trouxeram de volta para a “zona de conforto” de bancar a detetive e criar minhas teorias. 

“Era como um sonho, um paraíso sazonal que fazia a cidade parecer o tipo de lugar em que o tempo passava mais devagar, onde o brilho das luzes do festival era mágico.”

Os capítulos mais curtos acabaram deixando a experiência mais rápida e não consegui mais largar a obra. No entanto, mesmo tendo um final justificável, nem tudo foram flores nesse livro. 

Para começar, é dito na sinopse que Nia iria fazer parte da investigação. Porém a forma como a autora colocou me soou forçada e desnecessária. A impressão que tive foi que a protagonista passou um tempão fora e voltou como a justiceira da cidade, fazendo uma investigação tão perfeita, que não precisava de ajuda (sendo que ela NUNCA foi detetive na vida!). 

Mas isso me soou incoerente, dado que a cidade tinha um bom departamento de polícia, que não foi aproveitado na história. Ficou parecendo que os detetives eram uns bananas e só estavam esperando que os estagiários resolvessem tudo, enquanto eles ficavam comendo rosquinhas na delegacia. 

O desfecho faz sentido pelo que vinha sendo apresentado. Contudo, achei que foi contado de forma corrida e não explicou tudo como prometia. Tive a sensação que faltou liga para dar mais sentido às respostas. 

“Fofocas se espalhavam mais rápido do que verdades em Cinnamon Falls.” 

O elenco secundário é bem legal e me senti parte da cidade. Os pets, então, me conquistaram logo de cara. E super queria uma gatinha chamada Meia-Noite. Mas o gosto amargo que fui sentindo ao longo da leitura acabou decepcionando um pouco.  

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Assim, ‘Mistério em Cinnamon Falls’ é uma leitura boa para sair de uma ressaca literária, em que só queremos uma experiência rápida. Mas se procura uma opção mais aprofundada, recomendo outra leitura. 

Em relação ao livro, eu li em versão digital e posso afirmar que a capa é bem bonitinha, com ilustrações mostrando o que iremos encontrar. A revisão e a diagramação estão bem feitas e renderam uma boa experiência de leitura. Porém, somando tudo, acho que rendem quatro estrelas. Gostei do livro, mas não amei. 

Postado por:

Hanna de Paiva

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