1 de junho de 2023

A Corrente | Adrian McKinty

Olá meu povo, como estamos? Seguindo com as leituras da TBR de maio, hoje trago a resenha de ‘A Corrente’, um thriller escrito por Adrian McKinty.  
A Corrente | Adrian McKinty
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

28/60
Livro: A Corrente
Autoria: Adrian McKinty
Tradução: Clóvis Marques
Editora: Record
Ano: 2019
Páginas: 378
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Vítima.
Sobrevivente.
Sequestrador.
Criminoso.
Você vai se tornar cada um deles.

O dia começa como qualquer outro. Rachel Klein deixa no ponto de ônibus a filha de 13 anos, Kylie, e segue sua rotina. Mas o telefonema de um número desconhecido muda tudo. Do outro lado, uma voz de mulher avisa que Kylie está no banco de trás de seu carro, e que Rachel só verá a filha de novo se pagar um resgate ― e sequestrar outra criança.

Assim como Rachel, a mulher no telefone é mãe, também teve o filho sequestrado e, se Rachel não fizer exatamente o que ela manda, o menino morre, e Kylie também. Agora Rachel faz parte da Corrente, um esquema aterrorizante que transforma os pais das vítimas em criminosos ― e, ao mesmo tempo, deixa alguém muito rico.

A Corrente é implacável, apavorante e totalmente anônima. As regras são simples: entregar o valor exigido, escolher outra vítima e cometer um ato abominável do qual, apenas vinte e quatro horas antes, você se julgaria incapaz. Rachel é uma mulher comum, mas, nos dias que se seguem, será levada a extremos que ultrapassam todos os limites do aceitável. Ela será obrigada a fazer escolhas morais inconcebíveis e executar ordens terríveis. Os cérebros por trás da Corrente sabem que os pais farão qualquer coisa pelos filhos. Mas o que eles não sabem é que talvez tenham se deparado com uma oponente à altura. Rachel é inteligente, determinada e… uma sobrevivente.

 

 
 
 
 
 

 

A Corrente | Adrian McKinty

 

 
 
 
Rachel Klein é uma pessoa comum que lida com uma rotina corrida e tenta conciliar o novo emprego com a criação de Kylie – uma adolescente que vive grudada no celular. No entanto, em meio a um dia atarefado, a moça recebe uma ligação estranha, alegando que sua filha não verá a luz do sol enquanto ela não pagar o resgate.
A princípio, Rachel acha que é um trote. Porém, a ameaça se torna mais real e perigosa quando o resgate não envolve apenas um valor em dinheiro, e sim, um novo sequestro. Isso porque ela foi “convocada” para a Corrente e precisa raptar outra pessoa para garantir que sua filha seja devolvida em segurança. Qualquer deslize ou comentário com a polícia pode ser fatal para ambas.
Além disso, a Corrente é um sistema poderoso e antigo, o qual tem olhos e ouvidos em todos os lugares. Assim, é bom que Rachel cumpra as regras absurdas e garanta que o próximo elo seja tão fiel quanto. Resta saber até onde a moça vai para ter sua filha de volta em casa.

 

“[…] O ser humano é previsível demais. Por isso as tábuas atuariais funcionam tão bem.”

 

 

Eu vi ‘A Corrente’ pela primeira vez em 2017, na Bienal do Livro. Na época, fiquei curiosa com a arte da capa, mas nem prestei muita atenção à sinopse. O tempo passou e encontrei o livro de novo, disponível para troca no Skoob.
Dessa vez, vi do que se tratava e solicitei. Embora tenha chegado logo aqui em casa, esse bendito ficou encalhado na estante desde então. E, sinceramente, agora acho que foi o destino me falando que eu deveria ter deixado ele na prateleira mesmo.
A trama é dividida em duas partes e vemos a maioria dos acontecimentos pelo ângulo de Rachel. Ela é uma mulher que já passou por muita coisa nessa vida e só quer recomeçar. Prestes a iniciar um novo emprego como professora de Filosofia na faculdade comunitária, suas expectativas estão altas e tem tudo para dar certo na carreira.
 
 
 

 

A Corrente | Adrian McKinty
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
 
Sua relação com a filha é muito boa, mesmo que elas quase não parem juntas em casa, devido às suas rotinas corridas. Além disso, Kylie sempre foi uma menina responsável e dedicada. 
Assim, Rachel deixa a garota fazer as coisas de forma mais independente. Só não estava preparada para o que poderia acontecer.
Kylie é raptada enquanto esperava o ônibus para a escola. A moça está tranquila preparando as aulas quando recebe uma ligação anônima, afirmando que estava em posse da garota e que só a libertaria mediante pagamento de resgate. A protagonista não acredita em um primeiro momento, pois acha que é trote.
Contudo, diante das ameaças constantes e regras para pagamento do resgate, cujo valor é bem alto, fazem Rachel entrar em parafuso e temer pela vida da jovem. Além disso, mãe e filha estão dentro da Corrente, um esquema milionário de sequestro e resgate bem arquitetado e do qual só sai quem cumprir  todas as exigências.
A moça não sabe o que fazer e a única alternativa é seguir tudo o que lhe dizem – até porque a sequestradora de Kylie é apenas mais um elo da Corrente e está disposta a fazer de tudo para que o próprio filho também seja
libertado. Assim, começa uma corrida contra o tempo, tanto para levantar o dinheiro exigido, quanto para escolher uma nova vítima antes que seja tarde.

 

“[…] É isso que a Corrente faz com você. Ela te tortura e te obriga a torturar outras pessoas.”

 

A primeira parte do livro é a mais promissora. Com uma narrativa em terceira pessoa, temos uma visão mais ampla do que se passava na casa de Rachel, bem como no cativeiro onde Kylie foi mantida.
É uma leitura eletrizante, dado o suspense, mas também que te traz agonia e sensação de mãos atadas. Afinal, nada pode ser feito a não ser obedecer a Corrente. Aos poucos, vemos como Rachel arcava com tantas informações novas ao mesmo tempo, enquanto lidava com seus próprios dilemas pessoais.
 
 
 
A Corrente | Adrian McKinty
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
 
A coitada parece não ter um tempo de paz em qualquer sentido de sua vida e o sequestro só piora as coisas. Além disso, não poder contar para ninguém é quase uma tortura, pois nem desabafar a moça consegue.

 

“Jesus Cristo. Que tipo de gente pensa numa coisa dessas? No que você se transformou, Rachel?”

 

 

Sua sorte foi poder ter direito a um parceiro para ajudar no novo sequestro. A melhor pessoa para essa missão é Pete, seu ex-cunhado e militar reformado. O rapaz é apaixonado pela sobrinha e também fará de tudo para resgatar a jovem, nem que precise morrer (ou matar todo mundo) no processo.
Juntos, eles formam uma boa dupla. Não apenas cumprindo as exigências da Corrente, mas também tendo empatia um com o outro. Ainda, ele sabe muito bem o que é ter que lidar com seus próprios demônios e reconhece em Rachel uma igual.
Gostei bastante de como o entrosamento deles deu certo, além de como lidaram com a vítima escolhida. Dava para perceber o quanto não queriam fazer nada daquilo. Porém, apesar de não ser certo, era necessário naquele momento, pois não tinham escolha. O mesmo se dava no cativeiro onde Kylie estava.
Ficava apreensiva a cada vez que eu via as vítimas e só me restava torcer para que a Corrente libertasse todo mundo logo. Além disso, me dava um aperto no coração ao imaginar que um esquema como esse pudesse existir no mundo real. Sinceramente, não sei o que faria, muito menos se teria o sangue frio de Rachel.

 

“Você inspira, expira, inspira, expira. A vida é uma cascata de agoras caindo um por cima do outro sem nenhum significado nem propósito.”

 

 

Toda essa emoção teria rendido um ótimo livro, se o autor tivesse se mantido nisso. Ficaria na expectativa de saber se Kylie e as outras crianças voltariam para casa e o desfecho poderia ser chegar nessa resposta, além do drama do que eles passavam, teria dado tudo certo. Porém, o que veio a seguir não ajudou muito.
A segunda parte traz outros personagens, como o pai de Kylie e as mentes por trás da Corrente. São um elenco importante, dado que poderiam fornecer respostas cruciais. O que de fato foi oferecido ao leitor, porém não de forma satisfatória.
Para começar, Marty (ex-marido de Rachel) é um bom pai e o antigo casal se dá muito bem até a página dois. Isso porque o cara esqueceu de passar na fila da maturidade. 
 
 
 
 
A Corrente | Adrian McKinty
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
 
Está sempre com uma namorada nova (quase da idade da filha, diga-se de passagem), enquanto conta inúmeras vantagens sobre uma nova conquista no trabalho. Toda vez que ele aparecia, meu ranço aumentava e eu queria saber como que essa criatura se deu tão bem na vida, parecendo que veio ao mundo a passeio. Pior ainda, queria saber o que Rachel viu num cara como ele para ter um relacionamento e até uma filha. No entanto, ao conhecer um pouco sobre o passado do ex-casal e vendo do que Marty seria capaz, a justificativa para ele ficar de fora do esquema não me convenceu. Acho que poderia muito bem ter participado junto com o irmão e Rachel do resgate, que teria dado mais certo e o personagem seria melhor aproveitado.
Por sua vez, as melhores cenas eram entre Rachel e Pete que, aliás, teria sido um pai bem melhor e mais responsável para Kylie. O rapaz é o típico militar de filmes, com um passado perturbador, mas que no fundo tem um bom coração.
A química entre ele e a protagonista é boa e se desenvolve ao longo da trama. Porém, não foi tão satisfatório assim; achei desnecessária e até forçada em alguns momentos. Além disso, a forma como tudo se desenrolou foi tão direta, que me senti sendo enganada pelo autor, com uma informação da qual eu seria obrigada a prever, pois não tinha uma explicação plausível.
Ao mesmo tempo, a narrativa da segunda parte passa a ser não-linear. Assim, temos um vislumbre do passado dos criadores da Corrente. Foi interessante para me ambientar melhor e até entender o motivo de ser um esquema tão forte e a prova de falhas. Porém senti que o autor se empolgou tanto em amarrar as pontas, que perdeu o gás no meio do caminho, largou tudo de mão e terminou de qualquer jeito.
Dessa forma, tive uma trama que começou muito bem, mas que depois as respostas foram cuspidas em cima do leitor, sem cuidado nem surpresa, deixando a experiência broxante.
As mentes por trás da Corrente são sombrias, cruéis e não fazem questão de disfarçar. O passado deles também não é louvável. A família completamente quebrada e desestruturada não deu uma base para se tornarem pessoas sãs. Mas nem por isso consegui ter pena. Muito pelo contrário, tive mais medo ainda.
Isso seria suficiente para deixar a trama mais amarrada e tão sombria quanto a personalidade dos personagens. Contudo, até eles se perderam e eu fiquei decepcionada com raiva.
Talvez pelo fato de se sentirem impenetráveis, passaram a ser descuidados e burros. O que deu diversas brechas para Rachel entrar em ação e bancar a heroína de plantão, ainda que de forma desnecessária e sem sentido. A moça tinha tudo para ser uma sobrevivente que compadecia o leitor, porém se torna uma justiceira vingativa, que não condiz com o que vinha sendo apresentado.
No entanto, nem os “mocinhos” ou os “vilões” foram suficientes para me convencer. As cenas tinham emoções e foram bastante detalhadas. Mas infelizmente o autor não teve o cuidado de revisar o que estava escrevendo e as cenas ficaram perdidas e sem sentido.
 
 
 

 

A Corrente | Adrian McKinty
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
Eu tive muitos problemas para me manter imersa na descrição dos ambientes. Ainda, o final na vibe
“Velho Oeste”, misturado com comédia pastelão e uma pitada de contos de fadas não ajudou muito.
O conto de fadas se mantém no desfecho, o qual é fechado e encerra o ciclo, porém não de forma satisfatória. Terminei sem acreditar em tudo que li e me perguntei como que esse livro foi aceito para publicação no Brasil (e até lá no país de origem), anunciado como best-seller.
Infelizmente, não é um livro que eu leria de novo. Mesmo assim, recomendo a leitura para que tenha sua própria opinião. Falando sobre o livro em si, a versão física tem uma apresentação bonita e chamativa, toda em tons de vermelho e preto (flamenguistas piram, haha). Gostei da diagramação, assim como a revisão bem feita e uma fonte legível, impressa em páginas amareladinhas e grossas. O que facilitaram bastante a leitura.
  
 

 

Já leram esse livro ou algo do autor? E tiveram a experiência com uma trama que se perde no meio do caminho? Me contem nos comentários.
 
 
 
Texto revisado por Emerson Silva
Postado por:

Hanna de Paiva

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