15 de outubro de 2019

A ilha do tesouro

   Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha de um clássico da literatura, que foi tema da leitura coletiva, proposta pela Babi, do Meu mundinho quase perfeito. Esse livro também faz parte do projeto #12livrospara2019, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário.
   Com vocês, uma aventura com piratas, mapas e muito mistério em A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson.

A ilha do tesouro
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna


24/33

Livro: A ilha do tesouro

Autor: Robert Louis Stevenson

Editora: Ciranda Cultural (selo Principis)

Ano: 2019 (edição original em 1883)

Páginas: 239

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“Iô-ho-ho e uma garrafa de rum!” Esse momento emocionante me levou de volta para a velha Almirante Benbow em questão de segundos, e eu parecia ouvir a voz do capitão repetindo o refrão. Mas logo a âncora foi erguida; logo estava pingando sobre o tombadilho; logo as velas começaram a ser desfraldadas, e a terra começou a se mover com velocidade dos dois lados. e antes que eu pudesse me deitar para arrebatar uma hora de sono, o Hispaniola começou a viagem para a Ilha do Tesouro.

A ilha do tesouro

   Jim Hawkins é um jovem que vive com sua mãe em uma hospedaria, a Almirante Benbow. Ambos trabalham bastante, recebem sempre viajantes das mais variadas origens, inclusive pessoas bem misteriosas. Um certo dia, apareceu um cara bem esquisito, de barba alcatroada (sim, eles passavam realmente alcatrão na barba e nos cabelos) e uma história bem louca para contar.
   Bill Jones se apresentou simplesmente como “capitão”, estava mais bêbado do que não sei o quê e falava o tempo inteiro numa ilha com riquezas incríveis. Isso alternado com um refrão que grudava na cabeça de todos. Bill estava lá na hospedaria meio sem rumo, buscando alguém de confiança que pudesse guardar o seu segredo. Eis que ele afirmava que tinha deixado um imenso tesouro numa ilha, pela qual só se chegava com um mapa, e por isso muita gente o estava perseguindo.

“Quinze homens sobre o baú do defunto
Iõ-ho-ho e uma garrafa de rum!
A bebida e o diabo já cuidaram do resto
Beba, e o diabo já cuidou do resto
Iô-ho-ho e uma garrafa de rum!” 

   Como ele estava muito bêbado, foi difícil acreditar nesse fato, mas a história tinha tantos detalhes, os quais o próprio Jones repetia com tanta certeza, que Hawkins começou a acreditar que pudesse ser verdade. Ainda mais depois que dois bucaneiros apareceram tentando matar Jones.

A ilha do tesouro
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

   Só quem sabia dessa história, além de Jones e Hawkins, eram sua mãe e o médico, Dr. Livesey, já bem acostumado a lidar com marinheiros bêbados e que voltavam doentes das missões. O médico, curioso por tanta procura com relação a esse mapa, começa a dar razão à curiosidade de Hawkins. Curioso também para saber mais a respeito, o médico fica mais próximo de Jones, porém esse morre com problemas referentes à bebida, antes de contar mais sobre o tal tesouro.
   Vendo quem estava por trás dessa busca, além de Jones, o Dr. Livesey percebe que o tesouro só pode ser coisa grande, afinal piratas não brigariam por causa de uma ninharia. Assim, decide ir atrás do tesouro, como uma forma de atender ao último desejo de Jones, que era o de chegar antes deles à tal ilha.
   Sedento por aventuras, Hawkins acaba indo também nessa jornada, com o médico e mais outro fidalgo, doido para ficar mais rico. Mas apesar de parecer uma simples aventura pelo mar, vão encontrar ainda muitos desafios até encontrar a ilha e o tal tesouro, se é que ele existe de fato ou seria uma enorme pegadinha.
   ‘A ilha do tesouro’ é um clássico da literatura mundial, cuja leitura me foi proposta pela Babi, como leitura coletiva nossa. Ela sempre me desafia ler uns livros que nunca achei que leria (rsrsrs). Confesso que, depois de nossas decepções coletivas, esperávamos que esse clássico seria diferente e a leitura seria bem divertida… Mas não foi bem assim que aconteceu…
   Bom, a edição da Principis é linda, toda ornamentada com mapas, já que a história toda gira em torno deles, para chegar à bendita ilha. E a história em si, pela sinopse e depois de tanto se passar de geração em geração, como uma grande aventura, a gente meio que cria certas expectativas, que não se cumpriram aqui.
   Hawkins é um menino que era para parecer ser mais esperto, inteligente e corajoso, além de ser nosso narrador. Mas aqui só ficou mesmo como nosso narrador, já que as outras qualidades não foram tão mostradas assim. Ele vive com a mãe, pois seu pai não se tem notícias, provavelmente morreu e ele ajuda a mãe viúva. Pelo que é mencionado, Hawkins é jovem e menor de idade, que ainda está sob a responsabilidade da mãe, e minhas reclamações já começam por ela mal falar nesse livro! Como que ela deixa seu filho se meter com piratas, um médico desconhecido e mais um monte de situação perigosa, e nem sequer fala um “ai”?! E mãe de Hawkins está mais como figurante, só para dizer que o menino vivia com alguém antes de se meter no barco de estranhos e nada mais! Já não curti.
   Além disso, Hawkins se vê em situações bem perigosas, principalmente depois que embarca na tripulação arranjada pelo Dr. Livesey e o capitão Scoller. Como a lenda é que o tesouro é muito grande, claro que era para se ter motins, brigas entre piratas concorrentes e afins, o que deveria gerar cenas de “tiro, porrada e bomba” do começo ao fim. Mas tudo isso meio que fica em segundo plano, pois a narrativa de Hawkins ficou, literalmente, resumida em descrever cenários.
   O autor se preocupou muito em nos mostrar como era o cenário pela visão de todo personagem que estava presente nela; mas os detalhes foram tantos, que a história mesmo demorava muito para acontecer. Sério, teve vários e vários momentos, em que precisei ler o mesmo parágrafo umas quatro vezes, ou voltar uma página ou mais, para entender o que estava realmente acontecendo, pois no meio de uma ação e reação, havia tanta descrição, que eu esquecia o que era para acontecer e o motivo. Isso desanimou um bocado e um livro tão fininho acabou se tornando longo demais a meu ver. O que me decepcionou bastante. 😔

A ilha do tesouro
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

   O “tiro, porrada e bomba”, que esperava que acontecesse desde o começo do livro, só ficou mesmo no começo e no fim do livro, quando a gente finalmente descobre quem estava por trás do motim e se realmente o tesouro existia ou não. Apesar do mistério a cerca tesouro e da sua possível localização, existe um mistério sobre uma suposta maldição no navio Hispaniola, que leva o povo para a ilha. Mas achei que esse mistério poderia ter sido melhor amarrado, para deixar o leitor mais curioso, coisa que não aconteceu e as coisas saíram meio jogadas.
   Por ser um livro com uma edição mais voltada para o público infantil, era de se esperar que certas coisas ficassem com pontas soltas mesmo, mas acho que só me liguei nisso bem depois, e li esse livro, imaginando que fosse uma aventura mais para adultos, ainda mais sendo um clássico e o autor se tornou famoso mesmo foi por outra obra, ‘O médico e o monstro’, que muita gente se lembra quando se fala em literatura de terror.
   Acho que boa parte da minha decepção ficou nessa expectativa. Além disso, as descrições muito longas me fizeram desconectar da história em si várias vezes, então não teve aquela emoção toda também. Sinceramente, esperava mais dessa aventura, até porque, essa história levou a uma das adaptações da Disney que quase ninguém conhece, mas que é a minha favorita, Planeta do Tesouro. Essa é uma versão mais futurística, onde as pessoas já vivem em outros planetas e existe interação com seres extraterrestres. Apesar disso, muitos traços do clássico original estão lá e, parabéns para a Disney, pois eles se preocuparam em tirar toda a parte da descrição super longa, e deixaram a parte mais legal, da aventura propriamente dita, além de amarrar as pontas que o livro deixa soltas. 💓

 Com relação a essa história, acho que vou continuar com a versão que tenho do desenho mesmo, pois o livro não me encantou como eu gostaria… Então não consigo dar mais que três estrelinhas a ele, infelizmente.

   Já com relação ao livro em si, eu já tinha mencionado que a edição é linda e a capa já me chamou atenção logo de cara. Com uma capa já dizendo logo a que veio, temos aqui piratas, navios e baús com moedas, o que nos conta já do que se trata o livro, mesmo sem precisar olhar a sinopse. A revisão também está muito bem feita, com capítulos divididos por mapas, o que achei muito legal.

A ilha do tesouro
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Além disso, os capítulos começão com um pergaminho e uma pena, o que nos é explicado logo no começo da história, onde o próprio Hawkins conta que está escrevendo sua aventura. Com uma edição linda dessas, ainda gostaria que esse livro tivesse me prendido como imaginei, ainda mais que amo livros de aventuras e fazia tempo que não lia um com temas de piratas. Mas vida que segue… 😔 Da próxima vez, tentarei me atentar ao fato de que é um livro com pegada mais infantil, quem sabe numa segunda chance dá certo?
   Para quem não conhece o autor:

“Robert Louis Stevenson nasceu em 1850, na Escócia. Cursou Direito e se interessou por literatura quando trabalhou em jornais e revistas. Mudou-se para Londres, por não se adaptar aos costumes religiosos do ambiente em que estava inserido. Casou-se com uma norte-americana e não teve filhos. Sua obra de maior expressão, O médico e o monstro, foi publicada em 1886, oito anos antes de sua morte.”


   Vocês já conheciam esse livro? Tem algum clássico que vocês tinham muitas expectativas e se decepcionaram? Me contem aí!

   

Postado por:

Hanna de Paiva

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