5 de August de 2021

A máquina do tempo | HG Wells

    Olá meu povo, como estamos? Hoje eu trago a resenha de um livro clássico que sempre fui curiosa para ler, e finalmente tive a oportunidade: A máquina do tempo, de H. G. Wells. 
A máquina do tempo | H. G. Wells
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

41/24
Livro: A máquina do tempo 
Autor: H. G. Wells
Editora: Principis (Companhia das Letras)
Ano: (Original em 1895)
Páginas: 112
Skoob | Amazon


Um cientista londrino viaja, a bordo de uma Máquina do Tempo, do século XIX para o ano de 802.701. Chegando no que seria a Londres do futuro, o Viajante do Tempo encontra duas espécies que evoluíram do ser humano: os Eloi, que viviam na superfície, e os Morlocks, que se escondiam da luz no subterrâneo. O Mundo Superior era habitado por seres frívolos, delicados e infantis que estavam prestes a conhecer a sua Nêmesis, resultado de decisões tomadas no passado. O Viajante do Tempo perde a sua Máquina do Tempo e com apenas uma caixa de fósforos, se pergunta se conseguirá retornar ao presente.


A máquina do tempo | H. G. Wells

    Muitos livros relatam futuros alternativos, quando a Humanidade está em ascensão, super desenvolvida e, mesmo que ainda haja guerras e politicagens, a tecnologia está tão avançada, que ainda assim, tem um lado bom no fim das contas. 
    Mas… e se nosso futuro não for bem assim? É exatamente essa visão de mundo no futuro que o Viajante do Tempo quer nos trazer. 
    Com ideias avançadas demais, e opiniões beirando o absurdo, ele conta para um grupo seleto de pessoas como foi ver esse futuro assustador da Humanidade e como quase não voltou para casa.

“Eu quero falar sobre isso, desesperadamente.”

   Eu confesso que não conhecia esse livro. Estava procurando por ‘O homem invisível’, do mesmo autor, nas trocas do Skoob, quando dei de cara com esse disponível. 
  Como era uma versão da Principis, que gosto bastante por deixar os clássicos mais palatáveis, eu resolvi dar uma chance e solicitei. 
   Pense em qual foi minha surpresa ao saber que esse livro é, na verdade, um dos pioneiros sobre viagem no tempo, e o primeiro em que o personagem usa uma máquina e vai para o futuro, em vez de para o passado. 
   Não apenas isso, pelo que andei pesquisando, a ideia do autor foi tão ousada, que trouxe, pela primeira vez também, a ideia de Espaço Quadridimensional (comprimento, altura, largura e tempo), que só foi publicada por Einstein anos depois. 
   Como é um livro escrito no final do século XIX, já fui sem expectativas, pois sabia que encontraria o que eu menos curto, escrita arrastada e extremamente detalhada, do começo ao fim. O que de fato encontrei, mesmo sendo uma edição mais recente e adaptada. 
   Mas, talvez por já ter ido preparada para isso, a leitura acabou sendo uma grande surpresa para mim. 
   Primeiro, achei curioso o fato de que poucos personagens tem nome. 
   O próprio grupo para quem o protagonista conta sua aventura, jurando que é verdade, é intitulado apenas como o Médico, o Psicólogo, o Editor, o Jovem e o próprio Viajante do Tempo. 
   Não entendi o porque disso, mas até que não me incomodou tanto quanto pensei. Além disso, achei inusitado que o narrador é em primeira pessoa, alguém que está lá no grupo ouvindo o relato do Viajante, mas o Viajante acaba tomando as rédeas da história e o narrador simplesmente deixa por isso mesmo. 
  O que achei meio louco, já que poderia ter deixado tudo por conta do Viajante mesmo, que não faria muita diferença. 
  Continuando as ideias ousadas do autor, eu achei uma coisa bastante interessante sobre o futuro que ele imaginou. 
  Muitas pessoas pensam no quanto estaremos desenvolvidos no quesito tecnologia, que teremos meios de transporte menos poluentes, mais econômicos, resolveremos as questões ambientais, ou até mesmo estaremos explorando outros planetas. 
  Mas já pararam para pensar que essas alternativas de futuro são bem breves? Sim, provavelmente não estaremos vivos para ver tudo isso supostamente acontecer, mas ainda assim, são poucos séculos a nossa frente. 
  Mas Wells não soube o limite de ousadia quando criou essa história, já que nos leva junto ao Viajante para bem bem bem no futuro, no ano 802.701. 
  E o que ele encontra é completamente diferente do que se espera que a Humanidade consiga. Há quem diga que é uma visão pessimista, mas sinceramente, eu achei plausível em certos momentos. 
  O Viajante encontra uma Londres do futuro povoada por dois grupos de humanos, os Eloi e os Morlocks. 
  O Eloi são humanos que vivem na superfície e são mais aquele grupo que “veio ao mundo a passeio”. 
  Eles não tinham mais um propósito de vida, não pensavam, muito menos trabalhavam. Viviam apenas para brincar, comer e dormir.   
  Já os Morlocks se adaptaram para viver no subsolo. E suas adaptações foram tantas, que quem os olhasse à primeira vista, não diria que eram humanos. 
  Wells faz questão de bater na tecla de como decisões do passado interferiram no futuro que ele viu. E o tempo todo ele bate na tecla do “em que ponto erramos?’, para tentar compreender o que estava vendo. 
   Apesar de ter notado algumas alfinetadas de cunho político no meio da narrativa, especialmente quando ele descreve a relação entre Morlocks e Eloi, eu achei bem interessante a forma como ele viu a evolução da Humanidade próximo ao aspecto mais científico da coisa. 
  As adaptações dos Morlocks, por exemplo, são totalmente cabíveis, levando em consideração o ambiente hostil que a Terra passou a oferecer. 
  No entanto, o que para mim foi uma proposta interessante e até cabível, para o Viajante (que poderia muito bem ser o autor do livro se usando como personagem, de acordo com algumas pesquisas), ele os coloca como monstros que devem ser combatidos ferozmente, por serem diferentes. O que achei, no mínimo, preconceituoso por parte dele. 
  Por sua vez, os Eloi eram tratados pelo Viajante quase como bichinhos de pelúcia, o que me deu nos nervos em diversos momentos. 
  O Viajante vai passando pela Londres do futuro, em busca da Máquina do Tempo, que ele acaba perdendo. 
A máquina do tempo | HG Wells
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Só acho interessante que, mesmo 800.000 anos a frente, ele ainda resolva tudo com uma caixa de fósforos. 
  McGuiver passou longe das ideias do Viajante, que conseguiu abrir mundos e fundos com uma única e simples caixa de fósforos. 
  Às vezes acho que ele queria dar um toque cômico nesses pontos, mas só conseguiu deixar forçado e repetitivo mesmo. 
  Assim como achei repetitivas as falas do Viajante, sobre as ações que levaram ao futuro que ele vê. 
  O que, por um momento poderia ser incômodo, eu até entendi depois o porquê de o autor deixar assim, já que o livro sai bastante do scifi e começa a caminhar pela filosofia e parece não querer mais voltar. 
  E, quando o autor decide voltar para o scifi, parece que ele se perde e vários mistérios que ele coloca ao longo do livro, que renderiam milhões de aventuras, se resolvem num acender de fósforos e acaba, sem mais explicações. 
  Essa sensação de falhas do livro é bem nítida, o que dá a impressão de que o autor não tinha mesmo muita experiência em criar narrativas. 
  O que achei bem inusitado no entanto, foi que o próprio autor teve a coragem de assumir que o livro tinha falhas, e mesmo assim ele decidiu manter desse jeito, pois já estava publicado e acabou chamando atenção de tantas maneiras, que as falhas acabam sendo perdoadas.  
  E, se for parar para pensar, de fato as falhas acabam sendo perdoadas, quando você para para pensar no que ele trouxe de tão novo para a literatura, levando em consideração a época que ele foi escrito. 
  Além disso, apesar das falhas, eu achei o final dele plausível, levando-se em consideração que o Viajante contava as coisas de maneira tão inusitada, que você não sabe se beirava a loucura, ou se ele estava apenas sonhando um sonho bem louco, ou se a máquina do tempo existe de fato. 

“O fato é que o Viajante do Tempo era um daqueles homens espertos demais para ter credibilidade: você nunca sentia que sabia tudo sobre ele, sempre havia a suspeita de que existia algo reservado e alguma engenhosidade escondida por trás da sua lúcida franqueza.”

  Resumindo, é aquele livro que você começa achando que vai para um lado, mas ele te leva para outro. Nada bate com nada, mas ao mesmo tempo, traz ideias tão revolucionárias para a época, que você defende ele mesmo assim. 
  Falando sobre o livro em si, é uma edição simples, com uma combinação de azul, roxo e branco bem legal na capa. 
A máquina do tempo | HG Wells
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna
  A capa condiz com o tema, trazendo engrenagens de relógios e a própria máquina do tempo que o Viajante usa. 
  A fonte está bem legível, a revisão bem feita e as páginas são bem grossinhas, o que dá mais facilidade na hora de folhear.  
  Apesar dos pesares, ainda é um livro que eu leria novamente, só pela pequena discussão que ele traz para nossa reflexão sobre nosso futuro. 

“Mas, para mim, o futuro ainda é escuro e vazio, é uma ignorância vasta, iluminada em alguns lugares pela lembrança do Viajante do Tempo.”

  Porém, não posso esquecer as falhas dele e as respostas que não tive. Só por isso não dou nota máxima.  
 

   E essa foi a postagem de hoje. Já leram esse livro? Conhecem outras obras do autor? Me contem aí! =)

Postado por:

Hanna de Paiva

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