24 de March de 2026

A Mulher do Médico | Daniel Hurst

Olá meu povo, como estamos? As leituras estão fluindo bem por aqui e estou fazendo algumas descobertas de livros gringos. Como sei que vocês também gostam de leituras “gringas”, vou deixar meus dois centavos de opinião sobre ‘A Mulher do Médico’, um suspense britânico do Daniel Hurst.

Livro: A Mulher do Médico

Autoria: Daniel Hurst 

Tradução: Alberto Gomes (Português de Portugal)

Editora: Singular

Ano: 2024

Páginas: 248

País: Inglaterra/Escócia

Formato: Digital (a versão em inglês está disponível no catálogo do Kindle Unlimited)

Nota: 3/5

Ele pensa que é excelente a guardar segredos.

Porém, ela há muito que descobriu a verdade…

O meu marido é médico. É inteligente e encantador e todos confiam nele. Todos, menos eu. À primeira vista, parece que tenho tudo: o casamento perfeito, o marido perfeito, a vida perfeita. No entanto, a verdade é completamente diferente. O Dr. Drew Devlin não é a figura respeitável que finge ser. A necessidade de enterrar o passado foi o que nos levou a mudar para esta casa magnífica, com uma vista maravilhosa sobre o mar. Devia ser um recomeço para ambos.

Porém, descobri que meu marido anda a mentir outra vez. Está a usar o seu estatuto para conseguir aquilo que quer, doa a quem doer. Só há um pormenor com o qual ele não contou: eu.

Desta vez, tive todo o tempo do mundo para pensar sobre os erros dele e decidir que são imperdoáveis.

Ele não imagina o que o espera… 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Fern e Drew Devlin são um casal muito unido e apaixonado. Tudo é resolvido com muito diálogo e estão sempre prontos para novas aventuras. Ao menos é o que sempre pareceu.

Drew é um renomado médico, formado com louvor numa das melhores universidades do país. Porém, a vida corrida entre plantões do hospital de Manchester o deixam muito cansado e sem tempo de qualidade para aproveitar com a esposa.

Depois de muito pensar, ele resolve expor seu desejo de se mudar para uma cidade pequena e recomeçar a vida. Fern aceita de bom grado. Afinal, é a oportunidade perfeita para passarem mais tempo juntos. Até porque a casa onde irão morar tem uma vista incrível da praia.

Assim, o jovem casal parte rumo a Arberness, cheio de planos e sonhos incríveis. Contudo, essa viagem pode ser uma tragédia já anunciada há mais tempo do que Drew imaginava.

“Dizem que nunca deixamos realmente um lugar que adoramos porque levamos sempre uma parte dele conosco para onde vamos.”

Eu já tinha ouvido falar no autor de suspense, porém nunca tinha lido nada dele. Até mesmo porque não tem previsão de que seus livros sejam traduzidos para o Brasil. Assim, suas obras podem ser lidas em diversos idiomas, como Português de Portugal, que foi o meu escolhido para conhecer a escrita do escritor.

A escrita de Daniel é fluida e tem capítulos curtos, combinação típica de um suspense “vira-página”. Dessa forma, não foi difícil devorar a obra em poucos dias.

A narrativa é em primeira pessoa, trazendo o ponto de vista alternado entre Drew e Fern. Os protagonistas fazem questão de parecer um casal unido e fortalecido com o tempo. 

Fern é uma esposa troféu. Casada com o “partidão”, ela adora a rotina de ser dona de casa em tempo integral, enquanto seu marido perfeito cuida para que tudo em sua vida também seja assim.

Por sua vez, Drew faz questão de mostrar para o mundo o quanto se dedica ao trabalho como médico. Ele atende diversos pacientes ao longo do dia, faz jornadas exaustivas e está sempre cansado.

Contudo, embora tenha muito orgulho da profissão, ele reconhece que mal sobra tempo para dormir as horas que deveria. Que dirá ter tempo para cuidar de sua esposa, que lhe espera em casa todos os dias com um sorriso carinhoso no rosto.

Vendo que o casamento não vai durar muito se continuar nesse ritmo, eles têm duas opções: pedir o divórcio, ou assumir que precisam mudar a rotina. Após uma conversa séria, Fern aceitou de bom grado a proposta de Drew para reacender a chama do amor.

“As pessoas cometem deslizes. Fazem coisas que não deveriam fazer, coisas de que se arrependem depois. Porém, isso não faz delas más pessoas. Apenas as torna humanas.”

Drew ficou imensamente feliz com a perspectiva de ter uma vida nova com a esposa. Porém para Fern, essa mudança apenas confirmou o que ela já suspeitava. Agora será a hora de cumprir seus planos. Mas quando seu amado marido descobrir, pode ser tarde demais.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Como a própria sinopse promete (e a capa já dá um belo spoiler, rs), este é um thriller psicológico com plot de vingança e traição. Então não é segredo o que Fern deseja com essa mudança para uma cidade pequena. Contudo, a graça está em saber como tudo vai acontecer, especialmente quando conhecemos um pouco mais a fundo de cada protagonista.

A moça é nascida e criada em Manchester. Nunca escondeu o quanto jamais se encaixaria longe do agito da cidade grande. E, agora sendo uma esposa troféu, tem tempo de sobra para aproveitar tudo o que deseja. Afinal, Drew passa mais tempo no hospital do que em casa com ela. 

Embora pareça uma pessoa tranquila e de bem com a vida, Fern esconde um lado sombrio que apenas Drew conhece (e muito bem, por sinal). Drew, por outro lado, é aquela cara boa pinta, gentil e sempre simpático com seus pacientes. 

Porém, assim como a esposa, tem tantos segredos por trás daquele jaleco branco, que você pensaria duas vezes antes de querer se consultar com ele. Talvez por isso eles vivam tão bem o relacionamento de aparências e se merecem. 

Porém tudo muda ao chegarem na casa nova. Fern conhece muito bem o marido para saber dos seus pensamentos, antes mesmo que venham à cabeça de Drew. O que deixa a narrativa mais sombria e tensa a cada página. 

Enquanto isso, Drew parece tão encantado pela cidade, que parece se esquecer do perigo que mora ao lado. Acaba se tornando tão descuidado, que chega a parecer cômico. Mas a verdade é que ele é arrogante e pedante demais para achar que alguém possa ser mais esperto que sua mente brilhante. 

O jogo de gato e rato começa, e a narrativa se torna um verdadeiro “ele disse, ela disse”. Aos poucos, vamos entendendo o que realmente está acontecendo e criando nossas próprias teorias sobre como tudo vai terminar. 

O clima de cidade pequena, em que todos se conhecem, aumenta mais o clima de fofoca. Especialmente quando conhecemos o elenco secundário, que tem uma participação importante no desenrolar dessa trama. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Do jeito que as coisas foram sendo desenvolvidas, eu esquecia o tempo todo que estava lendo um livro e achava que estava no meio um episódio de Casos de Família. Foi bom por um lado, já que a história ficou mais fluida e li que nem senti o tempo passar. 

No entanto, tem diversas cenas repetitivas ao longo da trama. Acho que o intuito do autor era deixar claro que a cidade era monótona. Porém só deixou a narrativa morna depois de certo tempo e sem grandes acontecimentos. 

“Mas foi esta a opção que fiz. Escolhi vir para cá. Escolhi continuar a jogar este jogo. E, precisamente por isso, ninguém nunca sabe o que pode acontecer a seguir.”

Quando as reviravoltas começaram, voltei a ter expectativas de mais fofocas. O que até aconteceu, porém não do jeito que eu esperava. Achei que o autor arrumou soluções forçadas demais para os personagens e não me convenceram tanto como eu esperava (e até me lembrou o estilo da Freida). 

Além disso, na tentativa de fazer um gancho para a sequência da história (é uma série de cinco livros, até onde sei), acabei tendo um sabor agridoce e que não me convenceu. Vi alguns comentários que a sequência melhora. Porém não sei se terei vontade de dar prosseguimento na história, dada a forma como terminou. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Falando sobre o livro em si, eu gostei da diagramação e da revisão. Por ser em Português de Portugal, tem algumas palavras que talvez seja necessário um dicionário para compreender o significado das palavras (ou pensar que algumas que usamos no Brasil são escritas do mesmo jeito, porém tem significado totalmente oposto). 

Então dá aquela travadinha no começo, porém logo a gente acostuma e a leitura flui sem problemas. A capa não é das minhas favoritas, mas é simples e sem grandes elementos, seguindo o padrão de todos os outros livros da série.  

Em resumo, A Mulher do Médico tem uma narrativa com bastante cara de fofoca de cidade pequena e reviravoltas nonsense. Mas recomendo que leia e tire suas próprias conclusões. Afinal, às vezes, tudo o que queremos é uma leitura que não queremos altas compreensões. Então pode ser que funcione para você. 

Agora me conta nos comentários se já leu esse ou algum outro livro do autor. Gosta de narrativas nesse estilo? 

Postado por:

Hanna de Paiva

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