21 de novembro de 2020

A nuvem | Neal Shusterman

    Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de A nuvem, o segundo volume da trilogia Scythe, de Neal Shusterman
    Já deixo avisado que pode ter spoilers do primeiro volume, O ceifador. Leia por sua conta em risco 😉.
A nuvem | Neal Shusterman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

38/12

Livro: A nuvem

Autor: Neal Shusterman

Editora: Seguinte

Páginas: 496

Ano: 2018

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No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade.
Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar.
Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?


A nuvem | Neal Shusterman


   Um ano se passou desde que Citra Terranova terminou seu treinamento e deu lugar à ceifadora Anastássia Romanov. 
  Com seu manto azul royal, a mocinha tem uma outra visão da Ceifa, agora que está vendo as coisas pelo ângulo dos ceifadores. 
  Ainda vivendo com Marie Curie, sua nova mentora, desde que Faraday se autocoletou (pelo menos é isso o que a Ceifa pensa), as duas que, a princípio não se dariam muito bem, agora são amigas inseparáveis, que estão tentando lutar da sua maneira contra as tretas que aconteceram entre os ceifadores.
  Enquanto isso, Rowan, o inimigo número 1 da Ceifa, também está fazendo sua parte nessa luta, mas a Ceifa só o vê como um usurpador e justiceiro sem escrúpulos. 
 O problema é que eles não podem pegar Rowan, devido à imunidade que Anastássia lhe deu, e não importa como conseguiu o anel de ceifador, mas enquanto o estiver usando, ele é um ceifador perante a Nimbo-Cúmulo, que também não pode fazer nada.
 Enquanto Rowan, ou melhor, o ceifador Lúcifer, continua dando uma de justiceiro e saindo impune diante das duas maiores forças, ele vai ver que muita coisa que parecia ter sido resolvida em ‘O ceifador’ não terminou tão bem assim. 
 Coisas essas que podem valer a vida não apenas dele, mas também de Marie Curie e Anastássia, que podem ser cruciais para resolver, ou dar origem a outra coisa ainda pior do que achavam que poderia ficar. 
 
“Sou a única que lamenta por eles, porque eles mesmos não podem lamentar.”

 Eu já tinha ficado chocada com tanto acontecimento nos primeiros tempos de Citra e Rowan no treinamento. 
 Em meio a uma sociedade que tinha resolvido tudo, que não tinha mais que se preocupar com doenças, aquecimento global, nem com a morte, ainda possui algumas ervas daninhas que não podem ser ignoradas… 
 Uma delas é a política. Por mais que Marie Curie, a Grande Dama da Morte, seja famosa por ter coletado todos os políticos que ainda existiam, parece que a política propriamente dita ainda está no ar, como um vírus, que nem a Nimbo-Cúmulo é capaz de exterminar. 
 Isso porque ela está presente e muito forte na Ceifa, que não é domínio da Nimbo-Cúmulo, mas está cheia de ceifadores que são, antes de tudo, humanos e muito susceptíveis a entrar na onda da corrupção, ambição e várias jogadas perigosas. 
 Anastássia sabe quais foram as circunstâncias nas quais ela foi escolhida no ano passado para assumir o manto azul. 
 E sabe também que nem tudo que é cobrado dos aprendizes é de fato cumprido pelos poderosos da Ceifa. 
 Isso a deixa revoltada, ainda mais quando vê o quanto as coisas estão tão enraizadas na ordem, e parece nunca ter fim. 
 Com uma língua afiada e um senso de justiça gigante, a mocinha ainda está se acostumando à nova identidade, mas sabe que não pode baixar a cabeça, se quiser ser levada a sério e não ser apenas “a novata”.
 Gostei bastante dessa Citra mais amadurecida do que no primeiro volume. Ela sempre teve a língua afiada, isso é verdade, mas parece que o manto trouxe um senso de responsabilidade e justiça de brinde para a ceifadora Anastássia. 
 Gostei também do Rowan, que saiu daquele menininho negligenciado pelos pais e vítima da sociedade com complexo de alface, para um rapaz forte, sagaz e que sabe que precisa fazer algo para deixar sua marca no mundo. 
 O problema foi o caminho que ele tomou para isso. Apesar de ter me sentido vingada por algumas coisas que ele fez em ‘O ceifador’, já era de se esperar que ele se tornasse um justiceiro. 
  Mas os fantasmas do passado estão voltando para assombrar o rapaz, que adotou o nome de Lúcifer e faz questão de usar o manto preto, simbolizando a Morte da Era Mortal e deixando os ceifadores legítimos revoltados. 
  Não apenas Rowan, mas a Ceifa inteira vai ser assombrada por fatos do passado, que parecem vir todos de uma vez, quando a Nimbo-Cúmulo decide ter voz. 
  
A nuvem | Neal Shusterman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna


  Se antes a Nimbo-Cúmulo era apenas uma espécie de máquina que arquivava dados, agora vemos um ser onisciente, onipresente e com bastante consciência dos fatos. 
  Agora, em vez de trechos dos diários dos ceifadores, a estrela dos desabafos é a própria Nimbo-Cúmulo. 

“Eu sirvo à humanidade. Sou a criança que se tornou mãe. A criação que aspira a criador.”

  Ela foi criada por humanos, para humanos. Mas ela é mais do que uma inteligência artificial. Não sei ainda como definir, mas só posso dizer que ela é, de longe, a melhor personagem dessa trilogia. 
  Ela sabe das regras que deve seguir, sabe do que é certo e do que é errado, mas ainda assim, o que para nós poderia soar como quebra de regras, ela consegue fazer com lógica e uma sagacidade tão grande, que me custa crer que foi criada por mãos humanas. 


“Sempre estou certa. Não quero me gabar, é apenas minha natureza. […] Mas há uma solidão em mim que não pode ser reprimida pelos muitos milhões de humanos com quem converso diariamente… poruqe, ainda que tudo que sou venha deles, não sou como eles. “

  Seu maior aliado dessa vez é Greyson Tolliver, um rapaz que não era ninguém na fila do pão, mas que a Nimbo-Cúmulo vê como grande aliado em seu plano. 
   

  
  Não apenas Greysson, mas outros personagens secundários que tinham ficado para trás no primeiro volume agora parecem ter mais sentido na trama. 
  Fato que gostei bastante, pois assim sabemos que pontas se amarram e ninguém é deixado de lado. 
  Aos poucos, tretas são descobertas, para dar lugar a novos esquemas, que dão lugar a novos esquemas. É uma bola de neve que parece nunca ter fim. 
 Em meio a esse cenário, temos muitas respostas de perguntas do primeiro livro, assim como novas perguntas e, o autor achando pouco, temos também muito “tiro, porrada e bomba”, para fechar o pacote. 


“De que adianta viver para sempre se não pudermos correr alguns riscos?”



 Além disso, o final dele é espetacular e, mesmo tentando não fazer isso, mediante algumas resenhas que já li, acabei criando expectativas demais para o final dessa trilogia. 
 Comparando o primeiro volume com esse de agora, eu achei que o primeiro foi melhor elaborado. O segundo volume é muito bom? É, mas gostaria que algumas revelações não tivessem sido jogadas ao vento como foram. E, para compensar, o autor se arrastou demais em certas cenas, que não tinha muita necessidade. Se tivesse caprichado mais nessas revelações, o livro teria ficado perfeito. 
  
  


A nuvem | Neal Shusterman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Falando sobre o livro em si, eu li a versão digital dele e posso dizer que a capa está tão espetacular quanto a do primeiro volume. 
  Seguindo o mesmo padrão, temos os perfis dos personagens principais do segundo volume, Citra e Rowan (ou melhor, Anastássia e Lúcifer). 
  De maneira simples e objetiva, a capa ficou elegante e limpa, em tons de verde bem sombrio, como a Ceifa não gosta de admitir, mas é. 
  A revisão está bem feita até boa parte do livro, mas tem algumas escorregadas de digitação no meio do caminho, porém nada que interfira na leitura. 
  Assim como no primeiro volume, ‘A nuvem’ tem uma linguagem fluida, narrada em terceira pessoa, a não ser quanto temos os desabafos da Nimbo-Cúmulo. 
  Apesar de ter minhas ressalvas, ainda é um ótimo livro e dou nota máxima a ele. 

 

  Já tinham lido esse livro? Confesso que estou bem curiosa e ansiosa pelo terceiro volume. 
Postado por:

Hanna de Paiva

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