9 de novembro de 2021

A última cantada | Raffa Fustagno

Olá meu povo, como estamos? Hoje trago a resenha do terceiro volume de Era uma vez… vilãs, a antologia da Increasy, com a releitura dos contos de fadas pelo ângulo das vilãs. A última cantada traz a releitura de A Pequena Sereia, pelo ângulo da vilã Úrsula, aqui chamada de Ursione.
A última cantada | Raffa Fustagno
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
62/24
Livro: A última cantada
Autora: Raffa Fustagno
Editora: Increasy
Ano: 2021
Páginas: 53
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Você está convidado a conhecer Ursione, cuja história foi inspirada na personagem Úrsula, do clássico A pequena Sereia. A bruxa do mar é a responsável por roubar a voz de Ariel para impedir que conquiste seu amor verdadeiro e tenha a vida que a vilã deseja para si. Este é o terceiro conto da Antologia Era uma vez… vilãs, da Increasy Editora.
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Ursione está acostumada a ganhar todos os concursos de canto desde muito nova, até que em uma viagem para um concurso na Rússia percebe que perdeu sua voz.
Desesperada com o parecer médico, ela se apegará à última esperança que virá de um desconhecido, uma fórmula capaz de fazê-la brilhar ainda mais.
O problema é que descumprir regras tem consequências quando o mundo inteiro descobre o esquema russo.
Será que ela consegue se livrar dessa e levar mais um prêmio para casa? É o que descobriremos quando ela der o que pode ser A última cantada.

 

A última cantada | Raffa Fustagno

 

 Ursione é uma verdadeira mina de ouro para os pais. Desde que descobriram o talento da garotinha, aos 10 anos, vivem se metendo em tudo quanto é concurso de talentos, que ela sempre ganha.
Como consequência, temos a típica família de comercial de margarina, onde na frente das câmeras é tudo perfeito, com pais exemplares, sempre acompanhando e torcendo pelos sonhos da filha, mas nos bastidores, as coisas são bem diferentes.
Ursione cresceu no mundo dos palcos e nunca soube a hora de parar. Canta qualquer música que lhe desafiem, mesmo que isso não esteja no seu alcance. Até que um dia ela paga o preço por isso e fica sem voz.
Mas a final do concurso já é daqui a dois dias e, acostumada a nunca perder, ela vai fazer o inimaginável para manter a fama de vencedora. Mas o verdadeiro desafio, agora, será com sua consciência. Será que ela dá conta?
“Estou congelada, não por causa de frio de Moscou, mas por medo, cantar é a única coisa que sei fazer e, se não estiver bem para a final, o Juca nunca me perdoará por isso.”
Eu estava super curiosa para ler esse conto, especialmente pela protagonista ser cantora. Eu, como aluna de canto, sou bem cuidadosa com minha voz e e estou aprendendo que cantar não é difícil, se você souber em qual terreno está pisando e até onde se tem alcance vocal.
Ainda estou aprendendo, mas já sei quais músicas não consigo cantar, se não tiver todo um aparato e modificar ela toda para mim. Com esse básico, é bem tranquilo. Mas Ursione não sabe o que é isso.
Seus pais descobriram o talento da garota para o canto quando ela tinha 10 anos e arrasou no meio do shopping cantando uma música da Alcione, super afinada. Desde antão, o céu era o limite para ela, que espantava a todos com sua voz fantástica e tão pouca idade.
Viajando o mundo inteiro, com seus pais e um empresário a tiracolo, a menina era uma mina de ouro, ganhando os maiores prêmios e garantindo uma vida tranquila para a família… Que seria possível, se ela realmente tivesse uma família unida e tranquila. Desde nova, Ursione foi explorada pelo empresário e pela mãe, que parece que só via cifrões no lugar de uma criança.
Mesmo com a torcida pelo sucesso, ninguém se preocupava em deixar Ursione ser criança realmente. Ler o que fizeram com ela, em nome de uma fama que a garota não pediu, me fez ser solidária com a jovem.
Ursione deixou de ser uma pessoa, para se tornar uma máquina que canta qualquer coisa que lhe derem, sem uma preparação antes, sem poder dizer “não”. O resultado foi uma adolescente que disfunção alimentar, com tendências à depressão e arrogante, mas nada disso importa, pois ela é uma vencedora.
E, vendo que seu trabalho forçado, levou a uma consequência já esperada, porém ignorada, Ursione se vê desesperada no meio da Rússia, pois perdeu sua voz, prestes a vencer um concurso importante. Assim, ela acaba se rendendo a um “milagroso remedinho”, que parece fazer sucesso entre os nativos, que poderia deixar sua voz perfeita em tempo de vencer o bendito concurso.
Entre trapacear e desistir, claro que Ursione resolve trapacear, já que vale tudo para continuar sendo uma vencedora. Vendo isso, só consegui ter pena de Ursione, que me pareceu uma menina infeliz e com medo do mundo.
Toda aquela fama de garota arrogante e com o rei da barriga é bem irritante, mas olhando pelo ângulo dela, que nos conta a própria história, não consegui ficar com raiva dela, muito pelo contrário.
“[…] parece que estou presa sempre na mesma realidade: a de provar o tempo inteiro que sou melhor que outras pessoas, porque isso é o que esperam de mim.”
 Afinal, fica complicado manter uma mente sã perto de um empresário que acha que a menina é uma máquina, que basta colocar uma moeda que ela canta sem cansar, e pais que apoiam esse absurdo e ainda dão razão para um desconhecido, que caiu de paraquedas e só explora a garota na cara de pau.
Ursione não tem amigos, não tem histórias de escola. Tem apenas memórias dos concursos que ganhou, ficou mais famosa e nunca pode descansar, já que mal recebe o prêmio, já tem outro concurso para participar no dia seguinte.
Com a cabeça a mil, ela topa qualquer coisa para manter a fama, nem que seja contra a lei. E o tal cara parece surgir no momento mais oportuno, lhe oferecendo a solução de seus problemas.
O encontro desses dois é a parte mais cômica do conto, que logo volta a ter o clima de incerteza, já que se alguém descobre o segredinho de Ursione para cantar maravilhosamente bem, ela está muito ferrada.
Com temas bem atuais, como a questão da exploração infantil, depressão e cancelamentos, foi de longe o melhor conto que já li até o momento dessa antologia. Com uma escrita bem fluida, eu gosto das obras da Raffa, pois ela sempre traz um toque de representatividade nos seus personagens.
E aqui não foi diferente, já que Ursione é uma protagonista gorda. O final é bem contos de fadas, mas que foi aceitável para Ursione, especialmente pela forma como as coisas foram acontecendo. É uma leitura bem rápida, mas ainda assim, maravilhosa e muito bem amarrada, que recomendo.
Postado por:

Hanna de Paiva

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