29 de junho de 2021

Além do muro | Vitor Barra

    Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha de uma de minhas últimas leituras, Além do muro, de Vitor Barra.
Além do muro | Vitor Barra
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Livro cedido em parceria com a editora Crônicas Fantásticas
31/24  
Livro: Além do muro
Autor: Vitor Barra
Editora: Confraria Crônicas Fantásticas
Ano: 2021
Páginas: 34

A conversa entre um rato e um prisioneiro em seus últimos instantes de vida faz o moribundo se lembrar dos motivos de sua prisão e das lutas que o levou até a cadeia. Ele conta ao rato sobre seus sonhos e aspirações assim como sua vontade de ver um mundo melhor para os outros.

Além do muro | Vitor Barra

   
    A resenha de hoje vai ser bem breve, já que o conto é bem curtinho. Mesmo assim, não tira a dificuldade de escrever sobre ele, já que me causou um impacto inesperado. 
    Escrito em terceira pessoa, os personagens aqui não tem nome. Temos um prisioneiro que, em seus últimos momentos de vida, começa a observar tudo o que está lhe acontecendo, enquanto é devorado aos poucos pelos vermes. 
    Logo, uma ratazana passa por ele e para para observar algo inusitado: mesmo com tudo de ruim acontecendo ao seu redor, o prisioneiro ainda está com um brilho nos olhos. 
    E assim, começamos um diálogo para lá de incomum, entre o prisioneiro e a ratazana. Num primeiro momento, pensei que era um delírio por parte do prisioneiro, já que estava sozinho na cela e diante da morte iminente. 

“Não deixe sua visão se prender no muro.”

    Mas, pensando por outro lado e percebendo que poderia ser algo mais filosófico do que fantástico, a minha visão sobre esse conto mudou drasticamente e nada do que eu comentar vai fazer jus ao que realmente senti ao ler a obra.  
    Eis que o prisioneiro mantinha o brilho nos olhos, por conseguir observar uma cena pela janela de sua cela. 
    Essa janela o fazia sonhar com um mundo que, num primeiro momento, é uma utopia. 
    Para a ratazana, é algo impossível de alcançar, mas o prisioneiro fala com tanto afinco sobre isso, que é também impossível não lhe dar atenção. 
    O prisioneiro poderia ser qualquer pessoa com um coração bom, que luta a vida inteira para fazer desse mundo um lugar melhor para todos, mesmo sabendo das consequências. 
    Mas ele encontra diversos obstáculos ao longo da vida, que tornam seu sonho distante, conforme conhece o lado feio do mundo, que aqui poderia ser representado pelos vermes, que o devoram e o impedem de todas as formas, de realizar esse sonho.  
    O resultado é um prisioneiro cansado e doente, que vê todas as suas ideias sendo julgadas e taxadas de loucura, enquanto o muro de desigualdade apenas fica mais forte, deixando o seu sonho visível apenas por uma pequena janela insignificante. 
    Mas é essa janela que mantém a chama da esperança acesa no prisioneiro. E quantos de nós também não nos sentimos assim, diante de tantas atrocidades que acontecem no mundo, guerras, fome, preconceito… 
    Só nos resta esperar que um dia, no futuro, de fato tudo isso acabe, que os vermes sejam vencidos e que esse muro que nos separa desse sonho caia de uma vez, mesmo que não estejamos mais aqui para ver. 
   Por outro lado, a ratazana poderia ser a consciência do próprio prisioneiro, que lhe questiona se tudo que ele fez realmente valeu a pena. 
   Perceber isso me deu um comichão, pois quantas vezes eu me questionei pelo que valia a pena viver. 
   Esse realmente é um conto que te pica e te morde, pois em algum momento você vai se identificar com esse prisioneiro e conversar lá com aquela ratazana sobre suas escolhas. 
   Minha única reclamação com relação a esse conto, se é que posso chamar de reclamação, é que eu queria mais páginas, com um aprofundamento maior dessas ideias. 
   Apesar de sempre reclamar dos detalhes, aqui senti falta deles e, talvez, eu não sentisse que ele “terminou rápido demais”. Só por isso eu não dei nota máxima dessa vez. 
   A não ser isso, é um conto que realmente mexe com o leitor, que nos faz refletir sobre nossa vida e o que queremos para o mundo. 
   Com relação ao livro em si, a revisão está de parabéns, assim como a capa, que é simples, objetiva, e traz a ratazana na janela, já indicando o que iremos encontrar no conto.   
   

   E aí, o que acharam? Já tinham lido algo assim antes? 

   
    
    
   
       
Postado por:

Hanna de Paiva

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