9 de fevereiro de 2021

Amantes do cinema | A escavação

    Olá meu povo, como estamos? Hoje eu vou falar de um filme novinho do catálogo do Netflix, e que muito me surpreendeu: A escavação.  
Amantes do cinema | A escavação
Foto: Divulgação/Netflix

Ficha técnica

Filme: A escavação

Gênero: Drama, Histórico

Ano: 2021

Duração: 1h54min

País: Reino Unido

A Escavação conta a história de um arqueólogo que embarca na escavação historicamente importante de Sutton Hoo, em 1938, onde um grupo descobre uma grande quantia de ouro em uma câmara mortuária de um navio enterrado. Baseado no livro de mesmo nome de John Preston e em uma história real.



Amantes do cinema | A escavação


 

   Eu estava curiosa com esse filme desde a primeira vez que vi o cartaz dele aparecendo no meu perfil do Netflix. 
  Sempre curti obras com essa pegada mais histórica e com um toque de drama, mas jamais poderia imaginar que se tratava de um fato real de nossa História. 
  O filme é ambientado no Reino Unido, nos arredores de Londres, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Uma jovem viúva vive nas terras que herdou do marido com o filho e mais alguns empregados. 
  Ela sempre se incomodou com uns morros que existem em forma de círculo numa parte das terras dela. 
  Esse círculo nada convencional mexe com o imaginário dos locais há séculos, que vão até lá fazendo rituais e simpatias em busca dos mais variados desejos. 
  Até que um dia, a viúva resolve ceder à curiosidade e contrata um arqueólogo amador para fazer a escavação. 
  O arqueólogo amador se chamava Basil Brown, um senhor simpático que nunca foi para a universidade, nem trabalhava em grandes museus de renome da época. Talvez por isso ele sempre era vítima de críticas pelos arqueólogos profissionais. 
  Mas os arqueólogos profissionais da época estavam para engolir muito de seu orgulho, quando o senhor Brown, escavando com a ajuda de uns poucos homens também sem experiência alguma, descobriram algo fascinante, que revolucionou o conhecimento da história do país. 
  A descoberta em si não é spoiler, pois está nos museus até hoje (felizmente sobreviveram aos bombardeios da guerra). 
A escavação | Netflix
Foto: Divulgação/SuperInteressante
  É a história da escavação de Sutton Hoo, na qual foram encontrados os vestígios de uma tumba, construída numa embarcação, com muito outro, armaduras maravilhosas e uma história revolucionária. 
  Ela é revolucionária pois mudou todo o pensamento que se tinha a respeito do povo. Até então, embarcações como aquelas eram relacionadas aos Vinkings, um povo conhecido por sepultar seus mortos em barcos. 
  Mas o “barco fantasma”, como passou a ser chamado, era bem mais antigo, com datado do Império Bizantino, com os anglo-saxões retratados como muito mais organizados (e civilizados) do que se pensava do povo da “Idade das Trevas”.  
  Uma descoberta dessas logo chamou a atenção de arqueólogos famosos da época, os quais estavam doidos para se dizerem donos do achado. 
  Assim, todo o drama acaba girando em torno não apenas de quem era o homem enterrado naquele barco, como também a quem pertencem os achados. 
  Para começo de conversa, achados desse tipo deveriam ficar em museus, para que o mundo tenha acesso ao conhecimento, que é público. 
A escavação | Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

  Mas convenhamos que, se não fosse a autorização e a curiosidade de Edith, a viúva, que contratou uma pessoa para escavar, nada daquilo teria sido descoberto. 
  E mais, aquele homem morto estava descansando há século naquele terreno. Para que seu barco tivesse sido levado até terra firme e enterrado como foi, no mínimo ele era alguém de patente alta e muitas posses. 
  Mas ainda assim, era uma pessoa, ninguém deveria ser o dono dele, mesmo depois de morto, sabe?  
  São tantos questionamentos que o filme nos leva a fazer, que nos vemos envolvidos com o filme a cada minuto. 
  Além disso, não é apenas sobre a descoberta, mas sobre os descobridores que vamos nos aproximando. 
  Edith tem seus motivos para, só agora, ter pedido para alguém escavar. Ela queria deixar algum legado para o mundo, e acabou conseguindo mais do que isso. 
  Basil nunca teve um diploma, mas tinha um talento para escavação que talvez nenhum outro arqueólogo com milhares de especializações tivesse. Isso porque ele trabalhava com amor ao conhecimento e à História em si. 
  Esses dois tem um relacionamento de amizade muito bonito de se ver. Ambos se compreendem e se respeitam de maneira linda, harmoniosa e que te faz também se apaixonar por eles. 
  Não apenas eles, mas também o filho de Edith gosta de Basil de graça, o que faz os três terem cenas muito fofinhas e que dão aquele quentinho no coração. 
A escavação | Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

  Isso desperta a ira do pessoal do Museu Britânico que, apesar de seguir as ordens de Edith, que fez questão de doar o material descoberto para sua coleção, colocou Charles Philips como o “grande descobridor” e simplesmente apagou Basil Brown da História, contrariando o último desejo de Edith, que morreu pouco tempo depois. 
  Apesar de ser uma descoberta incrível, quase nada foi feito com o material, já que no mesmo ano da descoberta o Reino Unido declarou que iria participar da guerra. 
  Apenas anos depois, com a guerra já finalizada, os pesquisadores foram estudar a fundo o material, o que rendeu vários trabalhos minuciosos e descobertas fascinantes, que até está no pódio como uma das mais importantes da Europa.   
A escavação | Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

  E, apenas recentemente, Basil foi reconhecido pela Sociedade de Arqueologia como o verdadeiro descobridor do material, como conta o livro homônimo de John Preston. 
  O filme foi retratado como “um elegante ensaio sobre o fim e uma quase homenagem a pessoas que ficaram apagadas da História por anos” [Fonte].
  E, sinceramente, eu concordo. Infelizmente na academia temos muitas brigas de ego, que ninguém conta. E são essas brigas que levam pessoas importantes a serem apagadas por puro egoísmo e orgulho ferido, como aconteceu com Basil e tantos outros. 
  Eu amei esse filme, amei saber mais sobre a história de Basil e sobre como os devidos créditos de uma descoberta tão importante foi finalmente dado a quem merecia, ainda que bem tarde. 

 


   E essa foi a postagem de hoje. Já tinham visto esse filme? Curtem tramas mais nessa pegada histórica? Me contem aí! 



Postado por:

Hanna de Paiva

Gostou? Leia esses outros:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Comments

Classificação de resenhas

Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

anuncie aqui