20 de fevereiro de 2021

Amantes do cinema | Relatos do mundo

    Olá meu povo, como estamos? Hoje eu queria falar sobre um filme que acabou de sair do forno lá no catálogo Netflix, mas que já ganhou meu coração: Relatos do Mundo. 
Relatos do mundo | Netflix
Foto: Divulgação
Ficha técnica
Filme: Relatos do mundo
Gênero: Drama, Histórico
Ano: 2021
Duração: 1h59min
País:  EUA

Em Relatos do Mundo, no ano de 1870, o Capitão Jefferson Kyle Kidd, um viúvo que já lutou em duas guerras, viaja através do Texas oferecendo notícias do mundo para as pessoas, apesar dos jornais estarem se tornando cada vez mais acessíveis. Ele aceita uma proposta para levar uma menina de 10 anos, Johanna, até seus familiares. Criada pela tribo Kiowa, ela não conhece sua família e tem um comportamento hostil com as pessoas ao seu redor, mas acaba criando um vínculo com Kidd, forçando os dois a lidarem com as difíceis escolhas sobre o futuro.

Relatos do mundo | Netflix

 

   Quando se fala em “Velho Oeste”, as pessoas costumam se lembrar da parte dos “mocinhos”, que ficam em salloons, disputando duelos por se apaixonarem por uma mocinha bonita, geralmente uma dançarina de cancan. 
   Ou mesmo, é aquele clima de “tiro, porrada e bomba”, de literalmente mocinho e bandido, e normalmente aparece um índio no meio para ajudar a restaurar a honra de alguém, e tudo termina em “felizes para sempre”.  
   Mas já pararam para pensar que nem sempre foi assim? Não era todo dia que essas coisas aconteciam e as pessoas tinham mais o que fazer nos outros dias da semana? 
   ‘Relatos do mundo’ traz exatamente essa visão do “Velho Oeste”. Sem aquele glamour de mocinhas bonitas de batom vermelho e cinta-liga, sem o xerife para colar cartazes de procurado pela cidade, sem duelos a torto e a direita. 
   Aqui temos um filme até bem calmo, se formos comparar com outros filmes que se passam nessa época. 
   Nosso protagonista se chama Jefferson Kyle Kidd, um capitão reformado do exército americano, que agora ganha a vida vagando de cidade em cidade, lendo as últimas notícias do jornal do país. 
   Achei uma profissão até bem inusitada, mas que faz todo sentido, já que normalmente as pessoas não tinham acesso à educação e saber ler era para poucos em 1870, no meio do nada, literalmente. 
   Nessa época, os escravos ainda não tinham sido libertos no Sul, as estradas de ferro ainda estavam sendo levadas para o Oeste e as pessoas eram bem ignorantes com relação a muita coisa. 
   Assim, ter alguém que te cobre umas moedas, em troca de oferecer informação, acaba sendo uma boa troca. 
  Numa dessas viagens, Jefferson acaba esbarrando com uma menininha, Johanna, que aparentemente está perdida no meio da floresta, sem saber como voltar para casa. 
  Jefferson acaba se compadecendo da menina, especialmente quando descobre de onde ela vinha, e quer fazer de tudo para levá-la para casa.  
Relatos do mundo | Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

  Já deu para perceber que meus gostos andaram mudando do ano passado para cá, saí dos filmes com bastante ação para me aventurar nos mais calmos e baseados em livros. 
  ‘Relatos do mundo’ foi um achado e dos bons. Sem efeitos especiais grandiosos e com um elenco relativamente pequeno, temos uma história emocionante, que nos mostra um outro lado dessa época, que não paramos muito para refletir. 
  A parte de “tiro, porrada e bomba” está presente? Está. Mas como eu disse antes, esse é um filme que não foca na aventura, então ele acaba se tornando mais calmo em relação aos outros filmes do estilo. 
  Além disso, aqui nós vemos que os tiros não são dados por mocinhos com sede de aventura e defendendo honra de mocinhas bonitas. 
  Vemos um ambiente selvagem, querendo acabar com um povo selvagem. 
  O Velho Oeste é uma época sombria, que mostra brancos americanos brigando para ter seu pedaço de terra e querendo tomar o pouco que sobra dos índios, que são nativos de lá desde antes de os colonizadores chegarem.  
Relatos do mundo | Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

  Os índios tem sua honra e um senso de justiça próprios, que os brancos veem como selvageria, mas acabam aplicando leis tão perversas quanto, disfarçando de progresso. 
  O capitão Kidd acaba passando por um pouco dos dois lados, conforme vai adentrando nos vilarejos mais remotos. 
  A menininha é um caso a parte, filha de alemães, que foi criada por índios. Assim, ela também tem um pouco de duas culturas completamente diferentes, o que dá um pouco de confusão para Kidd no início. 
  Mas eles acabam criando uma linguagem própria, que logo conquista até o telespectador.  
  Jefferson nunca teve filhos, talvez por isso ele vê em Johanna sua chance de ser pai, nem que seja por alguns dias, até que ela encontre sua família de direito. 
  Johanna não chegou até Jefferson por acaso, ela tem os seus fantasmas e vários de seus acessos e comportamento arredio acabam dando a Jefferson um toque de familiaridade, já que ele também tem seus fantasmas e sabe o quanto é doloroso tocar em certas feridas. 
  Aos poucos, a relação desses dois vai criando uma comoção tamanha, que é impossível não torcer por eles. 
Relatos do mundo | Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

  Além disso, Jefferson vê o mundo com outros olhos, de sonhador, coisa que não é muito comum numa época em que as pessoas só querem que o dia termine rápido, para começarem tudo de novo no dia seguinte. 
  Johanna acaba aprendendo a ter esse olhar. E os dois são errantes, que não se encaixam num mundo de progresso rápido. Eles caminham na contramão do mundo, talvez por isso se entendam tão bem. 
  Esse é um filme que te dá aquele quentinho no coração, ao mesmo tempo que te faz pensar que muita coisa que acontecia naquela época ainda acontece hoje. 
  Ele aborda com sutileza temas como escravidão, preconceito, violência e abandono. De uma forma tão delicada que te pica e te morde, e você nem sente. 
  Um ótimo filme para pensar fora da caixinha e refletir sobre o que queremos para nosso futuro. 

  

Relatos do mundo | Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

       Já tinham visto esse filme? O que acham desses filmes com esse tipo de proposta? Me contem aí! 

Postado por:

Hanna de Paiva

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