26 de setembro de 2019

As aventuras de Robin Hood

  Olá meu povo, como estamos? Devido a minha situação no doutorado, várias leituras atrasaram nos últimos meses. Estou lendo menos do que gostaria, e não sei se consigo levar minha meta literária até o fim do ano, mas sou brasileira e não desisto nunca! (rsrsrs) Assim, hoje temos a resenha da minha última leitura, também participante do projeto #12livrospara2019, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário.
   O livro dessa vez é um clássico da literatura mundial, o qual ainda não tinha lido, embora ame as adaptações do cinema. Estou falando de As aventuras de Robin Hood, de Alexandre Dumas.

As aventuras de Robin Hood
Foto: Divulgação

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Livro: As aventuras de Robin Hood

Autor: Alexandre Dumas

Editora: Zahar

Páginas: 624

Ano: 2016 (Edição original em 1862)

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Ambientado na Inglaterra nos séculos XII e XIII, o livro traz as aventuras de Robin Hood e seu bando em busca de justiça, igualdade e também diversão. Nas matas de Sherwood e Barnsdale, acompanhamos os embates de Robin com o xerife de Nottingham, sua história de amor com lady Marian e sua parceria com o leal João Pequeno e frei Tuck.Essa edição reúne em um único volume os dois textos integrais de Dumas sobre o herói: O príncipe dos ladrões e O proscrito, publicados postumamente em 1872 e 1873. 

As aventuras de Robin Hood

   Robin Hood é um dos clássicos heróis, que alimentaram infância, fase adulta e velhice de muita gente, desde que foi lançado. Escrito pelo célebre escritor Alexandre Dumas, temos aqui relatos de um personagem que marcou a vida de muita gente, seja na vida real ou na ficção.
   Mesmo no livro, Robin Hood é um personagem que muitos acreditam ser fictício, enquanto outros juram de pés juntos que viram o grande arqueiro pelas florestas. Isso porque o autor já nos traz o personagem como uma lenda, mas que pode muito bem ter um fundo de verdade.
   A parte que mais gosto nas edições da Zahar é que grande parte da linha de clássicos vem sempre com um comentário sobre o autor e uma avaliação psicológica dos personagens principais. Então somos logo avisados de que, embora Dumas estivesse no auge criativo quando escreveu a história, esse livro só foi lançado após sua morte, como uma homenagem.
   E essa edição especial eu poderia chamar facilmente de calhamaço, já que são dois livros em um só. No primeiro livro somos apresentados a um bebê, de origem desconhecida, deixado nos braços de uma família pobre, porém super amorosa e cuidadosa. Gilbert e Marguerite Head são um casal feliz, porém lhes faltava uma coisa, um filho para chamarem de seu. A oportunidade chega quando numa vez, de modo muito estranho, um cunhado de Gilbert chega a sua casa, em plena madrugada chuvosa e fria, com um barão que ninguém tinha visto mais gordo, e um bebê nos braços.
   O barão dizia com lágrimas nos olhos que o pequeno bebê era filho de um companheiro de armas, que infelizmente morreu em batalha. Como desejo final, o tal companheiro queria que o barão tomasse conta de seu filho recém-nascido. Aparentemente pensando no melhor para o bebê, o barão resolve dar um jeitinho, para que a criança seja bem cuidada, longe da guerra, mas com muito amor e carinho, no seio de uma família bondosa.

Robin Hood
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   A muito custo, Gilbert cede aos desejos de sua esposa, que logo se apaixona pela criança. Com a promessa de que o barão todo mês depositaria uma quantia para despesas com o menino, o bebê deveria crescer longe da barbaridade que levou seu pai embora. Embora seja uma história muito comovente, Gilbert nunca acreditou muito nisso, ainda mais por causa do aparecimento de um cunhado que há anos não encontrava, mas se mostrava tão solícito de repente, ajudando a dar um lar a um bebê. Além disso, o tal irmão de armas do barão era tão querido, que Gilbert nem sabia o nome do pai da criança, o que começa a levantar suspeitas. Mas ele quer tanto a felicidade da esposa, que aceita o acordo.
   E assim, começamos a história de um bebê que encontrou um lar feliz. E, para fazer mesmo parte da família, lhe batizaram com o nome de Robin, o irmão de Gilbert, morto há muito tempo.

“O órfão chamou-se então Robin Head. Com o tempo, e sem que se saiba por quê, o sobrenome Head mudou-se para Hood e, com esse nome, o pequeno desconhecido tornou-se o célebre Robin Hood.”

  Gilbert Head era um arqueiro e trabalhava como guarda florestal, profissão da qual tinha muito orgulho. O mantinha perto da natureza, protegia a cidade de forasteiros e ainda tinha a paz de morar longe da cidade grande. Com o tempo, ensinou a seu filho Robin o ofício, que com muito esmero aprendeu, além de ser um exímio arqueiro.
   Robin cresceu no vilarejo próximo da floresta de Sherwood, onde boa parte de nossa história acontece. Aos 15 anos, é um arqueiro melhor que seu pai, e gosta de provar isso para si mesmo toda vez, mesmo que leve a brincadeiras imaturas. Ele é alto, bonito e tem uma voz espetacular, o que deixa muitas mocinhas caidinhas por ele. Mas o rapaz nem ligava, só queria mesmo era usar seu talento com o arco e flecha, para mostrar o quanto era bom no que fazia. Até o dia em que deu de cara com algo que ele menos esperava: uma donzela em perigo.

Robin Hood
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   O rapaz já viu de tudo naquela floresta, e não pensou duas vezes antes de salvar um casal que vinha sendo perseguido por um sequestrador. Ele salvou o casal, que logo descobriu serem irmãos. Allan e Marian Clare vinham da cidade, atravessando a floresta, mas sabiam de algo que não deveria ser passado adiante, então estavam sendo duramente perseguidos. Pense então na felicidade que tiveram ao serem salvos por um arqueiro! Robin, um adolescente em início de carreira como guarda florestal, nem pisa no chão de tanto que se sente e flutua com o que conseguiu fazer para salvar alguém. E fica mais flutuante ainda ao dar de cara bem de pertinho com Marian, uma mulher tão linda, como nunca se viu igual em toda Inglaterra. Embora não saiba ainda, temos aqui meu povo, um belo romance, do qual nenhum conto de fadas consegue fazer igual (não reclamem comigo, nem é spoiler o que disse aqui, até porque em todo filme eles são um casal já marcado para acontecer, rsrs)!

“Que Deus abençoe o seu excelente coração e lhe dê juízo! E dizer que foi meu aprendiz! Isso mesmo, fui eu, Gilbert Head, quem primeiro o ensinou a segurar um arco e disparar uma flecha! O aprendiz faz jus ao mestre e, se continuar assim, não haverá melhor atirador em todo condado, ou até mesmo na Inglaterra.”

   Socorridos depois do incidente, Robin leva os irmãos para casa, a fim de dar abrigo temporário e comida aos viajantes. Bem recebidos pela família Head, Gilbert logo simpatiza com Allan, e decide ajudar Robin a protegê-los dos perseguidores, que ainda não desistiram de sua missão. E assim temos a primeira de muitas aventuras do clássico herói. Aos poucos somos apresentados aos personagens que fazem parte do famoso bando de Robin Hood. Entre eles, temos frei Tuck, um frei beberrão, que ama cantar e dar, literalmente, porretadas em pessoas más. De sua maneira, ele conquista a lealdade dos Head, ao ajudarem contra os perseguidores que estavam em busca dos irmãos Clare.
   O que acho mais curioso nessa história, é que Robin ajudou os irmãos Clare a se livrarem dos bandidos e isso gerou uma amizade entre eles. E essa amizade é válida como um código de honra. Assim, não importa qual o seu problema, um amigo deve ajudar a resolver. Eles poderiam ter seguido seu caminho, mas Robin fica comovido com a situação de Allan, perdidamente apaixonado por lady Christabel, filha do barão Fitz-Alwine.
   Robin, por lealdade também, decide ajudar Allan a declarar seu amor pela moça, e até fugir com ela, já que é um amor proibido, mas para isso precisam de ajuda pelo caminho. Para chegar até o castelo do barão, os dois precisam de ajuda de outros personagens, como João Pequeno, Will Escarlate e o próprio frei Tuck, que se mostra bastante útil.

Robin Hood
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Allan quer conquistar seu amor, Will e João Pequeno querem aventura. Mas Robin, ao começar a andar mais pela cidade, ao caminho do castelo, percebe algo mais. Ele vê no barão não um pai amoroso, mais um carrasco, que maltrata todos a sua volta. Juntando cada um o seu motivo, o bando se formou e começaram a lutar por amor, por igualdade, por lealdade e por justiça.
   Por ser um livro que se passa na Idade Média, algumas coisas são constantes, como cantigas pelo meio do caminho, amores à primeira vista e também conversas compriiiiiidas… Levando em consideração que o livro foi escrito no século XIX, e também a história se passa séculos atrás, é de se esperar que a linguagem seja diferente da que estamos habituados. Eu li Os três mosqueteiros, também de Dumas, e percebi que a linguagem dele é bem rebuscada mesmo e bem detalhada. Em Robin Hood não é diferente. Dumas mantém a linguagem rebuscada aqui também, como já conhecia o estilo dele, isso não me incomodou tanto, como da primeira vez que tive contato com suas obras. Mesmo assim, precisei ler beeeem devagar, não porque a história pedia, mas ele acabou arrastando demais os acontecimentos.
   Os cenários são tão detalhados, que acabei me perdendo várias vezes na história, pois não me lembrava mais do fio da meada. Os diálogos também são bem arrastados, o que me deixou até enjoada de ler em certo ponto, pois não levava a lugar algum. Algo que percebi nos personagens de Robin Hood foi que, assim como em Os três mosqueteiros, os personagens se apaixonam muito fácil. Basta olharem uma luz diferente que incide sobre o rosto da moça, que pronto! É paixão na certa! E não basta apenas se apaixonar, tem que declarar seu amor aos quatro ventos, de modo tão comprido, tão detalhado, e numa linguagem rebuscada, que a combinação me deu agonia.
    O tempo todo o autor faz questão de dizer que vai nos narrar a história, e em certo ponto ele conversa com o leitor. Mas isso não ajuda muito com os detalhes infinitos que ele dá sobre tanta coisa, que nem tem uma cronologia certinha, é como se fossem fatos que ele juntou ouvindo aqui e ali e escreveu. Sabemos que Robin cresceu e envelheceu, pois na segunda parte do livro, somos apresentados a um Robin Hood que está cada vez mais focado em lutar por justiça e ficando mais fraco por causa da idade avançada.
   Se eu fosse apenas me ligar no que conheço pelos filmes, teria um herói, assim como seus amigos, que lutam bravamente a favor dos pobres injustiçados. Mas lendo com um olhar um pouco mais crítico, vejo que nem Robin era perfeito. Naquela época, se uma pessoa te ofende, era necessário matá-la. Se alguém ofende algum amigo próximo seu, você junta várias pessoas vizinhas a você, vai até a casa do cidadão e bota fogo na casa, mata a família inteira e assim tem sua honra recuperada. E ainda é tido como herói!  Mas para mim é mais um justiceiro…
   Ainda apaixonado por Marian, Robin move mundos e fundos para estar perto da mulher que tanto ama e protegê-la, mesmo que seja de longe. Apesar dos defeitos de Robin e da forma mega arrastada como é contada, acho linda a trajetória do amor desses dois. Eles formam um casal lindo, daqueles que realmente a gente torce por eles. Não apenas eles, mas também o grande amor de Will Escarlate e Maude, a ama de lady Christabel, chama atenção. Confesso que Will era um chato de galocha ao declarar seu amor para Maude. Não sei como ela aguentava tanto melodrama da parte dele, com declarações intermináveis. Talvez funcionasse lá na Idade Média, porque em pleno século XXI, no lugar dela, eu teria era mando o Will pastar.
   Apesar de ter muitas atitudes em nome honra que eu julgo questionáveis, tentei relevar, me lembrando sempre que estava lendo um livro realmente clássico, bem antigo, e com ideias da época. Mas uma coisa que me deixou bem curiosa foram algumas atitudes de Robin, que aprendeu com Gilbert. 

  O que chamou muito a minha atenção foi que, de certa forma, Robin Hood defendia a representatividade. Will Escarlate era um chato, mas era malvisto por todos, pois seu apelido de “escarlate” era devido ao seu cabelo ruivo, algo que chama atenção, mais ao mesmo tempo é raro e sua mãe sempre se preocupava; afinal, quem vai se casar com um cara de cabelos cacheados e vermelhos ainda por cima! Mas sua lealdade o fez ser digno do bando de Robin Hood. Na mesma família de Will, João Pequeno, por onde passava, assustava a todos, por ser considerado um gigante de tão alto e era obeso. Vivia em casa, apenas defendia os arredores do terreno, por não ser aceitável que ele saísse com toda sua altura. Mas Robin fez dele um de seus melhores combatentes e melhor amigo também, sem se importar com o que diriam.
    Para completar, as mulheres, que não faziam muita coisa, afinal elas ainda são tidas como “princesas indefesas”, já que não podiam empunhar uma arma. Mas elas tinham voz: Robin sempre as ouvia e debatia coisas sérias com elas. Além disso, achei curioso que Robin Hood já pensava que mulheres não são objeto de posse de ninguém. A sua forma, Robin defendia que elas pensassem, se casassem apenas se quisessem e com quem quisessem. Além disso, numa época em que mulheres sofriam violência e eram silenciadas, pois eram as únicas culpadas de tudo, Robin dizia que elas tem o direito de dizer “não”. Numa época em que mulheres deviam agradar seus maridos, deviam ter filhos e cuidar da casa, não tinham voz e serviam como moeda de troca em casamentos ricos, Robin as via como joias a serem admiradas, mas que também tinham voz a ser ouvida.
   Talvez por ver as pessoas como iguais e que todos podem fazer qualquer coisa, se assim quiserem, isso o transformou numa lenda. Os mais pobres sonhavam com um arqueiro incrível que diz que todos podem ser o que quiserem, e os mais ricos o odiavam, pois viam nele o fim de seus golpes.
   Se Robin Hood realmente existiu, não sei. Talvez seja como Rei Arthur, uma lenda, que todos gostariam que fosse verdade. Mas esse livro mostra que não precisamos de poderes mágicos para fazer o que achamos certo, só precisamos de um pouco de coragem, vontade e lealdade a nossos princípios.
   Não vou dizer que esse é meu livro favorito, pois estaria mentindo, ainda mais porque fiquei agoniada com a forma arrastada pela qual somos apresentados a várias cenas que poderiam ser mais chamativas, se focassem mais no “tiro, porrada e bomba”. Mas é um clássico que todos deveriam ler um dia, então darei quatro estrelinhas.

   Com relação ao livro em si, sou suspeita para falar, afinal sou apaixonada pelos livros da Zahar. Mas dessa vez li a versão em pdf dele. A capa é igual a do livro físico, onde vemos as silhuetas de Robin, em um momento de bravura. As cores são basicamente verde e preto, que acreditam-se eram as cores da roupa dele (porém em momento é descrito no livro esse detalhe). A revisão está perfeita, os capítulos bem marcadinhos e, como mencionei lá em cima, é dividido em duas partes. A primeira com o Robin ainda adolescente e imaturo, mas já vendo coisas com as quais não concordava. E a segunda contando sobre o Robin já mais maduro, responsável e sabendo o que fazia.
   Vocês já leram esse livro? Conhecem a história do Robin Hood? Qual adaptação dele vocês mais gostaram? A que mais gostei foi uma de 2010, ainda mais que tem uma frase que não está no livro, mas caiu bem para o filme, e uso até hoje como lema de vida:

“Lute e lute de novo, até cordeiros virarem leões”  

   O livro pode ser comprado através do link abaixo, assim vocês ajudam o blog, sem alterar em nada o valor da compra de vocês.


Postado por:

Hanna de Paiva

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