30 de junho de 2020

Cidades de dragões – Raphael Draccon

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de mais um livro “brazuca” por aqui. Dessa vez é a continuação da trilogia Legado Ranger, de um dos autores de fantasia mais famosos aqui e fora do Brasil: Raphael Draccon. Só alertando, como os livros são em ordem cronológica, tem alguns fatos que podem ser spoilers do primeiro livro.

Cidades de dragões | Raphael Draccon
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

22/12
Livro: Cidades de dragões
Autor: Raphael Draccon
Editora: Fantástica Rocco
Ano: 2015
Páginas: 319
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Após lutarem grandes batalhas em Cemitérios de Dragões, Derek, Daniel, Romain, Amber e Ashanti estão de volta à realidade em Cidades de Dragões, segundo livro da série Legado Ranger, estreia de Raphael Draccon pelo selo Fantástica Rocco. Depois de terem sido enviados para outra dimensão, os cinco agora tentam seguir com suas vidas na Terra, mas quando dragões começam a aparecer em diferentes pontos do planeta, deixando um rastro de destruição e morte, eles se veem obrigados a assumir sua responsabilidade e iniciam uma nova batalha que já ultrapassa a barreira entre as dimensões e que pode significar o fim da humanidade ou a sua salvação. Repleto de ação e referências a séries japonesas que marcaram toda uma geração, Cidades de Dragões é a sequência perfeita para uma saga de fantasia épica.

 

 
 
 
 
Cidades de dragões | Raphael Draccon

 

 
 
Depois de muito “tiro, porrada e bomba” e muita magia, nossos cinco heróis metalizados voltaram à Terra. Mas suas vidas nunca mais seriam as mesmas. Com seus poderes recém-adquiridos e sem prazo de devolução, Derek, o ranger honesto e com sentimento de herói verdadeiro, se tornou um justiceiro vermelho, andando pelo mundo e matando quem ele acha que é vilão.
Romain, o dublê francês, só usa seus poderes de metalizado verde para se curar dos ferimentos que consegue nas filmagens e agora finalmente vai assumir a paternidade de Amélie. Se tem uma coisa de boa que aconteceu em sua vida, foi a amizade que acabou criando, ainda que de forma nada convencional, com Daniel, nosso nipo-brasileiro metalizado azul e gênio dos computadores, que agora é padrinho de Amélie.
Enquanto isso, Ashanti, a metalizada amarela, volta para Ruanda bem pistola, cansada de ter seu país colocado para baixo. Embora suas atitudes sejam justificáveis, o mundo as vê mais como vindas de uma ditadora do que de uma rainha, o que acaba gerando conflitos de interesses sérios.
E Amber, a metalizada rosa, só queria ter uma vida normal, mas sabe que jamais conseguirá isso, já que sua força descomunal derrubaria qualquer pessoa no ringue e ela logo seria acusada de doping, já que algo estaria bem errado nas suas vitórias. Enquanto eles fingem que está tudo bem, eles vão descobrir que tudo o que sabiam sobre o simbionte que lhes dá poder é apenas uma gota no oceano de informações.
Fora que, por causa da volta deles, o mundo como conhecemos está prestes a virar de cabeça para baixo, logo no começo do livro. Aos poucos, cada um deles vai descobrindo alguma coisa nova sobre suas próprias armas, que podem tanto ser usadas para o bem, quanto para o mal.
O problema é que tais descobertas podem acabar caindo nas mãos de quem menos deveria saber, o governo de seus respectivos países, que podem usar os heróis como armas invencíveis. E quem primeiro descobriu isso foram os EUA, com a captura do justiceiro vermelho, Derek. Ele é acusado de terrorismo pelo mesmo governo que o enviou junto com sua tropa para a morte, antes que ele fosse enviado misteriosamente para o Cemitério de Dragões.
Para o governo, Derek deveria estar desaparecido, ou mesmo morto, como seus colegas, mas sua volta mexe com nomes de grandes escalões do exército americano, principalmente quando ele volta com uma tecnologia que nunca foi vista no mundo, mas só pode ter vindo do único lugar que desenvolve as tecnologias mais inovadoras que conhecemos: Japão.
O Japão também é acusado de enviar tecnologia para Ruanda, ainda mais quando a própria rainha está bem zangada e doida para mostrar o seu poder ao mundo, dizendo que pode derrubar qualquer país de primeiro mundo que queira lhe encarar. Enquanto os governos brigam entre si e estão prestes a iniciar a Terceira Guerra Mundial, mandando “suas respostas defensivas” ao Japão, o mundo inteiro é invadido pela mesma força que levou nossos cinco metalizados para o Cemitério.
Dessa vez, os dragões é que chegam com tudo na Terra e, junto com eles, uma ameaça que nossos metalizados julgavam terem deixado para trás: a cria do demônio-bruxa, que não apenas deu certo, como começou sua invasão da Terra lá no Japão, e já foi até batizado de Vespa-Mandarina, devido à sua aparência.
Como os dragões e a Vespa passaram pelo portal? Ninguém sabe. Mas eles precisam voltar logo para o lugar de onde vieram, antes que nosso mundo seja perdido para sempre.

 

Gente, como eu estava com saudades de ler um livro de fantasia! Não que eu não tenha lido fantasia esse ano, mas acabei ficando tanto tempo presa em livros seguidos de outros gêneros, que estava com saudades de ler algo que fugisse da minha realidade.
E me espantei com o tempo que levei para ler a continuação do primeiro volume dessa trilogia. Em 2017, eu terminava de ler Cemitério de dragões e achava um máximo essa aventura, com referências aos animes que eu tanto gostava quando criança, como Power Rangers, coloridos e enfrentando monstros de outras dimensões.
E me espantei mais ainda quando percebi que, mesmo passando tanto tempo, ainda me lembro desses personagens que tanto me conquistaram e ainda me conquistam. Uma aventura dessas só poderia ter o seu desenrolar aqui no nosso mundo se fosse no Japão, o país com mais experiência em heróis coloridos e tecnológicos do mundo!
Depois que nossos heróis voltam do Cemitério, suas vidas viraram 360°. Mas eles nem terão tempo direito de compreender suas próprias mudanças, já que o mesmo poder misterioso que os levou até outra dimensão, está trazendo seres lendários para o nosso mundo.
Cidades de dragões | Raphael Draccon
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
Achei sensacional a ideia do autor, que acabou com o clichê de que toda a invasão de mundo só pode acontecer na Casa Branca, para pegar o presidente dos Estados Unidos. Dragões de todas as cores estão invadindo a Terra, começando logo pelo Rio de Janeiro, acabando com uma das classificatórias para a Copa do Mundo, em pleno Maracanã.
Como eu trabalho/estudo ao lado do Maracanã, ler a descrição da cena foi super fácil, já que me imaginei lá, vendo tudo acontecendo e sabendo exatamente dos lugares de que o autor estava falando. Devido ao isolamento e, ao que tudo indica para a minha área, permaneço nele e não piso lá no Maracanã até o ano que vem, ler a cena foi como uma espécie de presente, primeiro, porque fui transportada para lá através da leitura, o que me deu certa nostalgia. E também, foi um presente, porque finalmente uma invasão dimensional aconteceu em todos os lugares do mundo, menos nos EUA, que já estouraram a cota de invasões alienígenas e monstruosas (rsrsrs).

“Nunca houve tantas testemunhas.”

Enquanto Derek estava sendo investigado pelo governo, os outros metalizados estavam investigando as notícias dos dragões, o que os leva até o Japão, onde parecem ter ocorrido mais do que apenas as aparições de dragões, mas também de um inimigo há muito temido: o Vespa-Mandarina.
Quem vai investigar o caso são Daniel e Romain, a dupla que briga feito cão e gato, mas que não consegue se separar. Romain é um típico francês mau-humorado, que só quer ser famoso no cinema; já Daniel é um nerd brasileiro, com bom-humor e senso de honra japonesa, devido às suas raízes. Eles se completam como água e óleo, mas é incrível como sentem falta um do outro.
Ler sobre eles me lembra muito os filmes de Jack Chan, os da franquia ‘Bater ou Correr’. Sério, Romain tem um mau-humor tão grande, que chega a ser cômico. E quando se junta com Daniel, são as partes mais engraçadas da leitura, até quando estão enfrentando os inimigos.

“Droga! Estou apanhando mais do que figurante aqui!”

Já em Ruanda, Ashanti é a mais assombrada pelo que deixou no Cemitério. Ela não se conforma de ter voltado para seu mundo, mesmo fazendo um trabalho fenomenal para Ruanda crescer. O problema é que, disfarçado nesse desejo patriota, ela esconde seus reais objetivos a sete chaves, e vai ter que passar por cima de muita gente para conseguir, nem que isso custe vidas.
Amber, a sumida e mais arisca de todo o grupo, parece que vai ser a única mente pensante (ou não) que resolveu aparecer para tentar colocar juízo na cabeça de Ashanti e Derek. Mas até ela esconde segredos, pelos quais parece apoiar Ashanti, mesmo sabendo das consequências.
A amizade impossível dessas duas parece surgir, ainda que por alguns momentos, especialmente quando os dragões se tornam próximos delas. Vamos ver no que isso vai dar. Ahsanti já era de personalidade forte antes de ser enviada para lá, e agora parece ter ficado ainda mais forte do que nunca, chegando a ser temida pelos governos da Europa, pela ameaça de guerra.
Amber, por sua vez, não parece ter mudado muito, apenas está tentando se controlar mais, o que vai ser bem complicado depois que ela der de cara com um dos dragões que chegam na Terra. Eles todos sabiam que suas armas eram feitas com sangue e escamas de dragões mortos, que estavam no Cemitério, porém Amber é uma dos primeiros a saber como isso pode interferir no comportamento dos temidos dragões que invadem o nosso mundo.
Além disso, Daniel e Romain vão chegando no Japão, para encarar o Vespa, que mais parece saído de um filme trash. O Vespa tem uma força que nem os metalizados achavam que seria tão poderosa assim, e será preciso ter estratégia quase que de xadrez se quiserem vencer o monstro, que parece ter respostas para muitas perguntas que eles se faziam desde quando foram parar no Cemitério.
Mas, antes de sermos apresentados à luta propriamente dita, somos apresentados a várias facetas japonesas, que nunca pensamos em conhecer um dia: de um lado, cosplays andando ao seu lado na rua, do outro, outdoors que parece te engolir, de tão realistas.
Some-se a isso, uma realidade que não costumamos imaginar, o submundo japonês. Tráfico, prostituição, transações ilícitas, corrupção, junto a um código de honra tradicional, que você acha que não combina, mas para eles faz todo sentido.
Além disso, a aparição dos metalizados hi-tech na Terra trouxe um medo crescente de terrorismo no mundo, especialmente nos países de onde os heróis são. Por causa disso, além da ameaça real das invasões dos dragões e demônios-bruxa, temos uma possibilidade de guerra entre humanos, por causa do Japão, que insiste em dizer que não desenvolveu a tal tecnologia, apesar do fato de todos os metalizados pareceram apontar o contrário. Em resposta, o Japão, que não é bobo nem nada, acaba dizendo “ok, estão acusando a gente, então vamos mostrar do que somos capazes”.
Cidades de dragões | Raphael Draccon
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

“[…] virou uma espécie de ninja ancestral e está dando porrada em todo mundo junto com outros ninjas aqui da vizinhança!”

Então, preparem-se para “tiro, porrada e bomba” de todas as formas possíveis! Dragões que cospem fogo, gelo, e tudo mais que se possa imaginar, katanas, armas cibernéticas, viagens interdimensionais, magia… tudo isso regado a cenas escritas de forma fluida, objetiva, e lotada de cenas hilárias.
Eu já conhecia a escrita de Raphael Draccon (aliás, o sobrenome dele é sensasional) e ele é sempre comparado com CS Lewis, Tolkien e até ao tio Martin. Uma comparação dessas não é para qualquer um. É incrível como ele conseguiu amarrar as pontas certas no segundo livro e dar um fechamento ao primeiro, mas ainda deixando algumas para ligar ao terceiro livro, Mundo de dragões.
Todos os personagens tiveram seus destinos mencionados, sem serem esquecidos nem os mínimos detalhes, mesmo que seja para nos deixar com mais caraminholas na cabeça a cada parágrafo e ficar curiosxs para o que está por vir. Amei a forma como ele abordou vários assuntos, que poderiam ser pesados e nem combinassem num livro de fantasia.
Mas ele conseguiu falar sobre amizades, perdas, preconceito e representatividade de uma forma fantástica, literalmente. E deu certo! Os metalizados são representantes de países e profissões que as pessoas normalmente subestimam. E eles mostram que são capazes de serem heróis.
Não apenas porque tem um simbionte, lógico que ajuda, mas porque o simbionte só dá uma ajuda em algo que eles já são capazes de fazer mesmo. Isso mostra que senso de justiça, luta por igualdade e solidariedade vem de dentro, e todos nós podemos ser heróis, mesmo que não tenham sangue de dragão correndo nas veias. E isso é o que mais sensacional da trilogia.
Falando sobre o liro em si, como no primeiro volume, ele é impresso em papel amarelado e tem uma fonte legível; e eu amei os dragões nos apresentando o início dos capítulos.
Cidades de dragões | Raphael Draccon
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
Além disso, a história nos é narrada em terceira pessoa, com capítulos breves e objetivos. A revisão está de parabéns e eu amei a capa, bem em tons de laranja, representando a invasão dos dragões na Terra. Ainda na capa, vemos os três capacetes, de Amber, Ashanti e Derek, os principais desse livro, ao contrário do primeiro, que apresentava apenas o de Derek.
Super recomendo a leitura, não apenas desse livro, mas da trilogia inteira. O melhor de tudo é que é uma obra “brazuca”, o que mostra que nossa literatura está de parabéns e merece, sim, uma bela adaptação nas telinhas e telonas.

  
   Vocês já tinham lido essa trilogia? E as obras de Raphael Draccon? Me contem aí, bora conversar! 

Postado por:

Hanna de Paiva

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