18 de March de 2025

Clube de Leitura dos Corações Solitários | Lucy Gilmore


Olá meu povo, como estamos? Se tem uma coisa que eu gosto bastante é de fazer leituras coletivas. Estou sempre descobrindo novos títulos e me surpreendendo com obras que jamais passariam pelo meu radar. Uma delas foi “Clube de Leitura dos Corações Solitários”, que li recentemente junto ao Clubinho da Pequena Jornalista.

Livro: Clube de Leitura dos Corações Solitários

Autoria: Lucy Gilmore

Tradução: Lígia Azevedo

Editora: Buzz

Ano: 2024

Páginas: 354

Formato: Digital (disponível no catálogo do Kindle Unlimited até o momento)

País: Estados Unidos

Nota: 4/5

A bibliotecária Sloane Parker vive uma vida invisível na pequena e pacata cidade onde mora. Ela não se considera solitária, mas aguarda ansiosamente pelo momento do dia em que o velho mesquinho Arthur McLachlan virá folhear livros pelas prateleiras e insultá-la alegremente — o embate entre eles torna-se o ponto alto do seu dia.

Até que, certa manhã, Arthur não aparece na biblioteca. Sloane decide sair à sua procura apenas para descobri-lo acamado e desesperado em esconder o quão feliz está em vê-la.

Querendo trazer mais alegria à vida sombria de Arthur, Sloane cria um clube de leitura improvisado. Aos poucos, pessoas bem diferentes entre si começam a frequentá-lo, encontrando nele a alegria de amizades improváveis.

Acontece que todo mundo tem um livro especial em seu coração — e um motivo para se perder (e eventualmente se reencontrar) em meio às páginas.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Sloane Parker é uma bibliotecária que adora seu trabalho. Em parte porque ama livros e trabalhar com eles sempre foi o seu sonho, mas também porque seria uma forma de deixar sua passagem pelo mundo invisível.

O que nem sempre é possível, desde que Arthur McLachlan (um senhorzinho nada simpático) apareceu e começa a tocar o terror pela biblioteca, com sua personalidade peculiar. Não obstante, sabendo o quanto todo o time de bibliotecários têm bastante medo de sua presença marcante, o idoso não perde a oportunidade de aparecer diariamente por lá, só pelo prazer de ver os funcionários tremendo de medo.

A única que tem coragem de lhe enfrentar é Sloane, que parece se divertir com os xingamentos notáveis pelos quais Arthur lhe chama. Mas a alegria da mocinha não vai durar muito, já que o idoso de repente para de aparecer.

Na busca incessante de entender o que teria acontecido com o novo “amigo”, a bibliotecária arrisca diversas regras em busca de respostas. Porém, o que vai descobrir é muito além do paradeiro de uma pessoa, mas de um coração solitário.

Como falei no início do post, esse livro jamais passaria pelo meu radar se não fosse pelo clube de leitura. E foi uma grande surpresa, pois fui agraciada com uma leitura bem gostosinha.

A narrativa é em primeira pessoa, porém o ponto de vista é o que mais chama atenção. Isso porque ela varia entre alguns personagens ao longo do texto. Dessa forma, entendemos o que se passa na cabeça não só da Sloane, como também do próprio Arthur, Mateo, Greg e Maisey.

Cada um tem uma forma única de ver e sentir os fatos relatados. O que dá uma ideia mais geral de tudo o que está acontecendo ao longo da narrativa.

De todos os personagens, a Sloane é a que menos gostei. A mocinha é introspectiva e tem o objetivo de passar a vida sem ser o centro das atenções. O que não seria nem um pouco ruim se ela não usasse isso como desculpa para ser permissiva e subestimada demais.

E isso se reflete em todos os âmbitos da sua vida. No pessoal, a moça é noiva de um quiropraxista que insiste em ser chamado de doutor, pelo simples motivo de se achar mais importante que o universo por ter feito doutorado.

A vida me chamava e vinha chamando fazia anos, no entanto precisava daquele grupo aleatório e maravilhoso de pessoas para me dar conta de como agir. Era hora de atender ao chamado.”

Eu, uma doutora (com doutorado também), achei isso de uma arrogância tão grande, que já criei ranço antes mesmo dele entrar em cena! E quando entrou, só confirmou minhas suspeitas de uma pessoa arrogante, metida a besta, que não enxerga as pessoas ao seu redor, a não ser que consiga controlar.

O mesmo posso falar da família do noivo, que tem bastante voz em tudo relacionado ao casamento. Mas pouco sobra para a Sloane, que deveria ser a mais interessada. Eu revirava os olhos a cada vez que toda essa família entrava em cena e só queria que explodissem logo de uma vez para deixar o mundo mais leve.

Contudo, eles só colocam a pobre Sloane para baixo a cada oportunidade e ver ela aceitar de bom grado só me deixou com dó dela e desejava que ela acordasse logo para a vida. Mas a jovem aceita isso não apenas na vida pessoal, quanto também na profissional, já que Arthur parece ter como objetivo de vida ofender quem quer que esteja na sua frente.

O senhorzinho pode ter uma carinha fofa, mas é um verdadeiro demônio no momento em que pisa na biblioteca. Todos os funcionários saem correndo ao som da sua voz, menos Sloane, que tem pena do Arthur e resolve ajudar.

O primeiro encontro deles não é dos melhores, mas acaba se repetindo por um tempo, no mesmo nível de xingamentos inteligentes. Até que um dia Sloane dá pela falta do idoso escandaloso. Contrariando todas as regras de convívio social dos frequentadores da biblioteca, e mais ainda, todas as ordens de sua chefe, a mocinha não descansa enquanto não descobre o paradeiro do senhorzinho.

O que acaba acontecendo, mas leva a uma série de consequências que jamais passariam pela sua cabeça. Aos poucos, os outros personagens entram em cena e vão dando o seu toque pessoal aos fatos.

A começar pelo próprio Arthur, o senhorzinho tem uma personalidade bem difícil de aceitar. É arrogante, sempre irritado, ama xingar todo mundo de uma forma que ninguém entende e, mais que tudo, ama ficar sozinho. Mas quando conhece Sloane, parece que algo se acende dentro dele. O velhinho cria um laço interessante com a jovem que eu diria ser mais de pai para filha, ainda que de um jeito bem torto.

Eu não sei se teria a paciência da bibliotecária aturando toda aquela arrogância diariamente. Mas a impressão que me dava era que ambos precisavam daqueles momentos como uma espécie de código, para mandar suas mensagens de socorro, que só a dupla entendia.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Por outro lado, Mateo é o colega de trabalho (e também melhor amigo) de Sloane na biblioteca. O jovem é bonito, bem resolvido em relação a uma série de coisas, mas tem alguns detalhes que ainda lhe incomodam, mesmo que ele finja ignorar o tempo inteiro. É quem tem mais medo de Arthur e sai correndo quando percebe sua presença em seu local de trabalho. Ainda mais quando ele começa a debater os gostos literários de Sloane em alto e bom som.

Talvez por isso, a ausência de Arthur é sentida com muita rapidez. E a insistência de Sloane em descobrir onde seu “novo amigo” está é vista com maus olhos num primeiro momento. Mas aos poucos, até Mateo quer saber o que aconteceu com o velho rabugento.

Havia lido milhares de livros, absorvendo o engenho e a sabedoria de milhares de escritores, porém nunca seria capaz de fazer o que faziam.”

E aí conhecemos um outro ângulo da história. Agora ambientada na vizinhança de Arthur, entram em cena o neto Greg e a vizinha Maisey. O primeiro é um rapaz bem posicionado no mercado de trabalho, é um amor de pessoa e sempre está disposto a ajudar. Mas quando se trata do avô, as coisas mudam bastante de figura. A dupla não se dá nada bem, especialmente depois de um fato que marcou a família.

Maisey é uma vidente que tem resposta para o futuro de todo mundo. Contudo, quando se trata da própria vida, ela fica perdida e sem saber qual caminho seguir. A proximidade com Arthur e o neto parece lhe dar uns raios de luz nas trevas que andavam lhe rondando, e logo ela se torna presença constante na casa onde jamais imaginou que entraria.

Aos poucos, os destinos dos personagens se cruzam de uma forma apaixonante e perfeitamente crível. E o que mais gostei foi as atitudes de Sloane, que vai amadurecendo ao longo da trama e tem uma maneira especial de lidar com cada novo amigo que surge em sua vida, ainda mais quando todos descobrem o que os une: a paixão pelos livros.

E assim surge o Clube do Livro Correndo na Chuva, uma ideia que a bibliotecária já tinha há bastante tempo, porém nunca conseguia colocar em prática. No início, ninguém gostava muito disso, mas achei interessante a forma como a autora conseguiu juntar todas as situações que fizeram os personagens aceitarem se reunir para falar sobre leituras, mesmo que cada um tivesse um gosto diferente nesse sentido.

Eu fiquei muito apaixonada pelo clube de leitura, especialmente por ver as opiniões distintas, assim como a forma única com a qual cada um cuidava do seu livro. Isso me fez lembrar dos que eu participo e o quão bom é ter essas diferenças de ver as histórias.

A melhor parte de ter amigos letrados era que eles já sabiam o que vinha a seguir. Percebo que não tenho muito mais a oferecer.”

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Além disso, uma observação a parte é que eu ficava babando nos pratos que a Maisey fazia, especialmente para as reuniões. Eu bem que queria ser convidada para um dos encontros, só para provar os quitutes que ela preparava, haha. Se falasse das receitas com um pouco mais detalhes, juro como ia me arriscar a preparar na cozinha também.

Além disso, eu achei muito fofo como os laços de amizade e até de família foram sendo fortalecidos. Me dava um quentinho no coração ver como eles se ajudavam a lidar com os dilemas internos e iam se entendendo, amadurecendo e vendo que a vida tinha mais a oferecer do que eles achavam que mereciam.

Minha única reclamação a respeito dessa leitura é que o início dele é muito arrastado e o final superficial e corrido. Se a autora tivesse equilibrado mais a narrativa, teria sido mais prazeroso de ler e teria espaço para algumas respostas (que aqui não foram muito convincentes). Mesmo assim, ainda é um livro que eu recomendo, pois vai te deixar com o coração quentinho e querendo fazer parte do clube de leitura.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Em relação ao livro em si, li a versão digital. Então, posso afirmar que é bem diagramada, bem revisada e tem uma fonte legível. Apesar disso, não gostei muito da capa. Achei simples, mas não é informativa.

Agora me conta, você já leu esse ou algum outro livro que fala de livros?

Texto revisado por Emerson Silva.

Postado por:

Hanna de Paiva

Gostou? Leia esses outros:

Quotes | Clube de Leitura dos Corações Solitários

Quotes #27: Clube dos Corações Solitários

Olá meu povo, como estamos? A leitura de Clube […]

Novidades na Estante

Novidades na Estante | Março 2025

Olá meu povo, como estamos? Hoje quero compartilhar as […]

Tags:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

5 Comments

Classificação de resenhas

Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

anuncie aqui