4 de outubro de 2018

Cult: Academia Brasileira de Letras

   Olá meu povo, como estamos? Hoje vou falar de um dos lugares que mais gostei de conhecer esse ano, a Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio de Janeiro.

Academia Brasileira de Letras
Foto: Divulgação

Academia Brasileira de Letras

   Para quem não sabe, a Academia Brasileira de Letras foi fundada em 20 de julho de 1897, onde hoje temos o Centro do Rio de Janeiro. Entre seus fundadores, temos escritores ilustres, como Machado de Assis, Olavo Bilac, Graça Aranha, Arthur Azevedo, dentre tantos outros que tinham o desejo de ter um lugar onde suas obras poderiam ter memória. Além disso, a Academia Brasileira de Letras seria um lugar onde todas as pessoas que tinham uma paixão em comum_a escrita_poderiam se encontrar e ter um “santuário” para a Língua Portuguesa.
   Com Machado de Assis como seu primeiro presidente, a ABL teve sua inauguração numa sala do museu Pedagogium, na Rua do Passeio, com 16 acadêmicos muito felizes com sua conquista.

Discurso de Machado de Assis
Foto: ABL

     Anos depois, o governo francês deu de presente um palácio para a ABL, construído totalmente nos moldes europeus, do chão ao teto, com direito até a decoração em estilo Maria Antonieta. Escondidinho no meio da cidade cheia de prédios altos e movimentados, o palácio da ABL existe até hoje e é aberto ao público, mas quase ninguém sabe.  
   O prédio tem três andares, repletos de móveis e bustos dos mais incríveis escritores que já passaram pela Academia, além de seus patronos. Sim, no dia da fundação, a ABL teria os mesmos moldes das academias de letras da Europa. Então, cada membro escolhido para compor a versão brasileira, poderia escolher um patrono, que tem uma homenagem na parte de trás da cadeira onde sentam nas sessões. 
   Por ter sido o primeiro presidente da ABL e, também, um dos mais famosos escritores do país, Machado de Assis tem uma sala própria, com seus móveis de escritório ainda hoje preservados. Passamos também pela sala onde ocorrem as sessões atualmente, para anúncio de novos membros da Academia, sala do chá, e até o auditório. 
   A ABL também conta com duas bibliotecas: a Rodolfo Garcia e a Lúcio de Mendonça. São ambas abertas ao público também, com estantes abarrotadas de obras raras recentes, até contribuições estrangeiras.

Academia Brasileira de Letras
Foto: Erik Lourenço/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Erik Lourenço/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras

Foto: Erik Lourenço/Mundinho da Hanna
   Como perceberam, não tem muitas fotos de onde passamos em todos os cômodos, pois o museu tem regras de não fotografar (nem sem flash deixam), nem filmar os cômodos. Os que foram permitidos são o saguão, onde começamos a visita e uma exposição especial de Machado de Assis, com os móveis de sua casa, que foi demolida em nome do progresso… 😢
   A ABL adotou os móveis e fez uma homenagem bem legal ao autor, tão importante para nosso país com suas contribuições literárias e opiniões fortes. Muitas pessoas já passaram pela Academia, embora a gente só se lembre de pessoas dedicadas a poesia, romances e afins… Para terem ideia, muitos acadêmicos foram políticos, médicos, filósofos, historiadores… até Santos Dumont já foi membro da ABL! 😱 
   E, a título de curiosidade, o lema da ABL é Ad immortalitem, que quer dizer rumo à imortalidade. Descobri no dia da visita que esse lema sempre foi um trocadilho entre os membros, pois certas coisas não mudam e contavam-se nos dedos as pessoas que podiam pagar suas contas com suas obras literárias (bem diferente de hoje… sqn). Então, de acordo com Olavo Bilac, realmente os membros deveriam ser imortais, pois eram tão sem grana que não tinham onde cair mortos…

Academia Brasileira de Letras
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Pois é, para abrir uma vaga na ABL, é porque algum dos outros membros infelizmente faleceu. A partir daí, abrem as inscrições para preencher a vaga aberta. Para se candidatar, basta ter ao menos um livro publicado, não importa a área, e ser brasileiro (não naturalizado, mas nascido aqui mesmo). Depois que se tem a votação, a pessoa eleita é chamada e vai para o salão nobre para tomar posse, com deu tradicional fardão
   Para quem tem a curiosidade (assim como eu), de saber como são as cerimônias, a ABL transmite online em tempo real. Além disso, a ABL tem várias publicações: a Revista Brasileira, Anais da ABL, Coedições ABL, Coleções ABL e o Jornal de Letras (que é mensal e distribuído gratuitamente no fim das visitas). 

Academia Brasileira de Letras
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Erik Lourenço/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Erik Lourenço/Mundinho da Hanna

Academia Brasileira de Letras
Foto: Erik Lourenço/Mundinho da Hanna
   Se quiserem ir lá um dia, a ABL está aberta à visitação de segunda à sexta, das 9h às 18h. As visitas são sempre 0800 e precisam ser agendadas, pois os grupos são formados de poucas pessoas. As visitas são guiadas e dramatizadas por uma dupla de atores vestidos a caráter.
   E, como ao adentrar o prédio, nos perdemos da correria da rua, acaba sendo uma verdadeira volta no tempo, até o século passado, quando o palácio foi inaugurado e não tinha tantas pessoas na cidade. Isso eles conseguem e muito bem, o que dá um ar bem nostálgico no passeio e a vontade de voltar. 💓


   Quem quiser também saber mais sobre a ABL e ficar por dentro dos próximos eventos, eles tem um site e também redes sociais:
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   Já tinham ido à Academia Brasileira de Letras? Tem vontade de conhecer? Tem algum museu desse tipo na cidade onde você mora? Me conta aí, bora conversar! 😉

Postado por:

Hanna de Paiva

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