6 de agosto de 2019

Cult: Museu da República

   Olá meu povo, como estamos? Hoje vou contar a vocês sobre o último passeio que fiz aqui no Rio, visitando os museus que tanto gosto. Dessa vez, conheci o Palácio do Catete, também conhecido como Museu da República, que fica no bairro de mesmo nome, também local onde ocorreu o festival de café, que conferi no final do mês de julho.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República

O Palácio Nova Friburgo, atual Palácio do Catete, construído entre 1858 e 1867 pelo comerciante e fazendeiro de café Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, consagrou-se como um monumento de grande importância histórica, arquitetônica e artística. Erguido no Rio de Janeiro, então Capital Imperial, tornou-se símbolo do poder econômico da elite cafeicultora escravocrata do Brasil oitocentista. Sua concepção em estilo eclético é resultado do trabalho de artistas estrangeiros de renome, como o arquiteto Gustav Waehneldt e os pintores Emil Bauch, Gastão Tassini e Mario Bragaldi. Em 1889, passados vinte anos da morte do Barão e de sua esposa, o Palácio foi vendido à Companhia do Grande Hotel Internacional e, posteriormente, antes que fosse instalada qualquer empresa hoteleira no imóvel, foi vendido ao maior acionista da Companhia, o conselheiro Francisco de Paula Mayrink. Em 18 de abril de 1896, durante o mandato do presidente Prudente de Moraes, à época exercido em caráter interino pelo vice Manuel Vitorino, o Palácio foi adquirido pelo Governo Federal para sediar a Presidência da República, anteriormente instalada no Palácio do Itamaraty. [Fonte]

    Acho que posso resumir o Palácio do Catete em algumas palavras: luxo; riqueza; orgulho; poder; solidão. O Barão de Nova Friburgo (foto abaixo), pelo que nos conta a história logo na entrada do palácio, era um português que chegou aqui no Brasil, literalmente, com uma mão na frente e outra atrás. Tudo o que ele tinha era um cargo ajudando o tio no tráfico de escravos. E essa ajuda se tornou num negócio lucrativo, que logo deu ao barão o título e a riqueza. E, com o intuito de mostrar para o mundo que era rico, mandou construir uma residência que deixasse claro quem era ele.
   Mas não sei se realmente a casa trouxe muitas coisas boas à família. Logo depois da construção do palácio, que era até ponto de parada de muita gente na época para observar a grandeza, tanto o barão quanto a baronesa faleceram, deixando filhos adultos, os quais se casaram no palácio, porém nenhum deles morou ali.
     

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna
Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   O palácio tem três andares, com cômodos ricamente detalhados do chão ao teto. Apesar de todo o chão ser feito de madeira, em nenhum cômodo a decoração do piso é igual, assim como  restante dos cômodos. A sensação que dá é que entramos em outro mundo a cada cômodo que passamos, tamanha é a suntuosidade que foi construída ali; a ideia era realmente demonstrar riqueza e poder, mas o que mostrou mesmo foi apenas solidão. Nem tanto tempo assim de construído o palácio tinha quando o dono morreu. A baronesa foi logo em seguida e nenhum dos filhos morou ali.
   Como o governo federal comprou o palácio, os primeiros presidentes moraram nele, até se mudarem para o Itamaraty. Mesmo assim, apesar de ter movimentação por causa dos presidentes e sua comitiva, não posso dizer que o Palácio do Catete tenha uma uma vibe tranquila, afinal foi ali que presidentes tiveram reuniões que mudaram o país, foi ali que os primórdios da nossa Constituição foram escritos e foi ali também que ocorreu o suicídio de Getúlio Vargas.
   Por ter sido a primeira residência dos presidentes do Brasil, o palácio foi escolhido para ser o Museu da República. Então logo na entrada temos a história dos donos que mandaram construir o local e logo depois pulamos anos para a proclamação. Aqui temos exposições de presidentes desde o Marechal Deodoro até a Dilma. A linha sucessória de quadros com as fotos dos presidentes estão logo no hall de entrada, perto da escada que dá para os cômodos mais pessoais.
   Ainda no térreo, já temos logo noção da suntuosidade por causa das colunas de mármore e moldadas em ferro fundido, coisa que era inédita no Brasil.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

 

   Nem um ponto ficou sem decoração, nem mesmo as escadas. Olhando por debaixo dos degraus, é possível observar decoração em estilo greco-romano. O mesmo vale para as escultura que vemos conforme vamos subindo as escadas.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Ainda no térreo, podemos visitar os cômodos onde ocorriam as grandes decisões políticas, assim como bailes e visitas de aristocratas.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Também é no térreo onde fica a história de nossa república, contando um pouco da história do governo de cada presidente, com ênfase especial a Getúlio Vargas e depois aos presidentes mais recentes, como Fernando Collor, Fernando Henrique e Dilma.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Achei interessante que, ao mesmo tempo que nos é contada nossa história, o museu não se preocupou em romantizar nada. As coisas são contadas do jeito que aconteceram, sendo boas ou ruins… ou esquisitas… Tipo, vocês sabiam que Deodoro era amigo bem chegado de D. Pedro II? Pois é… Enquanto D. Pedro II estava no conhecido Último Baile, Deodoro foi pelas costas de seu amigo proclamar a República. Ou seja, já começamos nossa república com um golpe e uma prova de “amizade da onça”… se posso assim dizer…
   E daí por diante, conforme vamos passando pela linha sucessória, a cada porta de cada cômodo temos uma frase que, apesar de ser antiga, são bem atuais… A maioria é de Lima Barreto, mas se colocar na nossa vivência de hoje, veremos que nada mudou.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   No segundo andar nós temos mais salas suntuosas, com destino a bailes gloriosos, grandes recepções e saraus. Inclusive, numa das salas, há um piano belíssimo, que foi usado em muitas noites, quando ninguém menos que Chiquinha Gonzaga era recebida no palácio.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   No terceiro andar, ficavam os aposentos privados dos moradores. Em atenção especial, há alguns cômodos que ficaram marcados na História, como o quarto em que Getúlio Vargas se matou. O quarto está todo mobiliado, do jeito que era na época. Achei curioso que a cama dele era feita sob medida, pois era tão pequenininha, que imagino que eu sou mais alta que ele (rsrsrs). Numa vitrine, estão expostos o pijama que ele usava na noite em que aconteceu, assim como o revólver e a carta-testamento. Não apenas o quarto, mas o andar inteiro tem um clima meio mórbido. É bem sombrio, por causa do medo de incêndio, devido às instalações elétricas antigas, mas o ar mesmo é de morte. Não sei se tem a ver com o fato já sabido do suicídio, mas o que senti no terceiro andar foi solidão, tristeza e um ar bem pesado…
   Mesmo assim, no terceiro andar também podemos ver os cômodos que Getúlio mais gostava de ficar. O salão árabe, todo decorado como tal, era a sala de jogos do presidente. Além disso, o gabinete dele era bem “modesto”, e ele tinha uma estante bem simples, mas deu para notar que era fã assumido de Dom Quixote. Ele tinha tantos exemplares em edições diferentes, que provavelmente sabia a história de cor (rsrsrs).

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna
Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Saindo do palácio em si, temos um jardim enorme, que toma conta do quarteirão inteiro. Ele tem um lago belíssimo, com patos e tudo. 💓 Ele, assim como o museu, é aberto ao público e as pessoas costumam levar crianças para brincar lá.

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Museu da República
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   É também no jardim que tem o Festival do Café, uma mostra super legal dos cafés de produção própria, vindos em maioria de Minas Gerais. A gente pode experimentar não apenas café, mas também tudo que seja feito de café: biscoitos, bolos e até cachaça!
   Além dos amantes de café de plantão, tinha muita mostra de produtos naturais/orgânicos, como sabonetes, perfumes, manteigas… Tudo feito de modo artesanal. Estava um dia lindo, bem movimentado e provei cafés de gostos que nem imaginava. Tinha com notas de morango, frutas amarelas e até com aroma de erva cidreira.

Festival do Café
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Festival do Café
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

Festival do Café
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

Festival do Café
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

    E esse foi o meu passeio no Palácio do Catete. Se você nunca foi ou tem vontade de visitar, aqui vão informações úteis:

Entrada: R$6,00 (R$3,00 meia entrada)
Funcionamento: Terça à sexta: 10h às 17h; sábado, domingo e feriado: 11h às 18h
Endereço: Rua do Catete 153, Catete. CEP 22220-000 Rio de Janeiro, RJ

Telefone: (21) 2127-0324




   E aí, o que acharam do passeio? Me contem aí!

Postado por:

Hanna de Paiva

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