12 de setembro de 2020

Deixada para trás | Charlie Donlea

 Olá meu povo, como estamos? Hoje temos mais uma resenha participante do projeto #12livrospara2020, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário. O livro de setembro é um thriller, Deixada para trás, do autor Charlie Donlea.
Deixada para trás | Charlie Donlea
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

29/12
Livro: Deixada para trás
Autor: Charlie Donlea
Editora: Faro Editorial
Ano: 2017
Páginas: 365
Skoob | Amazon
 
 
Nicole Cutty e Megan McDonald são alunas do ensino médio na pequena cidade de Emerson Bay, Carolina do Norte. Quando elas desaparecem de uma festa na praia em uma noite quente de verão, a polícia inicia uma busca maciça. Nenhuma pista é encontrada e a esperança é quase perdida, até Megan milagrosamente aparecer depois de escapar de um bunker no fundo da floresta.
Um ano depois, o best-seller de sua provação transformou Megan de heroina local para celebridade nacional. É uma história triunfante e inspiradora, exceto por um detalhe inconveniente: Nicole ainda está desaparecida.
A irmã mais velha de Nicole, Livia, é uma perita forense e espera que em um breve dia o corpo de Nicole seja encontrado e entregue a alguém como ela para analisar as provas e finalmente determinar o destino que sua irmã teve. Em vez disso, a primeira pista para o desaparecimento de Nicole vem de outro corpo que aparece no necrotério, de um jovem ligado ao passado de Nicole. Livia vai até Megan para pedir ajuda, esperando descobrir mais sobre a noite em que as duas foram levadas. Outras meninas também desapareceram e Livia está cada vez mais certa de que os casos estão conectados.
Mas Megan sabe mais do que ela revelou em seu livro best-seller. Flashes de memória estão se juntando, apontando para algo mais escuro e mais monstruoso do que sua memória descreve. E quanto mais ela e Livia cavam, mais elas percebem que às vezes o verdadeiro terror está em encontrar exatamente o que você está procurando.

 

Deixada para trás | Charlie Donlea

 

Emerson Bay é uma cidade pequena, com um passado manchado por cicatrizes profundas. É a terra de um desaparecimento memorável, cuja mocinha acabou escapando do agressor e voltando para a casa dos pais. Megan McDonald voltou em corpo, mas em alma, jamais seria a mesma pessoa depois de tudo o que viveu naquelas duas semanas de cativeiro.
Por isso, acabou escrevendo um livro, na esperança de que sua experiência pudesse salvar outras meninas que passaram pela mesma situação que ela. Mas enquanto ela fica famosa por um lado, os repórteres e policiais simplesmente apagaram um outro desaparecimento sem solução, o de Nicole Cutty, que foi sequestrada no mesmo dia que Megan.
Parece que todos esqueceram da menina, menos Lívia Cutty, sua irmã mais velha e legista do condado de Raleigh, que está disposta a mover mundos e fundos para descobrir o que o mundo esqueceu: Onde está Nicole?  Bom, minha primeira experiência com Charlie Donlea não foi das melhores. Quando li o primeiro livro dele, que aliás ficou super famoso e virou best-seller, criei muitas expectativas sobre o livro, especialmente porque prometia ser um suspense boladão.
Mas acabei me frustrando com as cenas corridas, final confuso e nada a ver com o que eu esperava. Mesmo dando nota máxima naquela época, me senti decepcionada, pois a trama tinha furos bem visíveis, que foram amarrados de qualquer jeito. Começava a me questionar o motivo do autor ter se tornado tão famoso, até que comecei a ler as resenhas de outros livros dele, as quais falavam que havia esperança sobre os livros posteriores serem melhor escritos.
Decidi dar uma segunda chance às obras do Charlie com Deixada para trás e… sabe quando a pessoa parece que leu tua mente e corrige todos os pontos que reclamei na obra anterior? Ou quase todos (rsrsrs). Pois é, Deixada para trás sim, é um suspense boladão, que valeu a pena a segunda chance! 💓 Assim como em A garota no lago, a marca do autor é começar com logo com a cena do crime e depois de todo o desenrolar, a cena volta, com a continuação dela no final do livro.
Então começamos logo sendo apresentados à Nicole Cutty, a mocinha desaparecida e irmã mais nova de Livia. 14 meses depois do evento que levou Emerson Bay ao auge de todos os jornais do país, Megan McDonald, a outra desaparecida, parece ter superado tudo o que passou. Publicou um livro, que logo de tornou best-seller, está trabalhando feliz e contente e fazendo terapia.
Vive sorrindo para fotos e dando autógrafos, se tornando uma heroína para muitas pessoas, contando sua história. Só quem não se conforma com esse desfecho é Livia, a legista que está terminando sua especialização e, depois do desaparecimento de sua irmã, encontrar ela é sua meta de vida.
Porém ela parece cada vez mais longe de conseguir isso, já que o livro de Megan nunca mencionou Nicole e parece que a menina simplesmente foi apagada da mente do povo. Aos poucos, conforme vamos vendo as coisas pelo lado de Livia, somos apresentados a uma Megan mesquinha, egoísta e que se aproveitou desse acontecimento para viver seus 15 minutos de fama.
Assim, temos todo motivo para ter raiva de Megan, que provavelmente deixou Nicole para trás, por simples competição estúpida de adolescentes de escola. Isso porque, intercalando com os capítulos do presente, em páginas brancas, temos páginas cinzas, contando os fatos que antecederam o sequestro.
E somos apresentados ao outro lado da história, com uma Nicole também mesquinha e doida para conseguir atenção de todos os garotos, especialmente Matt, seu ex-namorado, que parece ter superado até bem demais e está super feliz.
Nicole é uma adolescente imatura, mimada, sem freios e consegue tudo o que quer, mas nunca parece o bastante. Além disso, ela nutre uma raiva (embora eu ache que seja inveja mesmo) de Megan McDonald, a líder de torcida toda cheia de planos para a escola e queridinha da cidade, principalmente por ser filha do xerife do condado.
Deixada para trás | Charlie Donlea
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
Essa rivalidade que Nicole faz questão de nutrir, faz as páginas cinzas serem bem difíceis de serem lidas, já que temos atitudes desnecessárias e até chatas o tempo quase todo. Essa busca incessante por atenção de qualquer pessoa acaba levando Nicole a ter umas amizades para lá de estranhas, o que a faz ser cada vez mais distante das própria amigas, Rachel e Jessica, com quem compartilhou o ensino médio todo.
A única pessoa de quem Nicole não queria ficar distante era Livia, mas a irmã parecia não compartilhar desse sentimento. Livia tem seus motivos para se manter afastada da família, especialmente de Nicole. Porém, sua consciência começou a pesar nos últimos 14 meses, já que, de alguma forma, ela se sente responsável pelo desaparecimento da irmã.
Por causa disso, ela sempre teve a esperança de encontrar sua irmã, viva ou morta. Essa esperança estava quase apagando quando, um dia, aparece em sua mesa de autópsia um corpo de um rapaz, que parece ter algo a ver com o desaparecimento de sua irmã.
Ao analisar o corpo, ela percebe que nada bate com nada ali. E a cada pista que ela acha que seria o ponto final, leva para milhões de outras, que parecem nunca ter fim. A única pessoa que parece capaz de lhe dar uma solução é exatamente quem ela menos queria encontrar: Megan McDonald, a responsável pelo mundo esquecer de Nicole.
O problema é que Megan nunca contou ao mundo o que realmente sabia. E se ela abrir a boca para falar a verdade, vai revolucionar o país inteiro. Esse livro foi uma grande surpresa, principalmente por não ter tido uma boa experiência anterior. Mas se tivesse começado por Deixada para trás, Charlie Donlea teria se tornado meu autor favorito naquele momento.
Sua escrita envolvente continua aqui, com o adicional de uma trama bem bolada e bem amarrada dessa vez. Pelo comportamento de Nicole, todos tem motivos de sobra para serem suspeitos pelo desaparecimento dela.
Ela é irritante, egoísta e acha que o mundo tem que girar em torno dela o tempo todo. O problema é que o desaparecimento dela não foi o único naquele ano. A investigação de Livia leva também ao desaparecimento de várias outras meninas, que parecem estar ligadas a Nicole e, mesmo, a Megan. Mantendo o hábito de ter uma protagonista feminina investigando os mistérios, Charlie trouxe em Livia uma mulher esperta, inteligente para caramba, e disposta a fazer justiça, nem que para isso ela passe por cima da polícia.
O que achei mais louco era que, Livia não é formada oficialmente, pois está ainda terminando a especialização em ciência forense. Ela obedece ao Dr. Colt, chefe do IML, mas que simplesmente faz “puf” no meio da trama e só fica a Livia saindo e fazendo suas próprias investigações, passando por cima de toda uma hierarquia, e parece que está tudo bem, porque não recebe um puxão de orelha, uma bronca por estar se metendo além de sua jurisdição…
Livia não estava errada em ser curiosa e nada contra ela querer investigar. Mas senti falta de mais emoção nessa hora. Parecia fácil demais sair e bancar a detetive, especialmente da forma que ela fez. Megan, por sua vez, se mostra uma grande aliada. Afinal, por mais que tenha sido traumático, ela quer se lembrar do seu passado, já que tem plena certeza de que a história que lhe contaram no hospital e ficou famosa em seu livro não bate com a realidade que ela tem certeza que viveu.
Ao ler os acontecimentos, eu não conseguia mais largar o livro, de tão emocionante que ficou. Ler a parte dos sequestros foi angustiante, com tantos detalhes de embrulhar o estômago. Não apenas os sequestros, mas o que se passava na cabeça do sequestrador era nojento demais e fiquei agoniada só de ler essa parte. Achei mais angustiante porque, mesmo sendo uma obra de ficção, são fatos que poderiam muito bem passar no jornal e isso me deu muito medo.
Falando sobre o livro em si, ele traz na capa a garota que foi deixada para trás, mas que pode ser Nicole ou qualquer outra das meninas desaparecidas.
Deixada para trás | Charlie Donlea
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

A revisão está mais ou menos bem feita, deixou passar alguns erros de digitação, em especial a escrita dos nomes de alguns personagens, que varia ao longo da trama e fiquei um tempo sem saber se era a mesma pessoa, ou xarás. Num primeiro momento, isso incomodou um pouco.
Como já tinha falado, a edição traz um misto de páginas brancas e cinzas. Acabou sendo uma boa sacada, pois, além de organizar a trama no antes de depois, que acontece o tempo quase todo, minha vista não ficou muito cansada, já que as folhas brancas eram interrompidas de tempos em tempos.
Além disso, mesmo que seja narrada em terceira pessoa, gostei desse vai e volta, pois temos a história do ponto de vista da Livia e da Nicole, que contam os mesmos fatos de pontos de vista distintos e podemos tirar nossas próprias conclusões do que aconteceu com Nicole e as outras meninas.
Mesmo que eu tenha criado ranço da Nicole e Megan num primeiro momento, aos poucos, vamos entendendo o ponto de vista das duas e essa sensação acaba mudando um pouco ao longo do livro.   Além delas, quase todos os personagens parecem ter rabo preso e são suspeitos. Aos poucos, a trama vai se desenrolando e eu, que já tinha trocentas teorias, consegui ser feita de trouxa total, tomando uma rasteira bonita do autor, e só consegui ficar de queixo caído lendo tudo aquilo.
Se você curte um bom suspense, com um final que vai te deixar de queixo caído, indico a leitura de Deixada para trás. Esse sim, é um bom livro para começar a conhecer a escrita de Charlie Donlea.

 

E, continuando nosso projeto, esse é o andamento até agora:

 

12 livros para 2020

 

Não esqueçam de passar nos blogs parceiros desse projeto. Gostaram da resenha? Curtem os livros do Charlie Donlea? Qual o seu favorito? Me conte aí!
Postado por:

Hanna de Paiva

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