12 de agosto de 2021

Dentes de dragão | Michael Crichton

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos o projeto #12livrospara2021 no ar, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário. O tema de agosto era livro com “tiro, porrada e bomba”, e o escolhido por vocês foi Dentes de dragão, de Michael Crichton.
Dentes de dragão | Michael Crichton
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

43/24
Livro: Dentes de dragão
Autor: Michael Crichton
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Páginas: 304
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Desde Jurassic Park, nunca foi tão perigoso escavar o passado.
Em 1876, no inóspito cenário do Oeste americano, os famosos paleontólogos e arquirrivais Othniel Marsh e Edwin Cope saqueiam o território à caça de fósseis de dinossauros. Ao mesmo tempo, vigiam, enganam e sabotam um ao outro numa batalha que entrará para a história como a Guerra dos Ossos.
Para vencer uma aposta, o arrogante estudante de Yale William Johnson se junta à expedição de Marsh. A viagem corre bem, até que o paranoico paleontólogo se convence de que o jovem é um espião a serviço do inimigo e o abandona numa perigosa cidade.
William, então, é forçado a se unir ao grupo de Cope e eles logo deparam com uma descoberta de proporções históricas. Mas junto com ela vêm grandes perigos, e a recém-adquirida resiliência de William será testada na luta para proteger seu esconderijo de alguns dos mais ardilosos indivíduos do Oeste.

 

 

Dentes de dragão | Michael Crichton

 

 

Este não é um romance histórico, embora alguns personagens que estão descritos aqui tenham, de fato, existido e sejam até bem famosos. Dentes de dragão retrata uma das rixas mais famosas da Paleontologia, a rixa que tem o apelido de Guerra dos Ossos, liderada entre os célebres pesquisadores Edward Cope e Othniel Marsh, em busca de saber quem era o melhor paleontólogo e quem descrevia mais dinossauros que o outro. 
   
De acordo com o próprio autor, a estória foi baseada em fatos reais, com várias mudanças ao longo da narrativa, o que dá uma licença poética e uma nova visão, mais aventureira e até mais cômica em alguns pontos. A trama se passa no Velho Oeste, local de grande desenvolvimento, graças ao surgimentos de várias linhas de trem, e também palco de várias guerras entre brancos e índios. 
   
É também em meio a esses acontecimentos que podem estar os fósseis de espécies mais fantásticas que o mundo já viu, basta saber quem vai chegar primeiro para coletar, descrever e publicar as espécies. Com olhos observando todos os lados, de um lado, em Yale, temos o professor Marsh, um cara excêntrico, solitário e chamado nos corredores de doido pelos alunos. 
   
Todo verão ele organiza uma saída de campo até os confins dos Estados Unidos, para coletar fósseis, e sempre escolhe os alunos mais ricos da universidade, para bancar as aventuras de as próprias coletas. Entre esses alunos, está William Johnson, um rapaz que nunca desejou passar as férias de verão no meio do deserto, mas acaba partindo em nome de uma aposta que faz com um outro rapaz, Harold Marlim, de que não sobreviveria a um verão ao lado do professor. Para não ficar mal entre os outros rapazes, William acaba aceitando a aposta e entre o time de Marsh como fotógrafo da expedição. 
 
 

 

“E naquele momento me dei conta de que seria obrigado a passar o verão inteiro na companhia de um professor que todos consideravam doido, catando ossos velhos em algum deserto escaldante e horroroso.”

 

 
 
Mas parece que algumas coisas que faziam de Marsh um louco podem ser um pouco de verdade (ou não?), quando eles embarcam oficialmente. William é apenas um jovem, que quase não teve experiências de vida. E embarcar nessa viagem logo com Marsh parecer uma loucura. 
   
Mas, aos poucos, William vai aprendendo mais sobre o mundo, sobre os fósseis e sobre as próprias pessoas que o cercavam. Marsh, por sua vez, desconfia da sombra, pois de qualquer lugar, Cope pode surgir e roubar os fósseis para publicar na sua frente. 
   
Conforme o decorrer do livro, conhecemos também algumas coisas pelo lado de Cope, que tem sua versão dessa história também. Ao contrário de Marsh, Cope é um professor com seus 36 anos, com família e filho pequeno, que gosta do que faz, mas aparenta ter certos limites, principalmente no que se refere à sua rixa com Marsh. 
   
Narrado em terceira pessoa, temos uma ampla dos acontecimentos e podemos ter nossa própria opinião. As aparências enganam bastante e, de perto, ninguém é normal, como Johnson vai descobrir. Assim como também vai descobrir que, para algumas pessoas, existem coisas mais valiosas que dinheiro e amizades que podem lhe ensinar grandes lições. 
 

 

“Essa é a natureza do fanatismo: atrair e incitar extremismos. E é por isso que, qualquer que seja a linha do fanatismo, todos os fanáticos são iguais.”

 

 
Eu só tinha lido um único livro do autor, e até gostei bastante, mas ainda notava que faltava algo. 

 

 
 
Dentes de dragão | Michael Crichton
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Dentes de dragão foi um livro que, segundo a viúva, estava guardado no computador do autor há bastante tempo, porém só foi publicado postumamente, como uma homenagem. E, cá entre nós, foi uma grande homenagem, principalmente pela história que traz. Apesar de não ser de todo verdade o que acontece aqui, alguns personagens são, assim como os lugares e algumas curiosidades também, então me senti lendo os livros de Dan Brown, só que no passado. 
   
Apesar de ser narrado em terceira pessoa, o foco fica mais pelos olhos de Johnson, um personagem fictício, mas que funciona como um guia para nós. Ele, sendo o protagonista principal, vê de perto a eterna briga de egos entre pesquisadores, e até onde eles são capazes de ir, não pela ciência, mas pela fama de ser um bom cientista. Gostaria de dizer que isso é ficção, mas essa parte, como uma cientista, infelizmente é verdade e ainda existe bastante, inclusive, na academia. 
 

 

“A ciência é uma consorte exigente, professor. Faz questão da verdade acima de todas as coisas.”

 

 
 
 O que é bem ruim, pois não avançamos mais por causa dessas brigas, que duram gerações em alguns casos. Mas no livro, Crichton suaviza várias coisas e dá até um toque mais divertido em algumas passagens, o que torna a leitura mais fluida e leve em alguns pontos, mas ao mesmo tempo, com um toque de realidade tão marcante, que não sabemos o que é real e o que ficção, o que ficou uma boa combinação até. 
 
 

 

“[…] Nunca tinham visto alguém caçar aquilo antes: ossos.”

 

  
 
Dentes de dragão | Michael Crichton
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
 
 
Com relação ao protagonista, Johnson vai amadurecendo e aprendendo que a vida é dura de uma maneira bem direta, o que gostei bastante, pois ele se mostrou até mais adulto do que eu esperava, dada a origem dele. Sendo real ou não, o fato é que os fatos ficaram tão bem amarrados e detalhados na medida certinha, que me senti  de fato no Velho Oeste, com os típicos duelos, diligências, poeira passando de um lado para o outro e os salões com jogatinas. 
Também terra de índios, que nem sempre eram os bandidos da história mas, de uma das raras vezes, eram vistos como os seus próprios heróis e com suas próprias missões de vida e de honra, o que curti bastante também. 
 

 

“Despertavam interesse em quer que os visse e, pelo menos na imaginação popular, eram um símbolo de todos os povos ameríndios.”

 

 
 
Com esse clima de aventura, “tiro, porrada e bomba” e descobertas, ainda tinha espaço para amizades, romances e lições de vida, fechados de uma forma tão sensacional, que me senti lendo um filme. Além disso, eu gostei bastante que no final do livro existe uma lista com referências bibliográficas usadas nas pesquisas do autor, o que dá até um toque de credibilidade à história. 
   
Não só isso, encontramos também uma pequena biografia dos personagens reais, falando o que era real e o que era mentira no livro, o que achei bem legal, pois fechamos o livro com o gostinho de “você sabia?” também. Mesmo se você não curte paleontologia, recomendo esse livro, pois certamente vai gostar da aventura e do toque nostálgico do Velho Oeste. 
 
 
Dentes de dragão | Michael Crichton
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
A minha edição é bem bonita, com o título escrito em letras de alto relevo, com um dos “dragões” como fundo da capa, em contraste com o fundo branco, o que dão um verdadeiro charme. A revisão está bem feita, a diagramação também não fica atrás, assim como a fonte está bem legível e as páginas são bem grossinhas e fáceis de passar.  
 
 
E, seguindo o cronograma do projeto, esse é o resultado até o momento:
12 livros para 2021 | Agosto
   
Postado por:

Hanna de Paiva

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