16 de abril de 2019

Em outra vida, talvez?

   Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha de um livro que me chamou a atenção pelo fato de a protagonista ter o meu nome (ou quase, com uma letrinha a mais, rsrsrs). Estou falando de ‘Em outra vida, talvez?‘, da autora Taylor Jenkins Reid.

Em outra vida, talvez?
Foto: Divulgação

10/33

Livro: Em outra vida, talvez?

Autora: Taylor Jenkins Reid


Editora: Record

Ano: 2018

Páginas: 322


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Hannah está perdida. Aos 29 anos, ainda não decidiu que rumo dar à sua vida. Depois de uma decepção amorosa, ela volta para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente vai conseguir colocar a vida nos trilhos. Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E lá Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? Em realidades alternativas, Hannah vive as duas decisões. E, no desenrolar desses universos paralelos, sua vida segue rumos completamente diferentes. Será que tudo o que vivemos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que almas gêmeas realmente existem? 

Em outra vida, talvez?
    Hannah Martin tem 29 anos e já morou em boa parte dos EUA. Pulando de Estado em Estado, acha que vai encontrar sua felicidade num potinho de ouro no fim do arco-íris. Mas independente do que faça, ela nunca esquenta muito tempo num canto, pois ainda falta aquele “tchan” na cidade, para que ela decida ficar. 
    Em busca desse “tchan”, ela é bem viajada, mas se sente fracassada, já que todos os seus amigos estão seguros do que querem, enquanto ela ainda está na busca da vida perfeita. Na última cidade que morou, Nova York, ela conheceu Michael, com quem teve um relacionamento conturbado, o qual não terminou muito bem como ela gostaria. Além do cara ser casado, ela que saiu como “a safada” e bem mal com isso tudo. Só quem mantem uma certa raiz com Hannah é Gabby Hudson, sua melhor amiga desde os tempos da escola. 
   Depois do pé na bunda, Hannah acaba seguindo o conselho da melhor amiga e volta para Los Angeles, a fim de se restabelecer e ficar um tempo longe de tudo o que aconteceu recentemente. Por Gabby, Hannah nunca teria se mudado de sua terra natal, pois é lá onde ela vai encontrar todas as respostas para seu questionamento. 
   Hannah não tem muito o que fazer diante desse argumento, e acaba cedendo. Afinal, se algo desse errado, ela só tinha que arrumar as malas e partir, como sempre fez. Mas chegando em Los Angeles, Hannah encontra Ethan, seu ex-namorado da época da adolescência. Apesar de cada um ter seguido sua vida, Hannah admite que Ethan era seu grande amor, com o qual teria se casado. Apesar disso, muito tempo passou desde que ambos partiram… Mas Ethan está tão feliz em rever a antiga namorada, que não pensa duas vezes em participar de uma recepção com velhos amigos que Gabby preparou para a melhor amiga. Gabby quer bancar o cupido e faz de tudo para que a amiga esqueça o que aconteceu em Nova York, além disso, nada como um novo amor para curar o antigo que não deu certo, mesmo que o novo seja o primeiro amor… 
Em outra vida, talvez?
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna
   Hannah não acredita muito, ela acha que o que tem que acontecer, vai acontecer de alguma forma, embora no fundo também deseje que Ethan fique com ela. A chance aparece na recepção, quando eles se reencontram. Eles estão tão felizes, tão cheios de assunto. Mas Gabby diz que precisa ir embora e pergunta a Hannah se vai com ela ou se vai ficar com Ethan até o fim da festa. Ethan quer que ela fique, pois pode ser que eles se acertem naquele momento em definitivo… Mas a decisão está na mão de Hannah e mais ninguém… O que será que ela escolherá? E mais, o que isso trará de consequências? 
   E assim temos o grande barato desse livro. Já pararam para pensar que uma escolha sua te trouxe consequências das quais você não gostou, mas que se pudesse voltar no tempo, teria feito diferente? Com certeza já, todo mundo fez algo e pensou que se tivesse escolhido outro caminho as coisas teriam sido diferentes e você não sofreria tanto quanto sofreu com as escolhas ditas erradas. 
   Com a Hannah não é diferente. O pai dela diz que ela é o Furacão Hannah, sempre indecisa, sempre querendo voltar atrás num monte de coisa… Isso porque ela no fundo tem medo de que tudo dê errado e ela sabe que não pode voltar no tempo… Mesmo assim, suas indecisões acabam levando a escolhas que trazem consequências trágicas, como todo mundo. 
   Seu grande dilema aqui é sobre Ethan. Desde o início do livro que vemos o quanto ambos são apaixonados um pelo outro, mas o destino fez com que se separassem no passado. Cada um seguiu seu rumo, mas sem esquecer tudo o que passaram. Eles não admitem um para o outro, mas a verdade é que sempre pensaram que se não tivessem feito tanta coisa, estariam juntos até hoje. Com o retorno de Hannah a Los Angeles, aquela paixão reacende e eles veem uma chance de finalmente acertarem os pontos. 
   E essa chance fica ainda mais forte quando eles se reencontram na recepção que Gabby faz para a melhor amiga. Gabby fica na torcida que eles formem um casal, mas preza mais a felicidade da amiga. Quando ela decide ir embora com o marido, oferece uma escolha trivial para a amiga: ir para casa com ela, ou ficar mais um pouco com o seu ex. Na cabeça da Hannah, o que tiver de ser será. Independente da escolha, se eles tiverem que ficar juntos, não será essa noite que vai desmoronar tudo… 
Em outra vida, talvez?
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna
   Acontece que no momento em que ela escolhe voltar com a amiga, sofre um acidente terrível que quase lhe custa a vida. Ela quebrou vários ossos, está internada no hospital e dependendo de todo mundo até para ir ao banheiro. Gabby fica com remorso, pois acha que é culpa dela e se ela tivesse ficado com Ethan na festa, nada daquilo teria acontecido. 
   Eu pensei que veria apenas esse lado do acidente, mas pensa na minha surpresa quando li o início de um capítulo igualzinho! Pensei que era um defeito da minha edição, mas depois percebi que era “tudo friamente calculado”. Como a Gabby puxa esse gancho de que tudo teria sido diferente se Hannah ficasse com Ethan, no capítulo que julguei ser repetido aos poucos se mostra bem diferente, já que mostra a decisão de Hannah de ficar com Ethan, enquando Gabby vai embora sozinha com o marido. 
   E assim seguimos o livro. Todos os capítulos são na mesma linha temporal, porém com consequências diferentes. Enquanto vemos todo o processo de recuperação, fisioterapia e lições aprendidas por uma Hannah atropelada, no seguinte, temos uma Hannah que está vivendo um romance lindo e próximo de seu “final feliz” com Ethan. Mas até que ponto ela terá uma vida perfeita, mesmo não sofrendo um acidente? Escolhas fazem toda a diferença, mas o saber viver é na verdade aprender a driblar os obstáculos que essas escolhas, sejam grandes ou pequenas, nos oferecem. 

“Isso significa que estou aqui hoje, viva, porque fiz as escolhas certas, por mais breves e insignificantes que possam ter parecido à época.” 

Em outra vida, talvez?
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna
   Fiquei curiosa com esse livro no ano passado, quando a Hanna que vos escreve tinha exatamente 29 anos, e estava numa fase de indecisão. Praticamente li aqui uma alternativa que poderia ser minha, e achando inusitado, comprei o livro. Mas li mesmo agora, e ainda assim achei incrível! 
   Nunca tinha lido nada da Taylor, mas a linguagem dela é fluida e os diálogos tão leves e divertidos, que você não cansa de ler. No primeiro impacto, como perceber um início de capítulo repetido, dá aquele susto, mas depois entende que aquilo é importante, pois é para ser exatamente assim. 
   Hannah está frustrada depois de tudo o que ela fez ter dado errado. Sua família não vive com ela há anos, desde que sua irmã mais nova, Sarah, entrou para uma escola de dança inglesa. Seus pais se mudaram com a caçula para Londres e nunca mais puseram os pés nos EUA. Hannah, ainda nova, acaba ficando para terminar a escola e vive com a família de sua melhor amiga Gabby. Apesar de não terem o mesmo sangue, Hannah se sente mais família dos Hudsons do que de sua família biológica do outro lado do mundo.
   Mas ela quer ter um rumo na vida e tenta ser feliz tentando se encaixar na cidade. A última foi Nova York, onde ela conheceu Michael e teve um relacionamento conturbado. Sem saber que ele era casado, ela teve um namoro longo com ele. E mesmo depois de desconfiar e confirmar que ele realmente era casado, ainda assim ela ficou com ele, até que ele escolheu ficar com a família e lhe deu o fora. 
   Ela acha que Los Angeles é apenas uma parada, que logo partirá em nova viagem. Mas Gabby quer convencer a amiga a ficar. Afinal, é ali que ela mora, e tinha anos que não se viam. Para Gabby, todos os problemas de Hannah se resolverão em LA, mas tudo desmorona quando a amiga sofre o acidente. Hannah quer entender como tudo aquilo foi acontecer e mais, como sairia daquela situação. 
   Por outro lado, temos uma Gabby que realmente tinha razão e a amiga está feliz e contente vivendo seu grande amor. Mas ambas as situações terão trancos e barrancos. Se elas terminam felizes, isso depende do ponto de vista. E temos dois para analisar. 
   Independente do universo paralelo em que estamos, gostei bastante da Gabby e da Hannah. Ambas tem uma amizade muito forte, e nem as situações mais adversas podem abalar isso. Gabby é uma girlpower convicta, que reclama mesmo quando alguém é machista, que não baixa a cabeça para ninguém. Ela é forte, é amiga, é companheira e fica do lado de Hannah, nem que seja para lhe puxar as orelhas. 
   Por outro lado, Hannah tem personalidade forte. Ela pula de galho em galho, acho que por revolta com o abandono dos pais. Ela até hoje não se conforma com o fato de sua família toda tê-la largado para trás e seguido para Londres com a caçula apenas. Acabou que ela cresceu com aquela sensação de ser apenas uma visita na casa dos próprios pais no Velho Mundo. 
   Tudo o que ela queria era um lugar para chamar de seu e um amor também. Mas chegou num ponto em que se não tiver um amor, tudo bem. Afinal não era para ser naquele momento. Ela bate muito nessa tecla, destino, não era para ser etc. E acaba que temos a chance de conhecer dois finais tanto de Hannah, quanto de todos os outros personagens envolvidos. 

“Mas eu me pergunto quando o meu mundo seria diferente se qualquer uma dessas coisas tivesse realmente acontecido.”

   E o que achei mais engraçado foi que em ambos ela se pergunta se no outro universo estaria daquela mesma forma. Em ambos Hannah está grávida de Michael e não sabe. No acidente ela perde o bebê, mas tem que aprender a andar novamente e vai descobrir uma força que não tem. Além disso, jura de pé junto que foi até bom ela ter perdido do bebê, pois não estava pronta para ser mãe. No entanto, tem que lidar com uma série de outras questões cruciais na sua vida, inclusive sua família biológica. Do outro lado, temos uma Hannah que descobre por acaso que está grávida, enquanto namora com Ethan, mas o filho não é dele. E aí tem toda uma novela, que inclui, claro, sua família biológica e como todos irão reagir diante disso.
   No cenário da gravidez, será que Ethan aceita um filho que não é dele? No cenário do acidente, será que Ethan ainda quer ficar com ela naquele estado? Realmente eles devem ficar juntos? Parece até aqueles finais de capítulo de novela. Mas no fim das contas, foi tudo uma questão de escolha da própria Hannah, ir ou não para casa com alguém que lhe ofereceu carona. Tudo acontece por algum motivo nessa vida e temos que lidar com nossas escolhas. E foi o que Hannah fez. Em ambos os cenários, temos uma mocinha forte, que aprendeu com seus próprios erros, com suas escolhas impensadas e ficou mais forte. 

“[…]Preciso acreditar que existe uma explicação nessa loucura toda. Que existe um plano maior. Que tudo acontece por algum motivo. Não é o que dizem?”

   E eu nunca parei para pensar do jeito como é colocada a questão. Que se eu tomo uma escolha para a minha vida, num universo paralelo eu tomei a decisão oposta. E estamos vivendo nossos destinos em realidades diferentes, com consequências diferentes. Hoje eu sou uma doutoranda em Ecologia e Evolução, que gosta do que faz e tem um namorado que lhe apareceu por acaso. Mas eu poderia ter escolhido continuar com meu ex-namorado e ter seguido outro rumo, acadêmico ou não. Eu nunca vou saber do que teria acontecido com essa escolha alternativa, embora supostamente tenha uma outra Hanna vivendo essa situação oposta a que eu vivo hoje em dia. 
   Achei super interessante esse livro, me surpreendeu como as situações foram acontecendo no decorrer do livro e achei interessante que muita coisa que ela fala no texto, pela voz da Hannah, é na verdade uma declaração de amor que ela mesma fez para seu marido, a qual ela põe nos agradecimentos depois. Eu não chorei, mas fiquei comovida mesmo com essa declaração. Além de linda, foi o que me fez pensar nas minhas próprias escolhas e nas consequências que me acarretaram cada uma delas, sejam boas ou ruins. 

“[…]Se isso não é destino, então não sei o que é. Então só posso pensar que, embora eu talvez exista em outros universos, nenhum deles é tão doce quanto este.” 

   A história toda é narrada pela versão da Hannah, em ambas as situações. Na parte do hospital, temos toda uma parte de recuperação dela, que é bem descritiva, porém levinha de ler. Além disso, por conta de suas escolhas que afetam tudo o que está ao seu redor, é legal ver e pensar também no quanto nós afetamos as pessoas a nossa volta com nossas decisões. 
   Gostei bastante de todos os personagens, embora alguns eu achei que foram jogados para escanteio. Mas depois entendi o motivo. Então ainda está ok. A história é bem amarradinha e, apesar de parecer grande, com duas histórias em uma, o livro é de apenas 322 páginas, de leitura fluida e rápida. Sério, só não li mais rápido, pois tenho a incrível mania de ler mais de um livro ao mesmo tempo (rsrsrs). 
   Sobre o livro em si, amei a capa. A personagem é desenhada do jeitinho que a autora descreve, e tem as indicações dos caminhos que a vida pode seguir. Resumindo, o livro é bem traduzido pela capa, fora a combinação de cores, que ficou simples, porém um arraso. A fonte do texto é bem legível, limpa e agradável aos olhos. Os diálogos são rápidos e bem marcados, além da página em papel off-white. Como temos duas versões alternadas da história, os capítulos são curtinhos, mas com bastante informação. 
   Esse livro me conquistou e super indico a leitura. Garanto que também vão se divertir muito com a Hannah e suas (in)decisões malucas. Pela combinação do livro, com história e me surpreender, dou nota máxima para esse livro. 💓  
   Para quem quiser adquirir o livro, ele está disponível na Amazon, nos formatos:
ebook | livro físico
   E lembrando, essa leitura faz parte dos projetos ‘Desencalhando da estante‘ e ‘Leia Mulheres‘, em parceria com os blogs MãeLiteratura e Pacote Literário. 
Desencalhando da estante

Leia mulheres
   Já tinham lido esse livro? O que acharam? Me contem aí! 😉  
      
   
Postado por:

Hanna de Paiva

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