25 de setembro de 2021

Encarcerada em mim | Deborah Strougo

    Olá meu povo, como estamos? Hoje eu trago a resenha da uma das minhas mais recentes leituras, o segundo conto da antologia Era uma vez… Vilãs. O segundo conto se chama Encarcerada em mim, da autora nacional Deborah Strougo
Encarcerada em mim | Deborah Strougo
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

53/24
Livro: Encarcerada em mim
Autora: Deborah Strougo 
Editora: Increasy
Páginas: 54

Ano: 2021
Skoob | Amazon

Fugindo das críticas constantes e do ambiente tóxico em que vivia com sua mãe, Gothel passa o máximo de tempo possível no hospital em que é enfermeira. É lá que conhece Fred, um médico gentil e bonito.
No entanto, Fred está longe de ser o príncipe encantado que Gothel imagina, e cada vez mais ela se vê presa em uma relação conturbada e sufocante.

Encarcerada em mim | Deborah Strougo

 

    Gothel é enfermeira há pouco tempo no Hospital do Corona. Ela tem muito amor pela sua profissão e se dedica o máximo que pode, fazendo sempre o seu melhor pelos pacientes da unidade neonatal. 
     Ela é jovem e muito bonita; quem a olha, pensa que ela tem uma autoestima lá no alto, mas não é bem assim que a banca toca, conforme chegamos mais perto. 
     Gothel não tem uma vida boa como gostaria, principalmente pela convivência com sua mãe, uma ex-modelo viciada em remédios, que não cansa de jogar na cara da filha o quando sente desgosto por tê-la colocado no mundo e estragado sua carreira, ainda mais com uma filha feia como Gothel. 
     Tudo o que Gothel queria era sair de casa, mas enquanto não consegue isso, ela faz o maior número de plantões que pode, para ficar fora de casa, já que não tem vida social. 
     Num desses plantões, ela conhece Fred, o novo médico da pediatria. Com um charme sem igual e, aparentemente, caidinho por Gothel. 
     Depois de uma vida inteira ouvindo o quanto ela era feia, arrasadora de vidas alheias e daí para baixo, Fred é o seu príncipe encantado, literalmente. 
     Com o tempo, Gohtel vê sua carta de alforria chegando mais perto, com um “final feliz” como ela sempre sonhou. 
     O problema é que nem tudo é como a gente quer e Gothel vai aprender da pior maneira possível. 



“Que tipo de filha ou pessoa isso fazia de mim?”



Encarcerada em mim | Deborah Strougo
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna


     Gente, como eu estava curiosa para ler esse conto! Primeiro, sou suspeita para falar, por ser fã de carteirinha das duas antologias, segundo, porque queria muito ver a história da madrasta da Rapunzel. 
     Eu achei muito legal que a autora se baseou na história da Rapunzel pela adaptação de Enrolados, uma das minhas favoritas. 
     Então, Gothel tem os cabelos bem cacheados e cheios, que chamam bastante atenção por onde passa.
      Ao contrário de sua mãe, que tem os cabelos loiros, lisos e olhos azuis, que ela julga ser o único padrão de beleza que existe e coloca tão profundamente na cabeça da filha que ela é feia e jamais vai sair de casa, porque ninguém a quer. 


“É o que os amigos fazem, certo? Aumentam nossa autoestima, mesmo que seja por pura pena.” 



     Sinceramente, ver as coisas narradas pela própria Gothel me deu bastante agonia, pois só de ler as cenas entre ela e mãe, já me davam ânsia e eu torcia para que ela voltasse logo para os plantões do hospital. 
     Conhecer Fred e ver o quanto ele gostava dela parecia ser a válvula de escape da mocinha. Onde mais seria possível encontrar um príncipe encantado tão perfeito? 
     Vendo também sua saída da casa da mãe, Gothel se agarra com unhas e dentes ao relacionamento, como se não houvesse amanhã. 
     Mas tudo vai por água abaixo quando Gothel vê que seu casamento poderia ser tão tóxico quanto sua mãe. 
      O que fazer? Ainda mais quando ela descobre que nem tudo são flores só porque saiu de casa. 
      Gothel é uma protagonista bastante sofredora e tem motivos para isso. Sofrendo discriminação pela própria mãe, saiu de um relacionamento abusivo para parar em outro, vindo do marido. 
       E mesmo assim, aguentou firme e forte, até onde podia. Muitas coisas que ela faz, são semelhantes ao conto a à própria animação, como quando ela conhece a Rapunzel. 
      Mas, sinceramente, mesmo sabendo que eram coisas erradas, eu não consegui culpá-la. 
      Foi mais vingança do que justiça, mas ainda assim, ela apenas reagiu da forma que podia depois de tantas puxadas de tapete que ela recebeu das pessoas que ela mais confiava. 
      Mas, mesmo sabendo que Rapunzel (aqui chamada de Zélia) não era filha dela, Gothel criou como se fosse.  
Encarcerada em mim | Deborah Strougo
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna 

      E foi até bonitinho ver a relação das duas, completamente diferente do lar tóxico em que ela vivia… até a página dois 
      Gothel estava tão obcecada com a situação, que meio que agia como se Rapunzel fosse propriedade dela, o que já nos deixa mais próximos do conto e me fez pensar se ela também não oferecia de certa forma um lar tóxico para a menina, no final das contas. 
      Além disso, ver Zélia e João Bezerra (quem viu Enrolados sabe a referência) se conhecendo é a coisa mais fofinha e engraçada que já li.
      O final já meio que era esperado, pois segue quase como na animação mesmo. Mas ainda assim foi uma leitura que me fez pensar sobre o quanto a cabeça de uma pessoa pode ser transformada dependendo do lar em que vive, da criação que tem, sempre sendo colocada para baixo. 
      Além disso, vários momentos entre Gothel e a mãe dela me fizeram lembrar uma das músicas de Enrolados mesmo: 

     Principalmente os adjetivos que ela dá para a filha não sair de casa. Nessa caso, seria Gothel ouvindo da mãe. E me deu agonia da mesma forma.

     É um conto previsível, que você já imagina o final, por causa do conto, mas ainda assim, torce pela vilã, sabe? 
     Foi uma leitura bem rápida, mas gostei bastante. Foi também meu primeiro contato com os livros da autora. 
Encarcerada em mim | Deborah Strougo
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

     A Deborah tem uma escrita bem fluida, direta e ao mesmo tempo profunda. Ela passa a mensagem em poucas páginas, mas a gente termina o livro pensando ainda em várias cenas, refletindo em que mundo vivemos que tanta coisa é romantizada, quando devia ser tratada como realmente deve ser. 
“Odeio pensar que uma parte de mim pode ser tão amarga quanto a mulher que me trouxe ao mundo, mas quando um ódio tão profundo cria raízes dentro do nosso coração, nem sempre é fácil ser gentil todos os dias.” 
    Gostei bastante da diagramação também, que está uma graça, assim como a capa, que traz a Gothel de frente para nós, seguindo a linha do primeiro conto. 
    Resumindo, é preciso ter estômago forte para certas cenas, mas não considero que seja gatilho. Ainda assim, recomendo. 

   Vocês já tinham lido esse conto? E conhecem outros livros da autora? Me contem aí! 😉 

       
     


    
      
Postado por:

Hanna de Paiva

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