19 de janeiro de 2021

Enclausurados | Aimee Oliveira

 Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha de Enclausurados, mais um conto, parte da coleção Femme Fatale. Essa é a releitura de Rapunzel, pelos olhos da autora nacional Aimee Oliveira.
Enclausurados | Aimee Oliveira
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

3/24 
Livro: Enclausurados
Autora: Aimee Oliveira
Editora: Increasy
Páginas: 58
Ano: 2020
Skoob | Amazon
 
 

 

Assim como todos nós, Raphaelly Riquelme estava de saco cheio do isolamento. Quem poderia julgá-la?! Já tinha feito de tudo para combater o tédio e pouca coisa funcionou, até mudança no visual tinha rolado: colocou umas tranças roxas muito maneiras no cabelo, que renderam uma gargalhada de dezessete minutos de duração, vinda de sua mãe, e o apelido ridículo de Rapunzelly.
Eram tempos loucos esse que estávamos vivendo, tudo mudava de proporção com facilidade. Raphaelly virou Rapunzelly e se encontrava presa num prédio sem contato com o mundo exterior. Mais louco que isso, só um rapaz que insistia em jogar bola na quadra do condomínio. Colocando a vida dele e de todos à sua volta em risco, ele era praticamente um garoto-bomba, sem a menor noção do perigo!
Mal ele sabia que perigo maior ainda vinha aí. E atendia pelo nome de Raphaelly Riquelme, ou, simplesmente, Rapunzelly.

 

 

Enclausurados | Aimee Oliveira

 

  
 
 Raphaelly Riquelme não poderia estar mais entediada. Sua mãe saía de casa todos os dias para trabalhar na linha de frente contra a pandemia de COVID-19, enquanto ela ficava em casa fazendo vários nadas, pois estava cumprindo rigidamente o isolamento social. 
   
Sua mãe trabalha como auxiliar de enfermagem e sabe muito bem como deve se proteger contra o contágio, e sua filha segue a risca tudo o que a mãe recomenda. Porém, ficar em casa e no tédio rende algumas experiências meio inusitadas, que normalmente não teríamos tempo para fazer no “antigo normal”, como tentar seguir um tutorial de Youtube, para mostrar a si mesma que era capaz de trançar seu cabelo sozinha… 
   
Mas ela não contava que teria dificuldades de trançar um cabelo tão comprido sozinha… A situação ficou tão caótica que sua mãe esqueceu até mesmo as regras de higiene ao dar de cara com a filha com sua tentativa de tranças coloridas colocadas meio tortas. 
Após uma crise de gargalhada (que o leitor acaba rindo junto) de 17 minutos contados no relógio, sua mãe decide ajudar a menina a consertar a burrada e arruma suas tranças. Até que deu certo depois, rendeu um belo visual, mas também um apelido, de Rapunzelly, singelamente colocado pela própria mãe. 
 
 

 

“Aceitei meu novo apelido com uma crise de gargalhada quase tão espalhafatosa quanto a que mamão deu mais cedo ao me ver.”

 

 
 
 
 Rapunzelly já tinha problemas demais para lidar com sua mãe lhe zoando, mas acabou adotando mais alguns, quando começou a perceber da sua janela que algumas pessoas, dentro do próprio condomínio, não estavam seguindo as regras distanciamento social. Exatamente um idoso, e um rapaz da idade de Raphaelly (ops, Rapunzelly). E aí, o que você faria se quisesse “salvar” essas duas vidas? 
   
Esse conto eu ia deixar para depois, mas era tão curtinho, que não resisti e li na madrugada mesmo. Nossa Rapunzelly é uma adolescente bem consciente, principalmente por influência de sua mãe, que é uma ótima profissional e se arrisca todos os dias garantindo saúde pública.
Ela também queria fazer uma boa ação, alertando as pessoas de seu condomínio sobre os perigos do vírus. Mas como ela poderia fazer isso, se não estava saindo de casa? Ela acabou dando um jeito, para lá de inusitado que, sinceramente, é impossível não rir. 
 
 

 

“Afinal, tempo livre para reflexões profundas era o que não faltava.”

 

 
 
Sério, acho que esse foi de longe o melhor conto que já li da coleção Femme Fatale. Além de ser o mais curto, com apenas 58 páginas, é também o mais divertido. 
  

 

 

Enclausurados | Aimee Oliveira
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
Gostei bastante que a autora teve uma sensibilidade de fazer um tema tão sério e tão atual se tornar algo mais leve e até didático para a comunidade leitora. O conto é narrado pela nossa “princesa”, que tenta ser também a heroína da história. Ela até que consegue, mas ri litros com a forma pela qual ela resolveu agir. 
   
E é até uma forma de nos fazer pensar sobre como agiríamos com as pessoas ao seu redor. Me incomoda bastante ver as pessoas ignorando as regras de distanciamento social. 
   
É triste e chato. E do jeito que andam as coisas, se falamos, ainda se sentem ofendidos e nós saímos como os vilões. Mas Rapunzelly teve a coragem que de falar com as pessoas o que pensa e tentar salvar vidas da forma como podia. 

“Ter esse pensamento transformado em realidade era algo pelo qual valia a pena esperar.”

 

 

Enclausurados | Aimee Oliveira
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

E quantos de nós também não podemos fazer coisas simples, que podem ajudar mais do que imaginamos? Acho que mais do que a leitura, fica mesmo como uma lição para nós. Não falarei mais sobre a história, pois ele é tão curtinho, que corro risco de soltar spoilers indesejados. 
   
Falando sobre o livro em si, a escrita da Aimee é super fluida, levinha e com um toque cômico que ficou sensacional. A edição segue o mesmo padrão dos outros livros da coleção, com a princesa virada quase que de perfil na capa, segurando no caso, a máscara de tecido. A revisão está perfeita e a fonte é bem legível. para quem se interessar, ele está disponível no Kindle Unlimited, assim como os outros livros da série. Com essa combinação, dou nota máxima e recomendo a leitura. 
 
 
 
 
 

 

Já leram esse conto? E outras obras da autora, conhecem?

Postado por:

Hanna de Paiva

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