5 de abril de 2018

Entrevista | Talita Vasconcelos

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos um entrevista super legal com uma de nossas autoras parceiras, Talita Vasconcelos, a mente por trás de As noivas de Robert Gripplen. Vem ver!  😉

Foto: Arquivo pessoal | Talita Vasconcellos

1. Quem é Talita Vasconcelos?

T.V. Um mistério até para mim, rs. Durante muito tempo eu pensei que seguiria o caminho das artes visuais. Sempre gostei de desenhar, principalmente moda, mas depois descobri que as palavras são minha verdadeira paixão.

2. Conta um pouquinho de sua história como escritora para a gente. Quando e como começou a escrever?

T.VComecei mais ou menos aos cinco anos, escrevendo e desenhando histórias em quadrinhos. A maioria eram bobinhas, baseadas em contos de fadas, ou em episódios do Chaves, ou nos desenhos que eu assistia na época. Gostava de criar histórias em mundos medievais, assombrados por bruxas, com um herói valente montado num cavalo, ou com crianças lutando contra o mal – realmente, acho que eu via desenhos demais, rs. Mas aí, aos dez anos, depois de ler boa parte dos livros da biblioteca da minha escola, resolvi escrever um. Foi uma aventura chamada “Férias Na Fazenda” (olha que título super original, rs). Eu mesma ilustrei e encadernei, e mostrei para todo mundo. E acabou que eu gostei tanto da experiência que decidi continuar escrevendo, sempre na mesma vibe ecológica e aventureira com “De Volta à Fazenda”, que era a continuação do primeiro, e “Salvando a Floresta”, onde um grupo de crianças se engajava num projeto para lutar contra o desmatamento. Claro que, nessa época, eu ainda não tinha ambições de me tornar escritora; eu apenas gostava de criar histórias, ver os livrinhos prontos, e saber que tinha feito uma coisa legal. Foi só aos quinze anos, quando escrevi meu primeiro livro sério, um romance policial ainda não publicado, que eu decidi transformar meu hobby em carreira.

3. Seu primeiro livro foi escrito bem cedo. O que te levou a escrevê-lo? E como foi a sensação de saber a opinião de sua família e amigos na época a respeito dele? 

T.VAcho que eu só queria mesmo saber se eu levava jeito para a coisa, e colocar umas ideias no papel. Eu sempre gostei de contar histórias, até brincando com os meus coleguinhas na escola e em casa, eu gostava de fazer teatrinho e inventar histórias ali, na hora, de improviso. Hoje em dia acho que estou mais contida nesse sentido, gosto de pensar mais antes de externar uma história. Eu lia aquele monte de livros da biblioteca da escola – Coleção Vaga-lume foi uma das grandes responsáveis pela minha paixão pela leitura –, e pensava “eu posso fazer isso”. E foi como eu comecei a escrever, tentando criar histórias tão bacanas quanto as daqueles autores que eu admirava. Quando comecei a exibir meus livrinhos para os meus amigos e para os meus professores foi uma festa. Minha professora parecia ter achado um pote de ouro no fim do arco-íris; cada vez que eu aparecia com um livrinho novo – eles eram bem curtinhos na época – ela me levava na sala do diretor para mostrar para todo mundo, na secretaria, na biblioteca, para as tias da cozinha… Era um barato! Acho que eu frequentei mais a diretoria da escola naquele ano do que muito bagunceiro, rs. E isso foi importante para me incentivar a continuar criando, praticando, melhorando minha maneira de escrever. Claro que, naquela época, ninguém realmente botava fé, nem falava que eu ia ser a próxima Maria José Dupré – ninguém nunca disse isso –, mas as pessoas me incentivavam, riam dos textos cômicos que eu escrevia, e me impulsionavam a prosseguir. Claro que eu ainda estou muito longe de onde eu quero chegar, mas sei que quando eu alcançar meus objetivos, vou olhar para trás e ser grata a cada uma dessas pessoas que sempre me botaram para a frente.

4. Atualmente você tem tanto livros quanto contos publicados. Qual você acha mais fácil de criar? Por quê? 

T.VAcho que nenhum é cem por cento fácil. Os contos são mais rápidos, por serem curtos, mas nem por isso são fáceis. Acho que eu nunca escrevi um conto, mesmo que ele tivesse só uma página, que eu tenha terminado em quinze minutos – redação do ENEM não conta, o relógio é meu inimigo, rs. Eu sempre anoto um monte de coisas, daí eu desenvolvo, reviso, corto, reescrevo, modifico, reviso de novo, releio, releio e releio mil e novecentas vezes até ter certeza de que está tudo certo. Nos contos principalmente, com exceção dos românticos, gosto de brincar com a atenção do leitor, e seguir o conceito de que o narrador nem sempre é uma pessoa confiável. Por isso tenho preferência por escrever contos de suspense e mistério, onde posso convencer o público a respeito de uma versão da história, e depois revelar um final que estava ali, claro como água, mas que acaba sendo surpreendente pela maneira como a narrativa foi sendo conduzida, o que não é muito fácil de fazer. Quanto aos livros, eles costumam ser difíceis porque nem sempre a ideia vem inteira. Já escrevi um livro inteiro em cima da ideia de uma frase, sem saber direito para onde a história ia me levar. Nem sempre eu consigo escrever um resumo completo da história antes de começar a desenvolver o livro, o que não raramente me faz pausar algumas histórias em andamento por me colocar em becos sem saída, para depois de alguns meses retomá-los com uma ideia tão simples, ou às vezes tão nítida que eu não sei como não pensei nela antes. É coisa de doido, rs.

5. Você gosta de autores celebres, como os clássicos Oscar Wilde e Sir Arthur Conan Doyle. Algum deles te inspira na criação dos seus personagens hoje em dia? 

T.VÀs vezes. Tem um pouco do Dorian Gray em certos personagens de As Noivas de Robert Griplen, como o George Griplen, Jonathan Davenport e até no próprio Robert. Minha primeira protagonista, a detetive Agatha Werner foi parcialmente inspirada em Sherlock Holmes, e tenho personagens de livros ainda não publicados inspirados em outras obras desses autores. Doyle, principalmente, é uma fonte de inspiração constante, sobretudo para os meus contos. E também o Maurice Leblanc, autor da série de livros sobre Arsène Lupin, que é a contraparte criminosa de Sherlock Holmes, um charmoso ladrão de casaca francês, que eu também adoro. Edgar Alan Poe também é uma grande fonte de inspiração para os meus contos. E estou trabalhando numa série de aventura com piratas que teve, entre outras inspirações, o clássico A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson. Quando se fala em inspiração, gosto de buscar o conselho dos mestres.

6. E falando em inspirações, tem algum “ritual” para te inspirar no processo criativo (música, mania, etc.)? 

T.VChocolate é o clichê dos clichês quando estou bloqueada, rs. Dizem que ele age numa parte do cérebro que auxilia no processo criativo. Não sei se é verdade, mas tem funcionado comigo. Também gosto de ler histórias relacionadas ao tema sobre o qual estou escrevendo e ver filmes com temática parecida. E depois de sofrer uma overdose de informações sobre o tema, eu leio um livro ou vejo um filme sobre um assunto completamente diferente, e é ele quem acaba me inspirando a resolver meus becos sem saída. Juro, nunca vou conseguir entender essa lógica ilógica da criação, rs. Cabeça de escritor é um troço que nem Freud explica.

7. Tem algum projeto futuro? 

T.VVários. Como mencionei, estou trabalhando numa série de livros com piratas. O primeiro, “O Galeão Fantasma” já está prontinho, e o segundo, “O Tesouro do Rei” está em processo de revisão. Ainda estou trabalhando no esqueleto do terceiro, e se tudo correr bem, serão cinco, mais um spin-off. Também estou perto de terminar uma fantasia medieval, e já estou com um romance fantástico contemporâneo bem encaminhado. Além da série de comédia “Se Contar, Ninguém Acredita”, de que já publiquei dois livros, e já tenho outros em andamento. E mais uma meia dúzia de projetos em stand by – porque nem todo bloqueio se resolve com chocolate, rs.


8. Tem algum recadinho para deixar aos leitores do blog? 

T.VComprem meus livros! Rs. Falando sério agora: façam aquilo que vocês amam! A vida já é um porre sem que a gente precise abrir mão do que gosta. Ela dificulta o percurso, põe pedras no caminho, finge que vai te ajudar depois te dá uma rasteira, e sempre tem quem vai te dizer que não vale a pena gastar tanta energia tentando fazer uma coisa que não está dando certo. Mas vale! Se você ama o que você faz, vale a pena, sim! Vale a galinha inteira, aliás! Só você sabe o quanto deseja os seus sonhos, então, siga o conselho de Patrick Verona: não deixe ninguém te convencer de que você não merece o que quer. Você quer, você busca, você pode! Isso se aplica em qualquer situação na vida. Se você ama livros, leia; se ama escrever escreva, se ama desenhar, desenhe; enfim… A vida é curta demais para ser desperdiçada com medo de tentar. Uma tentativa tem 50% de chance de dar certo. Se não tentar, tem 100% de chance de dar errado. Na dúvida, acredite sempre no seu potencial. Vai que você está certo… 😉

O que acharam da entrevista? E da autora? Conta aí!  

Postado por:

Hanna de Paiva

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