12 de dezembro de 2019

Frankenstein

   Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha do último livro que li em leitura coletiva com a Babi Bueno, do Meu mundinho quase perfeito. Esse livro acabou entrando para o desafio dos 12 livros para ler em 2019, cuja resenha faço todo dia 12, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário. A princípio ele seria apenas da leitura coletiva, mas como consegui terminar a tempo do outro desafio, acabou substituindo o título oficial, que está sendo lido ainda… (rsrsrs)
   Para quem não sabe, o desafio de leitura coletiva que tenho junto com a Babi consiste em ler todos os clássicos da literatura. O escolhido dessa vez, que era para ser em outubro, mas a leitura se tornou tão lenta para nós duas, que acabou encerrando nosso projeto em 2019… O clássico é também tema de vários filmes e peças de terror, dividindo opiniões sobre o cientista e o monstro, Frankenstein, de Mary Shelley.

Frankenstein
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

27/33

Livro: Frankenstein, ou o Prometeu Moderno

Autora: Mary Shelley

Editora: Darkside

Ano: 2017 (Deluxe edition)

Páginas: 304

Skoob | Amazon


Victor é um cientista que dedica a juventude e a saúde para descobrir como reanimar tecidos mortos e gerar vida artificialmente. O resultado de sua experiência, um monstro que o próprio Frankenstein considera uma aberração, ganha consciência, vontade, desejo, medo. Criador e criatura se enfrentam: são opostos e, de certa forma, iguais. Humanos! Eis a força descomunal de um grande texto.Quando foi a última vez que você teve a chance de entrar em contato com a narrativa original desse que é um dos romances mais influentes dos últimos dois séculos? Que tal agora, na tradução de Márcia Xavier de Brito? Além disso, esta edição conta com quatro contos sobre a Imortalidade, em que Shelley continua a explorar os perigos e percalços daqueles que se arriscam à tentação de criar vida: “Valério: O Romano Reanimado”; “Roger Dodsworth: O Inglês Reanimado”; “Transformação”; e “O Imortal Mortal”, histórias pesquisadas e traduzidas por Carlos Primati, estudioso do gênero.Frankenstein, ou o Prometeu Moderno é um dos primeiros lançamentos da coleção Medo Clássico — ao lado do volume de contos do mestre Edgar Allan Poe — no início de 2017. A qualidade do livro é impecável, para cientista maluco nenhum colocar defeito. Capa dura, novas traduções, ilustrações feitas por Pedro Franz, artista visual e autor de quadrinhos reconhecido internacionalmente. O livro é impresso em duas cores: preto e sangue.Reencontre Frankenstein de um jeito que só a primeira editora brasileira inteiramente dedicada ao terror e à fantasia poderia lançar. It’s alive!

Frankenstein

    1700 e alguma coisa… Isso mesmo, não nos é mencionado o ano real em que a história se passou, apenas que neste século em questão houve uma história que você jamais acreditaria, se não lesse os diários de um cientista assustado e arrependido, Victor Frankenstein.
   Victor nos conta sua história, desde criança, quando vivia em Genebra com seus pais, irmão William e sua prima Elizabeth. Eles eram uma família abastada e feliz. Victor sempre foi um menino inteligente e curioso. Desde criança fuxicava os livros antigos de seu pai, para saber mais sobre o mundo. E eis que nessas buscas por respostas, ele encontrou livros de Medicina, escritos por Cornélio Agrippa, que há muito tempo pegavam poeira numa estante abandonada da casa. Seu pai mal olhava para os livros, já que para ele eram obsoletos, mas para Victor aquilo era um achado, que logo ele pegou como um guia para a vida.

“Ah! Cornélio Agrippa! Meu caro Victor, não percas teu tempo com isso; é lixo deplorável.”

   Mesmo com os alertas de seu próprio pai, Victor cresceu lendo aqueles livros, que o influenciaram na escolha da faculdade, também de Medicina. Mas ao chegar lá, seus professores, os maiores médicos daquele época, falaram o mesmo que seu pai lhe disse; que Agrippa era o pior exemplo a se seguir. Isso porque Agrippa estudava Medicina, mas também mexia com Alquimia e até Necromancia. Ele tinha ideias tão absurdas que a Academia o rechaçava de toda forma. E Victor só poderia ser um tolo por ignorar toda a Medicina moderna e seguir ideias tão antigas, defendidas por um lunático.
  Mas foram essas ideias, defendidas por um lunático, que Victor resolveu seguir mesmo com todos os alertas de professores e seu pai. Lendo cada vez mais e tentando provar para o mundo que tais ideias eram possíveis de ser testadas e corroboradas. Mas ele mal sabia o que suas ideias poderiam custar para a sociedade inteira.
   O projeto de leitura coletiva com a Babi nem tinha tanto o foco de ler livros clássicos, mas a gente resolveu “ler para ver” se realmente esses clássicos da literatura valiam tanto a pena assim serem indicados. E nossas escolhas não foram tão boas assim. Esse livro do Frankenstein, eu comprei e me dei de presente de dia dos namorados (sim, eu tenho um namorado e dou presente para ele, assim como também ganho. Mas também me dou presente afinal, também me amo 😉). Estava louca por essa edição incrível da Darkside e não sosseguei enquanto não me dei de presente. Quando comentei com a Babi, concordamos que esse seria um bom título para lermos no dia das bruxas, afinal era um tema bem macabro. E tínhamos a esperança de que ao menos uma de nossas escolhas seria uma leitura rápida e palatável. Mas não foi bem assim…

Frankenstein
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Que a história é um clássico, isso é verdade. Quando se poderia imaginar que uma história macabra, escrita por uma mulher nos idos do século XVIII, seria tão famosa, ao ponto de alcançar gerações, quando naquela época, os autores famosos eram homens. Já começa por aí minha admiração por essa obra. Acho que próximo a Mary Shelley, Jane Austen conseguiu tanto sucesso quanto. Além disso, para completar minha admiração, Mary Shelley se reunia com diversos homens da literatura na época, para contar histórias de terror. E foi na mesma noite que a história de Frankenstein foi criada, nasceu também o primeiro vampiro em forma humana da literatura mundial. Posso dizer então que meu personagem favorito foi de certa forma, influenciado pelas dicas de um mulher, o que não é muito comentado.

Frankenstein
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Mas voltando ao livro, eu achei essa edição incrível, em capa dura, já com o nome de edição de luxo e não foi à toa. Temos aqui uma edição lotada de figuras bem feitas e, ao mesmo tempo, sombrias e apavorantes, como a história é para ser mesmo. E ao mesmo tempo que somos apresentados a uma edição lindona, somos apresentados a uma questão profunda e que vale pensar sempre: sempre nos referimos a Frankenstein como o monstro criado, mas na real era o sobrenome do cientista. Isso era um erro de tradução, ou era uma pegadinha para nos fazer pensar em quem realmente é o monstro?
   Aqui conhecemos Victor Frankenstein, um jovem estudante de Medicina, influenciado por nomes de pessoas que se tornaram piada, por levarem suas pesquisas ao ramo sobrenatural e deixando a ciência de lado. Para eles, e isso inclui Victor, era possível fazer cadáveres voltarem a vida, e se ele podia fazer isso, queria dizer que ele era tão poderoso quanto Deus… e isso é possível? Até que ponto isso é uma descoberta?
   Não é mistério para ninguém que Victor estava tão alucinado com essa ideia, ainda mais depois que seus professores disseram que não deveria mexer com essas coisas. E isso só o deixou mais louco para provar para os professores, para seu pai, para si mesmo e para o mundo, que ele era capaz de fazer mortos voltarem à vida, corroborando as ideias de Agrippa. E ele levou sua inteligência e curiosidade até os cemitérios, buscando pedaços de corpos, estudando cadáveres e mais cadáveres, até encontrar uma combinação perfeita, para provar sua ideia central.
   E sim, ele conseguiu, já que o monstro acordou. A questão é que aqui, nessa versão original, não temos uma coisa romantizada, como vemos nos filmes. Nos filmes é clássico ver a cena em que Victor cuida tão bem de “seu filho”, que o defende, mesmo quando a sociedade inteira se rebela e quer matar pai e filho na mansão. Ou mesmo, estamos acostumados a ver Frankenstein como o mordomo bobão, ou o tio favorito da família monstro (é só se lembrar do filme A Família Monstro, A Família Addams e mesmo Hotel Transilvânia).
   Mas em sua versão oficial, Frankenstein vive um dilema que é facilmente trazido para os dias de hoje. Victor estava tão doido em conseguir provar sua teoria, que quando consegue, ele mesmo tem medo de sua criação. Não é mencionado, mas pelos atos dele, creio que se arrepende amargamente do que fez, principalmente quando ele viu do que era capaz. Isso nos mostra o quanto nem nós mesmos nos conhecemos. Até que ponto vamos para satisfazer nossa vaidade? Até que ponto vamos para conseguir o que queremos e provar para o mundo do que somos capazes?

Frankenstein
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   E Frankenstein não é nenhum bobão ou tio legal. Ele é um monstro no livro, mas poderia ser qualquer pessoa marginalizada no mundo que temos hoje. Por onde passa causa medo, repulsa, preconceito. E mesmo assim ele não tem culpa de ter sido criado, não tem culpa de estar ali, não tem culpa de ser como as pessoas o veem. Ele apenas quer seu lugar no mundo, já que ele “nasceu”. Mas ao ver a reação das pessoas em volta o revolta. Mas acho que sua maior revolta foi com seu próprio criador, que fez de tudo para colocá-lo no mundo, mas depois o rejeitou e foi o primeiro a acusá-lo de uma série de atrocidades, só porque ele era era feio e grande, então era o único culpado de tudo. Isso me deixou revoltada com o Victor e me fez pensar que realmente o monstro Frankenstein não era a criação, mas o criador: vaidoso, orgulhoso e medroso do que ele mesmo fez. E depois ainda queria pagar de inocente. 😠
   Apesar de eu ter gostado da leitura, confesso que nunca demorei tanto para ler um livro na vida, ainda mais considerando a quantidade de páginas que ele tem. Demorei demais por ser um livro arrastado por natureza. A escrita da Shelley é muito detalhada e filosófica, cheia de repetições por muitas vezes desnecessárias. Além das palavras difíceis, que muitas vezes eu tive que voltar umas 3 vezes para entender o que ela queria dizer. A história é escrita pelo próprio Victor, que escreve cartas e diários, para meio que confessar o que ele fez a algumas pessoas, que nos são apresentadas ao longo da história. Mas elas se tornam longas demais, e me faltaram muito elementos, que incomodaram, mas depois em conversa com a Babi, vi que faziam sentido.

Frankenstein
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Nesse livro, temos cenas de crime, mas não temos investigação. Tudo é culpa do primeiro trouxa que apareceu na cena do crime e acabou. Julga culpadx e enforca. Não tem cena de crime, não tem defesa, não tem investigação. Isso foi introduzido por Allan Poe, mas se Shelley tivesse desenvolvido um pouco mais, o livro dela seria sim um clássico para mim, pois foi isso o que faltou: investigação e um toque de suspense. Ela focou tanto na filosofia e na personalidade do Victor, que não teve uma história para os outros personagens. Não teve um fim amarradinho. Por mais que seja um tema pesado, um tema assustador, para mim deixou de ser no meio do caminho e ficou chato e arrastado.

Frankenstein
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Além disso, fiquei boba ao saber que na verdade Frankenstein era um monstro por fora, mas por dentro, ele tinha sentimentos, tinha pensamentos e ainda era um ser capaz de aprender. Cá entre nós, um morto-vivo é um zumbi que come cérebros, não que volta do mundo dos mortos para filosofar sobre a vida, o universo e tudo mais. Mas Shelley nos presenteia com um ser completamente diferente do que nos é retratado hoje. Confesso que fiquei boba ao ler as conversas entre criação e criador e, cá entre nós, acho que falta muito desse diálogo entre criadores e criações hoje em dia…
   É um livro que vale a pena ler sim. Para mim, faltou mais ação, como vemos nos filmes (acho que é uma forma de compensar isso e deixá-lo mais palatável), faltou cenas mais rápidas e menos detalhadas, faltou um toque de suspense. Mas pelo tema central, até onde vai a vaidade humana, até onde vai nosso preconceito, quem realmente é o monstro na sociedade que vemos ontem e hoje… Vale muito a pena a reflexão.

Frankenstein
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   No entanto, pela combinação das coisas que falei e pela escrita arrastada, darei três estrelinhas, e não sei se leria novamente esse livro… Ele acabou entrando no projeto #leiamulheres também.
   Para quem quiser conferir mesmo assim, ele está disponível na Amazon, através do link abaixo. Lembrando que comprando por aqui, vocês ajudam o Mundinho a ganhar comissão, sem alterar o valor da compra de vocês. 😉 




   Já tiveram uma leitura que levou mais tempo para terminar do que pensavam? Como foi a experiência? Me contem aí!

   

Postado por:

Hanna de Paiva

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