25 de novembro de 2021

Guarani: A chegada da herdeira do mal | H welder

    Olá meu povo, como estamos? Hoje eu trago a resenha de uma grande surpresa literária, e o melhor, é “brazuca”: Guarani: A chegada da herdeira do mal, de H Welder. 
Guarani: A chegada da herdeira do mal | H welder
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

65/24
Livro: Guarani: A chegada da herdeira do mal
Autor: H Welder
Editora: Sinna
Páginas: 218
Ano: 2020
Skoob | Amazon 


Kauane estava com um aperto no peito, quer dizer, naquela manhã em sua casa, seus únicos objetivos eram conversar com sua família, parabenizar Duda e estudar, entretanto, três batidas na porta mudaram tudo. Talvez se tivessem saído mais cedo ou viajassem, mas o velho apareceu e tudo mudou na sua vida e de seu irmão, Cauê.
Foram perseguidos por monstros, ameaçados e quase mortos, sem ao menos saberem nada sobre seu passado. Tudo para chegarem em seu antigo lar, Guarani, uma aldeia indígena magicamente escondida. Mais rápido que nunca, os dois se viram destinados a combater a Herdeira do mal, que faria de tudo para destruir Guarani.
Então Kauane e Cauê, junto aos seus amigos, saem em uma jornada a fim de interromper os planos da inimiga, que pretende ressuscitar o espírito maligno chamado Tau, pondo em risco a vida do seu povo e de toda população.

Guarani: A chegada da herdeira do mal | H welder

 

    Essa foi, realmente, uma surpresa literária (que estão se tornando frequentes nos últimos tempos, rs). Kauane e Cauê são irmãos, que foram adotados por um casal muito amoroso e vivem em São Paulo, junto aos seus irmãos adotivos, Rafaela e Duda.
   A vida deles era bem tranquila, na medida do possível. Enquanto Cauê sobrevivia ao ensino médio, Kauane, mais velha, já estava no cursinho, sonhando em cursar Medicina e poder ajudar a salvar o mundo. 
   Um dia, ao tomar café com sua família, algo bem comum, eles recebem uma visita para lá de inesperada. 
   Um jovem e um senhor idoso, que parecem conhecer os tutores de Kauane e Cauê de longa data, chegam avisando que a família toda está em perigo e precisa sair de casa imediatamente. 
   O que poderia ser apenas uma trote de um velhinho que não tinha mais o que fazer, se torna uma situação cada vez mais estranha, quando a casa começa a ficar mais movimentada, com visitantes cada vez mais assustadores, parecendo estar bastante interessados nos irmãos. 
   Kauane a Cauê não veem outra alternativa, a não ser ouvirem o que o senhor, Jacinto, e o jovem, Thiago, tem a dizer. 
   Logo, eles vão descobrir que suas vidas não era nada daquilo que estavam pensando e a magia está em todos os lugares, se olhar com atenção. 




“Naquele lugar, ela não sabia o que venceria dentro dela, se a curiosidade de saber o que mais existia ou a vontade de voltar correndo para casa.” 





Guarani: A chegada da herdeira do mal | H welder
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna


   Quando peguei ‘Quando a lenda ganha vida‘ para ler no Kindle Unlimited, eu fiquei de olho logo nesse título para ler em seguida. 
   Logo pela capa, imaginei que fosse algo mais adolescente, mas a sinopse me chamou atenção, assim como o título “Guarani”, que já mostrava que teria algo da cultura indígena no meio. 
   Apesar de saber que estava criando expectativas demais, eu resolvi pagar para ver e peguei emprestado no catálogo mesmo assim… 
   E que leitura maravilhosa! Kauane e Cauê são indígenas, mas que não sabem muito de seu passado, a não ser que seus pais morreram há muito tempo, e que eles não tinham parentes próximos, por isso foram adotados por seus pais em São Paulo, com quem vivem em harmonia até hoje. 
   Suas vidas seguiram de maneira normal, como poderia ser: escola, amigos, escolha “do que fazer quando crescer”… 
   Até o dia em que recebem uma visita inóspita na porta deles, dizendo que inimigos poderosos estavam vindo e que era hora de voltar para casa. 
   Kauane, a princípio, é bem cética. Mesmo quando a casa está quase caindo por cima, invadida por seres que, até então, eram apenas ícones do folclore brasileiro, ela custa a creditar que é tudo verdade. 
   Cauê, por outro lado, acaba entrando na onda com mais facilidade, e leva Kauane junto nessa jornada dos irmãos. 


“Que todo filho de Tupã tenha onde descansar, pois nós vivemos da paz, não da guerra.”



   Jacinto e Thiago são os seguranças de Kauane e Cauê, até chegarem em Guarani, uma terra no meio da Amazônia, protegida dos brancos e do progresso, imersa em magia antiga e muitas histórias, que são capazes de fazer até o mais cético se curvar perante o que está ao nosso redor. 
   Com toques de muita magia, que me lembrou em diversos momentos Percy Jackson, Harry Potter, Avatar e até Power Rangers, Kauane e Cauê serão desafiados a todo momento, principalmente por serem quem são. 
   Aos poucos, vamos conhecendo outros personagens, que deixam sua marca de uma maneira muito maravilhosa. 
   Achei interessante que o autor mergulhou bastante e sem medo, para criticar o patriarcado. Colocou as mulheres sempre em posição de liderança, porém sem ficar forçado. 
   Caacica é quem recebe os irmãos em Guarani. Ela, sozinha, é a cacique e a pajé da tribo, que já está no meio da Floresta Amazônica há mais 1000 anos. 
   Amei a personalidade dela. É uma mulher inteligente, divertida, antenada em moda e tem uma sabedoria impressionante.   
   Na tribo, Kauane e Cauê acabam fazendo amizade com Guacira e Kayke, os nomes indígenas de Thiago e Júlia, irmãos que também foram adotados por Guarani.
   Esses quatro possuem uma ligação quase instantânea, especialmente por terem uma história de vida quase semelhante. 
   Achei super interessante como foram abordados, inclusive, alguns temas, como a questão de preconceito racial e discriminação dentro da própria aldeia. 
   Ao saber da história de Julia e Thiago, é quase impossível não se solidarizar, e não ficar chocadx com, mesmo tendo séculos de tradições e lutando contra um monte de pensamentos retrógrados, ainda são contaminados por atitudes discriminatórias entre eles mesmos. 
   Porã chega um pouco depois ao grupo, o que dá um contraste bem nítido, já que ele é o que leva a força bruta ao grupo, que se defende dos perigos apenas com magia e inteligência. 
   Mesmo assim, formam um grupo maravilhoso. Cada um à sua maneira, eles mostram o poder da amizade, lealdade e companheirismo, mesmo que o mundo diga o contrário. 
    Achei muito divertida a interação desses cinco, aliás. Kauane é a líder do grupo. Apesar de ter um dom incrível, dos mais poderosos, seu ceticismo a impede de se desenvolver mais.
   Mas ela não se torna chata, pois não fica o tempo inteiro reclamando. Apenas demora para acreditar nas coisas. Achei que isso ficou mais pé no chão, inclusive, pois mostra que ela é humana e mais adulta, que não vai acreditar em qualquer pessoa que bate na porta dela, se dizendo seu guia para um mundo mágico. 


“O lugar de onde vocês vem tem muitos outros modos de ser feliz.”



   Cauê, por outro lado, tem o dom da magia. Junto com Guacira, eles formam uma bela dupla, que dão um jeito de salvar o grupo nos 45 do segundo tempo. 
   Thiago é também metido a mago. Mas seus feitiços nem sempre dão certo e me lembraram o Presto de Caverna do Dragão, em vários momentos, o que dá um toque cômico de vez em quando. 
    Porã, por sua vez, é mais de força. Com porte atlético, que chama atenção do sexo oposto por onde passa, ele é um imenso coração, que acaba surpreendendo em diversos momentos também.    
   Além disso, fiquei impressionada como que o autor ainda me arranjou espaço para colocar tantas referências de fantasias estrangeiras, e ainda misturar com um toque brasileiro, sem perder a mão. 
   A escrita dele é tão fluida, direta e sem rodeios, que não consegui largar o livro enquanto não terminava. 
   O grupo que se forma em Guarani tem a missão de investigar alguns acontecimentos misteriosos que estão rolando pelo Brasil afora, que estão ligados à ressurreição de Tau, um espírito antigo e muito poderoso, que pode destruir o mundo. 
   Para isso, eles precisam impedir os roubos de artefatos antigos, que guardam o espírito de Tau. E aí começa nossa viagem. 
   Passando pelo Círio de Nazaré, passando pela praia de Copacabana e até o Museu Nacional, essa turminha vai ter que ser muito rápida e forte, para combater seres bem poderosos, como o Curupira, Guapimirim e até lobisomens, a mando da Herdeira do mal, que está por trás desses roubos.
   O autor se preocupou com cada detalhe, especialmente nos lugares onde estavam os artefatos. Nem preciso dizer que ler a parte do Museu Nacional me foi o mais emocionante. 


“Com o tempo, você aprende que algumas pessoas simplesmente somem.”



   Não pelas cenas de ação em si, que foram maravilhosas, mas pela descrição do MN em si, como era antes do incêndio. 
   Eu estive lá por diversas vezes, se não a passeio, a trabalho, e conhecia a exposição quase que de cor. Ler as descrições que o autor fez foi como me transportar por lá novamente, e foi a parte mais nostálgica da leitura.
   O livro é para um público mais jovem, então não esperava uma trama muito elaborada. Mas a leitura me surpreendeu, exatamente por ter encontrado uma história bem escrita, com as pontinhas amarradas e ainda um toque de mistério no ar, dando a entender que pode ter uma continuação. 
   Falando sobre o livro em si, só existe em formato ebook, que eu saiba. A edição está muito bonitinha, com uma capa que me lembrou quadrinhos. 

Guarani: A chegada da herdeira do mal | H welder
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna


   A história é narrada em terceira pessoa, o que achei de bom tom, pois podemos acompanhar a história de cada núcleo de personagens. 
   Os deuses então, estão incríveis. Acho que nunca teria imaginado eles desse jeito, e ficou perfeito, com aquele toque de magia e fantasia, sem ficar caricato, especialmente quando se tem a discussão sobre Caipora. 
   Esse foi um ótimo achado no catálogo, que recomendo. 










Postado por:

Hanna de Paiva

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