18 de março de 2023

Heloísa, Quem Conta Sua História? | Dayane Borges

Olá meu povo, como estamos? Vamos de mais um conto por aqui. Continuando com a antologia ‘Tudo Fica Melhor em Musicais’, agora trago minhas considerações sobre ‘Heloísa: Quem Conta sua História?’, inspirado no espetáculo ‘Hamilton’ e escrito por Dayana Borges.

 

Heloísa, Quem Conta Sua História? | Dayane Borges
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

15/60

Livro: Heloísa, Quem Conta Sua História?

Autora: Dayane Borges

Editora: Se Liga! Editorial

Páginas: 29

Ano: 2021

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Matunde, um país localizado no continente africano, tem uma história de muita luta pela sua independência. Colonizado por Nianguá, com diversas medidas ocorridas para manter essa condição, uma figura muito importante foi a cabeça por trás de grandes modificações: Heloísa Breton.

Ela é a grande heroína dessa história. Sem ela, esse livro nunca existiria. Estamos aqui tentando resgatar o legado dessa mulher negra que não pôde se candidatar quando as eleições finalmente foram implantadas, mas que fez muito pelo seu povo muito mais que a maioria dos governantes

 

 

 

 

Heloísa, Quem Conta Sua História? | Dayane Borges

 

A década de 1970 foi marcante para o povo de Matunde. Buscando independência de Nianguá, o país entrou em guerra e, infelizmente, muitas vidas foram perdidas. Mas por conta de pessoas corajosas e que não abaixavam a cabeça diante de ameaças, a luta foi em frente e vencida. Uma dessas mentes brilhantes era Heloísa Breton, conhecida também como a princesa negra.
   
No entanto, mesmo sendo a cabeça do movimento que tornou seu país independente, sua voz quase não era ouvida. E não demorou muito para que sua história fosse apagada dos autos. Ou quase, já que seus amigos lutam para manter a verdade acesa no coração dos moradores de Matunde.

 

“Ganharemos essa guerra? Teremos independência? Falarão de nós no futuro? Eu realmente tenho medo dessas respostas.”

 

 

Esse conto é bem curtinho, com apenas 29 páginas, mas foi uma leitura densa e que ainda não sei definir o que senti ao terminar. A narrativa é contada em primeira pessoa, pelo ângulo de Heloísa. Assim, acompanhamos os bastidores da batalha para tornar Matunde um país independente de Nianguá.

 

“Como mudar o mundo se não consigo mudar meu próprio país?”

 

 Sua coragem e ideias ousadas foram o estopim para o movimento que tomou fôlego quando seu irmão entrou na luta. Porém, apenas Heitor levou a fama como o grande herói e libertador do povo. 

No entanto, mesmo amando seu irmão incondicionalmente, é nítida a sua revolta diante de tantos ideais machistas que vieram junto com os aliados. Logo a moça passa de protagonista a uma mera coadjuvante de sua própria história, sem direito de opinar ou debater. O posto de conselheira era seu, como uma espécie de menção honrosa, já que não poderia ser a presidente das terras pelas quais lutou. 
 
 
Heloísa, Quem Conta Sua História? | Dayane Borges
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
Mesmo assim, suas opiniões eram levadas como brincadeira por homens imaturos que nitidamente não sabiam o que estavam fazendo, mas não admitiam. Como resultado, temos um clima tenso e revoltante, que poderia ser aplicado em qualquer outro país. Além disso, a história se passa entre as décadas de 1970 e 1990, é atemporal, quando vemos que muito conceitos machistas e preconceituosos ainda se mantém nos dias de hoje.

 

“Inteligência é uma arma, minha querida.”

 

É uma leitura rápida, porém precisei ler alternando com outras obras, por ser indigesta e incômoda. Fora que é impossível não se identificar com Heloísa em algum momento. Minha vontade era abraçá-la, lutar junto com ela, assim como ao lado de seus amigos, para que sua história nunca se apagasse.
   
O que me fez lembrar de tantas outras mulheres que passaram por momentos semelhantes desde que o mundo é mundo. Só quem é mulher sabe a dor de ser calada, de ser humilhada dentro de sua própria casa pelo simples fato de ter o sexo que tem e lutar pelo que é certo.
 
 

 

Heloísa, Quem Conta Sua História? | Dayane Borges
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
Terminei essa leitura respirando bem fundo, com uma mistura de raiva, revolta e tristeza. Ao mesmo tempo, senti solidariedade pela protagonista e poderia jurar que ela poderia
ser real.
   
Não assisti ao musical ‘Hamilton’, inspiração para o conto. Mas creio que teria me sentido de forma semelhante se me aventurasse na outra mídia, talvez até mais revoltada e triste. É uma leitura que recomendo, porém esteja com o estômago preparado.
 
 
 

 

 
 
Vocês já leram esse conto, ou algum outro de ‘Tudo Fica Melhor em Musicais’? Me contem aí!
 
 
 
 
 
Texto revisado por Emerson Silva

 

Postado por:

Hanna de Paiva

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