18 de May de 2017

IDY de abril: 20 mil léguas submarinas

   Olá meu povo, como estamos? Hoje eu vim falar do IDY de abril (que saiu um tanto atrasado). O tem escolhido foi Clássico e o livro representante, 20 mil léguas submarinas, de Jules Verne. Vem ver! 😏





Livro: 20 mil léguas submarinas

Autor: Jules Verne

Editora: Zahar (edição especial comentada e ilustrada)

Ano: 2012 (original em 1871)

Sinopse: 

   “Em 1866, quando navios de diversas nacionalidades começam a naufragar e sofrer misteriosas avarias, governantes e homens de ciência mobilizam-se para identificar, localizar e deter o misterioso monstro marinho responsável por tais ataques – “Comprido, fusiforme, fosforescente em certas ocasiões, infinitamente maior e mais veloz que uma baleia”. A missão de captura, no entanto, não segue conforme planejado: o professor Aronnax, o fiel Conselho e o exímio arpoador Ned Land são resgatados do mar e feitos prisioneiros do enigmático capitão Nemo.”




    Em pleno século XIX, época de expedições, desbravar os mares em busca de riquezas, caça às baleias… assim era a vida dos europeus… Até que coisas misteriosas começaram a acontecer, como navios que sumiam da rota afundavam por causas misteriosas ou avistavam um “monstro horrível e mais veloz que tudo que já apareceu na Terra”. Por conta dos inúmeros acontecimentos, que já estavam dando certo prejuízo aos grandes comerciantes, são enviados para tentar caçar o tal monstro cientistas e arpoadores. Afinal, uma espécie nova como aquela devia ser estudada pelos maiores naturalistas da época. E aí chegam o grande professor Aronnax, do Museu de História Natural de Paris, e seu assistente e fiel escudeiro (que me pareceu mais um puxa-saco de marca maior), apelidado como Conselho. Eles embarcaram na Abraham Lincoln, que reuniu a maior tripulação de especialistas e saíram em busca desse tal monstro.
   Dias se passam até que alguém avista uma coisa fusiforme e brilhante de noite. Após alguns dias, esse ser fosforescente começa a aparecer cada vez mais constantemente e mais próximo do navio, ao ponto de Ned Land, o exímio arpoador, não resiste e começa a caçar a fera. 
   A busca foi exaustiva e durou dias, até que descobriram que o monstro não era feito de carne, como todos os outros seres do mar, era feito de metal. E como seria possível existir um ser de metal no mundo?! Começa-se então uma busca implacável, que culminou no afundamento da Abrahan Lincoln e os únicos sobreviventes são Ned Land, Conselho e o professor Aronnax, que misteriosamente são resgatados pelo “monstro de metal”…


“A Abrahan Lincoln havia sido escolhida e adaptada com esmero para sua nova missão. Era uma fragata de longo curso, equipada com aparelhos caloríferos, que permitiam subir a pressão do vapor a sete atmosferas. Sob essa pressão, a Abrahan Lincoln atingia uma velocidade média de dezoito milhas e três décimos por hora, velocidade considerável, mas ainda assim insuficiente para enfrentar tal cetáceo.” 




   E assim, tudo que eles pensaram que já haviam visto no mundo começa a ser mudado, pois existe muito mais coisas que eles pensavam…
   Essa é a vibe de 20 mil léguas submarinas. A história é narrada toda pelo professor Aronnax e é dividida em duas partes. A primeira é mais voltada para os das da tripulação na Abrahan Lincoln e alguns dias depois que eles chegam ao Nautilus. A segunda parte já mostra um pouco do lado enigmático e assustador do capitão Nemo, o gênio por trás do Nautilus.         

 



   Como podem ver, apesar do livro ser uma edição em Português, por contar com as ilustrações originais, todas elas vem escritas em Francês, o idioma de Verne. O que eu acho bem intrigante nesse livro é que ele quase não menciona lugares pelo nome deles, só pelas coordenadas geográficas. Não é à toa que muitos teóricos da conspiração acreditam que ele estava na verdade era dando pistas e que o Nautilus realmente existiu e está escondido numa ilha. Se seguir as coordenadas vai acabar encontrando o submarino… e blá blá blá…
  Não acredito nisso, mas achei intrigante tantas coordenadas. O que fiquei bem surpresa foi com o tanto de coisa que cabia no submarino, pois na descrição e nos desenhos, ele não parecia ser tão grande, mas cabia uma biblioteca imensa e uma coleção zoológica, botânica e mineral, coisa d dar inveja a todo naturalista que se preze (rsrsrs)… 
  Bom, ao chegar ao Nautilus, logo Conselho, professor Aronnax e Ned Land pensam que foram salvos de um naufrágio. No entanto, Nemo, ao se apresentar a eles, anuncia que apesar de livres para circular pelo submarino, para explorar os mares do mundo, nunca mais teriam permissão para voltar a terra… ou seja, se tornaram prisioneiros…


“Ademais, nada nos prende ao capitão Nemo. Ele sabe que é impossível escapar do Nautilus. Não somos sequer prisioneiros de nossa palavra. Nenhum compromisso de honra nos prende. Não passamos de cativos, de prisioneiros disfarçados sob o nome de hóspedes por uma questão de cortesia. […] Afinal, devemos odiar ou admirar esse homem? Será uma vítima ou um carrasco?”


   E assim, nesse limbo entre prisioneiros e “convidados” os três embarcam por viagens nunca imaginadas pelo homem. Chegam até o fundo do mar, encontram dos mais variados peixes, algas e minerais. Pescam em ilhas, enfrentam canibais e até descobrem Atlântida! 
  É um livro para ler bem devagar, degustar bem as entrelinhas e, por ser um livro escrito há séculos, as notas de rodapé explicando algumas coisas foram bem úteis… 😁
  Agora com relação ao que achei do livro… eu achei um livro muito bom, daqueles que você pode reler n vezes e sempre será uma nova aventura… As gravuras são maravilhosas e dão um toque vintage a um livro que foi reeditado e lançado há relativamente pouco tempo. A capa dura do livro, foi também inspirada na capa original, então digamos que eu tenho a edição mais próxima disso possível (olha que emoção!).


    Me imaginei conquistando as 20 mil léguas submarinas junto com eles, mas ainda queria saber como eles andavam tanto com aqueles escafandros do jeito que era descrito… subindo montanhas como se aquilo pesasse feito uma pluma (rsrs)… mas licença poética está aí para isso, né? Enfm, é um livro que gostei bastante… apesar de ter algumas ideias que me deixaram aflita e incomodada…
  A questão do “aflita” foi porque o Ned é descrito como um arpoador dos melhores. Por ter sido escrito numa época em que as baleias eram muito caçadas, era comum que tivessem arpoadores “profissa” e nada mais justo que ter um na história de Verne. No entanto o tal caçador é descrito como um cara que sempre quer caçar alguma coisa, nem que tenha que “extinguir o bicho para se satisfazer”, pelo menos é assim que ele fala várias vezes ao encontrar espécies raras por suas viagens. E as partes de caça são relatadas em detalhes, então imagina a bióloga lendo aquilo. Mesmo sabendo que é pura ficção, a caça ainda é uma realidade em muitos países e isso me deixa muito aflita… 😕 
   E com relação ao “incomodada”, não deveria mencionar spoilers aqui, mas o final deixou a desejar… pelo menos eu achei (me julguem fãs de Verne!)… Pois o tempo todo os náufragos são tratados como hóspedes, mas sabem que não podem sair do Nautilus nunca mais. No entanto eles conseguem um final que achei meio “sem pé nem cabeça”. Sabe aquela sensação que uma cena não foi descrita direito? Falta algo? Pois é, essa foi a sensação que fiquei ao terminas 20 mil léguas… 
   Mas já foi (rsrsrs)… Só lendo mesmo para tentar entender o final “sem final” do livro… 

“[…] Ela é verídica. Nenhum fato foi omitido, nenhum detalhe exagerado. É a fiel descrição dessa inverossímil expedição sob um elemento inacessível ao homem e cujas rotas o progresso desbravará um dia. Acreditarão em mim? Não sei. Pouco importa, afinal. Agora tenho pleno direito de falar desses mares, sob os quais, em menos de dez meses, percorri 20 mil léguas, numa volta ao mundo submarina que me revelou tantas maravilhas através do Pacífico, do oceano Índico, do Mar Vermelho, do Mediterrâneo, do Atlântico, dos mares boreais e austrais!”


   E o personagem que mais me deixou incomodada também foi Conselho. Ele, como já falei mais acima, é um verdadeiro puxa-saco. Tudo dele tem que ser do jeito que o patrão quer, do jeito que o patrão manda. Não tem vontade própria. Aquilo me deixou incomodada várias e várias vezes durante a leitura. Mas como tudo tem seu lado bom, eu achei engraçado da parte dele, é que todo bicho que ele via, tinha que classificar como os naturalistas. Óbvio que muito daquelas classificações que são descritas mudaram e hoje em dia são coisas completamente diferentes, mas achei incrível o tanto de classificação que ele tinha na cabeça! Meus parabéns para ele nesse quesito! 😁
  E, claro, não poderia deixar de falar do capitão Nemo, o gênio excêntrico, milionário e visionário que percorria o mundo inteiro, de um modo que nunca tinha sido pensado até então, com uma tecnologia impossível para a época. Eu confesso que fiquei na dúvida o tempo todo se defendia ou ficava contra ele em muitas partes da história… Ainda me é um mistério pelo qual ele resolveu viver recluso no mar, e dos seus costumes um tanto esquisitos… Fiquei assustada e ao mesmo tempo curiosa por ele… 
  Para esse livro dou a nota quase máxima, pois apesar de ter gostado, recomendo e quero reler n vezes mais, o final “sem pé nem cabeça” e as partes que me incomodaram não me permitem dizer que seja meu favorito…
   E vocês, já leram Verne antes? Conhecem 20 mil léguas submarinas? Contem para mim! Bora conversar! 😉 
   Bjks! 





   
Postado por:

Hanna de Paiva

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