5 de junho de 2016

IDY de maio

   Olá pessoal! Como estamos? Passei aqui hoje para falar sobre
o livro que li para o mês de maio no IDY 2016. O tema foi: Livro ganhador do
prêmio Pulitzer
e o livro escolhido foi: Toda luz que não podemos ver, de
Anthony Doerr. Vem ver! =)







Livro: Toda luz que não podemos ver

Autor: Anthony Doerr

Editora: Intrínseca

Ano: 2014

   Um romance sobre auto preservação e generosidade em meio às
atrocidades de uma guerra que jamais deve ser esquecida. 
Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História
Natural,  onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar
de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos,
o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja
capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris,  pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o       mais valioso tesouro do  museu.


Em uma região de minas
na Alemanha,  o órfão Werner cresce  com a irmã mais nova, encantado
pelo rádio que certo dia encontram  em
uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho,
talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo
depois, uma missão especial: descobrir a fonte 
das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados
na Normandia. Cada vez mais
consciente dos custos humanos
de seu trabalho, o rapaz é  enviado
então  para Saint-Malo, onde  seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos  tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.




   Marie-Laure vive com o pai em Paris, o qual é o chaveiro
responsável pelas chaves do Museu de História Natural de Paris. Marie-Laure
perde a visão aos seis anos, devido a uma doença, mas seu pai, com muito amor e
querendo que a filha seja independente sempre, faz o que pouquíssimas pessoas,
se não nenhuma, fariam naquela época: procura fazer com que ela se oriente pela
cidade, através de uma maquete construída em escala para a filha. Com essa
maquete, Marie aprendeu a se localizar pela cidade e caminhava sozinha na rua,
apenas contando com sua bengala e a memória dos odores e marcos pelo caminho de
casa. Não obstante, seu pai fazia de tudo para despertar a curiosidade da
filha, sempre preparando presentes para seu aniversário que, para chegar ao
prêmio final, deveria decifrar uma série de pistas. Seu último presente para a
filha foi um livro em braille, Vinte mil léguas submarinas, de Júlio Verne.
Carregando seu livro para cima e para baixo, Marie-Laure viajava pelas palavras
e se divertia com as aventuras do biólogo marinho Aronnax e do capitão Nemo.
Além disso, ela sempre foi muito querida pelos pesquisadores do museu e sempre
fascinada pela coleção de moluscos do Dr. Geffard.
   Enquanto isso, na Alemanha, Werner é um menino órfão que
toma conta de sua irmã mais nova Jutta na Casa das Crianças, um lugar onde os
filhos de soldados mortos acabam ficando até se alistarem no exército do Fürher
ou seguirem para as minas até o fim da vida. Mas Werner quer mais. Sempre
sonhador e acompanhando os sonhos da irmã, eles acabam encontrando um rádio no
lixo e levam para casa. Curioso, o menino acaba por fazer o rádio funcionar e
logo ele e sua irmã ficam fascinados por uma transmissão vinda sabe-se lá de
onde, mas que o dono tinha sempre uma curiosidade sobre o mundo para falar toda
noite, no mesmo horário. E Werner, curioso por saber como o rádio e o mundo
funcionavam, não tira a frase do locutor que falava todas as noites:

Abram os olhos e vejam o máximo que puderem, antes que eles
se fechem para sempre.


   Fascinado com o que encontrou no lixo, Werner acaba
procurando mais coisas pelo seu caminho, sempre com olhos bem abertos e
buscando ver o máximo que podia e, logo encontra um livro chamuscado pela rua,
o “Princípios da Mecânica”, de Hertz (alguém acha esse nome familiar?), que o
levou a ficar ainda mais curioso pela física. Essa curiosidade despertou a ira
de muitos adultos, que falavam que Werner iria parar era nas minas, assim como
todos da idade dele. No entanto, levou a um caminho contrário. Em determinada
idade, todos os rapazes deveriam se alistar para a Juventude Hittlerista e
servirem como soldados.

Vocês vão se desfazer de suas fraquezas, de suas covardias,
de suas hesitações. Vão se tornar uma torrente, uma sarivada de balas. Todos
vocês vão se lançar na mesma direção, com o mesmo ritmo, para a mesma causa. Vocês
vão se privar de confortos, vão viver apenas pelo dever. Vão comer país e
respirar nação.


   Lá, Werner demonstra seus conhecimentos de física e logo cai
nas graças de seu mentor. Assim, ele começa a realizar seus sonhos de ser
cientista e chegar perto do que ele ouvia quando criança. Mas digamos que não
era bem o que ele imaginava quando começou a trabalhar com tantas triangulações
na frente dele. Porém seu mentor sempre dizia:

O trabalho de um cientista, cadete, é determinado por dois
fatores, os interesses dele e os interesses da época dele.


   Ali, Werner viu que não seria um cientista como sonhava, mas
apenas um peão num jogo mortal de xadrez…
   Enquanto isso, na França, Marie-Laure foge com o pai do
cerco que o exército alemão faz ao país. Mas o pai ainda tem uma
responsabilidade maior nas costas, levar um dos maiores tesouros do Museu de
História Natural de Paris consigo: o Mar de Chamas, um diamante lendário em
forma de lágrima e que irradia uma suposta luz capaz de dar imortalidade a quem
a possui, porém uma série de infortúnios acontece a sua volta. Marie sente medo
da tal lenda, mas seu pai llhe tranquiliza:

Pedras são apenas pedras, chuva é apenas chuva e maldições
são apenas má sorte.


   Werner na Alemanha, triste por não ouvir mais os programas
que o embalavam na infância, combatendo sabe-se lá o que tivessem transmitindo
pelos rádios e ajudando a invadir a França; Marie-Laure se escondendo de uma
guerra e mesmo assim sem medo de ser curiosa, vivendo no mundo de Julio Verne e
de Vinte mil léguas submarinas e apaixonada por moluscos que encontrava perto
de sua nova casa…
  Assim se passam os anos até que, em 1944 algo acontece…
eis que Werner desiludido com o que vê na guerra e sentindo que o mundo é feio
e sem sentido, de repente encontra de novo o mundo ao ouvir as transmissões que
o faziam sonhar quando criança:

Abram os olhos e vejam o máximo que puderem, antes que eles
se fechem para sempre.


    O mundo se ilumina em meio ao caos e Werner vê que ainda
pode ter salvação quando encontra finalmente a fonte das transmissões com as
quais sempre sonhou alcançar quando criança. E dá de cara com o inesperado…
será que ainda é possível ser herói quando já ajudou a ser um vilão tantas
vezes? Será que ainda há espaço para amor ao próximo?
   Não falarei mais dele, pois acho que já dei até spoiler de
mais… mas o que posso falar desse livro? Simplesmente que ele me emocionou
muito. A escrita, apesar de contar uma história triste de guerra, é bem simples
e leve. Com alguns momentos em que sonhei e viajei com Werner e Jutta crianças,
viajei com Marie-Laure conhecendo um mundo que, não é escuro como as pessoas
ditas videntes pensam, mas colorido e bem imaginativo. Marie enxerga cores nas
pessoas, nos sons e nas letras, enxerga até mais fundo… ela vê a alma das
pessoas. Mesmo com a guerra, ela consegue ser uma menina pura e que vê o mundo
com a curiosidade de uma criança. Coisa que se manteve depois da guerra também.
   Achei bem legal a atitude do pai dela, que sempre a
incentivou a estudar, a ser mais do que a garotinha cega, a ser mais do que a
coitadinha que não vê nada. Ao contrário, ela nunca precisou de guia, nunca se
fez de coitada, seguiu sua vida antes, durante e depois da guerra e, é com
muito orgulho que li, que ela se tornou uma excelente bióloga (tinha que puxar
a sardinha pro meu lado, claro, rsrs
)…
E achei que não choraria ao ler esse livro, mas o autor
conseguiu me arrancar lágrimas na última página, onde Marie pensa:

Torrentes de conversas de texto, ondas de conversa por
celular, de programas de televisão, de e-mail, amplas redes de fibras e fios
entrelaçados acima e além da cidade, atravessando prédios, arqueando entre
transmissores nos túneis de metrô, entre antenas no topo de prédios, a partir
de postes de luz com transmissores de celular acoplados […] E será tão
difícil acreditar que as almas possam viajar também por esses caminhos? Que
[…] possam arremeter o céu em bandos, como garças, como andorinhas-do-mar,
como estorninhos? Que almas voem por aí, transparentes mas audíveis se você
escutar com cuidado?  […] A cada hora,
pensa ela, alguém para quem a guerra era uma memória deixa este mundo.


   Quando li o título do livro e vi que tinha a tal lenda sobre
a luz do Mar de Chamas, achei que seria algo relacionado a isso, pois Marie era
cega. Mas me enganei, na verdade, era a Marie que enxergava a luz o tempo todo,
a luz que não podemos ver. A luz de um mundo melhor, onde as pessoas são puras,
onde o amor é possível, onde há paz…
   Quantas e quantas vezes nos perdemos em pensamentos, querendo
coisas complicadas para sermos felizes, quando na verdade, bastava prestar mais
atenção ao nosso redor e olhar com outros olhos para enxergar o que de fato nos
faz feliz? O que custa nos perdermos num mundo como o de Marie? Um mundo onde
tudo tem cor, onde tudo tem saída, mesmo diante das situações mais difíceis?
   Acho que era isso o que eu queria falar… essa foi minha
participação no IDY 2016 de maio e espero que tenham curtido.
   Até mais! =)



Postado por:

Hanna de Paiva

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