25 de abril de 2024

Lugar Errado, Hora Errada | Gillian McAllister

Olá meu povo, como estamos? Hoje vamos falar de ‘Lugar Errado, Hora Errada’, um thriller escrito pela Gillian McAllister e que promete muito mistério e volta no tempo.

Foto: Hanna f]de Paiva | Mundinho da Hanna

Livro: Lugar Errado, Hora Errada

Autoria: Gillian McAllister

Tradução: Julia Romeiro

Editora: Record

Páginas: 350

Ano: 2024

Formato: Digital (Kindle Unlimited)

País: Inglaterra

Nota: 4/5


São quase duas da manhã na véspera do dia das Bruxas e Todd ainda não chegou em casa, testando os limites do horário estabelecido pela mãe. A preocupação de Jen diminui assim que, da janela, ela vê o filho apontar ao longe na rua escura. Mas seu alívio dura pouco. O pânico toma conta quando ela testemunha o filho esfaqueando um completo estranho.
Ela não sabe quem é a vítima nem por que Todd cometeu um ato de violência tão devastador. Tudo que ela sabe é que a vida de Todd, e a sua, sofreu um grande abalo.
Depois que o filho é preso, Jen volta para casa e, em meio ao desespero, pega no sono. Mas, quando acorda… está no dia anterior. O crime ainda não aconteceu ― e pode haver uma chance de ela impedir que aconteça. Todo dia de manhã, quando Jen acorda, está cada vez mais no passado; primeiro, algumas semanas antes do assassinato, depois, alguns anos antes dele. Quanto tempo Jen levará para encontrar o gatilho para o crime terrível cometido por Todd e impedir que ele aconteça?
Uma história sobre o amor de uma mãe e os sacrifícios que é capaz de fazer por um filho, num thriller com uma reviravolta brilhante, Lugar errado, hora errada é um livro sem igual que implora para ser lido de um só fôlego.

Jen e Kelly Brotherhood vivem um casamento longo e feliz. O casal tem um filho adolescente, Todd, que é o tesouro deles, mas também um poço de preocupações. A situação fica ainda mais conturbada quando, uma noite, a mãe percebe que o jovem demora muito para chegar em casa e, quando o faz, comete um crime brutal contra um homem na calçada de casa.

Embora não tenha histórico de atos violentos, Jen se vê assustada quando seu próprio filho não parece se arrepender e ainda se entrega de boa vontade às autoridades, dispensando um advogado. O marido está com uma raiva nunca vista antes e ela nem consegue sair do estado de choque. Sem terem muito o que fazer, já que a polícia não deixa que eles tenham contado com Todd, só lhes resta voltar para casa e pensar em algo para o dia seguinte, com a cabeça mais fria.

No entanto, Jen toma um susto quando acorda e percebe que seu filho está em casa e mal sabe o que aconteceu. O que seria um alívio e toda a sua preocupação poderia ser fruto de um sonho muito doido, não fosse por algumas características que indicam ser o dia anterior ao crime.

Tentando entender como voltou no tempo, a moça aproveita a chance que tem para fazer a própria investigação e descobrir o que levaria Todd a chegar no auge da rebeldia. Mas nessa jornada, pode encontrar pistas de algo bem mais profundo do que imaginava.

E é aí que as lágrimas vêm. Quentes, rápidas e molhadas. Lágrimas pelo futuro. E lágrimas pelo passado e pelo que ela não conseguiu prever.

‘Lugar Errado, Hora Errada’ foi um livro escolhido pelo clube Lendo com Os Morcegos, mediado pela Anna (@morcegosliterarios). Depois de muito tempo sem ler nada junto com o grupo, quis dar uma chance para essa leitura e não me arrependi.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

A narrativa é em terceira pessoa e temos uma visão mais geral do que está acontecendo em todos os núcleos. Porém, são narrados do ponto de vista de Jen Brotherhood e Ryan Hilles, dois lados da moeda nessa investigação.

Jen é uma mãe amorosa e apaixonada pelo marido, mas também vive pelo trabalho como advogada de Direito Familiar. No entanto, conforme o filho cresce, vem também as preocupações de com quem ele anda. Cada dia mais calado e misterioso sobre seu paradeiro, a paz da moça só vem quando o rapaz abre a porta de casa e está inteiro.

Contudo, num dia antes de começar o horário de verão, seu filho demora mais para chegar e, quando aparece, mata um homem a sangue frio na porta de casa. A única testemunha é a mãe, que observa tudo da janela e não sabe o que fazer, além de tentar entender o que levaria seu filho tão doce a fazer aquilo. O que também chama atenção é o fato de a polícia chegar bem rápido – como se já estivesse esperando – e Todd não esboçar nada que se pareça com arrependimento.

Embora não seja advogada criminalista, Jen sabe quais são os procedimentos em casos como esse e tenta de tudo para falar com o rapaz. Porém, seu desespero aumenta quando ele se recusa a falar com os pais e a polícia não parece se importar com isso.

A lua está visível no céu, uma lua do meio-dia, pairando acima dos dois, quaisquer que sejam as versões deles. Ela, no passado. E Todd, passando por mudanças que o levarão a matar alguém dali a quatro dias.

Sem ter muito o que fazer, o jeito é voltar para casa e pensar junto de Kelly, a fim de bolar uma estratégia que tire seu filho da cadeia no dia seguinte. Mas quando a moça acorda, só fica mais desesperada, ao ver que nada do que se lembra da madrugada anterior aconteceu ainda. Isso porque, de alguma maneira, ela voltou no tempo e agora tem a chance de impedir que Todd mate o homem de novo.

O problema é que descobrir o gatilho que levou a esse crime pode ser bem mais trabalhoso do que ela esperava. A cada dia que acorda, se vê ainda mais no passado e perdida em fatos que a princípio não teriam nenhuma ligação. Porém, escondem nuances que, olhando muito mais de perto e com uma visão mais amadurecida que só a idade traz, é possível perceber que talvez não seja o filho que precise de salvação, mas ela mesma.

Por outro lado, Ryan é um policial que está há pouco tempo na delegacia para a qual foi designado. No auge da juventude e com uma sede de justiça, ele se vê entediado com as funções que lhe são atribuídas. Nada parece lhe agradar e está sempre sendo mudado de cargo.

Mas a sua nova função pode mudar tudo o que ele pensava que seria o seu futuro. Como uma carinha nova no departamento e uma mente brilhante, ele é a combinação perfeita para entrar em uma nova investigação dos detetives, que tentam desbaratar um esquema antigo e bem articulado de roubos de carro.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Um desses roubos acabou sendo também um caso de sequestro, pois uma bebê, Eve, estava no veículo levado pelos bandidos e nunca mais foi visto. Embora o foco seja o crime organizado e encontrar o chefão, Ryan se vê decidido a encontrar a criança, custe o que custar. Então, quando é convidado (diria convocado mesmo) para a missão, não pensa duas vezes em levar justiça para quem precisa. Ele só não imaginava que ficaria entre a cruz e a espada, ao ponto de mudar completamente a sua vida por causa das consequências de sua tarefa.

A escrita é bem fluida e os capítulos curtos, o que ajudou bastante na experiência que tive com ‘Lugar Errado, Hora Errada’. Além disso, vendo os fatos pelo ponto de vista de cada protagonista, é bem fácil se identificar com seus erros e acertos ao longo da jornada que enfrentam.

Jen sempre se achou uma mãe amorosa e esposa dedicada. Porém, quanto mais volta no tempo e encara seu passado em busca de respostas, começa a se questionar se isso é verdade. Isso porque ela retorna em seu próprio corpo e pode interagir com todas as pessoas que estavam naquele momento (mesmo que para eles pareça apenas um dia qualquer, para ela funciona mais como uma lembrança bem vívida). Enquanto alguns fatos ela se lembra perfeitamente, outros a moça percebe que deixou passar pequenos detalhes.

Algo que é normal e até esperado, dado que é comum a gente esquecer de certos acontecimentos, ou mesmo de algum trejeito que o outro fez. No entanto, para Jen, ver os detalhes esquecidos podem ser de crucial importância, já que está tentando provar a inocência do filho. O que a faz questionar as escolhas que fez ao longo da vida e até a própria felicidade.

Aqui estão eles, juntos nesta noite, mesmo que amanhã talvez estejam separados, feito dois passageiros em dois trens indo em sentidos opostos.

Confesso que eu me identifiquei em diversos momentos com o sofrimento dela e acho que se tivesse a mesma chance de voltar e ver o que fiz, sofreria da mesma forma. Isso porque, ao contrário de diversos filmes, livros e séries de ficção científica que pregam o perigo de alterar uma simples atitude no passado e afetar o futuro inteiro, aqui não é bem isso que acontece… ou é o que leva o leitor a pensar que não.

Ao longo da trajetória, a moça conhece Andy, um cientista que tem uma teoria bem interessante sobre buracos de minhoca e voltas no tempo. Logo, ele e Jen formam um laço de amizade inesperado e estranho para qualquer ser pensante. Afinal, eles precisam formar quase que um código para se comunicar no dia anterior, já que a protagonista não consegue achar a saída.

O rapaz é um doce e é bem emocionante ver o quanto eles vão se entendendo, mesmo que nada faça sentido nessa conversa, hehe. Ao mesmo tempo, cada descoberta de Jen é o suficiente para me explodir a mente e alugar quase que um condomínio inteiro de triplex na minha cabeça, com as teorias em cima de teorias que vão se formando.

Nesse loop infinito de voltas nos anos, questionamentos sobre decisões e surpresas com o que ela mesma foi capaz de fazer, o destino da moça se cruza com o de Ryan de uma forma muito doida e também inesperada. A relação dos dois é confusa e ninguém jamais daria crédito. Mas, por algum motivo do destino maluco que eles tem, o laço de confiança se cria e é bem envolvente para o leitor também.

Logo, tudo se explica e a função de Kelly e Todd tem sua resposta com a jornada de Jen e do detetive. Famílias que deveriam se unir, pessoas que entram e saem de nossas vidas sem explicação, arrependimentos do passado, que agora Jen pode revisitar e entender que, mesmo que mude algumas coisas, as consequências já aconteceram e não vão mudar só porque ela quer. Acho que a grande lição desse livro, além da investigação e revelações bombásticas, é mostrar que o que tem de acontecer, a vida vai dar um jeito de nos mostrar o caminho certo, ainda que seja doloroso e sofrido.

Perceber isso me fez questionar (e até aceitar) meus próprios caminhos que tomei na minha juventude. Afinal, eles me tornaram a mulher que sou hoje e me orgulho dela (apesar de ter ciência de que não sou perfeita e ainda irei cometer erros).

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

O desfecho é intrigante e amarra todas as pontas, embora diversas delas já eram óbvias para mim, pois eu matei as charadas capítulos antes. Mesmo assim, gostei de poder confirmar elas e me senti uma verdadeira detetive, hehe. Contudo, achei que a forma como a autora revelou isso ao leitor foi um tanto jogada e amarrada de qualquer jeito, o que deixou a experiência meio insossa aos 45 do segundo tempo. Por isso, tirei uns pontos da leitura.

Que horror reviver a vida voltando ao passado. Ver coisas que você não viu na época. Se dar conta da
importância terrível de eventos que você nem tinha ideia de que estavam acontecendo a sua volta.

Falando sobre o livro em si, li em versão digital e posso afirmar que a edição está muito bem feita, com uma boa revisão e diagramação. Vi que tem mais de uma capa disponível, mas gostei bem mais da que eu li, com o relógio e o prédio de onde Jen vê a cena do filho no começo.

Em resumo, ‘Lugar Errado, Hora Errada’ é um bom suspense, com começo, meio e fim bem definidos e que recomendo bastante. Vai ser uma boa pedida para ler num fim de semana e ficar dias pensando no que faríamos se estivéssemos no lugar da protagonista.

Agora me conta: você já leu livros que mexeram com sua cabeça dessa forma?

Texto revisado por Emerson Silva

Postado por:

Hanna de Paiva

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