6 de agosto de 2020

Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de um clássico da literatura brasileira, que creio que muitos já ouviram falar (ou foram convidados a ler) na época da escola. O autor escolhido para a nossa leitura coletiva com a Babi Bueno, do blog Meu mundinho quase perfeito, foi Machado de Assis, com o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Memórias póstumas de Brás Cubas | Machado de Assis
Foto: Divulgação

 

 

 25/12
Livro: Memórias póstumas de Brás Cubas
Autor: Machado de Assis
Editora: Martins Claret
Ano: 1999 (original em )
Páginas: 224
 
 
 

 

É após a morte que Brás Cubas decide narrar suas memórias. Nesta condição, nada pode suavizar seu ponto de vista irônico e mordaz sobre uma sociedade em que as instituições se baseiam na hipocrisia. O casamento, o adultério, os comportamentos individuais e sociais não escapam à sua visão aguda e implacável, nesta obra fundamental de Machado de Assis.

Memórias póstumas de Brás Cubas | Machado de Assis
 Quando os mortos decidem contar sua história, é melhor ouvir… ou ler. Parafraseando um dos livros de Markus Zusak, foi exatamente assim que me senti quando li Memórias Póstumas de Brás Cubas. 
Brás Cubas é o retrato da burguesia carioca no século XIX. Filho de família rica e sem problemas de vida, Brás é um menino mimado, criado para ser o que seu pai escolhesse. 
Mas eis que Brás não sabe bem se é isso o que ele quer fazer, e nem sabe também o que fazer da vida. Resumindo, o livro é exatamente isso. O grande diferencial é que, depois de sua morte, ele decidiu contar como foi sua vida entre os vivos. Talvez por isso, ele não tenha mais necessidade de ter pudores, nem medo da opinião alheia. 

 

“Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados.”

 

 
Esse foi mais um título de leitura coletiva, que fiz com a Babi. Dessa vez, eu dei a ideia do livro, pois aproveitei que estava em domínio público e baixei por curiosidade. Continuando na onda de ler os clássicos, assumimos a missão e… pela primeira vez em meses, uma leitura fluiu para mim! 
Tenho uma relação de amor e ódio com os livros de Machado de Assis. Logo num primeiro momento, seu linguajar rebuscado, com palavras de difícil compreensão, assustam os leitores mais jovens, especialmente quem está em idade escolar e está mais habituadx com gírias do momento. 
Isso me fez criar certo receio dos livros do autor. Mas, ao dar uma segunda chance, vi que era mais medo meu do desafio do que da leitura em si, que acaba fluindo melhor do que eu esperava.
Agora, depois de adulta, resolvi dar uma chance a mais um livro do autor. Como já esperado, o contato com as palavras difíceis e palavreados não mais usados entre a sociedade, me senti lendo um livro de outro idioma, o que gera certo estranhamento e até desconforto num primeiro momento.
Mas, como uma das participantes da leitura coletiva mencionou (e achei sensacional), ler Machado de Assis é como aprender um passo novo de dança. Quando você aprende, lê e nem sente. 
E foi exatamente assim que me senti, depois que a leitura magicamente fluiu! Com capítulos curtos, muitos nem dão meia página, e uma escrita direta, sem rodeios, nem pudores, somos apresentados às memórias de um homem perdido na vida. 
Brás Cubas é um protagonista que não veio para agradar ninguém. Ele é egoísta, mesquinho, hipócrita… e muito, mas muito imaturo!
Memórias póstumas de Brás Cubas | Machado de Assis
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
É a personificação clara do ditado “veio ao mundo a passeio”, e nem liga! Assim como muitos ricos da época, Brás Cubas foi para Portugal, onde se formou advogado e voltou sendo chamado de doutor. 
Mas nunca fez questão de trabalhar na profissão, nunca fez questão nem sequer do diploma. Nada lhe agradava, nada era bom o bastante para atrair sua atenção por mais de uns meses. Ao chegar de volta ao Brasil, seu pai queria que ele seguisse os passos de qualquer homem rico, branco e estudado da época.
Mas Brás Cubas parece fazer tudo às avessas. Em parte, penso que ele era uma espécie de rapaz rebelde, quando toma certas atitudes com o pai. Em outros momentos, ele me parece mais egoísta e mesquinho por natureza mesmo. E isso notamos através de suas atitudes com outras pessoas, que nos vão sendo apresentadas ao longo de suas memórias.
Com certo toque cômico, Machado de Assis nos transporta ao Rio Antigo, com cenários da Cidade Maravilhosa vistos de prédios não tão altos, e florestas ainda intocadas. Ao mesmo tempo que é cômico, Brás é bem mórbido quando resolve dar uma de filósofo, especialmente quando se lembra de outro personagem, que faz participação para lá de especial no livro: Quincas Borba.
Essa combinação do cômico com o mórbido acabou dando um equilíbrio inesperado ao livro, o que muito me surpreendeu, diga-se de passagem. Não apenas o Quincas, mas vários personagens, parecem ditar o que Brás deve fazer. Ele mesmo não parece ser um homem de atitudes.
E quando decide tomar uma e dá um passo a frente, ele tem tanto medo, que dá uns 10 para trás no caminho da vida. É o retrato das pessoas perdidas, sem rumo, que só porque tem grana no bolso, todos os seu problemas estão resolvidos e não precisa de mais nada.
Se trocarmos a moeda citada no livro, para a atual brasileira, teremos vários casos desse tipo ainda hoje, o que faz esse livro não ser apenas um clássico, mas um livro bem contemporâneo. Quando a leitura fluiu com mais facilidade, eu confesso que alimentei expectativas de que visse Brás Cubas amadurecer e se tornar um homem de verdade.
Mas só vi mais atitudes de um adolescente de cabelos brancos e rugas. Apesar de ser um livro que fluiu com relativa facilidade, o que muito me surpreendeu, ele é um livro bem denso e precisa ser digerido com cautela.
Tem muitas mensagens ali que são um verdadeiro tapa na cara da sociedade, especialmente quando Brás filosofa sobre os vivos. São mensagens que te fazem pensar sobre sua própria vida, sobre suas próprias atitudes. Até que ponto podemos julgar o Brás e dizer que ele é um perdido? Até que ponto nós também não nos sentimos perdidos?
“[…] há em todos nós um maníaco de Atenas; e quem jurar que não possuiu alguma vez, mentalmente duas ou três patachos pelo menos,  pode crer que jura falso.”
Acho que a questão está em como a gente percebe isso e lida com a situação. Seja para resolver, ou mudar. Pois o que mais faltou em Brás quando vivo foi coragem.

“O que há entre a vida e a morte? Uma curta ponte.”

Com relação ao livro em si, não posso comentar muito a respeito, pois baixei uma versão de domínio público. Então, ele não tem uma capa oficial.
Memórias póstumas de Brás Cubas | Machado de Assis
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
Mas alguns capítulos tem uma espécie de ilustração, como que dando a ideia do que vai ser falado no texto a seguir. A revisão está bem feita, e a fonte legível. Somando isso tudo, dou nota máxima ao livro.

 

Apesar de recomendar a leitura e dar nota máxima, não sei se eu leria esse livro de novo, até porque, é um que ficará grudado na memória por muito tempo, como raros livros conseguiram.

“[…] não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossas misérias.”

 

Vocês já tinham livro algum livro de Machado de Assis? O que acharam? Me contem aí! 

 

 

Postado por:

Hanna de Paiva

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