12 de novembro de 2019

Minha vida não tão perfeita

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de um dos últimos livros que li nesse semestre, também representante do Projeto Leia Mulheres, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário. O livro da vez é ‘Minha vida não tão perfeita’, da aclamada Sophie Kinsella.

 

Minha vida não tão perfeita
Foto: Divulgação/Amazon

25/33

Livro: Minha vida não tão perfeita

Autora: Sophie Kinsella

Editora: Record

Páginas: 402

Ano: 2018

Skoob | Amazon

 

Dramas, confusões e uma boa dose de amor são os ingredientes do novo romance de Sophie Kinsella. Uma divertida crítica aos julgamentos errados que uma boa foto no Instagram pode gerar. Cat Brenner tem uma vida perfeita mora num flat em Londres, tem um emprego glamoroso e um perfil supercool no Instagram. Ah, ok… Não é bem assim… Seu flat tem um quarto minúsculo sem espaço nem para guarda-roupa , seu trabalho numa agência de publicidade é burocrático e chato, e a vida que compartilha no Instagram não reflete exatamente a realidade. E seu nome verdadeiro nem é Cat, é Katie. Mas um dia seus sonhos se tornarão realidade. Bom, é nisso que ela acredita até que, de repente, sua vida não tão perfeita desmorona. Demeter, sua chefe bem-sucedida, a demite. Tudo o que Katie sempre sonhou vai por água abaixo, e ela resolve dar um tempo na casa da família, em Somerset. Em sua cidadezinha natal, ela decide ajudar o pai e a madrasta com a nova empreitada do casal: os dois planejam transformar a fazenda da família em um glamping, uma espécie de camping de luxo e estão muito empolgados com o novo negócio, mas não sabem muito bem por onde começar. E não é justamente lá que o destino coloca Katie e sua ex-chefe cara a cara de novo? Demeter e a família vão passar as férias no glamping, e Katie tem a chance de, enfim, colocar aquela megera no seu devido lugar. Mas será que ela deve mesmo se vingar da pessoa que arruinou sua vida? Ou apenas tentar recuperar seu emprego? Demeter – a executiva que tem tudo a seus pés – possui mesmo uma vida tão perfeita, ou quem sabe, as duas têm mais em comum do que imaginam? Por que, pensando bem, o que há de errado em não ter uma vida (não tão) perfeita assim?

 

Minha vida não tão perfeita

 

Katie Brenner, ou melhor, Cat Brenner, como prefere ser chamada, é a típica menina que sonha em ter aqueles empregos glamourosos na cidade grande. Saiu de Sommerset, sua terra natal, para tentar a vida em Londres, seguindo carreira com “branding” (as pessoas que criam rótulos para os produtos que compramos). Seu pai tem o maior orgulho da filha, achando que ela está num emprego incrível, super ocupada e correndo de um lado para o outro, comandando uma empresa muito chique e poderosa. Mas na real, ela tem um emprego no departamento de “branding“, só que ninguém a nota na empresa.
Sua chefe, Demeter, é um pesadelo na vida dos funcionários. Sempre sabendo de todas as novidades que saíram no mercado, com todas as tendências da moda ao seu alcance, roupas de marcas caríssimas e um temperamento de dar medo, Demeter mal nota Cat, muito menos sabe seu nome na empresa.
Mesmo assim, Cat prefere manter o status de vida perfeita para todos, postando em suas redes sociais o quanto viver em Londres é chique e maravilhoso, porém ela divide um quarto com mais duas pessoas, seu quarto nem armário tem e ela vive numa bagunça que seu colega de quarto nunca arruma. O que ninguém te conta, nem mesmo Cat, é que viver em Londres custa muito caro, e ela sabe que não recebe nem metade do que deveria para ao menos pagar as contas dentro do mês.

Mesmo assim, é melhor viver ali e fingir que está tudo numa boa. Ela acha que tudo vai ficar bem, até que, quando menos espera, perde o emprego, e tudo o que tinha planejado vai por água abaixo, principalmente pela forma como as coisas aconteceram.
Essa não foi minha primeira experiência com a escrita da Kinsella, porém foi a mais conflitante. Os livros dela são marcados por terem um toque de comédia, inclusive no primeiro livro da autora que li, ‘A procura de Audrey‘, ela trata de um tema sério com bastante leveza e a comédia acaba ficando mais levinha e gostosa de ler. Imaginei que com esse livro seria algo nesse nível, mas não foi muito bem assim que aconteceu.

Bom, pelo título, temos logo uma vida não tão perfeita na capa. Imaginei que fosse uma crítica com o que se fala sobre a imagem nas redes sociais e tal. Mas não foi tratado do jeito que imaginei. Para começo de conversa, a Katie não tem uma personalidade própria.

Ela mesma fala que para cada emprego que teve (claro, ela tem um passado), adotou um nome diferente, com uma personalidade diferente. Para morar em Londres, achava que tinha que ser como nos filmes, magra, com os cabelos escovados todo dia, para não mostrar que tem cachos desarrumados (sério isso, Kinsella?! Em pleno século XXI, com um movimento de cacheadas pelo mundo inteiro, lutando pela liberdade de ser quem é, e você me vem com essa?!). Já fiquei com o pé atrás por aí.
Para continuar, ela morre de vergonha de dizer que é do interior, principalmente porque tem um sotaque carregado e no último emprego ela era alvo de piada no banheiro feminino. Aí fez questão de não ter mais o sotaque. Sério que essa menina conseguiu não ter mais um sotaque tão carregado da noite pro dia? Tenho parentes que não perdem o sotaque até hoje, mesmo morando em estados diferentes do Brasil há anos, pois não conseguem. E ela decide que não tem mais um sotaque tão carregado e pronto, resolvido o problema?! Não me convenceu muito não.
Não apenas pelo sotaque, morre de vergonha de dizer que saiu de Sommerset e que seu pai ainda mora lá. Então arranjou outra cidade, completamente diferente, para dizer que veio de lá.

Ainda, quer ter uma vida que não tem, não apenas para mostrar nas redes sociais, mas para dizer para todos que pode pagar um jantar em restaurante caro, comprar uma roupa que não pode pagar, só para ter amigos.. Na cabeça dela, as colegas do trabalho ficarão com pena dela porque ela é pobre. Cara, eu fiquei com pena dela porque ela é fingida e iludida, isso sim!

 

Minha vida não tão perfeita
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Quando perdeu o emprego, perdeu da forma pior possível, e ela não tem para onde ir, senão de volta para a casa do pai, na cidade da qual tanto foge. Sem poder pagar o aluguel do quartinho que alugava, ela rumou de volta para Sommerset, na esperança de que seu pai nunca soubesse que ela foi demitida, ou melhor “demeterida”.

 

“Para você está tudo bem! Sua vida já está colorida e você nem borrou nada!”

 

Arrumando uma desculpa esfarrapada, ela chega na fazenda do pai, uma senhora fazenda, diga-se de passagem. Uma coisa que gostei nesse livro foi a relação da Katie com o pai. Apesar de ela não querer se ligar às terras que serão sua herança, ela tem uma ligação muito forte com o pai, que sempre fez o papel de pai e mãe dela, já que ela perdeu a mãe muito pequena e mal se lembra dela. Eles são bem unidos, e o pai morre de saudades da filha ali pertinho. Mesmo assim, ele respeita a vontade da filha e nunca a impediu de bater as asinhas para Londres.
Com planos de ficar na fazenda por apenas alguns meses, fingindo estar de licença, ela acaba se unindo mais ao pai e à madrasta, num negócio que estão pensando em fazer na fazenda. Katie tem habilidades que aprendeu com o emprego em Londres e acaba usando na fazenda, o que dá certo e ela fica lá ajudando a cuidar das coisas…

 

“É engraçado como a vida parece uma gangorra: algumas coisas sobrem enquanto outras descem.”

 

Esse seria um belo “final feliz”, se não acontecesse algo que me incomodou. Katie estava cuidando das coisas da família dela, na fazenda dela, que poderia ter dinheiro para ela. E mesmo assim se achava desempregada!!! Outra coisa que me chateou foi que a autora tratou o fato de Katie ter perdido o emprego como se fosse algo legal de acontecer.
Cara, perder o emprego é muito frustrante! Eu passei por algo parecido e não foi nada legal. Ela ainda tinha uma fazenda no interior para voltar e começar de novo, e quantas pessoas nem um quartinho sem armário tem?!
Sinceramente, me imaginei lendo o filme de ‘O diabo veste Prada‘ (e pior que tem mesmo o livro, kkk). Principalmente a necessidade de Cat (ou Katie) de ser aceita, então muda completamente sua personalidade, seu estilo, por uma vida de aparências. Isso também não é nada legal, 😒.
Morando na fazenda e ajudando nos planos mirabolantes do pai (essa sim, foi a parte engraçada do livro, se é que posso dizer que teve), Katie tem uma surpresa incrível ao deparar com ninguém mais, ninguém menos que Demeter em sua cidade! E, como o mundo dá voltas, ela decide que na terra dela, Demeter deveria pagar pelo que fez com ela. Mas a situação toda acaba sendo mais infantil do que engraçada. Na real, foi desnecessário o que aconteceu.

“E agora uma ideia está crescendo dentro de mim. Uma ideia muito má. Uma ideia que me dá vontade de me parabenizar.”

 

Depois as coisas acontecem de uma forma que na vida real nunca, N-U-N-C-A aconteceriam, para que tenha uma reviravolta e o final enfim seja “feliz”. Para falar a verdade, não era bem como eu imaginava que terminaria, pois fiquei com a sensação de “cadê o resto?!”.
Se a ideia era que nas redes sociais, as vidas perfeitas não são como acontece no mundo real, isso a autora acertou em cheio. Pois nenhum personagem tem uma vida tão perfeita quando no Insta que criou. Mas a forma como isso é tratado ficou muito infantil e superficial, me peguei achando que seria um livro hilário, ainda mais pela frase que tem logo no início, com uma outra autora dizendo que “chorou de tanto rir.”. Mas não achei motivos para tanto. Já li livros melhores dela, confesso.
O livro em si, é uma edição muito lindinha. A capa é toda em tons pasteis, mostrando bem a vida não tão perfeita da Katie. Os capítulos são bem divididos e a revisão está impecável, com uma fonte legível e folhas em papel pólen. A história nos é apresentada pela própria Katie Brenner, contando sua versão dos fatos. Ela tem uma linguagem fluida, como já percebi em outros livros da autora, nesse não foi diferente.

 

Minha vida não tão perfeita
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 

A leitura é bem rápida e as coisas acontecem rápido também, apesar de serem de um temperamento adolescente demais para meu gosto. Katie não tem maturidade alguma, ainda mais para uma moça que mora sozinha numa cidade grande. Ela vai muito pela opinião dos outros e isso me incomoda bastante.

 

 

“Talvez aquela moça não seja eu.”

 

Ela nunca faz as coisas sozinha, sempre quer aprovação de alguém e até se deixa ser humilhada para ter atenção. Isso é uma autoestima baixíssima, isso sim! Depois, do nada quer se transformar numa mulher madura o suficiente para se vingar da ex-chefe, mas o tiro acaba saindo pela culatra, pois o que acontece é completamente oposto ao planejado… oi?! 0.o
Além disso, apesar de a personagem principal ser a Katie, eu fiquei mais ligada na Demeter. Ela sim é a que tem a vida mais imperfeita nesse livro. E a gente é apresentado a essa vida no decorrer do livro. Confesso que deixei de me interessar pelo final da Katie e queria era saber do final da Demeter depois. Ela é quem deveria ser a principal, isso sim.
Sinceramente, a leitura não foi de todo ruim. Quem salvou o livro foi o pai da Katie, com seu carisma. Isso somado às qualidades da revisão e edição, renderam uma nota de quatro estrelinhas. Mas não é um livro que eu indico se você quer conhecer a escrita da Kinsella.

 

 Esse livro foi lido em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário, nos projetos #12livrospara2019 e #Leiamulheres.

 

#12livrospara2019
#Leiamulheres

Já tinham lido esse livro? O que acharam dele? Me contem aí! 😉

 

Postado por:

Hanna de Paiva

Gostou? Leia esses outros:

Booktag | 5,4,3,2,1

BOOKTAG | 5,4,3,2,1

Olá meu povo, como estamos? Hoje eu quero começar […]

Ghostwriter | Alessandra Torre

Li até a página 100 e… #51: Ghostwriter

Olá meu povo, como estamos? Uma de minhas leituras […]

Tags:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Classificação de resenhas

Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

anuncie aqui