18 de janeiro de 2022

Modelo de (Im)perfeição | Thais Louzada

 Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de mais um conto da antologia “Era uma vez… Vilãs”, escrito pela autora nacional Thais Louzada. Em ‘Modelo de (Im)perfeição’, temos uma releitura do clássico “A Bela e A Fera”, pela visão do vilão Gaston, aqui retratado como Gabriela Garcia, uma influencer carioca.

 

 
Modelo de (Im)perfeição | Thais Louzada
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 

2/24
 
Livro: Modelo de (Im)perfeição
 
Autora: Thais Louzada
 
Editora: Increasy
 
Ano: 2021
 
Páginas: 62
 
Skoob | Amazon
 
 

 

Você está convidado a conhecer Gabriela, cuja história foi inspirada no personagem Gaston, do clássico A Bela e a Fera. Gaston é o antagonista da história e não mede esforços para conseguir que Bela seja sua. Este é o sexto conto da Antologia Era uma vez… vilãs, da Increasy Editora.
_______

Gabriela Garcia, é uma das influenciadoras que vem conquistando as redes sociais dia após dia. Com sua beleza natural marcante e lindos olhos azuis, Gabs passa seus dias mostrando o seu lifestyle nos cenários mais icônicos da sua cidade, Rio de Janeiro, e os mais paradisíacos do Brasil.
Sua vida é tão perfeita quanto sua beleza.
E todos a amam.
Até o dia que precisa retornar para sua cidade natal, no interior do Rio de Janeiro, por alguns dias, para resolver uma questão familiar, e acaba aprendendo uma lição sobre o que é perfeição.

 

 

Modelo de (Im)perfeição | Thais Louzada

 

Gabriela Garcia é uma influencer carioca super famosa. Com milhões de seguidores no perfil do Instagram, a jovem de belos olhos azuis, corpo escultural, cabelo de comercial de shampoo e um estilo de deixar qualquer um babando por onde passa, não sabe o que é ouvir um “não”.
   
Convidada para os eventos mais badalados, cercada de homens lindos e de recebidos caríssimos, Gabriela, ou apenas Gabs, gosta de mostrar seu estilo de vida caro em Copacabana, um dos bairros mais chiques e tradicionais do Rio de Janeiro. 
   
Mas o que ninguém sabe é que ela vem do interior do Estado e nem sempre sua vida foi assim. Como se fosse motivo de vergonha nacional, ela só falta ter uma síncope ao ouvir o nome da sua cidade-natal. 
   
Porém, agora, não apenas ouvir o nome, a mocinha vai ter que pisar na cidade que “não deve ser mencionada” para resolver alguns problemas que ela fez questão de deixar para trás, mas vai ter que encarar de uma vez por todas.

 

 

 

“Tentamos adivinhar o que vai acontecer no futuro, mas a grande verdade é que nunca sabemos quando será nosso último dia bom.”

 

 

Eu nunca tinha lido nada da autora até então, quando vi sua participação em ‘Era uma vez… Vilãs’. Confesso que também não sabia o que esperar dessa versão brasileira de Gaston, só o personagem mais egoísta que já vi nos contos de fadas (e que eu mais detesto, diga-se de passagem).
   
Além disso, apesar de me identificar com a Bela (que prefere passar seu tempo lendo, em vez de se preocupar com coisas inúteis, e é considerada estranha por isso), ‘A Bela e A Fera’ não é um dos meus contos de fadas favoritos, então não me animei muito para ler quando a releitura foi lançada ano passado. 
   
Isso porque só de olhar quem seria o vilão da vez, eu respirei fundo e meio que ignorei. Agora em janeiro, com a cabeça mais relaxada dos dias de “férias”, resolvi dar uma chance e conferir o conto, tomando um tapa bonito na
cara! 
 
Gaston aqui é representado por Gabriela Garcia, uma jovem que viu um modo de vida rentável como influencer. Bonita do jeito que era, e aprendendo rapidinho um jeito de se aproveitar dos locais onde trabalhava, não foi difícil conseguir vários seguidores e ser praticamente adorada feito uma deusa por onde passava, já que
mostrava sempre uma vida perfeita.
   
O problema foi que isso subiu demais à cabeça de Gabs que, independente de onde estivesse, precisava ser quase colocada num pedestal. Afinal, uma mulher perfeita como tinha que ser idolatrada mesmo (sqn). Mas agora, tinha que encarar o seu passado, pois problemas urgentes de família exigem sua presença na cidade-natal, tão abominada.
   
D. Isabella, sua mãe, é a versão da protagonista Bela do conto original. Uma senhorinha muito simpática, amada por todos na cidade, já que foi professora de Português de boa parte dos adultos da cidade.Mãe e filha são quase como água e óleo. Enquanto D. Isabella atraía olhares nostálgicos e de pessoas que realmente a amavam, Gabs preferia atrair olhares de outra forma, de idolatria e até inveja pela sua beleza. 
   
Isso rendeu muitos momentos de desentendimentos e desilusões, ignoradas conscientemente  pela protagonista. Quem toma as dores de D. Isabella é o Dr. Bernardo (Fera), o único que a influenciadora não consegue fazer ficar de quatro por ela, deixando-a irritada. 
   
E Gabs passa tanto tempo só se preocupando com sua beleza exterior e quantas curtidas teve nas fotos, que esquece do que realmente importa.Apesar das poucas páginas, ler esse conto me rendeu um misto de sentimentos. 
 
Como ele é narrado em primeira pessoa, vemos as coisas pelo ponto de vista da própria Gabs, e foi impossível não querer ajudar o Bernardo a dizer umas boas verdades para ela.
 
Gabs pode ser adulta e linda por fora, mas por dentro é infantil, narcisista, preconceituosa e podre. O que nos leva ao velho ditado de que as aparências enganam e é impossível não sentir ranço dessa criatura.
 
Em momento algum ela se preocupa com quem está ao seu redor e realmente a ama. Muito pelo contrário, o mundo ao seu redor é que deve se preocupar com a sofredora, tadinha (sqn). Prefere dar atenção a coisas inúteis e passageiras, pois assim é mais fácil não sentir dor ou pensar sobre o que está fazendo pelo mundo (se é que ela gasta tempo com isso, sempre muito ocupada pensando no eventos chiques que quer ser convidada).

 

 

“Não imaginava o quanto era tão horrível me sentir impotente.”

 

 

Mas ninguém é de ferro, e Gabs vai perceber da pior maneira possível que a vida ensina lições inesquecíveis e profundas a todo mundo. Beleza, roupas caras, seguidores em redes sociais, amor… o que realmente importa?
   
Acho que essa é a verdadeira lição que a Thais quis passar com Gabs. Vidas perfeitas no feed organizado, legendas arrasadoras de gratidão e paz só existem por lá, quando a vida real pode ser completamente o oposto.
 
O problema é que muita gente acredita nisso e o resultado são pessoas doentes por não terem dinheiro para manter um padrão igual, quando na realidade, às vezes a pessoa só fez uma coleção de fotos de um único dia e posta por meses, como uma espécie de propaganda enganosa (não digo todos, mas sabemos quem é real).
   
E Gabs é o exemplo vivo (ou quase) de que ninguém é perfeito, assim como vida perfeita não existe. Como é de praxe em contos de fadas, onde finais felizes são regra, aqui vemos um desfecho previsível, porém aceitável, onde ela aprende suas lições.
   
Sinceramente, apesar de já imaginar como ia terminar, não esperava que seria de uma maneira tão profunda e marcante como aconteceu, o que me fez recorrer à caixa de lenços. E olha que é difícil eu chorar com uma leitura, mas aqui foi impossível segurar as lágrimas diante dos acontecimentos.
 
 
 
Modelo de (Im)perfeição | Thais Louzada
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
Resumindo, foi uma leitura rápida, que me deixou com raiva em alguns momentos, mas que me foi uma grande surpresa, pois me tocou profundamente e eu terminei sem saber nem onde eu estava, de tão imersa que fiquei.
   
Com relação ao conto em si, sou apaixonada pela diagramação da antologia toda. Mantendo o padrão, a capa traz a própria Gabs, com seus óculos estilosos de grife, num contraste de vermelho e amarelo, dando uma combinação até bem comum em propagandas, até meio inesperada em livros de romance, o qual gostei bastante, aliás. 

 
 
 

E aí, o que acharam dessa versão de A Bela e A Fera? Já conheciam outras obras da autora? Ah, aproveitando, foi a primeira vez que fiz a montagem com a capa colorida do livro no kindle aqui no blog. O que acharam? 

Texto revisado por Emerson Silva

Postado por:

Hanna de Paiva

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