22 de maio de 2021

Mulher-Gato: Ladra de almas | Sarah J. Maas

 Olá meu povo, como estamos? Eu tardo mas não falho (rsrsrs). E, cá estamos nós, com a resenha participante do projeto #12livrospara2021, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário. Esse mês, em especial, ele atrasou, mas consegui finalizar a leitura e trago a resenha do livro Mulher-Gato: Ladra de almas, que foi o mais votado por vocês no tema de maio: Anti-heróis em ação.
Mulher-Gato: Ladra de almas | Sarah J. Maas
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

23/24
Livro: Mulher-Gato: Ladra de almas
Autora: Sarah J. Maas
Editora: Arqueiro
Ano: 2019
Páginas: 352
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No passado, Selina Kyle vivia no submundo de Gotham, cometendo pequenos delitos para sustentar a família. Quando a mãe a abandona, a jovem precisa tomar uma difícil decisão e entrega a irmã nas mãos de um casal que poderia cuidar bem melhor dela, longe da pobreza.
Dois anos depois, Selina retorna como a rica e misteriosa Holly Vanderhees. O que a trouxe de volta à cidade? E o que vai aprontar agora que tem como parceiras Arlequina e Hera Venenosa?
Com Batman fora em uma missão vital, Luke Fox quer provar que pode ajudar os habitantes de Gotham usando o disfarce de Batwing. Seu alvo é uma nova gatuna que se uniu às duas rainhas do crime. Juntas, as três instauram o caos.
Em meio a um jogo de segredos, mentiras e furtos, Selina se engalfinha à noite com Batwing, e se enrosca de dia com Luke Fox. Em uma trama que vai roubar o fôlego dos leitores, Sarah J. Maas mostra os primeiros momentos da ardilosa Mulher-Gato como uma das anti-heroínas mais ambíguas e amadas do mundo.

 

 
 
 

 

Mulher-Gato: Ladra de almas | Sarah J. Maas

 

 Selina Kyle é uma menina que sabe o que é ter que ser independente desde cedo. Abandonada pelos pais, ela acaba recorrendo a métodos ilegais para levar comida para casa, além de tentar conseguir um tratamento para sua irmã caçula.
Ela viviam muito bem, até que a Assistência Social de Gotham descobre e bate na porta delas. Após alguns acontecimentos, ela se vê frente a frente com as representantes da Liga dos Assassinos, que veem em Selina uma aprendiz promissora. No entanto, para ela ir, precisa deixar seu passado para trás, sem dó. Selina acaba indo, e sua vida nunca mais será a mesma.
Eu estava ansiosa demais para ler esse livro. Eu já tinha ficado louca lendo as aventuras de Bruce Wayne antes mesmo de pensar em ser o Batman e tinha o segundo volume da série como o meu favorito. Mas ouvia muitos elogios sobre o terceiro volume, e eu precisava conferir.
Apesar de saber que as expectativas estavam muito altas, coloquei para votação no projeto desse ano e, para minha felicidade, ele foi o mais votado para maio. Eu só fiquei triste por ter lido esse livro enquanto estava numa ressaca literária, e não dei a devida atenção a ele como gostaria.
Nunca tinha lido os livros da Sarah J. Maas, mas lia muitas resenhas positivas a respeito de outros livros dela. Então as expectativas estavam mais altas ainda, o que me deu um medinho no início. Felizmente, as expectativas foram alcançadas! 💓 Gotham City tem personagens icônicos, a começar por ele não ter heróis.
Até quem decide fazer justiça, age mais como justiceiro solitário do que como herói propriamente dito. E com a Mulher-Gato não poderia ser diferente. Selina Kyle tinha um futuro promissor nas mãos. Boas notas na escola, uma atleta incrível de ginástica olímpica, linda e muito esperta. Mas infelizmente o destino não permitiu que ela seguisse pelo lado bom da força.
Com uma mãe drogada e que não tardou em abandoná-la ainda criança, ela se viu com a responsabilidade de uma adulta, ao ter que ser a única a sustentar a si mesma e a irmã caçula, que tem uma doença grave e muito cara para cuidar. Como são menores de idade, elas se viram como dá. Selina logo começa a usar suas habilidades para o mais fácil de conseguir comida, então começa com um roubo aqui e ali, para poder ter o que jantar.
Logo ela entrou para a gangue das Leopardas, o que lhe deu certa proteção nas ruas, mas também o apelido que ela detesta, Gatinha. Apesar do apelido “fofinho”, de fofinha Selina não tem nada. Como parte do acordo para não serem incomodadas, Selina e suas parceiras tem que participar de lutas clandestinas, onde ela mostra que é uma verdadeira fera silvestre quando quer.
Isso chama atenção de Falcone, que a torna sua favorita nas lutas, mas também da Liga dos Assassinos, que está apenas esperando a hora certa para convencê-la a se aliar e ser mais do que apenas uma Leoparda em Gotham. A oportunidade chega de uma maneira que era só questão de tempo para acontecer.
Embora Selina já soubesse, ela não aceita, e é em meio a essa confusão que a Liga aparece, com a proposta perfeita: que ela fosse embora da cidade sem olhar para trás, e se tornasse o que Gotham mais teme, uma mulher forte, poderosa e capaz de colocar os criminosos no chinelo. Selina não tem muito o que fazer, mas não será dessa vez que Gotham irá se livrar de Selina Kyle.
“Faça Gotham City se curvar.”
Mulher-Gato: Ladra de almas | Sarah J. Maas
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Selina retorna à cidade dois anos depois, com um nome diferente, uma vida diferente, um visual diferente, mas a mesma ideia: fazer a cidade comer na sua mão. Eu sempre gostei da Selina, porque ela nunca teve problemas em fazer o que queria. Ela nunca seguiu a cartilha de “preciso ser uma heroína”, mas também nunca quis ser uma vilã.
Na verdade, ela só queria ter um pouco de paz junto de sua irmã e faria o que fosse possível para isso acontecer. Ela é uma pessoa que se tornou adulta muito cedo, tendo que lidar com responsabilidades que não eram dela.
Lendo a relação dela com a irmã, e vendo o que ela fazia, eu sabia que eram coisas erradas, mas não consegui condená-la. Selina poderia viver em Gotham, em Nova York, em São Paulo, Rio de Janeiro… Quantas Selinas Kyle não temos por aí, na próxima esquina?
Quantas Selinas não queriam apenas uma vida digna, que é direito de todo ser humano, mas só conseguiu o preconceito, o descaso de um sistema falido e ainda é chamada de bandida por causa da forma como foi possível viver, mas também não levanta um dedo pra ajudar?! Dois anos depois, Gotham não reconhece Selina, já que ela vem com outra identidade, Holly Vanderhees.
Agora ela é mais uma das mulheres ricas, bonitas e bem vestidas da alta sociedade de Gotham. O mundo só vê mais uma mulher de mente vazia, mas o leitor vê uma ótima atriz, que à noite veste um uniforme altamente tecnológico e toca o terror nos mais bairros ricos da cidade.

“As pessoas veem o que desejam ver.”

Ao lado de Hera Venenosa e Arlequina, duas personagens que normalmente não são muito valorizadas nas tramas do Batman, elas vão tocar o terror e mostrar o motivo do codinome que carregam. Com Batman fora, a cidade está sendo vigiada por Batwing que, particularmente, eu fui apresentada agora nesse livro.
O herói, parceiro de Batman, é Luke Fox, filho de Lucius Fox e mais um riquinho que se esconde por trás de armaduras para lutar contra o crime organizado de Gotham à noite. Devo dizer que fiquei bem surpresa e satisfeita vendo os rumos que esse livro tomou. Luke Fox é o nosso mocinho, mas eu gostei de um ponto bem interessante, que normalmente teria passado batido.
Para quem não sabe, Luke é filho de Lucius, e ambos são personagens negros. Ao contrário do que normalmente é romantizado, aqui a família Fox é muito bem paga pela família Wayne, já que são os presidentes da empresa. No entanto, mesmo dirigindo carros caros, sendo um dos solteiros mais cobiçados da cidade e sendo matéria de colunas de fofocas dos ricos e famosos, Luke ainda passa por momentos constrangedores quando circula pela cidade como Luke Fox.
Batwing pode ser um herói, sobrevoando com o emblema do morcego em luzes azuis que o povo aplaude. Mas Luke Fox ainda passa por muitos momentos de preconceito pela própria polícia que ele apoia enquanto Batwing. A autora teve uma boa sacada ao mostrar os dois lados de uma mesma moeda. Selina é branca e passa despercebida enquanto mantém o papel de Holly Vanderhees, sem que desconfiem dela. Ela rouba, sacaneia a polícia e tá tudo bem, porque ela é branca e rica.

“Fala que nem dama, age que nem bandida.”

Luke Fox é rico, nascido e criado em berço de ouro, estudou nas melhores escolas, dirige os carros que seu próprio dinheiro paga, mas ainda recebe olhares tortos e precisa, literalmente, dar carteirada onde passa, para não ter que ser acusado de roubar o próprio carro!
Com uma narrativa em terceira pessoa e de uma maneira delicada, porém sem passar pano, a autora soube detalhar muito bem as cenas, de forma que o leitor se sentisse junto com os personagens. Assim, me senti abraçando Selina quando ela passou por maus bocados enquanto ainda era Selina Kyle.
Assim como também não pude sentir outra coisa além de solidariedade ao Luke quando passava por momentos constrangedores desse tipo. Cada capítulo narra os fatos pelo lado de um dos dois, então dá para se sentir ao lado deles e entender o que se passa na cabeça deles.
Apesar de ser um rapaz rico e com belo futuro, Luke queria provar para o mundo que era mais do que uma carinha na coluna de fofocas. Então se alistou no exército e lutou pelo país. Mesmo sendo um herói de guerra, literalmente, ainda o olham de cara torta. Isso nos faz pensar no quanto ainda precisamos falar sobre racismo, preconceito e parar de romantizar as coisas.
Luke é um verdadeiro cavalheiro, mas também sabe responder a altura quando precisa. Mesmo sabendo que a estrela do livro era a Selina, não pude deixar de torcer por ele também. Ainda ao lado de Selina, Arlequina e Hera finalmente tiveram o brilho que mereciam. Eu não sei nos quadrinhos, mas no filmes e desenho, a participação delas é de meras coadjuvantes, enquanto Batman e Coringa saem em todos os holofotes.
Elas tem todo um trabalho para arrumar figurino, um nome maneiro, tem todo um estratagema para sair tocando o terror na cidade, para ficarem na sombra e mal serem notadas. Aqui, Selina parece ter percebido o potencial delas duas e acabou escolhendo exatamente elas para serem o centro das atenções de Gotham.

“Vivia esmagada pelo peso de sua missão. Peso que a sufocava havia mais tempo do que ela era capaz de suportar.”

Com cenas perfeitas de “tiro, porrada e bomba”, eu amei ver a atuação dessas três. Ok, ok, elas são as vilãs, mas como eu poderia dizer que não gostei do elo que elas criaram de parceria? São quase as 3 mosqueteiras do lado perigoso da força… (rsrsrs) Sarah soube dar um toque todo especial para as personagens, que normalmente seriam deixadas de lado e aqui finalmente tiveram vez.
Mulher-Gato: Ladra de almas | Sarah J. Maas
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

E esse retorno dos esquecidos de Gotham tornou esse livro o meu favorito da série! Sei que sou fã do Batman, mas a Mulher-Gato consegue roubar a cena com graça, inteligência e uma trama com muito mistério, atrás de mistério, atrás de mistério.
Me senti vendo um dos filmes da DC que, cá entre nós, teria sido um dos melhores… Todos os personagens tiveram um papel importante, todas as pontas foram amarradas e a leitura saiu fluindo tão bem, que ainda me custa acreditar que o livro acabou. Até os personagens secundários foram tão bem construídos, que deram um show a parte, em especial os pais de Luke.
Achei muito linda a relação deles como família, assim como a relação de Selina e sua irmã; o que mostra que conta bancária não quer dizer nada, família é quem cria e responsabilidade e respeito vem de berço. Também achei muito linda a amizade que Luke tem além da parceria de trabalho como Batwing. Amizades como a que ele construiu são muito bonitas e chega dá aquele quentinho no coração.
O que também me surpreendeu foi a amizade entre Hera, Arlequina e Selina. Elas tiveram vidas diferentes, mas cada uma se encontrou em algo em comum, o que as torna mais fortes quando estão juntas.
Lendas da DC
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 Gostei bastante de ver como foi construída essa parceria e aliança entre elas, o que mostra que elas são empoderadas, ao seu modo e não precisam competir por causa disso, muito pelo contrário. Com relação ao livro em si, eu amei a capa. Seguindo a ideia dos livros da série, trás a protagonista meio nas sombras, com o emblema que ela usa em destaque, com a cidade ao fundo em tons de roxo, o que deu um charme total à edição.
A revisão está de parabéns, a fonte é bem legível e as páginas são em papel amareladinho, o que minha vista agradeceu muito. Somando isso tudo, darei a nota máxima para esse livro.

 

 

E o resultado do projeto está assim até o momento:
 
 

 

Mulher-Gato: Ladra de almas | Sarah J. Maas

 

E aí, o que acharam da resenha? Curtem a Mulher-Gato? Já leram outros livros da autora? Me contem aí!
Postado por:

Hanna de Paiva

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