12 de janeiro de 2020

Mulher Maravilha – Sementes da guerra

   Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha da minha primeira leitura de 2020, em participação também do projeto literário 12 livros para 2020. Esse projeto tem parceria com os blogs MãeLiteratura e Pacote Literário, cujo objetivo é ler ao menos um livro por mês, que esteja há muito tempo na estante, esperando ser lido.

Mulher Maravilha - Sementes da guerra
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

1/12

Livro: Mulher Maravilha – Sementes da guerra

Autora: Leigh Bardugo

Editora: Arqueiro

Páginas: 381

Ano: 2017

Skoob | Amazon


Antes de se tornar a Mulher-Maravilha, ela era apenas Diana. Filha de Hipólita, Diana deseja apenas se provar entre suas irmãs guerreiras. Mas quando a oportunidade finalmente chega, ela joga fora sua chance de glória ao quebrar uma lei das amazonas e salvar Alia Keralis, uma simples mortal. No entanto, Alia está longe de ser uma garota comum. Ela é uma semente da guerra, descendente da infame Helena de Troia, destinada a trazer uma era de derramamento de sangue e miséria. Agora cabe a Diana salvar todos e dar seu primeiro passo como a maior heroína que o mundo já conheceu.

Mulher Maravilha - Sementes da guerra

   Diana é uma princesa, com grandes habilidades e um coração ainda maior. Mas isso somente não basta para suas companheiras. Para elas, Diana não passa de uma bonequinha de barro, que sua mãe Hipólita, a rainha das amazonas, fez quando a vontade de ser mãe bateu. Essa bonequinha teve a compaixão de Hera e outras deusas, que lhe deram vida e a transformaram em um bebê, que recebeu o nome de uma deusa da caça.
   Apesar de ser considerada um milagre por sua mãe, as outras amazonas não gostam disso e sempre arranjam um motivo para fazer chacota com a menina, pois ela não é forte, tem sempre que estar em cima de um pedestal para não se desmanchar, já que é feita de barro e blablabla… deu para imaginar a quantidade de apelidinhos que a pobre Diana tem em meio a tantas guerreiras, que se orgulham de terem morrido em combate.
   Sim, todas as guerreiras que se intitulam amazonas em Temiscera são mulheres fortes e guerreiras, literalmente. Cada uma delas deixou a sua forma uma marca na história do mundo, seja participando de guerras como soldados, como missionárias, enfrentando forças maiores para defender os fracos e oprimidos, provando que eram fortes o suficiente para sobreviverem no mundo dos homens, como chamam nossa realidade.
  A ilha é um lugar onde todas as deusas, independente de religião, levam suas filhas mortas, que ganham uma vida eterna de glória, livre de todos os tormentos da guerra que enfrentaram em vida terrena.
   Mas Diana foi a única que nasceu na ilha, quando nenhuma outra amazona tem esse direito. Isso, por si só, já chama bastante atenção tanto para Diana, a eterna “princesa de barro”, quanto para Hipólita, a rainha que “pode fazer o que quiser” e está certo, quando suas amazonas precisam seguir regras.

“Não existe alegria em ter nascido mortal. Você jamais terá que conhecer a aflição que é ser humana. Dentre todas nós, apenas você jamais conhecerá a dor da morte.”

   Diana, assim, é dita sempre a mais frágil, até o dia em que algo muito esquisito acontece. Ela estava passando perto do mar, quando de repente viu uma menina pedindo socorro, aparentemente se afogando na parte mais funda, agarrada a um pedaço de madeira. Sem pensar muito nas consequências, Diana foi ajudar a menina, que sobreviveu, mas a que custo…
  Temiscera é uma ilha de descanso eterno para mulheres que morreram com glória mas não é para ser achada no mapa. Afinal, como explicar que no mundo existe uma ilha só de mulheres eternas? E mais, o grande mistério foi como a menina parou na ilha, se ela está viva?!
   Sim! Alia Keralis está viva e muito lúcida, mas ela carrega consigo algo com o qual era melhor Diana não ter mexido. Ou será essa a grande missão da amazona?
   Essa é a primeira leitura que faço do ano e, claro, que não poderia começar sem considerar minha heroína favorita dos quadrinhos/desenhos animados. Diana aqui tem sua história contada de uma maneira parecida com a dos quadrinhos, porém com alguns detalhes diferentes, que vemos ao longo do livro.

Mulher Maravilha - Sementes da guerra
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Para quem está familiarizado com a história da Mulher Maravilha nos quadrinhos, Diana é jovem, mas uma mulher adulta, que socorre um soldado homem da Segunda Guerra mundial, que cai na ilha depois de ter seu avião abatido. Essa é a grande questão dela com sua mãe, inclusive, quando descobre que não apenas um mortal entra na ilha, mas um homem, que o grande inimigo das amazonas.
   Nessa versão, ela é uma adolescente de 17 anos, que socorre uma outra adolescente, que já gostei porque ela foge de vários padrões que costumamos ver em livros de aventuras desse tipo: Alia Keralis é uma menina negra, rica e famosa por causa de seus pais, que são grandes cientistas. E Alia estava o oceano, pois estava em um navio de pesquisa, no meio do Atlântico, num programa de biologia marinha (já ganhou o coração da bióloga leitora! 💓)!
   Quando ela é socorrida, a ilha de Temiscera começa, literalmente a reagir, como se estivesse doente. Então coisas estranhas começam a acontecer, como terremotos, ondas violentas e amazonas doentes. Coisas que seriam impossíveis numa terra de paz eterna.
   Diana, então, se vê responsável por Alia, afinal salvou sua vida. Mas também se sente responsável pela sua ilha e suas irmãs, que estão doentes por causa da presença de Alia, uma mortal. Assim, ela decide consultar o Oráculo, que lhe mostra que Alia é uma Semente da Guerra, e Sementes da Guerra devem morrer. Assim, a ilha começa a matar Alia, como uma forma de anticorpo se defendendo de um vírus.
   Diana não quer deixar a menina morrer, então decide fazer algo que nem sua mãe aprovaria: sai da ilha, para levar Alia para casa. Esse poderia ser um final feliz, mas na verdade, a aventura dessas duas apenas começou.
   Eis que não apenas Diana, mas outras pessoas no mundo dos homens sabem da história de uma linhagem das Sementes da Guerra, que descendem de Helena de Troia. De acordo com os registros, a guerra só teria ocorrido porque Helena, coitada, era uma semente que gerava discórdia entre os homens. Essa linhagem perdurou até os dias de hoje, quando Alia se vê a última dessas sementes.
   Jason, seu irmão, está investigando umas coisas que seus pais, mortos misteriosamente em um acidente de carro, estavam fazendo com essas sementes. E Alia só descobre isso da pior forma possível, quando se vê alvo de vários soldados, de países diferentes, procurando matá-la.
   Será que Alia precisa mesmo ser morta? Jason descobriu em que seus pais trabalhavam com relação a isso? E Diana? O que ela pode fazer para ajudar Alia? Aliás, se ela ajudar, como isso se refletirá em Temiscera?
   Se você procura um livro com “tiro, porrada e bomba”, você vai encontrar aqui. Se procura um livro com uma personagem de representatividade negra, vai encontrar aqui. Se espera um livro com bastante girlpower, vai encontrar aqui também. Não importa a versão que nos é narrada, Diana aqui é uma adolescente de 17 anos, mas é tão amazona quanto suas irmãs mais velhas. Ela é uma semideusa, forte, linda e capaz de tudo para defender seus ideais. Porém, é uma adolescente, e não foge de fazer umas burradas no meio do caminho..
   Alia é uma menina que, apesar de rica e famosa, por causa do sobrenome Keralis, herdou esse sobrenome por causa da linhagem grega de seu pai. Mas herdou a pele negra de sua mãe. Em nada isso a desmerece, pois é uma mulher inteligente e uma grande geneticista, que criou um casal de filhos tão inteligentes quanto. Mesmo assim, estudando em boas escolas, entrando em boas universidades, ainda é incrível como a cor da pele influencia. E tanto Alia, quanto Jason, passaram por episódios de racismo, os quais ainda passam, mesmo quando Jason assume a empresa. Os acionistas não falam muito diretamente, mas deixam claro o quanto estão incomodados com a pouca idade do rapaz, mas também porque o fato de ser negro influi na imagem da empresa… Detalhe, estamos em pleno século XXI… 😠

“- Guerra dos Cem Anos. Guerra das Rosas. Guerra dos Trinta Anos. Elas sabiam? […] Helena sabia que era a causadora da Guerra de Troia, mas essas garotas sabiam o que eram? O que causavam, simplesmente por respirar?”

   Nessas horas, eu queria entrar no livro, só para mostrar minha solidariedade com os irmãos e enfiar o dedo na cara daqueles acionistas nojentos. Ainda, Alia conta com dois amigos, que vão ser bem atuantes na missão do retorno para casa de Alia. Isso porque não é simplesmente voltar para casa e tudo bem no final. E é nessas horas que esses amigos se mostram verdadeiros amigos.
   Nesse livro, achei interessante como a autora colocou elementos de fantasia/mitologia, misturados com ciência e também suspense. Pois os soldados que caçam Alia e quem estiver com ela, são comandados por um grande vilão que… meu povo, a autora me fez de trouxa bonito! Estava pensando em várias pessoas, menos nesse personagem! 😂😂

Leia também: 5 metas literárias para 2020

   Para não dizer que esse livro foi totalmente perfeito, devo deixar minhas considerações de coisas que me incomodaram um pouco… Depois que o “grande vilão” é revelado, pensei que teria um pouco mais de ação, mas não foi bem assim que aconteceu. As cenas aconteceram, mas foram tão rápidas, que o final ficou meio jogado, sabe? Eu pensaria de uma outra maneira para terminar esse livro.
   Enfim, falando da edição, propriamente dita, meus parabéns para a editora. Eles fizeram um trabalho incrível com a capa, com a famosa pose desse mulherão da p*, digna de várias fotos lacradoras. A revisão está incrível também, e a fonte é bem legível. Além disso, as folhas são impressas em papel pólen, que minha vista agradeceu bastante 😍

Mulher Maravilha - Sementes da guerra
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Se recomendo a leitura, recomendo sim. Foi uma grande leitura para começar bem 2020. Mas só não darei nota máxima por causa dos detalhes que incomodaram. Então ficam quatro estrelinhas.
Se quiserem comprar o livro, ele está á venda no link abaixo. Lembrando que, comprando a partir dele, vocês ajudam o Mundinho a ganhar comissão, sem terem adição de nada na compra de vocês. ^^










   





   Para quem não conhece, esse é o primeiro volume de uma série de quatro livros publicados pela Arqueiro, da coleção Lendas da DC. Autores diversos tiveram a missão de dar uma versão diferente dos heróis mais icônicos da Liga da Justiça… e uma anti-heroína também. Então, até agora temos:







1. Mulher Maravilha –  Sementes da guerra (Leigh Bardugo)







2. Batman – Criaturas da noite (Marie Lu)







3. Mulher-Gato – Ladra de almas (Sarah J. Mas)







4. Super-man – (Matt de La Peña)













“Se você precisa salvar o mundo de um asteroide, você chama o Superman. Se precisa resolver um mistério, você chama o Batman. Mas se precisa acabar com uma guerra, você chama a Mulher-Maravilha.”




– Gail Simone, Roteirista da DC Comics








     






12 livros para ler em 2020

















     E, se quiserem saber mais sobre a autora Leigh Bardugo:



“É autora de Six of Crows: sangue e mentiras, Crooked Kingdom: vingança e redenção e da trilogia Sangue e ossos. Nascida em Jerusalém, cresceu em Los Angeles e se formou pela Universidade Yale. Ainda pequena, foi enlaçada pela Mulher-Maravilha e passou boa parte da infância elaborando braceletes de papel e rodopiando na garagem. Atualmente, trabalha em Hollywood, onde vez ou outra pode ser vista cantando com sua banda.”  

Postado por:

Hanna de Paiva

Gostou? Leia esses outros:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Comments

Classificação de resenhas

Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

anuncie aqui