2 de julho de 2019

O apanhador do campo de centeio

   Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha do último livro que li, desafiada pela Babi Bueno, do blog Meu mundinho quase perfeito. Lemos de forma coletiva esse livro, durante o mês de junho. Na metade do mês e no final fizemos uma breve discussão dele, o qual ganhou uma resenha aqui no blog também.

O apanhador do campo de centeio
Foto: Divulgação

17/33

Livro: O apanhador do campo de centeio

Autor: J. D. Salinger

Ano: 1999 (edição original de 1951)


Páginas: 207

Editora: Do autor

Skoob | Amazon


À espera no centeio (O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira) narra um fim de semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso.No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça.Foi este livro que criou a cultura jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventude e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

O apanhador do campo de centeio

   Holden Caulfield é um jovem de família abastada, com acesso a tudo do que há de bom e do melhor no mundo. Seus pais fazem de tudo pela boa educação não apenas dele, mas de seus outros filhos. Seu irmão mais velho, conhecido apenas como DB, está trabalhando em Hollywood, fazendo filmes e roteiros para os estúdios mais famosos. Sua irmãzinha Phoebe ainda está no Ensino Fundamental I, cheia de planos e sonhos para quando crescer… E Holden é praticamente um caminhante no lado oposto dos irmãos.
   O que poderia ser hoje conhecido como “a ovelha negra da família”, Holden não se deu muito bem nas matérias e acabou sendo expulso do internato onde estudava. Porém, sem coragem de contar aos pais que tinha sido convidado a se retirar de uma escola tão íntegra quanto a Pencey, ele decide aproveitar o final de semana antes do Natal e passear pela cidade, filosofando sobre a vida, o universo e tudo mais.

“[…] Tenho quase certeza absoluta que ele gritou “boa sorte!”. Espero que não. Tomara que não tenha sido isso. Eu nunca gritaria “boa sorte” para ninguém. Se a gente pensa um pouquinho na coisa, vê que um troço desses soa um bocado mal.” 

   Esse livro é um clássico, que todo mundo fala que é um dos livros que deve ser lido antes da gente morrer (sempre me pergunto se depois de morta vou me importar com os livros que não li e sempre me falaram que deveria… mas vida que segue). A grande questão é por que transformaram ele um clássico… Pelo que li, e inclusive tem no Skoob a respeito, o título se tornou referência pois retrata todas as indecisões e reflexões dos adolescentes, que até então não tinham uma referência, a não ser uma passagem para a vida adulta. Essa então teria sido, literalmente, a primeira obra de YA da História.
   E eu sempre ouvi falar sobre ele, até é referência em muitos filmes e séries. E alguns serial killers disseram que foram influenciados a cometerem seus crimes, por causa das mensagens subliminares que haviam no livro. Por isso, minha amiga e também blogueira literária Babi me convidou a tirar essa história a limpo. Resolvemos ler juntas o título e discutirmos o que achamos a respeito, como uma forma de desafio. Missão dada, missão cumprida. Terminei o livro, mas não foi um livro que eu tenha curtido…


“Estou sempre dizendo: “Muito prazer em conhecê-lo” para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo.” 

   Bom, vamos dar um crédito ao autor, pois ele tentou pela primeira vez o que hoje é até famoso, escrever uma história do gênero literário conhecido como Young-Adult, ou simplesmente YA.
   Porém sua tentativa acabou saindo num livro pequeno, mas que é longo ao mesmo tempo, de tão repetitivo. Reconhecemos que Holden é um adolescente, mas a vida desse rapaz é muito sem graça. Para começar, ele odeia tudo, mas tudo mesmo. Não é rebelde, mas tudo o que as pessoas fazem para se divertirem, para Holden é “chato para diabo”. Odeia cinema, odeia teatro, odeia shows musicais, odeia sair com os amigos do colégio (se é que ele tem algum, pois os que se aproximam ele espanta), odeia o colégio, odeia a cidade onde mora, odeia ele mesmo se deixar…

O apanhador do campo de centeio
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   O livro inteiro é contado pela versão do próprio Holden, que é bem filosófico de vez em quando, mas na maioria dos momentos se diz cercado de pessoas imbecis e que só fazem coisas chatas. Além disso, o autor passou capítulos e mais capítulos mostrando o quanto Holden era filosófico, mas chegava num ponto que pulei páginas, pois não aguentava mais o personagem voltando no mesmo assunto umas 20 vezes, apenas expressando as mesmas opiniões de formas diferentes.
   A história em si conta sobre como, depois de ele ter sido expulso do colégio pela enésima vez, ele vai passar o fim de semana na cidade, pulando de hotel em hotel, até resolver criar coragem de ir falar com os pais sobre o ocorrido. Mas nesse meio tempo, o rapaz se torna irritante, já que boa parte desse fim de semana ele passa indo de bar em bar, tentando beber e fingindo que é maior de idade. O mundo dele gira em torno de bebidas, apenas isso.
   Além disso, me pergunto até agora o motivo do nome escolhido para o título, que tanto em versão original, quanto na traduzida tem nada a ver com a história narrada para o leitor. Acho que as únicas menções a um campo de centeio foi que no começo do livro ele vai visitar um professor, da única disciplina na qual foi aprovado, e desce rolando a colina  que tinha um pouco de centeio plantado. E depois uma música, na qual alguém mencionava um campo de centeio… De resto, não vi ligação alguma do título com a história, que se passa em ambiente urbano o tempo inteiro praticamente.
   Uma coisa que não se pode negar é que ele ama a família, se preocupa com a irmã mais nova e até hoje pensa no irmão que morreu, o Allie. Em certas partes ele parece até depressivo, pois sente que tem uma parcela de culpa nos eventos que levaram à morte do irmão. Então ele passa um tempo falando sozinho, mas na cabeça dele, está tentando conversar com o irmão morto e fazendo todas as vontades que lhe negou quando ele era vivo. O que eu posso dizer que era um tipo de delírio, já que ele dizia ver seu irmão em alguns lugares, mas o livro não tem nada de espiritualidade.

“[…] Gente vindo todo domingo botar um ramo de flores em cima da barriga do infeliz, e toda essa baboseira. Quem é que quer flores depois de morto? Ninguém.”  

   O livro é de todo ruim? Não. Tirando as partes em que o personagem é depressivo ou está tentando beber, ele no fundo tem medo da reação dos pais e está fingindo que está tudo bem, mas na real ele tem um problemão. Seus pais querem o bem dele, querem que ele estude e seja um profissional que goste do que faz. Mas na real, as atitudes do Holden me fez acreditar que de fato algumas pessoas “vieram ao mundo a passeio”. A vida dele não tem muito movimento e ele não faz o mínimo esforço para mudar isso, pelo contrário, quer menos movimento ainda, quase parando. Pode ser que na época em que ele foi escrito os adolescentes pensassem assim, mas hoje em dia, conheço muitos na idade dele que já até revolucionaram a sociedade, criando seus próprios divertimentos e formas de ver o mundo.
   Não tiro a importância do livro, mas simplesmente a sensação que me deu era que ele não tinha fim! Outra coisa que o Holden me incomodou bastante era que nada estava bom para ele. Tudo era ruim, nada prestava, tudo fazia as pessoas serem imbecis e chatas. Mas na real o chato era ele. Reclamava tanto, e filosofava junto com a reclamação, que eu não sabia se continuava a leitura ou jogava meu leitor digital longe.

O apanhador do campo de centeio
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   O início o livro me surpreendeu, pois apesar de ser uma leitura a princípio parada, refletindo a vida do Holden, achei interessante que a escrita do autor pareceu fluida. Então apesar de ser um livro que não agrada a todos, tem uma forma rápida de ler, o que deu pontos à obra. Apesar de estar incomodada e ficando tão chata e reclamona quanto o Holden, admito que a cabeça dos adolescentes é um mistério. Afinal é época de descobertas, de transições e não é fácil para muita gente passar por ela; Holden é um exemplo disso. Mas apesar de ser importante, acho que esse livro é debatido por ser de difícil compreensão. Até agora confesso não entendi a mensagem principal da história, já que ela aparentemente não anda. Além disso, o Holden passa por certas situações que te fazem pensar: “opa, agora vamos ter um assunto importante a ser discutido aqui”, mas que o próprio Holden parece confuso e não sabe nem o que tá fazendo ali.
   Fora algumas palavras que foram ressuscitadas, como aporrinhar, asseado e bocado. Ele ama dizer essas palavras, tanto que repete umas dez vezes numa única página (rsrsrs). Apesar de ser antigo, é um livro difícil de achar, até a versão ebook. Foi uma missão quase impossível encontrar a versão digital, já que o impresso até no sebo estava bem caro. Não sei quantas edições foram feitas dele, mas é um livro relativamente pequeno, com 207 páginas.

O apanhador do campo de centeio
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

   Não sei se na versão impressa é assim também, mas a que eu li era organizada de uma form bem estranha. Os parágrafos eram muito separados e o livro parecia quase escrito em forma de poesia, se olhasse de uma forma rápida. Os capítulos são longos, talvez pelo formato da diagramação, o que não impediu uma leitura rápida, já que as palavras eram sem tanto rebuscado, mas com bastante expressão dos anos 50.
   É um livro importante? É sim. É um livro rápido de ler? Depende do seu estado de espírito. Se eu recomendaria? Acho que você pode ler, para ter uma opinião a respeito, mas não crie expectativas sobre ele. Não foi uma leitura prazerosa e não posso dar uma nota muito alta para ele.

Além disso, com tanta filosofia e tanta promessa de ser um livro que te faz refletir sobre a vida, o universo e tudo mais, não vi um fim que tinha muito a ver com o começo do livro. Isso decepcionou, já que eu esperava pais que fossem mais rígidos, até explicaria o medo do Holden de ter sido expulso de novo do colégio. Mas me senti lendo os contos de fadas em versão beeem infantil, que acontece um monte de coisa alucinada e no parágrafo seguinte vem a frase “e viveram felizes para sempre, fim.”  Não tem essa frase oficialmente no fim do livro, mas a sensação que deu foi essa. Fiquei nessa madrugada um tempão refletindo sobre onde estava o final real do livro. Se era isso mesmo ou a versão que baixei tinha defeito… (rsrsrs) Se realmente o livro termina daquele jeito, é muito sem sentido e fiquei entendendo menos ainda. 😔
   Outra coisa, se sua preocupação em ler o livro tem a ver com as tais mensagens subliminares, ou eu estava tão preocupada em reclamar do livro e do personagem principal que não vi, ou de fato elas não existem. Então podem ler sem medo de serem influenciados. 😉
   Uma curiosidade, que a Babi descobriu, é que o autor realmente detestava filmes, cinema e afins. Ele passou isso para o Holden e também explica o porquê de nunca terem feito um filme sobre ‘O apanhador do campo de centeio’. Não sei se digo que isso é uma coisa boa ou não… realmente é um livro difícil de compreender e não creio que o filme fugiria disso.
   Foi um verdadeiro desafio literário, mas se pudesse escolher um livro para reler, com certeza não seria ‘O apanhador do campo de centeio’.
   Vocês já leram ou conhecem alguém que leu esse livro?
    Até mais!

Postado por:

Hanna de Paiva

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