1 de outubro de 2022

O Apartamento de Paris | Lucy Foley

Olá meu povo, como estamos? Hoje trago a resenha de ‘Apartamento de Paris’, o livro de thriller mais recente da autora Lucy Foley.

O Apartamento de Paris
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

50/24

Livro: O Apartamento de Paris

Autora: Lucy Foley

Tradutora: Marina Vargas

Editora: Intrinseca

Ano: 2022

Páginas: 336

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Após os best-sellers ‘A Última Festa’ e ‘A Lista de Convidados’, também lançados pela Intrínseca, Lucy Foley agora apresenta uma trama instigante sobre uma jovem inglesa que vai à França em busca de um recomeço. Sozinha, sem emprego e sem dinheiro, Jess pede abrigo ao meio-irmão Ben, que não parece muito animado para recebê-la em seu apartamento em Paris.
Quando chega à cidade, Jess descobre que o irmão mora em um lugar que ela jamais imaginaria que ele teria condições de pagar. E o mais intrigante: embora a carteira e as chaves estejam ali, não há nenhum sinal do rapaz.
Quanto mais tempo o rapaz continua desaparecido, mais Jess tenta seguir seus passos e mais perguntas surgem em sua mente. Os vizinhos formam um grupo bem eclético, mas não são exatamente amigáveis e, em pouco tempo, aquela investigação coloca a jovem em situações cada vez mais delicadas.
Em meio à sua busca cada vez mais misteriosa e sem saber em quem confiar, Jess acaba construindo relações diversas com os moradores. No entanto, em um prédio em que as paredes parecem ter segredos sufocados e olhos sempre atentos, a desconfiança pode ultrapassar as raias da paranóia.
Ela pode até ter ido para Paris com a intenção de escapar do passado, mas talvez o futuro de seu irmão é que esteja em jogo. Todos são vizinhos. Todos são suspeitos. E todos têm algo a esconder.


Jess é uma jovem inglesa que tenta se virar como pode para pagar suas contas. No entanto, as coisas não estavam caminhando muito bem e ela precisou fugir de sua cidade para evitar maiores encrencasSua única opção era pedir abrigo para o irmão mais velho, Ben Daniels, que atualmente mora em Paris.   

A relação dos dois nunca foi muito boa, principalmente depois que cresceram, mas o rapaz não poderia negar um teto para a única família que lhe restou.    Assim, ele aceita receber a “visita de última hora”, mesmo sabendo que vai se estressar. Porém, ao chegar no endereço combinado, Jess só encontra o apartamento vazio e nenhuma pista do rapaz, que prometeu lhe abrir a porta.   

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Seu irmão poderia fazer muitas coisas, mas fugir de compromissos não está na sua lista. Ainda mais quando os dias passam o rapaz não volta para casa e nem dá sinal de vida.    

Jess começa a se preocupar com o paradeiro de Ben e, mesmo sem poder procurar a polícia (já que não saiu de “modo amigável” de Londres), decide investigar sozinha o que poderia ter acontecido com ele.    No entanto, a moça pode encontrar mais do que procurou e ficar hospedada naquele apartamento pode se tornar mais perigoso a cada dia.

“Mas agora, pela primeira vez, cai a ficha: estou em Paris. Uma cidade diferente, um país diferente.”

Lucy Foley é uma autora de thrillers muito famosa lá fora, onde seus livros ganharam um verdadeiro hype. Sua fama atravessou continentes e chegou aqui no Brasil dividindo muitos leitores, numa relação de “ame ou odeie” com suas obras.   

Quando vi que tinha muito burburinho acerca delas, decidi “deixar a poeira baixar” antes de dar uma chance e ter qualquer opinião a respeito.  No entanto, parece ser uma missão complicada, já que os livros novos dela já chegam “hypados”.

Mas quando li que ela estava melhorando a cada trabalho e que ‘O Apartamento de Paris’ seria seu melhor livro, decidi dar uma chance, ainda mais quando foi o escolhido da vez no @clube.lendo.com.os.morcegos.   Aqui, temos uma narrativa ora em primeira pessoa (trazendo a versão dos fatos pelos ângulos da protagonista e dos suspeitos), ora em terceira (quando temos um vislumbre dos últimos momentos de Ben antes de desaparecer).

Confesso que não curto muito esse recurso, pois sinto que quebra um pouco minha linha de raciocínio durante a leitura. Entretanto, aqui funcionou para mostrar o que se passava na mente dos personagens principais.

Então, foi melhor para ter uma opinião menos enviesada sobre cada um deles.    A começar pela protagonista, Jess é a típica “irmã problema”. Ou ao menos é isso que somos levados a acreditar quando ela entra em cena pela primeira vez.   

Ben evita ao máximo contato com a caçula por anos, o que gera momentos complicados entre os dois. Enquanto ele se deu bem na vida e trabalha como repórter em um jornal francês renomado e que paga bem, ela não deu tanta sorte e trabalhava como garçonete em um bar inglês de quinta categoria.   

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Conforme lia a trama percebi que essa relação estremecida tinha raízes em um passado obscuro e doloroso para ambos. Isso faz com que eles pisem em ovos a cada vez que se encontram e tentam fugir para sua zona de conforto. No entanto, os irmãos não podem negar que esses acontecimentos deixaram marcas, as quais refletem nas suas vidas mesmo depois de adultos.

A visita inesperada de Jess iria mexer em feridas que Ben fez questão de fingir que esqueceu. Mas também sua consciência fala mais alto e ele não pode negar abrigo para a única família que lhe resta.   Jess também não está confortável com a situação, mas se eu tivesse no lugar dela, talvez teria tomado a mesma decisão de fugir para bem longe. 

Seu desespero aumenta quando encontra a casa do irmão, em um apartamento de luxo no meio de Paris, porém vazia.Os motivos para isso seriam vários, desde ir atrás de um furo de reportagem até pregar uma peça na irmã. No entanto, basta conseguir entrar no próprio prédio que o ar cheira a mistério. O clima não é dos melhores; Jess é recepcionada da pior maneira possível, já que aparentemente não possui “uma conta bancária digna para lhe abrir portas”.    

O fato de ter uma forte semelhança com o irmão também não ajuda muito, pois isso parece deixar muitas pessoas nervosas. Para completar, o fato de Ben não atender a nenhuma ligação ou mensagem de Jess a deixa cada vez mais preocupada e não precisa ser fluente em Francês para saber quando as pessoas estão escondendo algo dela.

“Pelo amor de Deus, parece que todo mundo que encontro fala por meio de enigmas.”

 

Seus vizinhos são bastante peculiares e parecem ter segredos obscuros. A moça se vê cada vez mais enredada neles, à medida que tenta investigar por conta própria o desaparecimento do irmão. Apesar de amadora, Jess é uma mulher carismática, esperta e muito curiosa, ótimas qualificações para uma boa detetive.   

No entanto, por conta de sua própria história do passado e a forma como a vida lhe ensinou as coisas, esperava uma mulher mais madura. Ela é inconsequente e age feito uma adolescente de vez em quando, o que me fez passar raiva em diversos momentos.

 Conforme lia, era também apresentada aos demais personagens e entendendo um pouco da dinâmica do prédio. O leitor é apresentado a um elenco no qual, olhando mais de perto, ninguém é 100% bom ou mau, muito menos o próprio Ben. Isso foi uma vantagem, pois a autora construiu uma trama crível, com pessoas reais.

“Talvez eu não esteja tão sozinha nessa história quanto pensei.”

Além disso, achei interessante que a autora teve a coragem de mostrar uma Paris longe do glamour que vemos geralmente nos programas de viagem.    Não apenas Paris, mas o bar londrino de onde Jess fugiu também é nojento, assustador e, infelizmente, sabemos que existem aos montes por aí.   

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Achei interessante também que a jovem saiu da Inglaterra e foi tentar uma vida nova na França (dois países europeus), mas passa por muitos momentos de preconceito, pelo fato de não ter tanto dinheiro na carteira ou apresentar um comportamento diferente dos franceses.  Assim, não importa de onde você venha, desrespeito vai continuar existindo em qualquer lugar que olhe — especialmente se você é mulher.

“Mas eis certa parte de Paris para você: hiperconservadora, hipócrita, machista.”


 

Seus vizinhos são ignorantes, mal-educados e desrespeitosos. Embora a cultura francesa seja de pessoas mais ríspidas por natureza, aqui eles se mostram extremamente machistas, arrogantes e mentirosos em um nível espantoso.  Não apenas isso, todo mundo parece ter culpa no cartório, já que basta ouvir o nome de Ben para ficarem nervosos e tentarem fugir como podem das investidas de Jess.

“Se você sabe que não vai gostar da resposta, não pergunte.”

Todos (até Ben, que não é flor que se cheire) são suspeitos de qualquer coisa que aconteça por lá. O fato de ser um prédio antigo traz uma energia densa e assustadora, tornando um cenário de filme de terror.   

A situação parece complicar ainda mais quando Theo (editor de Ben) também começa a procurar pelo seu empregado. Ele chega de paraquedas na história, mas mostra a que veio e manda muito bem nas investigações junto à mocinha.    

Porém, achei a relação dele com Jess forçada em diversos momentos. Isso porque a autora queria, de toda forma, colocar um romance na trama para quebrar o clima de mistério, mas escolheu um casal completamente sem química para isso e o resultado não ficou bom.

Conforme a protagonista investigava, mais segredos eram revelados. E, confesso, me senti muito inocente com esse livro. Antes mesmo da metade já tinha conseguido ser feita de trouxa várias vezes e me perguntei onde estava minha experiência com livros do gênero.

“-Há coisas aqui que você não entende.”

Apesar do susto momentâneo (rsrsrs), gostei bastante de ter sido enganada desse jeito e criei expectativas em relação ao desfecho, porém me decepcionei profundamente. Embora tenha vários plots interessantes e críveis, a autora parece que perdeu a mão depois de um tempo e terminou a obra meio “nas coxas”.  

 O que foi um tanto chato, pois as cenas foram jogadas ao vento e sem um pingo de emoção, como se o leitor tivesse a obrigação de já saber das coisas e ainda achar óbvio. O resultado foi um livro que começou muito bem, teve um desenvolvimento interessante, porém o final foi decepcionante e beirou o conto de fadas, com alguns personagens “esquecidos no churrasco”. 

Acho que criei muitas expectativas em relação a esse livro, devido à promessa de que a autora teria melhorado bastante ao longo das suas obras e essa seria a melhor até o momento. No entanto, pelo meu primeiro contato com os trabalhos dela, acho que não vale tanto o hype assim. 

Em relação à obra em si, li em versão digital. Então, posso afirmar que tem uma diagramação muito bem feita, com uma revisão decente.    

A capa combina com a vibe sombria da trama, toda em tons escuros, com o título em cor de rosa, dando um destaque de certa forma escandaloso e bem a cara de Paris (rsrsrs). É um livro que recomendo, mas se você já curte literatura de suspense, pode ser que sinta falta de alguns elementos para dar liga na trama.

 Já leram algum livro da autora? Me contem aí.

Obs.: Texto revisado por Emerson Silva

Postado por:

Hanna de Paiva

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