29 de agosto de 2020

O ceifador | Neal Shusterman

Olá meu povo, como estamos? Hoje eu trago a resenha de um livro que não estava programado para esse ano, mas fui convidada a fazer uma leitura coletiva, junto ao Insta @leituradasgemeas. O livro se chama O ceifador, o primeiro volume de uma trilogia, escrita por Neal Shusterman.

 

O ceifador | Neal Shusterman
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

27/12
Livro: O ceifador
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Páginas: 448
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Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria… Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade.
Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador – papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

 

 

 

O ceifador | Neal Shusterman

 

 
Imagine um futuro onde todos os nossos sonhos (ou pelo menos o da maioria das pessoas) foram realizados. Estou falando de um mundo onde as pessoas não sofrem com doenças, não se preocupam que não vão ter um amanhã, pois elas tem todo tempo do mundo, literalmente.
Nessa distopia de Neal Shusterman temos um futuro exatamente assim. Nossa era é conhecida como a Era da Mortalidade, onde tudo era efêmero e as pessoas vivem correndo e com medo de morrer por qualquer coisa, já que a vida era frágil.
Na Era da Imortalidade, anos não são mais contados em números. Ninguém se preocupa mais com a idade, pois a tecnologia avançou tanto que as clínicas de cirurgia plástica fazem rejuvenescimento de verdade, daqueles que uma pessoa com 60 anos sai da clínica com carinha de 24, e o corpo também. Além disso, morrer de acidentes em trânsito, ou mesmo suicídio é lenda. Isso porque os Centros de Revivificação trazem você de volta à vida em três dias ou menos.
Imagine então como seria viver num mundo onde você alcançou a eternidade. Seria o paraíso na terra, se não fosse a Ceifa. Com o avanço da expectativa de vida para praticamente uma eternidade, somado à oportunidade de rejuvenescer drasticamente e poder ter idade fértil novamente, a população humana cresceu mais do que absurdamente.
Por isso, foi trazida de volta a ideia da figura da Morte, que estava aposentada. Ela agora é representada por humanos, que usam o manto e o símbolo da foice, para tentar controlar a população. As pessoas podem ter uma vida mais longa e se livraram de muitas doenças e mortes naturais, mas as mortes que os ceifadores provocam, essas não podem ser revogadas.
Como morte é uma palavra que traz medo desde que o mundo e mundo, os ceifadores não matam pessoas, eles só podem dizer que coletam. E seu uniforme é um manto, que não pode ser preto, já que lembra o estigma da Morte original, mas causa tanto medo por onde passa, que não faz muita diferença. Mas as pessoas não entram na Ceifa somente porque gostam de matar. Elas entram porque são convocadas.
O ceifador | Neal Shusterman
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
E nesse primeiro volume nós iremos conhecer dois aprendizes de ceifadores, que vão descobrir que o outro lado da moeda tem muitos segredos pelos quais você vai preferir abrir mão da eternidade. Eu já tinha ouvido falar nesse livro há um tempo, mas deixava lá na lista de desejos. Até que agora, durante a quarentena, as irmãs do @leituradasgemeas me convidaram para uma leitura coletiva dele.
Seria a oportunidade de finalmente saber o que tanto esse livro atrai nas pessoas… e agora eu posso dizer que fui uma das pessoas atraídas por essa distopia. Os aprendizes são Citra e Rowan, que são convocados pelo Honorável Ceifador Faraday para aprender o ofício da Ceifa.
Pela regra, cada ceifador só pode ter um aprendiz, mas Faraday acaba quebrando as regras e escolhe dois dessa vez. A regra foi quebrada porque Faraday encontrou duas pessoas que possuem o talento para ser um ceifador.
Mesmo que essa missão seja muito filosófica e tal, a verdade é que, caso seja aprovado, um deles vai ter que passar o resto da eternidade coletando pessoas, seja com arma de fogo, veneno, não importa, eles vão… matar pessoas. Coisa que, apesar de saberem ser necessário, já que a população humana está imensa e a morte foi vencida, alguém precisa cumprir seu papel. Mas ninguém quer fazer.

“Talvez o universo devesse oferecer esses avisos, mas os ceifadores não eram muito diferentes dos cobradores de impostos no esquema geral das coisas. Eles apareciam, cumpriam sua função desagradável e iam embora.”

Assim, temos Citra e Rowan brincando de batata quente, brigando pela liberdade de não ganhar o anel de ceifador.  Mas, aos poucos, eles vão entender que a missão até então não desejada, pode ser sedutora, ao mesmo tempo que guarda segredos fortes, pelos quais valem a pena lutar pelo anel.

“Esqueçam tudo o que vocês pensam saber sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora.”

O livro é narrado em terceira pessoa, mas os capítulos são intercalados pelos diários de alguns ceifadores, que iremos conhecer no decorrer do livro. Esses diários são uma espécie de obrigação dos ceifadores, mas acabam também nos norteando, já que através deles temos uma espécie de visão de cada personagem sobre o que está acontecendo.
Quem aparece mais nos diários e depois ganha destaque é a ceifadora Curie. Conhecida como A Grande Dama da Morte, Curie é uma mulher a princípio rígida e conservadora, mas vai se mostrar muito mais do que isso ao longo de alguns acontecimentos.
Só posso dizer que ela ganhou o meu respeito, pois o que eu pensava dela mudou completamente quando ela ganhou voz, além de apenas o que estava nos diários. Citra, por sua vez, tem muito a aprender com Faraday e Curie, que são grandes exemplos a serem seguidos, mesmo que eles não fossem ceifadores.
Eles entendem que a História é importante, dão valor a ela, e querem que os aprendizes respirem História também. Achei sensacional que eles pregam o valor que o passado tem no nosso futuro, coisa que a Era da Imortalidade passou a não ver mais sentido.
E Citra aprende muito bem esses conceitos, que lhe serão muito úteis se ela quiser vencer essa batalha pelo anel. Enquanto isso Rowan está curtindo as oportunidades que ser ceifador lhe dá, ainda como aprendiz. Isso porque um ceifador é sempre tratado como rei por onde passa, pois as pessoas acham que se o ceifador gostar de você, pode deixar você beijar o anel dele e ganhar imunidade de um ano.
E ser aprendiz também traz algumas vantagens, afinal, se ele for aprovado, ele pode se lembrar de você no futuro e te dar a sonhada imunidade. Até o momento, ele dizia que tinha o complexo do alface, pois ninguém em sua família lhe dá a devida atenção.
E nem na escola ele tem essa atenção, a não ser o único amigo, que para chamar atenção dos pais, vive se jogando de prédios, para seus pais olharem por ele, ao menos por serem obrigados a pagar pela revivificação.  Com o cargo de aprendiz, Rowan tem a chance de deixar de ser o alface e ser reconhecido, nem que seja por causar medo nas pessoas. Mas não importa, se ele deixar de ser o alface e passar a ser tratado como o filé.
Com uma linguagem fluida e sem rodeios, eu devorei o livro em poucos dias. O livro é repleto de segredos, que vão sendo revelados, e te deixando com mais perguntas ainda. Além disso, ele te leva a pensar sobre coisas que você não pensa. Agora, que temos a certeza de que um dia morreremos, evitamos pensar na morte, mas sabemos que um dia ela chega e aceitamos. Talvez por isso, damos mais valor a coisas, sonhos não realizados e listas de desejos. Mas e quando você tem séculos pela frente?

“A imortalidade nos transformou em personagens de desenho animado.”

Quando você tem a oportunidade de voltar a ser jovem, com a cabeça mais amadurecida, o que você faz? Será que aqueles sonhos tinham graça? Será que ainda vale a pena viver o presente? A vida é tão longa que as pessoas só se lembram que vão morrer quando um ceifador bate na porta delas.

“Ontem vocês eram deuses. Hoje são mortais. Sua morte é o meu presente para vocês. Aceitem de boa vontade e humildade.”

Além disso, conforme vamos conhecendo os ceifadores, vemos que doenças foram vencidas, a morte natural não existe mais, por causa do desenvolvimento da Nimbo-Cúmulo (a filha da nuvem que temos hoje). Mas como a Ceifa não conversa com a Nimbo-Cúmulo, ela ainda carrega um verme que temos há muito tempo… a corrupção humana e politicagem.
Citra e Rowan estão chegando agora, mas eles são espertos o bastante para saber que estão num campo minado, que é apenas o começo de muita coisa que ainda está para acontecer. E é nesse campo minado onde também chegamos. Com muito “tiro, porrada e bomba”, filosofia, história, jogadas políticas e tecnologia, só posso dizer que fiquei chocada com tanta realidade.
Falando sobre o livro em si, eu li a versão digital. Então, posso dizer que a capa dele é bem emblemática, com um um personagem de manto vermelho e a foice. Os personagens são muito bem construídos, as pontas que deveriam ser amarradas foram no devido tempo, assim como ficaram outras, para os próximos volumes.
O ceifador | Neal Shusterman
Foto: Divulgação
A diagramação está de parabéns, assim como a fonte legível e a revisão do texto. Somando isso tudo, só posso dar a nota máxima a esse livro e recomendar a leitura.

 

 

Vocês já tinham lido esse livro? O que acharam, me contem aí! 😉
  

 

Postado por:

Hanna de Paiva

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