6 de maio de 2021

O Chamado do mar | Emerson Silva

    Olá meu povo, como estamos? Hoje eu trago mais uma resenha de livro “brazuca”, com o conto Chamado do mar,  de Emerson Silva. 
O Chamado do mar | Emerson Silva
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

OBS. Livro cedido em parceria com a editora Confraria Crônicas Fantásticas

21/24
Livro: Chamado do mar
Autor: Emerson Silva 
Editora: Confraria Crônicas Fantásticas 
Ano: 2021
Páginas: 131

Os mares estão revoltos a muito tempo para ser algo natural. Jasmine, uma capitã da Companhia da Tempestade, grupo militar devoto a proteger o oceano, recebe a missão de ir até a Ilha Sagrada e consultar os sacerdotes, para saber o que está deixando o oceano agitado. No entanto, a jornada leva-a para um conflito acirrado, onde a capitã irá testar sua fé. Além disso, Jasmine busca aprovação de sua mãe, Oriana, a comandante da fortaleza da Companhia da Tempestade, a mesma que a deixou responsável pela missão. Muito está em risco, seja pelo seu desejo emocional ou pela causa da Companhia, e a capitã precisa lidar com os perigos dessa breve jornada.

O Chamado do mar | Emerson Silva

 

   Jasmine é uma capitã respeitada na Companhia da Tempestade. Ela comanda um dos navios mais poderosos da frota, com o objetivo de proteger os mares de potenciais inimigos. 

   Em seu navio, ela é a mais poderosa e ninguém a tira de seu pedestal. Mas por trás de uma capitã poderosa, existe uma filha que que só queria atenção de sua mãe, Oriana, a comandante da Companhia e de quem todos tem medo. 
  Disposta a ser sempre a melhor em tudo, Jasmine obedece sua mãe nas missões que recebe, o que não é diferente quando ela recebe uma bem perigosa: a de ir até a Ilha Sagrada, para falar com os sacerdotes e descobrir o que está deixando o mar tão revoltado. 
  Mas Jasmine vai ter que enfrentar uma agitação ainda maior, já que não é apenas o mar que anda agitado ultimamente…

“Nem a fúria dos mares seria capaz de impedi-la.”

  Eu não sabia o que esperar desse conto. Como sempre, Emerson tem uma predileção por protagonistas femininas fortes.  
  Admiro isso nele, pois é um caminho perigoso para um homem escrever sobre uma mulher forte, sem ficar enviesado. 
  Mas acho que ele conseguiu criar uma marca, de personagens empoderados e que nos trazem exemplos. 
 Jasmine é uma capitã bastante respeitada pela sua tripulação, especialmente por Kain, seu fiel escudeiro. Eles são parceiros de longa data e estão sempre juntos, custe o que custar. 
  A missão principal deles na Companhia da Tempestade é proteger o Oceano, que aqui parece ter vida própria e é tratado como uma pessoa quase. 
  Nos últimos tempos, os tripulantes estão bem desconfiados, já que o Oceano anda bastante agitado e está bem difícil de navegar.
  Uma solução para entender o que está acontecendo seria consultar os sacerdotes que moram na Ilha Sagrada, mas chegar até lá é quase uma missão suicida, levando em conta o próprio perigo de navegar.
  Oriana, a comandante da Companhia da Tempestade, confere a Jasmine essa missão, que ela aceita cm muito medo, mas também muito orgulho para recusar. 
  Todos na Companhia sabem que elas são mãe e filha, mas o que ninguém imagina é a relação que existe entre elas. 
  Oriana sempre foi durona e nunca demonstrou sentimentos pela filha. Jasmine, por sua vez, sabia que sua mãe apenas se importava com o que acontecia na Companhia. 
  Assim, fez de tudo para seguir os passos da mãe e ser sempre exemplar em tudo, como uma forma de conseguir atrair a atenção dela.    
  Acabou conseguindo, já que é a melhor capitã da Companhia. O problema é que a máscara de Jasmine esconde uma mulher frágil, abandonada e magoada por anos de negligência materna. 
  Mas parece que essa situação virou uma zona de conforto para ela, o que a faz se tornar cada vez mais fechada em seu casulo de infelicidade e falta de fé na vida. 
  O único que parece se importar com isso é Kain, que sempre ficou ao seu lado. E será seu companheiro também rumo à Ilha Sagrada. 
  Para chegar até lá, é necessário encarar um Oceano, que está mais agitado do que o normal. Depois de quase morrerem, eles conseguem chegar na Ilha Sagrada. 
  Mas a missão, que parecia simples e rápida pode mudar a vida de Jasmine para sempre. A Ilha Sagrada não é chamada assim à toa. Ela tem muitos segredos, que podem remexer no mais íntimo do seu ser. 
  Jasmine descobre isso assim que pisa na ilha, e vai ser praticamente outra missão sair de lá com vida. 
  De todos os contos que já li do Emerson, esse foi o que mais gostei. Parece que finalmente ele “acertou no ponto” dos detalhes, que agora ficaram menos cansativos de ler. 
  Além disso, Jasmine é uma mulher que traz muitos fantasmas consigo, mas ela não pode esconder isso tudo para sempre, ainda mais quando chega numa ilha com magia profunda. 

O Chamado do mar | Emerson Silva
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  É incrível como ela vai mudando com o passar do conto, aprendendo com seus erros, refletindo sobre sua vida e vendo que nem tudo gira em torno de atrair atenção de quem não quer lhe dar. 
  A relação entre ela e a mãe é digna de pena. Enquanto a mãe só quer olhar para a filha se ela tiver algo interessante para mostrar, Jasmine parece achar que esse é o único modo de viver, mendigando toda migalha de atenção que conseguir arrancar da mãe. 
  Apesar de ser um conto de fantasia, é uma situação que existe bastante no mundo real. Então é bem fácil se sentir solidárix com a mocinha em alguns momentos. 
  A única pessoa que parece gostar e respeitar Jasmine de verdade é Kain, que tem uma cumplicidade gigante com a protagonista. 
  Esse foi um conto bem rapidinho de ler, com uma escrita bem fluida e detalhes na medida certinha. Gostei bastante das cenas de ação, que foram descritas como se eu estivesse lá junto com os personagens. 
  Gostei também de ver como a protagonista cresce e começa a enxergar o mundo que a cerca de outra forma. É um conto de fantasia, mas também de lições, de fazer as pazes consigo mesmo e saber que você é bem mais do que imagina. 

“E, às vezes, mais difícil do que aceitar o outro, é aceitar a si mesmo.”


  A diagramação está espetacular, como sempre. A revisão está bem feita e, seguindo um padrão, os contos do Emerson são sempre em terceira pessoa. 
  Gostei bastante e recomendo esse conto. 


  Já tinham lido esse conto? Conhecem a Confraria Crônicas Fantásticas? 


       
  



Postado por:

Hanna de Paiva

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