21 de maio de 2020

O despertar de Penélope – Bel Costa

   Olá meu povo, como estamos? Hoje eu trago a resenha da minha mais recente leitura, que fiz em parceria com a autora Bel Costa, que se chama O despertar de Penélope.

O despertar de Penélope
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

16/12
Livro: O despertar de Penélope
Autora: Bel Costa
Editora: Independente/Amazon
Ano: 2019
Páginas: 271
Skoob | Amazon


O despertar de Penélope mostra a vida de uma jovem adulta que viveu toda a vida se escondendo dos seres humanos por ter uma peculiaridade que os colocaria em risco. Ao contrário da vida oculta de Penélope, o seu primo Giovanni Piasolini ama estar sob os holofotes e usa a sua fama, por ser jogador de Hockey do Toronto Black Bulls, para sugar a vida dos inocentes sem medo algum de ser descoberto.
Em meio a todo esse conflito de valores entre os dois, surge Jason, um jovem professor que de forma inacreditável, é imune ao que eles podem fazer. E isso gera ainda mais drama para toda a história, visto que há uma inegável atração entre Penélope e Jason.
Junte-se a eles para acompanhar o começo de uma história de amor cheia de mistério e energia.



O despertar de Penélope


 
   Penélope é uma moça brasileira que se mudou para fora do país ainda bem nova, depois que seus pais morreram. Sua família é bem pequena, logo só sobrou mesmo sua avó e seu primo como parentes mais próximos. 
  Ela tenta levar a vida como pode, tentando esquecer dos fantasmas do passado e fingindo que vive uma vida feliz. 
  Mas o problema é que seu passado insiste em aparecer toda vez que ela está prestes a dar mais um passo rumo aos seus sonhos, o que a deixa bastante temerosa do novo. Mas quando ela cria coragem para enfrentar o mundo, ela vai descobrir que pode ser feliz sim, basta querer… 
  Lendo assim, parece que temos aí um chicklit, cheio de reviravoltas, e com um final feliz, típico de filme de sessão da tarde. 
  Quando fui convidada pela autora a ler o livro, confesso que foi exatamente isso que pensei ao ler a sinopse. Mas estava enganada. 
  Bom, já no começo eu vi que não seria um romance comum, pois Penélope, logo de cara, nos revela que não apenas ela, mas toda a sua família paterna tem dons sobrenaturais. Misteriosamente, eles vivem de sugar a energia vital de outras pessoas. 
  Dito isso, não posso dizer que são vampiros, pois não bebem sangue, mas também não são humanos normais. A família é pequena e tanto seu pai, quanto seu tio se apaixonaram por duas humanas, com quem se casaram e tiveram os primos Penélope e Giovanni. 
  O mistério começa já nessa família, que morreu num acidente bem estranho, sabe-se lá de quê e só restaram Penélope e Giovanni, além da avó materna de Penélope no mundo. 
  Enquanto a avó de Penélope gosta de passar sua vida viajando o mundo, Penélope e Giovanni se mudaram para o Canadá ainda jovens, para se esconderem do que supostamente causou o acidente que matou seus pais. 
  Se escondendo de tudo e de todos, Penélope quer apenas ter uma vida normal, se fingindo de humana muito bem, a não ser pelas icônicas luvas cor de rosa que sempre usa. 
  Ela sabe que precisa se alimentar sugando a energia vital das pessoas, mas ela abomina tal fato, então acaba se escondendo atrás das luvas e morre de vergonha de ter que se alimentar. 
  Ao contrário de Giovanni, que nunca teve problemas em assumir sua natureza e não tem medo de cometer alguns assassinatos, se isso lhe matar a fome. 
  Só aqui poderíamos ter um livro meio que de fantasia, com lutas entre o bem e o mal, representados pelos primos. 

“E que um conselho? Fuja de Giovanni Piasolini, porque o jogo experimental acabou de começar.”

  Mas é aí também que o livro é bom… mas confesso que fiquei perdida e não entendi muito bem a mensagem final da história. =/
  Isso porque ao longo das páginas, vamos conhecendo um pouco sobre o passado que tanto assombra Penélope. 
  Ela vê o seu dom como algum ruim, especialmente pelo fato de ela ser a mais forte da família, o que mexeu com todos na casa. Então ela acha que tudo o que acontece de ruim na vida dela, é porque ela é amaldiçoada. 

“Eu realmente odeio o que meu corpo pode fazer com os outros. […] Por isso, a sombra é meu lugar predileto. Não me importo em ser invisível.”

  E isso acaba sendo alimentado por Giovanni, que só põe a menina para baixo. Ele se sente responsável por ela, afinal cuida dela desde que o tal acidente aconteceu. 
  Ele a levou para o Canadá, pois ele é um jogador de Hockey e poderia estar mais perto dela caso acontecesse alguma emergência. Mas o que era cuidado de primo se transformou em comportamento obsessivo ao longo dos anos. 
  A forma como ele se refere à Penélope é muito bonitinha até a página dois. Não me admira que ela tenha uma autoestima tão baixa, principalmente depois dos papos que ele tem com a mocinha. 
  Falando dela, Penélope é nossa protagonista, e também nossa heroína. Mas embora sejam justificáveis algumas atitudes dela, confesso que passei muito nervoso com a leitura. 
  Vários foram os momentos em que queria ter entrado no livro e ter falado umas verdades pra essa menina. Por ser a pessoa mais forte da família, e com o título que fala sobre despertar, eu compreendi que ela fosse imatura e até frágil no começo do livro, pois tinha a esperança que ela fosse crescer e se libertar de uma forma bem girlpower mesmo. Daquele jeito que tu vira e fala: Uau! Isso sim é um mulherão da p*! Palmas para você! 
  Mas não é bem assim que banda tocou. Até entendo a baixa autoestima dela, por causa da relação bem tóxica que Giovanni tem com ela. 
  Mas cara, ela é a mais poderosa da família toda, se mudou para outro país ainda nova, foi obrigada a se tornar adulta logo cedo, criar responsabilidade pra se virar sozinha e pagar suas contas. 
  Apesar da grana dos pais que tem de herança, ela faz questão de trabalhar e se sustentar com o que ganha em seu emprego numa cafeteria. Não é muito para ela ser rica, mas é o suficiente para ser independente financeiramente. 
  Tem uma babá que ainda é presente em sua vida, mesmo depois de adulta, e uma avó que a ama do jeito que é, sempre torcendo por ela e dizendo o quanto é forte… Tem uma chefe que sempre lhe apoia e quer que ela seja forte… E mesmo assim ela me fala que só é o que é depois que conheceu o Jason, que foi o único que a enxergou como é e a completa… oi?! 
  Pois é, Jason é um professor universitário que aparece na cafeteria e se apaixona por Penélope logo de cara. Ele é um cara bonitão e bem gente boa, que gostei bastante e torci pelo casal ficar junto mesmo. 
  Eles formam um belo par… Mas estão ameaçados pelo ciúme doentio de Giovanni. Ele precisa proteger a todo custo o segredo da família, e se for preciso matar alguém, ele fará isso sem cerimônias.    Mas Penélope está apaixonada e fará de tudo para proteger o seu amor e seu direito de ser feliz… ou vai tentar fazer o que seu medo lhe permitir fazer… 
   Existe um mistério entre eles, que deixa Penélope (e o leitor também!) com medo e curiosa ao mesmo tempo. Curiosamente, o dom dela não funciona com Jason, muito menos com ninguém da família dele. Isso deixa a mocinha mais confusa ainda, pois ela sempre se achou uma aberração, e agora tem a chance de ser normal, se Giovanni não fizer nada para impedir o conto de fadas. 
  Além disso, tem a curiosidade, que a deixa ainda mais atraída por Jason, para saber o que ele tem de tão especial, que o faz ser imune aos seus poderes. 
  Foi aí que pensei que seria todo um desenrolar de mistérios, com as pontinhas amarradas no final… mas… 
  Infelizmente alguns fatos ficaram sem sentido para mim. Primeiro que o encontro deles me pareceu um tanto esquisito. 
  Isso porque ela em algum momento (bem inoportuno por sinal) fala que tem esse dom e ele age como se ela tivesse ido comprar sorvete e só perguntasse qual sabor ele queria! 
  Sinceramente, qualquer pessoa no lugar dele, ao ouvir isso, reagiria com uma fuga, ligação para o hospital psiquiátrico mais próximo e nunca mais olharia na cara da maluca… Mas ele aceita, porque… sei lá o que passa na cabeça dele!  
   A partir daí, o livro deixa de ter o lado da fantasia e passa a ser mais religioso, quando ele tenta achar uma explicação para ser imune aos poderes dela. Poderia ter sim, essa explicação, sem problemas. 
  Mas o livro não falava sobre isso, ainda mais por estar classificado em ficção científica, não em religioso. 
  Achei que algumas coias ficaram fora de contexto aí e a história meio que se perdeu, pois começou com uma pegada e foi parar em outro assunto completamente diferente. 
  Fiquei várias vezes me perguntando o que uma coisa tinha a ver com outra e não entendi o porquê de algumas cenas nesse quesito… Além disso, mesmo com os poderes de Penélope e de seu primo, não consideraria isso uma ficção científica, mas uma fantasia com toque de suspense e romance.  
   Outras coisas que me incomodaram é que aparece um pequeno elenco no livro, mas ele entra e sai sem deixar rastro. Isso aconteceu principalmente com a avó e a babá de Penélope, que eu pensei terem um papel maior, pois iam de certa forma ilustrar o que tanto assusta no passado da mocinha, afinal tem um mistério que matou seus pais e por isso eles saíram do Brasil. 
  Apesar da protagonista tocar nesse assunto várias e várias vezes, ninguém toca no motivo que levou a tudo isso e senti bastante falta de uma explicação. =/
  Não apenas a avó e a babá de Penélope, mas também os personagens da família de Jason entram e saem da história com um mero puf!, e não sei o que aconteceu com eles depois. 
  Apesar de ser a mocinha, Penélope me irritou bastante, do começo ao fim. É nítida a mudança dela conforme vai se incomodando com os ciúmes de Giovanni, tenho que defender. 
  O poder deles pelo visto vai além de apenas sugar energia vital para sobreviver. Giovanni consegue desenvolver isso mais cedo, mas Penélope, embora mais atrasada que ele, também consegue. Mas seu medo ainda consegue ser maior que ela em vários momentos e a forma como lida com eles é mais filosófica do que fantasia.  
  Mesmo sendo com passos em discussões filosóficas e religiosas, acho que o final poderia ser mais amarradinho. A todo momento eu pensava “agora ela vai amarrar as pontas e eu vou entender tudo!” 

 

  
 
   Mas não foi bem assim que aconteceu. Do mesmo jeito que ela descreve a reação de Penélope no último capítulo, eu fiquei, quando li que o livro acabava ali e eu não tive minhas respostas. 
   Infelizmente, era um livro que tinha tudo para ser bem bolado, tanto se fosse no âmbito religioso, fantasia, filosofia… poderia ter tudo junto, sem problemas… mas senti falta de mais alguns capítulos de desenvolvessem mais a trama e me desse essas respostas, sabe? 
  O que é uma pena, por que a escrita da Bel é muito boa. Ela é bem fluida e quando quer descrever as cenas, ela faz tudo na medida certinha. Até nas cenas de mais ação, me senti dentro delas com os personagens, doida para ler e participar da briga. 
O despertar de Penélope
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna
  A história é contada em primeira pessoa, tanto pela visão de Penélope que, por ser nossa protagonista, aparece mais vezes, e por Giovanni, tentando nos contar suas razões e sua versão da história. 
  Confesso que, mesmo lendo da parte dele, não tenho como defender o rapaz. Ele tenta proteger a prima, mas a forma como faz isso é tão deturpada que não admira que a menina tenha medo o tempo todo. 
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  Mesmo assim, com o título de “Despertar de Penélope”, esperava um final mais amarradinho, especialmente no quesito do casal que ela forma com o Jason. Tudo ficou em aberto, então a gente pode tirar as conclusões que quiser. Isso me incomodou um pouco, pois acho que merecia um final mais fechadinho… 
  Por conta das coisas que me incomodaram, darei três estrelinhas para o livro. Mesmo assim, recomendo a leitura, para que tirem suas próprias conclusões. 

   Para quem quiser comprar o livro, ele está disponível apenas em ebook, através do link abaixo. Lembrando que, comprando através de nossos links, vocês acabam ajudando o Mundinho a crescer. 😉




   Vocês já conheciam esse livro? E a autora? Para quem quiser ficar ligadx nos trabalhos dela e também em novidades do livro, basta seguir ela através do instagram @lendocombelcosta. =)
    E é isso. Até mais e boas leituras pessoal! =)



Postado por:

Hanna de Paiva

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