23 de julho de 2019

O morro dos ventos uivantes

   Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de mais um clássico, que fui desafiada a ler pela minha amiga Babi Bueno, do Meu Mundinho Quase Perfeito. Fizemos uma leitura coletiva e aqui está a resenha do livro O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë.

O morro dos ventos uivantes
Foto: Divulgação

18/33

Livro: O morro dos ventos uivantes

Autora: Emily Brontë

Editora: Scipione (versão resumida)

Ano: 1997

Páginas: 110

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Morro dos Ventos Uivantes, solar de aspecto sombrio, onde se desenrolam cenas assombrosas e violentas, juntamente com episódios de intrigas e paixões. A mais estranha história de amor escrita até hoje. Obra famosa no mundo inteiro, publicada há mais de um século, continua a desafiar o tempo, crescendo com ele em importância. Sendo o único romance da autora, bastou, entretanto, para assegurar-lhe lugar entre os maiores gênios da literatura. 

O morro dos ventos uivantes

   Esse é um clássico que muita gente ama ou odeia. Ele já foi citado no filme ‘A proposta‘, onde a personagem de Sandra Bullock afirma que lê esse livro todo Natal e, se não me engano, foi inspiração para a famosa saga de ‘Crepúsculo‘.
   Sejam apresentados às famílias Heathcliff, Linton e Earnshaw. Os representantes dessas famílias são protagonistas de uma história que tem muito sangue, raiva e discórdia. O que ficou tão pesado que assombra a própria casa.
    A história é narrada pelo Sr. Lockwood, um inquilino que chega até ao Morro dos Ventos Uivantes, que tem esse nome por causa do som que o vento faz quando passa pelas janelas e portas. Ele é muito mal recebido pelo seu senhorio e, sem entender nada, sua empregada provisória, a Sra. Dean lhe conta o motivo de tanta maldade numa pessoa só. E eis que nos é apresentada a rixa entre as famílias, por conta de um amor doentio entre Heathcliff e Catherine Earnshaw.
   Mesmo que ambos se gostem, a questão toda se deu porque eles nunca ficaram juntos. Apesar de serem feitos um para o outro, acabaram se casando com pessoas diferentes. Catherine ficou com um dos irmãos Linton, enquanto Heathcliff ficou com Isabela Linton, como “prêmio de consolação” e vingança por ter tido o amor de sua vida roubado pelo amigo e irmão de Isabela.
    Heathcliff é uma pessoa amarga, que ama espalhar discórdia por onde passa e não descansa até que as pessoas ao seu redor fiquem tão amargas quanto ele. Quem aguenta vai ficando, e quem não aguenta acaba indo para bem longe. Catherine, tão dissimulada quanto Heathcliff, acaba cedendo ao marido e “tenta” viver um casamento feliz, mas ela sempre amou sua cara metade Heathcliff. E ele sabe disso, tanto que faz de tudo para atrapalhar a vida da moça, que acaba por morrer, deixando uma filha, que leva seu nome.
   Heathcliff, casado com Isabela, é um péssimo marido, e só falta matar a esposa de pancada. Cansada de ser torturada, ela foge de volta à Granja dos Tordos, mas seu filho Linton acaba ficando para trás, nas mãos do pai que faz questão de prender a criança, como uma forma de trazer sofrimento a Isabela, que não pode mais voltar para casa.
   Essa geração acaba por ficar mais velha e morre. O que dá espaço para a segunda parte do livro, onde os primos crescem e se aproximam, sem imaginar a história que há por trás de seu nascimento. E mais inocentes ainda ao que estão para sofrer nas mãos do velho Heathcliff, que não cansa de atrapalhar a vida das pessoas.
   Li esse livro, como já falei lá no início, numa leitura coletiva, um tipo de desafio literário que a Babi me propôs. Depois do clássico do mês passado, ela se empolgou e quis ler ‘O morro dos ventos uivantes’, que também é um clássico polêmico.


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    Muitas pessoas amam, falam que é emocionante, que faz a pessoa chorar, pensar na vida e blablabla. Eu, sinceramente, não vi nada disso. Esse é só mais um livro que me faz me perguntar porque se tornou um clássico. Primeiro, o narrador da história, que faz questão de anunciar que vai nos contar tudo o que sabe, é o Sr. Lockwood. Mas ele passa o tempo todo bancando o fofoqueiro, apenas ouvindo o que a verdadeira narradora Sra. Dean lhe conta sobre a briga das famílias entre a Granja dos Tordos e o Morro dos ventos uivantes. Ele fica curioso para saber o porquê de Heathcliff ser tão amargo e recluso.
   Mas quando descobre tudo o que quer saber, vai embora atrás de outro lugar para morar e descobrir as fofocas locais (Sr. Lockwood não me engana). A Sra. Dean, doida para desabafar anos de sofrimento alheio, acaba por fazer a vontade do inquilino e conta todos os detalhes. E, sinceramente, levantei as mãos para o céu por ter lido a versão resumida que, coincidentemente, consegui no mês passado, pelas mãos de um amigo meu.

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   Como era a versão resumida, a editora só colocou as partes realmente importantes da história e, mesmo assim, eu detestei. A Sra. Dean é a única sensata naquela casa. Tanto na Granja dos Tordos quando no Morro dos ventos uivantes o povo só pensa em ficar enchendo o saco do parente.
   E Heathcliff leva o caso tão a sério, que além de perder a mulher que ama, decide se vingar e atrapalhar a vida do casal até o último minuto. Não satisfeito com a morte de Catherine, faz questão de colocar seu filho no caminho da filha da mulher que amava, que leva o mesmo nome da mãe, para que eles se apaixonem e ele possa se vingar da segunda geração da mulher que o deixou para trás.
   A pobre da Catherine segunda é tão idiota (perdoem a palavra, mas ela é muito idiota mesmo), que cai na armadilha! O filho de Heathcliff foi criado do jeito que ninguém merece ser tratado. Passou a vida inteira jogado num canto, como se não valesse nada. E realmente não valia, até que cresceu e poderia ser um bom partido para a filha da mulher que o largou e também merecia pagar pelo que fizeram antes dela nascer. O filho seguiu o exemplo do pai e ficou ainda pior que ele, malvado, dissimulado e sem amor nem pela própria sombra. E o pior meu povo, é que Catherine se apaixona por ele!

   Se apaixona, sofre e ainda faz tudo por ele! É o cúmulo da idiotice! Por mais que o pai de Catherine falasse para ela ficar longe do Morro dos ventos uivantes, ela não resistia e ia até lá contra a vontade do único que queria proteger a menina. 
   Eu não sabia o que realmente se passava na cabeça dessa menina. Será que ela não sabia como sua mãe ficou e morreu por causa do seu tio? Que estava fazendo o mesmo com ela? A vontade que me deu foi simplesmente entrar no livro e dar uns tapas na cara dessa menina para ela acordar para a vida. 

“O ódio que Heathcliff dedica a mim é de tal natureza, que seus músculos se contraem quando me vê. O resultado é que hoje sinto o mesmo por ele.”

   E Heathcliff não passa de um ser sem amor, que só veio ao mundo espalhar o caos. E é de uma forma tão assustadora, que você não vai querer estar perto dele nunca. Além disso, ele sabe que a Catherine primeira morreu por causa do que ele fez a moça sentir. E espera ansiosamente que ela não descanse, para que o venha assombrar toda noite. Ele decididamente não bate bem da cabeça… 
   O final não foi muito do jeito que eu esperava, assim como a história inteira. Sei que li a versão resumida, então não li um bocado da  história real, mas se lesse a versão inteira, talvez não tivesse terminado o livro. 
   Não é algo que tenha me surpreendido, ou que tenha me marcado, além de me dar uma vontade imensa de jogar o livro contra a parede, já que nenhum personagem me agradou. Só serviu para eu saber que as pessoas são más por natureza, e se influenciadas, conseguem ser ainda piores. A mocinha é inocente demais e parece aquelas princesas de contos de fadas, que encontrou o primeiro cara que viu na vida e é o amor verdadeiro para toda a vida, mesmo que sofra bastante pra ficar com ele, porque tá “serto”. 

“Não é um ser humano e não tem direito à minha caridade. Ainda que gemesse até a morte e vertesse lágrimas de sangue por Catherine, eu ficaria insensível.”

   Mesmo sendo a versão resumida, não leria esse livro novamente e não dou mais que três estrelinhas para ele. Definitivamente tem alguns clássicos que não dá para entender por que são considerados assim. Se tem uma coisa que aprendi é que gosto não se discute, mas realmente não consigo entender como tem gente que chora lendo esse livro. Ele não tem amor, ele não tem romance sadio, ele só tem dor, rancor e muita mágoa e vingança. Não me arrancou lágrimas, me arrancou desprezo, isso sim. 



     Já tinham lido esse livro antes? Amam ou odeiam ele? Me contem aí!  

Postado por:

Hanna de Paiva

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