10 de July de 2021

O mundo perdido | Arthur Conan Doyle

    Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de um clássico da literatura, que finalmente realizei o sonho de ler: O mundo perdido, de Arthur Conan Doyle. 
O mundo perdido | Arthur Conan Doyle
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

34/24
Livro: O mundo perdido 
Autor: Arthur Conan Doyle 
Editora: Príncipis 
Ano: 2019 (Original em 1912)
Páginas: 240
Skoob | Amazon


O excêntrico e irritadiço cientista George Edward Challenger afirma ter encontrado criaturas pré-históricas nos confins da Floresta Amazônica. Ridicularizado por seus pares, Challenger propõe um desafio aos ilustres adversários: uma expedição para reafirmar sua história fantástica liderada por ele próprio.
Com a ajuda do jornalista E.D. Malone, do caçador Lorde John Roxton e de seu colega de ciências o Professor Summerlee, eles se lançam em uma jornada fantástica, rumo ao desconhecido para comprovar a existência de um mundo pré-histórico, todos em busca da maior aventura de suas vidas…a busca pel’O Mundo Perdido.

O mundo perdido | Arthur Conan Doyle

   Se você ainda não conhecia esse livro, eu não te julgo, até porque eu também não conhecia. Apesar de ser fã da escrita de Conan Doyle, eu só conheço as aventuras do detetive consultor, Sherlock Holmes. 
   Além disso, existe um livro de mesmo nome, do Michael Crichton, que foi o que deu origem ao icônico filme Jurassic Park. 
   Por isso, ‘O mundo perdido’ de Doyle acaba ficando meio na sombra, apesar de ser mais antigo. Ainda assim, achei bem inusitada a ideia do autor, que saiu completamente da caixinha, ao escrever um livro de aventuras como esse. 
  Aqui, em vez de mistérios no entorno da cidade de Londres, temos uma aventura em plena América do Sul, especificamente na Amazônia. 
  O excêntrico Dr. Challenger, um zoólogo renomado londrino, está sacudindo as reuniões da Real Sociedade de Zoologia, com suas afirmações para lá de loucas, de que teria encontrado espécies extintas, ainda vivendo do outro lado do mundo. 
  Se fossem espécies que foram extintas há pouco tempo, não teriam causado tanto impacto, mas ele afirmava com todas as letras, que ainda existiam animais extintos há milhões de anos, em plena floresta amazônica.  
  Essas afirmações eram motivo de piada por onde ele passava, sendo ridicularizado em público e chamado de doido. 
  Mas sua fama cresceu tanto, que chamou atenção até dos jornalistas, que se interessaram em saber o motivo de ele continuar sustentando essa mentira. 
  Com o objetivo de desvendar o que realmente tem no meio da floresta, Challenger aceita embarcar nessa viagem, junto com mais dois pesquisadores, sendo um paleontólogo, mais um jornalista, o jovem Ed Malone, que seria o responsável por escrever toda a verdade sobre o que havia no meio das matas brasileiras, seja para terminar de cavar a sepultura da carreira de Challenger, ou para virar o mundo de cabeça para baixo. 
  Eu conheci esse livro quando estava no laboratório de paleontologia já, mas nunca tive a oportunidade de ler. 
  Quando vi que estava disponível para troca no Skoob, aproveitei a chance e peguei uma edição da Principis, que está com uma ideia bem legal, de reeditar os clássicos da literatura com uma linguagem mais acessível, que atende os jovens de 8 a 80 anos. 
  Narrado pela visão de Malone, vamos acompanhando a jornada desses quatro rumo ao Brasil, para desvendar os nossos tesouros zoológicos. 
  E realmente foi uma baita aventura. Confesso que não esperava um livro assim tão fantástico, literalmente. 
  Achei interessante que o livro se passa no início do século XX, então temos um retrato de como era o mundo naquela época, e a ideia que se tinha do Brasil, vista do outro lado do mundo. 
  Com relação às descrições do que eles encontraram logo que chegaram no Pará, falando sobre os índios, eu percebi que ele usou uma saída bem inteligente, quando mencionou apenas que o grupo encontrou índios, mas não falou nomes de tribos, nem se atreveu a descrevê-los com tanto detalhe. Assim, ele conseguiu ambientar o leitor, sem ter nenhuma garfe literária.  
  O mesmo eu vi para a floresta em si, e até para o que realmente encontraram por aqui. Percebi que ele usou como recurso alguns nomes de dinossauros que já tinham sido descritos na época, mas não se preocupou em usar nomes científicos, ficando mais nos populares. 
  Foi uma ótima saída, já que a ideia do livro não era uma divulgação científica, mas uma aventura em si, protagonizada por dinossauros.
  Por outro lado, Malone mantém seus diários bastante detalhados, de apenas uma semana, mas que teve tanto acontecimento, que parecia mais um ano. 
  Challenger é um pesquisador daqueles que ficam muito bem em seus laboratórios, mas convívio social é seu calcanhar de Aquiles. 
  E, agora, sendo obrigado a manter convívio social com outras pessoas que não são tão próximas assim, é um verdadeiro desafio. 
  Summerlee, o paleontólogo, está doido para chamar Challenger de mentiroso e ter provas para isso. Então não perde tempo em embarcar junto com a equipe, para ver de perto a suposta farsa de Challenger. 
  Como eles são inimigos ferrenhos, é impossível não rir com as discussões que eles tem por absolutamente tudo que encontram! Na verdade, eles tem personalidades bem parecidas, só mudam mesmo a idade. 
O mundo perdido | Arthur Conan Doyle
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Talvez por isso saibam os pontos fracos e fortes um do outro e ficam o tempo todo se alfinetando, o que dá um toque mais cômico para a narrativa. 
  Lorde Roxton, por sua vez, é um caçador nato. Embarcou nessa aventura, doido para arranjar algumas cabeças para colocar na sua parede, mas acaba se tornando um verdadeiro aliado em diversos momentos. 
  E Malone, é um jovem jornalista, que está em busca de uma matéria para alavancar sua carreira. Vai nessa aventura contra sua vontade, empurrado pelo editor chefe, mas vai viver encontrar muito mais do que uma matéria pelas matas brasileiras. 
  São pessoas completamente diferentes, mas que acabam tendo papel fundamental nessa jornada, que vai transformar cada um de uma maneira distinta. 
  Apesar de achar interessante as saídas de Conan Doyle para não cometer as garfes literárias, eu tive que me policiar o tempo todo para não alfinetar os personagens que ele escolheu para estrelar essa história. 
  Isso porque, temos não apenas dinossauros, mas me chamaram atenção outros personagens que, convivendo juntos, deu muito toque de Flintstones na trama, misturado com Indiana Jones. 

  Como já cheguei para a leitura sabendo que se tratava de um entretenimento, uma aventura fictícia, me foi uma leitura bastante prazerosa, mas que me levou a prestar atenção em outros detalhes. 
  Li algumas críticas no Skoob, que mencionavam o fato de não ter mulheres na equipe. Isso de fato chamou minha atenção também. Se ele tivesse sido escrito nos dias de hoje, teria críticas pesadas a esse respeito mesmo. 
  Mas levando em consideração que foi escrito no início do século XX e por um homem, não me espantou tanto, assim como não me espantou o comportamento deles diante de certas situações. 
  Mas o que me chamou atenção foi a brecha que esse livro trouxe, para outros assuntos, como a questão da “soberania do homem” sobre qualquer coisa, como se fôssemos os mais poderosos do universo, quando na verdade não somos. 
  Não queria entrar muito em detalhes para não deixar escapar spoiler, mas é impossível não se sentir incomodadx com as ideias dos próprios exploradores, que queriam provar que eram superiores a tudo que encontravam, sem nem sequer respeitar as tradições locais, ou mesmo se perguntar qual outro caminho poderia ser seguido. 
  Tudo era levado a ferro e fogo, literalmente, e me incomodou bastante as cenas de luta, que foram, no mínimo, bastante injustas e desnecessárias. 
  Na capa mesmo já temos uma ideia do que poderia acontecer, mas nem por isso me deixou menos incomodada e até revoltada com essas atitudes, diante de uma descoberta tão fantástica, que poderia ter seguido por outro rumo. 
  Não apenas na capa, achei interessante que cada capítulo tem um animal diferente, dando uma dica de quem será o protagonista da vez ali. 
O mundo perdido | Arthur Conan Doyle
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Apesar dos pesares, foi uma leitura bastante interessante, especialmente por ser uma aventura paleontológica em pleno Brasil. 
  E acho incrível como esse livro quase não é conhecido, mesmo sendo de um autor tão famoso.

“Nenhuma nova impressão poderá apagar essas que ficaram tão profundamente registradas.”

“Os nossos olhos viram grandes maravilhas e as nossas almas foram purificadas por tudo que sofremos.”
O mundo perdido | Arthur Conan Doyle
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  O livro em si é simples, mas bem bonito, com uma capa em verde e letras pretas, dando um contraste bem legal. A fonte é bastante legível, a revisão está perfeita e as páginas são amareladinhas, perfeitas para ler sem incomodar a vista. 
  Somando tudo isso, dou quatro estrelinhas, e super recomendo a leitura. 😀
   Já conheciam esse livro? Curtem esse tipo de leitura de aventura? 

  
    
   

 

Postado por:

Hanna de Paiva

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