13 de julho de 2023

O Segredo de Rose Gold | Stephanie Wrobel

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de ‘O Segredo de Rose Gold’, um thriller que li recentemente junto ao clube do MorcegosLiterários.
O Segredo de Rose Gold | Stephanie Wrobel
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

OBS.: Pode conter gatilhos de maus tratos infantis

34/60
Livro: O Segredo de Rose Gold
Autora: Stephanie Wrobel
Tradução: Ryta Vinagre
Editora: Verus
Ano: 2020
Páginas: 334
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As mães nunca esquecem. As filhas nunca perdoam.
Em ‘O segredo de Rose Gold’, por dezoito anos, Rose Gold Watts acreditou estar seriamente doente. Era alérgica a tudo e vivia em hospitais. Chegou a pensar que precisasse mesmo da sonda gástrica, das cirurgias, da cadeira de rodas. Os vizinhos faziam o possível para ajudar, mas, não importava por quantos médicos a menina passasse, quantos exames ou cirurgias realizasse, ninguém sabia o que havia de errado com ela. Acontece que a mãe dela, Patty Watts, é uma ótima mentirosa. E, após cinco anos na prisão, ela está finalmente livre. Tudo o que Patty quer é deixar as mágoas para trás, fazer as pazes com a filha – que testemunhou contra ela – e cuidar do neto. Assim, quando Rose Gold concorda que Patty vá morar com ela, parece que o relacionamento entre mãe e filha está, de fato, caminhando para a reconciliação. Mas Rose Gold conhece a mãe. Patty sempre acerta suas contas. Só que, infelizmente para ela, Rose Gold não é mais sua filhinha querida… e estava apenas aguardando que a mãe voltasse para casa. 

 

O Segredo de Rose Gold | Stephanie Wrobel

 

Rose Gold foi uma criança muito doente. Vivia em hospitais fazendo inúmeros exames, porém nunca descobria o motivo de estar tão debilitada. Sua mãe, Patt Watts, era a única que entendia os seus sintomas e fazia de tudo para tentar salvar a garotinha, nem que isso custasse todo seu tempo e dinheiro.
Capaz até de largar o emprego para cuidar da filha em tempo integral, a mulher era vista como uma grande heroína por toda a vizinhança. Contudo, olhando de perto, as coisas eram bem diferentes.
Após 18 anos sendo cuidada pela mãe, o caso foi à justiça, onde Rose Gold acusou Patt de ser uma grande mentirosa e golpista. O caso ganhou todos os holofotes na época e sua mãe foi sentenciada à prisão.
Agora, depois de cumprir sua pena, a mulher está de volta à sociedade e disposta a certar as contas com a responsável pela sua condenação. No entanto, Rose não é mais uma criança ingênua e aprendeu muito bem a ser tão mentirosa quanto sua progenitora. Resta saber quem vai rir por último nessa disputa de egos e vingança.

 

 

 

“Mate esta charada para mim: Se passei duas décadas maltratando minha filha, por que ela se ofereceu para vir me buscar hoje?”

 

Eu não conhecia esse livro até ser sorteado no ‘Clube Lendo com Os Morcegos’, para a leitura de junho. Porém, lendo a sinopse, me interessei e peguei no catálogo do Kindle Unlimited.
A trama é narrada em primeira pessoa e de forma não-linear, com capítulos alternados. Assim, temos ora a visão de Patt, ora de Rose Gold. Olhando de longe, as duas são bastante unidas. A primeira é mãe solteira e sempre fez todo o possível para cuidar de sua bebê, mesmo que parecesse absurdo aos olhos de externos.
O tempo todo ela argumentava que estava preocupada e só queria o melhor para sua criança. Além disso, sua formação em enfermagem e sua lábia afiada abriam qualquer porta que desejasse, submetendo Rose a tantos procedimentos que talvez nem um adulto suportaria.

 

“Como alguém que só fazia parte da sociedade recentemente, eu agora podia confirmar que ela não era tão legal como diziam. As pessoas eram cansativas.”

 

 

Entretanto, apesar de Patt se portar como uma mãe protetora e zelosa – o que faz questão de tentar convencer o leitor a cada capítulo – ela podia enganar todos a sua volta, mas eu estava começando a ficar desconfiada de que havia algo mais em todo esse cuidado. Isso se torna mais palpável conforme vemos os fatos pelo lado de Rose Gold.
A filha, por sua vez, é uma jovem que não teve uma infância convencional. A cada passo que dava em direção a uma vida saudável e convivendo com outras crianças de sua idade, sua suposta doença a fazia dar uns três para trás e se recolher cada vez mais à solidão. Sua situação não ficava melhor quando sofria bullying na escola, devido à sua condição física, a qual ficava mais debilitada dia após dia.
 
 

 

O Segredo de Rose Gold | Stephanie Wrobel
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
Contudo, depois de tomar ciência de alguns fatos, a jovem passou a ficar desconfiada da mãe e de sua própria doença. Suas suspeitas tomaram forma conforme as pessoas tomavam conhecimento do comportamento de Patt, o que culminou no julgamento e prisão de sua mãe.

 

“É isso que distingue as pessoas sãs daquelas insanas: saber que a loucura é uma alternativa, mas preferir rejeitá-la.”

 

 

Assim, Rose Gold teve seus tempos de paz e tranquilidade, voltando a ter uma vida digna. Agora, anos depois, o destino das duas vai se cruzar novamente. Eis que a mais velha cumpriu sua pena com dignidade. Agora está pronta para voltar ao convívio com a sociedade. Algo pelo qual sua filha espera ansiosa.
Olhando de fora, parece até um drama familiar, com dores do passado e reconciliação. Mas a trama passa bem longe disso, provando o quanto o ser humano pode ultrapassar os limites de ser desprezível sempre que tem oportunidade. Embora seja a grande vítima perante o júri, Rose Gold é uma jovem amargurada e sem sentimentos.
Juro que tentei entender a trajetória dela após passar tanto tempo de tortura psicológica dentro de casa e sendo levada a acreditar que era algo que nunca foi. O choque de realidade foi demais para a garota, especialmente depois da repercussão que o caso tomou.

 

“Em todos esses anos, eu disse às pessoas que ela era doente. No fim das contas, olha só quem tinha razão.”

 

 

Ao longo da leitura, é nítido o quanto Rose Gold teve todas as chances de se fortalecer e criar seu próprio castelo, provando que poderia ser uma pessoa melhor e o completo oposto da mãe. Contudo, agiu da mesma forma e só se isolou mais ainda do mundo, ficando mais rancorosa, amargurada e vingativa, descontando sua raiva em quem não merecia.
Sinceramente, aqui deixei de ver uma vítima e passei a enxergar um projeto de sociopata sem escrúpulos ou remorso.

 

“Mas as pessoas não ficam animadas com histórias de perdão. Elas querem ver as pontes queimando. Querem dramas que façam suas vidas parecerem normais. Eu começava a entender isso.”

 

 

Patt, por sua vez, parece sofrer da síndrome de Munchäusen e precisa de intervenção psiquiátrica com urgência. Mas nem mesmo os colegas com quem trabalhava e convivia no hospital pareceram perceber isso.
Sem ter quem a impedisse, a ideia de que Rose estava cada dia mais doente se enraizou tão profundamente na cabeça da mulher, que ela mesma passou a acreditar nisso e não tinha quem lhe provasse o contrário. 
Assim, ver a própria filha ir ao banco das testemunhas e a pintar como uma vilã foi demais para sua cabeça e Patt entrou em parafuso, também lhe deixando rancorosa e cheia de contas para acertar com juros no futuro.
 
 
 
 

 

O Segredo de Rose Gold | Stephanie Wrobel
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
Porém, com o passar do tempo, Rose também teve suas próprias experiências e não era mais a mocinha ingênua que Patt deixou para trás. Desse modo, se inicia uma verdadeira disputa para ver quem é a mente mais brilhante, que vencerá e dará a melhor risada por último.
A escrita da autora é fluida e direta, o que mantém o leitor imerso o tempo todo na leitura. Em conjunto com capítulos curtos e ágeis, eu estava ávida por respostas e queria saber o que uma iria aprontar com a outra. Entretanto, não mudou o fato de que eu não conseguia ler tão rápido como desejava.
Não importava por qual ângulo eu visse a narrativa, me dava nojo e ranço das atitudes tanto da mãe quanto da filha.
Ambas tiveram chance de serem pessoas melhores, lidarem com as feridas do passado e partirem até para a terapia em grupo. Mas ignoraram as oportunidades e preferiram guerrear entre si, como se apenas uma vitória estúpida (que o mundo nem iria saber, aliás) importasse.

 

“O milagre da vida é muito menos interessante quando é o milagre dos outros.”

 

 

Além disso, se o jogo de xadrez fosse apenas entre as duas, eu até entendia. Mas fiquei bastante incomodada por ver como ambas manipulavam qualquer pessoa ao seu redor, a fim de manterem suas estratégias. Todo mundo era feito de bobo quando a dupla entrava em cena, pois ninguém sabia qual era a verdade escondida em tantas mentiras.
 
 
 
 

 

O Segredo de Rose Gold | Stephanie Wrobel
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
 
Apesar da premissa forte e interessante, eu acabei matando umas charadas antes mesmo do clímax. O que não foi ruim, pois a autora manteve o clima denso e terminou de amarrar umas pontas de maneira digna, dando todas as explicações necessárias. 
Contudo, não foi nada inovador, seguindo apenas uma receitinha de bolo já comum em diversos clássicos e suspense. Dessa forma, foi uma boa leitura, mas que não repetiria.
Falando sobre o livro em si, li em versão digital. Então, posso falar que a revisão está bem feita, assim como a diagramação. A capa é simples, mas misteriosa, o que condiz com o título e faz jus à trama posteriormente.

 

E aí, já leram esse livro, ou algum outro da autora? Curtem leituras que seguem receitinha de bolo e tem respostas já previsíveis? Me contem nos comentários.

 

 
 
 
Texto revisado por Emerson Silva 
Postado por:

Hanna de Paiva

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