27 de fevereiro de 2021

O sono dos sobreviventes | Giulia Cavalcanti

Olá meu povo, como estamos? Tenho uma confissão a fazer, estou ficando viciada nos contos da Femme Fatale (e vocês nem repararam, né? rsrsrs) Mas o que posso fazer se tem tantas releituras de princesa que eu fiquei apaixonada e doida para ler?
Hoje, trago mais um conto da antologia, que o Sono dos sobreviventes, da autora nacional Giulia Cavalcanti.
O sono dos sobreviventes | Giulia Cavalcanti
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

8/24
Livro: O sono dos sobreviventes
Autora: Giulia Cavalcanti
Editora: Increasy
Páginas: 74
Ano: 2020
Skoob | Amazon
 
 

 

Tália sofre de distúrbios do sono que lhe causam alucinações assustadoras. Infelizmente, a garota já está acostumada com esse cenário tenebroso: seus traumas do passado são ainda piores que os da imaginação.
Mas tudo muda quando ela testemunha um assassinato.
As alucinações começam a ter reflexos na vida real e parecem ter uma estranha conexão com o desaparecimento de estudantes de sua faculdade. Com medo de que suas visões continuem se tornando realidade, Tália precisará agir para descobrir o que e quem está por trás dos crimes antes que seja tarde demais.

 

O sono dos sobreviventes | Giulia Cavalcanti

 

Devo dizer que já comecei esse conto com uma surpresa. Como eu já tinha visto pela capa, essa seria uma releitura de ‘A bela adormecida’. Então esperava uma Aurora, que é a versão que a Disney comercializou.
Mas pense na minha surpresa quando vi que a autora foi mais longe e não usou o conto de Grimm como modelo! Para quem não sabe, todos os contos de fadas tinham releituras, desde antes do cinema pensar em existir um dia.
E o conto da Bela Adormecida não ficou atrás. Apesar da versão dos Grimm, com Aurora, ser a mais famosa, ela é uma versão resumida do conto original, que se chamava ‘Sol, Lua e Tália’, de Giambattista Basile (1636). No caso, a princesa da versão original se chamava Tália, que é também o nome de nossa protagonista de Femme Fatale.
Tália, ao contrário da princesa original, que espetou o dedo e foi amaldiçoada, na vida real foi sequestrada ainda adolescente e seu captor a fazia ficar dopada por dias a fio. Por conta disso, ela sofre do distúrbio do sono, ou o que o médico chama de “o sono dos sobreviventes”.
Como ela nunca tem um sono tranquilo, faz de tudo para se manter acordada o máximo possível. Então vive a base de café, energéticos e sempre arranja uma balada para ficar acordada a noite toda. Mas ela sabe que não pode ficar acordada para sempre, e nem pode fazer com que seus amigos sejam privados de sono por causa dela. Então ela acaba dormindo de vez em quando… o que lhe rende pesadelos assustadores.

“Sei que lutar contra o sono é uma batalha perdida, mas não consigo ceder docilmente cada vez que ele me encontra.”

Ela mora numa espécie de república, com alguns amigos com quem estuda na universidade. Cada um faz um curso diferente, mas todo mundo se entende num quesito: universitários unidos, jamais serão vencidos (rsrsrs).
Tália faz de tudo para manter o seu segredo bem guardado, mas fica complicado manter isso quando seus pesadelos não remetem a ela apenas o que lhe aconteceu anos atrás. De uns dias para cá, ela tem tido uns pesadelos com pessoas com quem nunca conviveu, ou que ela pensava ter esquecido.
Mas tudo começa a ficar esquisito quando ela percebe algumas semelhanças entre seus pesadelos e as pessoas que desapareceram na sua própria universidade. Até que ponto um sonho é apenas um sonho? Será que Tália acabou tendo poderes depois do que lhe aconteceu? Enquanto a mocinha fica nesse dilema, vai tentando bancar a detetive amadora, em busca de pistas e tentando entender o que ela mesma tem na cabeça.

“Você precisa ser forte para pedira ajuda. E mais forte ainda para reconhecer que, talvez, ninguém seja capaz de ajudá-lo.”

Eu não sabia, sinceramente, o que esperar desse conto. Quando vi que seria algo mais “fora da caixinha”, fiquei curiosa, e ao mesmo tempo com medo de me decepcionar com a leitura, ainda mais depois do último conto que li.
Mas, também para a minha surpresa, esse foi um dos melhores contos que li em toda a antologia. Claro, era um conto, de apenas 74 páginas, então não poderia esperar algo revolucionário. Só que a autora conseguiu bolar uma combinação de suspense, com toques de sobrenatural e ainda pincelou um conto de fadas ali que ficou sensacional!

 

  Tália é uma sobrevivente, como ela mesma gosta de falar. A protagonista sempre soube que teria que lidar com muita coisa na vida, desde que descobriu que era adotada. Some-se a isso o fato de ter sido adotada por duas mães, o que já seria munição suficiente para muito bullying na escola.
Mas suas mães souberam criar bem a menina, que cresceu forte, decidida, independente e sabendo se defender muito bem de comentários maldosos.  Ela só não sabia como lidar com o sequestro, que mudou para sempre a sua forma de ver o mundo… ou de não ver, já que ela ficava dopada quase que o tempo todo.
Dormir para muitos pode ser um alívio depois de um dia puxado. Mas para Tália é uma visão do inferno, já que lembra tudo o que ela passou no cativeiro.

“Sobreviver deveria te fazer parecer forte, mas, na verdade, é como se você ganhasse uma aura de fragilidade.”

Assim, ela faz de tudo para bancar a coruja/vampira/amante da noite. Viciada em café, energético e o que mais que tire o sono, ela vive com bolsas horríveis embaixo dos olhos e cansada, frutos de noites mal dormidas, de propósito.
Dormir lhe faz recordar de dias tenebrosos, escuros e que ela pensou que nunca teria fim. Quando enfim se rende ao sono, ela tem sonhos horríveis, que lhe fazem acordar suada e berrando no quarto, o que chama atenção dos amigos.
Mesmo que ela não admita, nada está bem. Principalmente quando seus pesadelos nada esperados começam a lhe deixar assustada, já que lhe remetem a pessoas que ela não convive, não conhece, mas que parecem querer se comunicar com ela.
Cética que só, Tália começa a se perguntar até que ponto um sonho pode ser um sonho, ou se tornar uma revelação de algo maior. Supondo que seja algo maior, o que aquelas pessoas querem falar com ela? Seriam espíritos ou frutos de sua imaginação esse tempo todo?
Tentando buscar suas respostas, Tália acaba esbarrando nas notícias que estão dando o que falar pelos corredores da universidade, sobre os desaparecimentos. Pela descrição das cenas do crime, tudo parece remeter aos pesadelos de Tália, o que deixa a cética ainda mais confusa sobre suas próprias crenças.
Em meio a muito mistério, dúvidas sobre a possibilidade de poderes da Tália e amigos bem enrolados, temos um conto que muito me surpreendeu, pela fluidez, e uma ótima construção do enredo.

“Afinal, de vez em quando, uma princesa precisa enfrentar seus próprios dragões.”

Mesmo sendo um conto, senti que tudo foi bem explicado, nada ficou para trás e as pontas foram amarradas de uma maneira satisfatória, coisa que não esperava.
A capa dele é maravilhosa, com a Bela Adormecida em seu vestido de princesa Disney, mas segurando um copo de café, o que caiu super bem e ficou um charme.
O sono dos sobreviventes | Giulia Cavalcanti
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

A narrativa é em primeira pessoa, então vemos tudo pelo ângulo da Tália. Acho que as partes que mais me agoniaram foram quando ela descrevia os sonhos acontecendo.
Eu não sei quanto a vocês, mas já passei por episódio de paralisia do sono algumas vezes e foi uma das piores sensações que já tive. Lendo o que aconteceu com a Tália e vendo como ela ficava me fez voltar a esses episódios e foi de fato assustador.
Apesar disso, o conto não tem gatilhos para isso, e achei bacana que no final ela coloca um recadinho para afirmar o que vamos notando ao longo do conto: tudo o que não se deve fazer quando se sofre de distúrbio do sono.
Os amigos de Tália são um caso a parte também. Mesmo sendo personagens secundários, deram um show de atuação, especialmente Luiza, a melhor amiga de Tália e fiel escudeira na investigação. Não apenas ela, mas também os outros rapazes são super carismáticos e me conquistaram.
Além disso, a revisão está de parabéns, a fonte é bem legível e foi mesmo uma leitura rápida. Só demorei mais por vontade própria, pois queria ler devagar e ir degustando a trama aos poucos. Mas poderia ter lido tranquilamente em uma única tarde que não teria problemas.

 

E aí, o que acharam desse conto? Me falem aí!
Postado por:

Hanna de Paiva

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