27 de dezembro de 2020

O timbre | Neal Shusterman

   Olá meu povo, como estamos? Pensei em me dar o final de semana de folga nesse fim de ano, mas como terminei essa trilogia ainda em dezembro, decidi publicar a resenha ainda em 2020 (rsrsrs). Então, cá estou eu com a resenha de O timbre, o último volume da trilogia Scythe, de Neal Shusterman.  
ALERTA: Contém spoilers dos primeiros volumes. Leia por sua conta em risco! 
O timbre | Neal Shusterman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

 43/12
Livro: O timbre
Autor: Neal Shusterman 
Editora: Seguinte 
Ano: 2020

Páginas: 560
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A humanidade alcançou um mundo ideal, em que não há fome, doenças, guerras, miséria… nem mesmo a morte. Mas, mesmo com todo o esforço da inteligência artificial da Nimbo-Cúmulo, parece que alguns problemas humanos, como a corrupção e a sede de poder, são igualmente imortais. Desde que o ceifador Goddard começou a ganhar seguidores da nova ordem, entusiastas do prazer de matar, a Nimbo-Cúmulo decidiu se silenciar, deixando o mundo cada vez mais de volta às mãos dos humanos.
Depois de três anos desde que Citra e Rowan desapareceram e Perdura afundou, parece que não existe mais nada no caminho de Goddard rumo à dominação absoluta da Ceifa — e do mundo. Mas reverberações da Grande Ressonância ainda estremecem o planeta, e uma pergunta permanece: será que sobrou alguém capaz de detê-lo?
A resposta talvez esteja na nova e misteriosa tríade de tonistas: o Tom, o Timbre e a Trovoada.

O timbre | Neal Shusterman



   O mundo Pós-Mortal não é mais o mesmo desde o fim trágico e, ao mesmo tempo, espetacular, que Perdura teve. 
  Goddard, com muita raiva por ter sido passado para trás por Anastássia e Marie, se vingou de uma forma que nenhum ser humano poderia pensar. 
  O golpe foi tão pesado, que até a Nimbo-Cúmulo se revoltou e lançou no mundo inteiro o que os tonistas chamam de A Grande Ressonância. 
 Graças aos últimos acontecimentos, a Nimbo-Cúmulo viu que a Humanidade inteira ainda tem resquícios de maldade e, por isso, agora é considerada infratora. 
 Agora o jogo virou e, enquanto a Humanidade fica com o silêncio da Nimbo-Cúmulo, apenas Greysson Tolliver é capaz de ouvir sua voz, o que o fez ganhar status de Timbre diante do mundo.
 Enquanto ele é aclamado quase como uma divindade, ganhando mais e mais seguidores, Goddard aproveita para continuar seu ambicioso plano para dominar o mundo, a começar pela Ceifa. 
 E está ganhando tanta força, que é quase como se ele fosse também uma divindade, cheio de seguidores. 
 E isso nos traz ao questionamento: será que a Humanidade realmente se libertou dos fantasmas da vida Mortal? Quem será que vence essa batalha? 

“As pessoas são como vasos. Guardam o que quer que seja colocado dentro delas.”

  Depois de um primeiro volume matador e o segundo que era bom, porém esperava mais, não sabia o que esperar do final dessa trilogia. 
  Eu sempre enrolo para ler os finais de séries/trilogias por causa disso. Às vezes a magia do começo da história é tão boa, tão fantástica, que fico com medo de saber o final e me decepcionar. 
  Essa foi uma das raras vezes que li uma trilogia inteira no mesmo ano, com intervalos bem curtos entre um volume e outro… e devo dizer, não foi bem como eu esperava… 
  Não vou dizer que foi uma total decepção, pois não foi. O autor soube manter a linguagem fluida que já vinha dos dois primeiros volumes, o que ajudou bastante para ler um calhamaço do final. 
  Depois de três anos que Perdura afundou no meio do oceano, muitas lendas acabaram surgindo do local, especialmente dos tesouros que foram afundados junto com a cidade, que ganhou uma fama de Atlântida do futuro. 
  Não apenas o conhecimento, mas os segredos que foram precursores de um dos acontecimentos mais marcantes da Era Pós-Mortal ainda circulam por ali. 

“Tudo ressoa. O passado, o presente e o futuro. As histórias que ouvimos quando éramos crianças – as histórias que passamos adiante – aconteceram, estão acontecendo ou vão acontecer em breve. Senão, essas histórias não existiriam. Elas ressoam em nossos corações porque são verdade. Mesmo aquelas que começam como mentiras.” 

  E foram eles que levaram Possuelo e mais uma leva de ceifadores a uma verdadeira caça ao tesouro, para ver quem encontrava os diamantes dos ceifadores primeiro. 
  Possuelo acabou vencendo a corrida e, junto com Jerico Soberanis, um novo personagem, eles encontram um tesouro maior do que a ceifa restante jamais pensou que encontraria. 
  Ditos como desaparecidos, Anastássia e Rowan não poderiam mais atrapalhar os planos de Goddard, que estava ganhando cada vez mais força diante do público, se fazendo de “a grande vítima da Humanidade”.   
  Mas quando Possuelo e Jerico encontram a chave que pode destronar Goddard, ele fica mais doido ainda, o que mostra que a Humanidade pode evoluir bastante em tecnologia, mas certas coisas nunca mudam numa sociedade. 
 
  Ele é a prova viva dos limites que uma pessoa pode ultrapassar para conseguir poder e domínio sobre todas as outras. 
  Se antes ele já era cruel e sem escrúpulos, agora vemos que tudo o que lemos sobre Goddard era fichinha perto do que ele é capaz de fazer agora, que ocupa um cargo maior diante da Ceifa. 
  Munido de uma cara simpática e palavras bonitas, Goddard consegue ser mais manipulador, estrategista e vingativo do que jamais foi. 
   As atitudes dele, por mais que retratem um mundo futurista, me foram bastante familiares, quando lemos sobre fatos históricos de ditadores e oportunistas.  
  Por mais que a Humanidade tenha vencido a morte e as doenças que hoje nos matam, vemos que corrupção, ganância e vingança são parte “do nosso pacote”. 
  Não são doenças, são uma espécie de programação nossa, que levaremos conosco para onde formos, independente do tempo que vivemos. 

“Por que sempre sabotamos nosso próprios sonhos?”

   E são exatamente essas constatações que a Nimbo-Cúmulo faz no decorrer da leitura. Ela, que ganhou total destaque no segundo volume, agora parece mais cansada de seus próprios criadores. 
   Mas nem por isso ela vai sair de sua programação original. Mesmo que suas atitudes pareçam estranhas num primeiro momento, no final das contas, ela apenas está seguindo sua programação original, que fomos nós mesmo que criamos (rsrsrs).   
  Com relação aos protagonistas, Anastássia, que já vinha ganhando força nos dois primeiros volumes, não me decepcionou nesse terceiro. 
  Ela perdeu três anos de acontecimentos no mundo. Enquanto ela dormia, o mundo parece que virou de cabeça para baixo e nada é mais como antes. 
  Mesmo sem ter uma máquina do tempo, a sensação é que ela acabou viajando para seu futuro e não sabe lidar com isso. 
  Mas ela não tem tempo para processar tudo, já que tem que lidar com a fama indesejada de super-heroína. 

“Os mortos não medem a passagem do tempo. Um minuto, uma hora, um século é tudo a mesma coisa para eles.”

  Mesmo sem curtir a fama, ela acabou agindo como uma, embora eu gostaria que ela tivesse sido melhor trabalhada e esperava um final mais legal para ela. 
 O mesmo eu senti com Rowan, que vinha ganhando cada vez mais espaço e se tornando pedra no sapato de um monte de gente, para depois aparecer como o príncipe encantado num cavalo branco que salva o dia, simples assim…
 Confesso que murchei um pouco e fiquei com aquela sensação de “não creio que passei a trilogia inteira pra ler esse final”… 😒    
  Não vou dizer que fiquei satisfeita com o final de todo mundo, pois todos eles parecem ter tido o “final feliz” de contos de fadas, o que não combinou muito com todo o cenário de “tiro, porrada e bomba” que tivemos antes. 
  Apesar disso, não foi um final ruim de todo. Confesso que achei digna a solução que o autor arranjou para dar o fechamento e gostei que foi dado um final mais ou menos satisfatório para todos os personagens, mesmo os secundários, sem esquecer de ninguém.
  O que não gostei foi o cenário que ele arrumou e a sensação de revelações jogadas ao vento, que já tinha visto em  A nuvem
  Além disso, a mistura de revelações jogadas ao vento com cenas arrastadas demais e até desnecessárias se manteve por aqui, o que me fez ficar perdida no meio do caminho e as respostas que tanto esperava não tiveram o efeito que tanto esperava.  
  
  
O timbre | Neal Shusterman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Resumindo, a trilogia Scythe é uma boa história, com personagens fantásticos e um final crível diante do cenário. Mas não crie expectativas com ela, pois você pode se decepcionar no meio do caminho. 
  Falando sobre o livro em si, li a versão digital também, como nos dois primeiros volumes. Então poso dizer que a revisão está mais ou menos bem feita, com alguns erros de digitação aqui e ali, mas que não interferem muito na leitura. 
  A capa segue o estilo da trilogia, dessa vez com destaque para o Timbre, que aparece por trás dos dois ceifadores, que são nossos personagens principais. 
  

       E essa foi a postagem de hoje. Já tinham lido essa trilogia? Curtiram o desenrolar dos acontecimentos? Me contem aí! 😉
    Postado por:

    Hanna de Paiva

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