12 de junho de 2021

Qual seu número? | Karyn Bosnak

    Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de mais um livro participante do projeto #12livrospara2021, em parceria com as meninas do MãeLiteratura e Pacote Literário. O tema do mês de junho era Chicklit e o mais votado por vocês foi ‘Qual seu número?’, da autora Karyn Bosnak. 
Qual seu número? | Karyn Bosnak
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

28/24
Livro: Qual seu número?
Autora: Karyn Bosnak
Editora: Novo Conceito
Ano: 2011
Páginas: 421

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Delilah Darling tem quase 30 anos e já se relacionou com 19 rapazes. Sua vida sentimental não tem sido exatamente brilhante, pois todo cara que conhece parece fugir do relacionamento. Quando lê uma matéria no jornal em que a média de homens para uma mulher de 30 anos é de 10,5, fica desesperada e assustada por estar muito acima dela. Além de tudo, o artigo no jornal terminava falando que, se a mulher tivesse o número acima dessa média, seria impossível achar a pessoa certa. Na tentativa de não aumentar seu número e perder de vez a chance de se casar, Delilah sai à procura de seus antigos namorados e tenta reconquistá-los. Será que um deles estará disposto a esquecer o passado e começar uma linda história de amor? ‘Qual Seu Número?’ revela os segredos de cada mulher e prova que, quando se trata de assuntos do coração, números são apenas uma fração de tempo.


Qual seu número? | Karyn Bosnak

   Delilah Darling é uma mulher de 29 anos, que trabalha numa empresa que sempre sonhou, a Elisabeth Sterling Design, há algum tempo. 
   Sua vida é bem atarefada, mas ela sempre arranja um tempo para sua vida amorosa. Tudo ia muito bem até que ela descobriu numa matéria do New York Post que a média que uma pessoa se relaciona emocionalmente é de 10,5 pessoas, o que lhe chama atenção, já que Delilah dormiu com 19 caras ao longo da vida. 
  Com essa ideia na cabeça, sua vida está virando de cabeça para baixo, já que sua irmã mais nova vai se casar, sua mãe vive enchendo o saco para que ela arrume um noivo também, além de ela se achar uma vadia e que precisa mudar esse número se quiser ser “uma moça direita”. 
   Assim, ela parte em busca dos seus ex-namorados, pois se der certo com algum deles, ela pode viver seu conto de fadas, ser “feliz para sempre”, e ninguém precisa saber que ela é uma vadia (ela mesma que diz isso!).  
  Nem sei como começar a falar desse livro… sinceramente… Eu sei que livros de chicklit normalmente trazem histórias já previsíveis, com cenas improváveis no mundo real, e um final feliz já garantido, envolto a cenas engraçadas e levinhas. 
  Normalmente eu gosto de livros assim no meio do ano, quando o destino resolve me deixar em ressaca literária e cheia de compromissos acadêmicos. 
  Então livros mais levinhos me ajudam a manter o hábito da leitura nessa época. Estava com esse livro parado na estante há uns dois anos, e não pensei duas vezes quando coloquei ele na lista para votação de junho no projeto. 
  Porém, não sabia que iria me arrepender profundamente… 
  Bom, para começar, o livro tem somente… 421 páginas! Já me assustou logo de cara, pois sabia que seria uma leitura maçante em determinado momento, já que os acontecimentos não teriam grandes reviravoltas. 
  Para a sorte da autora (muita sorte mesmo!), ela tem uma escrita fluida, então a leitura saiu mais rápido do que imaginei. 
  Quando vi que tinha lido em uma semana, nem acreditei. Mas isso não muda o fato de que, infelizmente, foi minha pior leitura desse ano… 😔
  Delilah Darling é uma mulher bonita, inteligente e tem o emprego dos sonhos. É independente, dona do próprio nariz. 
  Só aí já dava para manter uma trama bem legal, quando ela dá de cara com a matéria do jornal, que fala sobre a tal média de relacionamentos que uma pessoa “normal” tem. Mas não foi bem assim que aconteceu. 
  Delilah fica tão obcecada com a ideia de que “está acima da média”, pois dormiu com 19 caras, que ela mesma se rotula como uma “vadia”, “vagabunda”, “fácil demais”, daí pra baixo! 
  E o que mais me incomoda é a forma como o assunto foi tratado no livro, de modo a fazer piada com isso, como se uma mulher se chamar de vadia e vagabunda fosse engraçado. 
  Não apenas isso, parece que todos os personagens, especialmente a mãe de Delilah, passam boa parte do livro lembrando que ela, por já ter quase 30 anos, precisa de um creme para rugas e está gorda, já que “a falta de homem a faz se vingar na comida”, ou pior, é lésbica porque vive solteira! 😒
  Quando li esses comentários, peguei ranço logo de cara. E, sinceramente, só terminei de ler porque fazia parte do projeto e não queria trocar. Se não fosse por isso, teria abandonado a leitura sem dó. 
  Tudo gira em torno de como todos se incomodam com a solteirice de Delilah, como se ela não estar casada fosse um crime. 
Qual seu número? | Karyn Bosnak
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Delilah vive, literalmente, num mundo tóxico, o que me deu pena dela num primeiro momento, já que o fato de ela mesma se achar “vadia” e “vagabunda”, era por causa do relacionamento com a própria mãe, que vive de ter o que falar para “causar inveja nas vizinhas”. 
  Para sua mãe, não importa se ela tem um bom emprego, se ela paga suas próprias contas ou vive num bom apartamento. 
  Importa apenas que ela está solteira e está ficando velha… e isso por si só, é motivo de muita vergonha… 😒
  Além disso, me incomodou a parte das piadinhas homofóbicas e racistas que vi ao longo do livro, como se fossem piadinhas inocentes. 
   Talvez, se tivesse lido esse livro uns anos atrás, quem sabe essas piadinhas tivessem passado batido. Mas com a cabeça que tenho hoje, eu fiquei muito incomodada e me pergunto como um livro desse ainda virou filme e foi tão elogiado, como algo engraçado e bonitinho.  
  Algumas coisas acontecem na empresa em que Delilah trabalha, também logo no começo do livro. Isso me fez criar expectativas com relação ao livro e ao desenvolvimento de Delilah, já que a autora deu a entender que isso aconteceria, pela personalidade dela mesmo. 
  Mas no capítulo seguinte a autora me joga um balde de água fria, simplesmente deletando a informação e mantendo a obsessão de Delilah em resolver todos os seus problemas, reconquistando algum dos 19 caras do seu passado, para poder “desencalhar” e não ser ainda mais vadia, procurando mais um cara diferente para casar. 
  A ideia que ela tem pra isso é tão absurda, que sua amiga e sua irmã mais nova (as únicas que parecem ter cérebro nesse livro), tentam lhe alertar do risco, mas Delilah está tão decidida que acha que nada pode dar errado. 
  Delilah, que tinha chances de ganhar pontos nesse momento, acabou perdendo os poucos que tinha, ficando até com saldo negativo, com tanta besteira atrás de besteira que faz. 
  Em momento algum suas atitudes foram engraçadas ou bonitinhas “em nome de amor”. Ela foram assustadoras, negligentes e dignas de levarem ela para prisão. 
  Mas como ela é a mocinha da história, milagrosamente, Delilah arranja uma saída extraordinária e sai das enrascadas como se nada tivesse acontecido, o que deixa as coisas ainda mais sem noção.
  Delilah vive sendo chamada de velha, por ter quase 30 anos e é cobrada por um monte de coisas. Isso me incomodou um bocado também. Primeiro porque ela é cobrada por algumas coisas que eu também sou cobrada, como a famigerada lista de compras da sociedade: casar, ter filhos, etc. 
  Então me vi um pouco nela nesse momento. E mais uma vez imaginei que teria alguma discussão aprofundada nesse sentido, especialmente por ser escrito por uma mulher. 
  Mas a expectativa parou por aí, já que o assunto é apenas comentado e passa batido, pois parece não ter importância para ninguém nesse livro. 
  Esse livro é de 2011, não tem tanto tempo assim, então esperava algumas atitudes mais girlpower por parte dela, ainda mais porque a situação pedia isso. 
  Mas só vi atitudes de uma menininha de 12 anos, que parece não saber nada da vida e acha que tudo se resolve apenas quando ela achar seu príncipe encantado num cavalo branco. 
  Conforme vamos conhecendo os ex-namorados de Delilah, esperava que tivesse ao menos um plot, de que ela aprendesse alguma coisa com o que aconteceu com eles. Mas parece que ela aperta o botão de ‘delete’ e começa tudo de novo, como se a vida fosse uma receitinha de bolo. 
  A história é narrada pela própria protagonista, o que me deu ainda mais agonia, já que eu só via as coisas pelo lado dela, que nunca assumia a responsabilidade de seus próprios atos e agia como uma adolescente inconsequente. 
Qual seu número? | Karyn Bosnak
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Toda essa combinação me fez ter agonia a cada cena, raiva e pena por Delilah. O livro todo é um retrato de um cenário machista, em que as mulheres tem que ser perfeitas em tudo e se não arranja um homem, tem algo errado. 
  E o que me decepcionou ainda mais foi que Delilah teve a chance de mudar tudo isso e causar uma revolução… e não fez…   
  O final foi fechado, mas teria sido aceitável se fosse ao menos coerente com tudo o que aconteceu ao longo do livro. 
  Depois de um clichê infinito, em que a protagonista bate sempre na mesma tecla, vem um final muito nada a ver com tudo o que aconteceu e eu me perguntava onde estava essa personagem o tempo todo, que eu não vi ao longo dessas 400 páginas. 
  A sensação que tive foi que ela finalmente resolveu dar força para a protagonista na última linha, o que me deixou confusa e ainda com mais raiva, pois ali já não fazia mais diferença alguma. 

  Falando sobre o livro em si, a revisão está bem feita, a diagramação também está de boas, com uma fonte legível e a capa faz jus ao que iremos encontrar, já que tudo se resume ao famigerado número dos parceiros de Delilah. 
  Olhando apenas pela capa, já se imagina um clichê, mas até clichês podem ser bons quando bem trabalhados, o que infelizmente não vi aqui. 
Qual seu número? | Karyn Bosnak
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  Acho que, desde que comecei o blog, esse foi o livro com a nota mais baixa, que ganhou de cara o prêmio de pior leitura do ano.   

  Talvez o problema seja eu mesma, que não estou na vibe de ler livros desse tipo. Mas pode ser que esse não seja o seu caso. 
  Então leiam e tirem suas próprias conclusões, afinal, o que não é bom para mim, pode ser ótimo para você. 
  Com relação ao projeto, esse é o resultado temos até o momento:
12 livros para 2021 | Junho

  E aí, já conheciam esse livro? E o filme, assistiram? Me contem aí! 

   
  
  
   
      
Postado por:

Hanna de Paiva

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