22 de novembro de 2018

Resenha A garota no lago

Olá meu povo, como estamos? Aqui no Rio de Janeiro estamos em clima de feriadão, desde a quinta feira passada. Assim, com mais tempo em casa, posso colocar em dia alguma parte da minha tese e também leituras. E hoje temos a resenha do livro que terminei nesse feriadão, ‘A garota do lago’, de Charlie Donlea.

 

A garota do lago
Foto: Divulgação/Pinterest

38/30

Livro: A garota do lago

Autor: Charlie Donlea

Editora: Faro Editorial

Páginas: 295

Ano: 2017

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A garota do lago








Summit Lake, uma pequena cidade entre montanhas, é esse tipo de lugar, bucólico e com encantadoras casas dispostas à beira de um longo trecho de água intocada. Duas semanas atrás, a estudante de diereito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em uma dessas casas. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Era trabalhadora, realizada na vida pessoal e tinha um futuro promissor. Para grande parte dos colegas, era a pessoa mais gentil que conheciam. Agora, enquanto os habitantes, chocados, reúnem-se para compartilhar suas suspeitas, a polícia não possui nenhuma pista relevante. Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle vai até a cidade para investigar o caso. […] E enquanto descobre sobre as amizades de Becca, sua vida amorosa e os segredos que ela guardava, a repórter fica cada vez mais convencida de que a verdade sobre o que aconteceu com Becca pode ser a chave para superar as marcas sombrias de seu próprio passado…

 

Summit Lake é uma cidade pequena, com clima ameno de montanha e calmo. Todas as pessoas se conhecem e, os mais ricos, tem casas de palafita, ao redor de um lago lindo. Mas o que parece um sonho de cidade perde o brilho no dia em que ocorre um assassinato.

Todos na cidade só falam do único caso de assassinato no local em anos, ainda mais por ter sido logo a vítima Becca Eckersley, a filha de um advogado poderoso e que todos amavam. Ela sempre foi educada, reservada e estudiosa… tinha amigos, estudava na mesma universidade que seu pai e irmão se formaram, e estava lá só para estudar com mais tranquilidade para as provas da pós.
E no dia seguinte ela foi vítima de um aparente assalto seguido de morte; Algo inusitado para a população da cidade, que só se preocupa com aumento da conta de gás, porém nada demais para Kelsey Castle. Seu editor a manda até lá para que cubra os eventos que levaram ao assassinato da garota, mesmo que seja um caso não muito divulgado.

Kelsey tinha acabado de voltar da licença e não gostou nem um pouco da missão de viajar até o interior, só para cobrir um caso de assalto numa casa. Mas ela não sabe que está prestes a enfrentar os fantasmas do seu passado.
Kelsey chega na cidade esperando encontrar algo super fácil de escrever, mas encontra tantas pontas soltas no caso Eckersley, que ela mesma dá uma de detetive, junto com o delegado… O delegado, Ferguson, acaba vendo em Kelsey uma aliada para desvendar o caso, principalmente por conta de algumas coisas suspeitas que aconteceram.

 

A garota do lago
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 

Primeiro que é um caso local, mas sua jurisdição foi revogada quando a polícia estadual chegou e assumiu a investigação sem mais nem menos. Segundo que eles não divulgam nada do andamento do caso, só falam que foi um caso clássico de invasão a domicílio seguido de morte, mas um monte de provas sumiu da cena do crime.

Terceiro, o laudo da autópsia foi modificado três vezes e o oficial ainda não publicado. Seguindo as dicas de Ferguson, Kelsey vai procurar no hospital onde Becca Eckersley foi socorrida por alguém que possa lhe dar alguma luz nessa escuridão, mas ela acabou foi mexendo num vespeiro.

 

“-Não deixem que a enxotem daqui como fizeram comigo. Tenho questões políticas e aposentadorias com que me preocupar. Você segue um conjunto diferente de regras. Sei como está perto de solucionar esse caso. Assim, não pare até que aconteça, certo?”

 

Quando ele foi lançado, eu sabia que era um suspense policial e a capa me chamou a atenção. Ganhei de aniversário ano passado, mas só li agora. Pretendia ler com calma, afinal estou lendo outro livro junto, mas não consegui parar.

Aproveitei o feriado e iria ler apenas uns poucos capítulos para passar a tarde, acabei enveredando a noite e quando vi já tinha acabado o livro. As coisas foram acontecendo tão rápido, as pontas soltas foram aparecendo e eu queria saber mais. Mais sobre Becca e mais sobre Kelsey também.

Kelsey é uma jornalista jovem, linda e de sucesso, que trabalha na revista Events. É uma revista bem conceituada e bem recebida onde chega. Kelsey acabou de voltar de uma licença grande, de um mês, e está disposta a trabalhar e trabalhar, não tendo tempo para os olhares de pena que podem vir a lhe cercar.

A moça acabou de passar por um trauma que não se deseja a ninguém, mas por ser uma jornalista famosa, acabou saindo nas mídias e o resultado do julgamento também. Se ainda fosse apenas o resultado do julgamento no tribunal, era mais suportável, mas ouvir o tempo todo das pessoas que a cercam, era demais para ela.

 

“[…] Houve um motivo para Kelsey assumir tão rapidamente aquela história. […] Houve a noção de saber exatamente o que ela passou. De saber o que ela sentiu naquela noite. Ali, no meio daquela cena do crime, Kelseu soube que não estava ali apenas escrevendo um artigo para preencher a cota de laudas de sua labuta mensal. Ela estava à procura de respostas, para devolver alguma dignidade a uma garota inocente.”

 

Além de não conseguirem identificar nem prender o responsável, ela ouvia comentários maldosos, de que ela seria a culpada pelo que aconteceu com ela. Tudo o que Kelsey queria era sumir do mapa, começar de novo em outro lugar, mas ela não queria largar o laço de amizade que tinha com seu editor, Penn Courtney, que era um pai para ela e foi o único que lhe deu apoio.

Penn se preocupava tanto com ela, que acabou dando mais um tempo de licença para a jornalista. Com a desculpa de cobrir um caso numa cidade turística, ela ficaria mais um mês de “folga”, já que escreveria rápido o artigo. Mas quando Kelsey lê o laudo da autópsia de Becca, vê nela uma chance de fazer justiça a alguém.

 

A garota do lago
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

   

Becca Eckersley tinha a vida que todos queriam. Estudava numa universidade “top de linha”, tirava notas altas, tinha amigos que gostavam dela, independente da conta do banco; tudo era perfeito na vida de Becca até na questão amorosa.
A jovem sempre podia contar com seus amigos Gail, Brad e Jack, com quem estudava desde o primeiro semestre, sofrendo nas mesmas disciplinas. A George Washington é uma universidade top, com muitos alunos ricos. Dentre os amigos de Becca, todos são da mesma classe social: Gail é rica e tem tudo o que quer, já Becca e Brad são filhos de advogados poderosos e famosos, que sempre se encontram nos tribunais da vida e Jack e o único que estuda lá com bolsa integral, vindo de uma família humilde em Winscosin.

Enquanto todos querem seguir carreira como advogados de sucesso, Jack apenas quer ter um diploma e escrever discursos para políticos. Sendo assim, ele não tinha tantas preocupações com notas altas, ao contrário dos outros três, que dependiam de um currículo exemplar para uma vaga numa pós-graduação de elite.

Mesmo que cada um tivesse seus planos de carreira, sendo ou não advogados, eles eram amigos bem próximos e estavam sempre juntos. Em alguns casos, juntos até demais. Becca sempre foi mais próxima de Brad, ao ponto de passarem noites inteiras conversando no quarto do rapaz. Ela sempre o deixava cochilando na manhã seguinte, com um bilhetinho carinhoso, enquanto saía escondido para o quarto que dividia com a amiga Gail.

Becca via Brad como seu melhor amigo, porém Brad tinha um amor platônico pela garota, que desejava declarar no dia em que tivesse coragem. Mas Becca, além de nunca reparar no que Brad sentia por ela, tinha seus relacionamentos pela universidade, sempre mantidos em segredo. E ela guardava tão bem esses segredos, que apenas seu diário sabia de tudo. Além disso, as coisas começam a mudar um pouco quando Becca se apaixona por Jack.

Jack, apesar de apaixonado por Becca, se vê numa situação complicada. Primeiro se sente intimidado por ser mais pobre do que a família da namorada, tem que lidar com um ex-namorado de Becca, que ama esfregar na cara dele o quanto é mais rico e melhor partido para a garota. E com o amigo Brad, que contou em segredo para Jack que estava apaixonado pela sua namorada. E isso se torna mais complicado ainda quando o romance vem a tona, descoberto da pior forma possível.

 

“Quer dizer que você deixou que eu ficasse falando como um idiota, dizendo como achava que Becca e eu iríamos ficar juntos. […] e o tempo todo você sabia que ia estar com ela […], rindo de mim?”

 

Ex-namorados ciumentos, um namorado que provavelmente fosse dar “o golpe do baú” tendo um relacionamento com uma menina rica para ter o emprego perfeito, um amor platônico. São tantas situações que passaram pela vida de Becca, que todos podem ser suspeitos no assassinato da moça. Os pais de Becca não querem dar declarações à polícia, muito menos à mídia. A polícia estadual já burlou tantas regras sumindo com provas e alterando o laudo da autópsia, que só pode ter dedo de “gente grande” nessa história.

O livro é narrado em terceira pessoa e os capítulos são divididos entre fatos que ocorreram anos antes da morte de Becca e depois, com a investigação de Kelsey. E já começa contando em detalhes cenas fortes do que aconteceu no dia da morte de Becca. cenas essas cujas provas estão no corpo de Becca, porém foram cortados do laudo do legista. Kelsey vai procurando pela cidade pessoas que Becca conhecia e que poderiam ajudar a elucidar a questão.

Por que a polícia estadual fez questão de investigar um caso local, se era algo “sem importância”? E se era “sem importância”, por que mudar tantos detalhes e não divulgar nada. Kelsey, movida pelas perguntas que rondam sua cabeça, vai descobrir que Becca era vítima da mesma coisa que aconteceu com ela, e ainda outras “coisitas más”.

Em busca de respostas, a jornalista acaba fazendo amizades com quem menos espera. E vai descobrir que é mais forte do que pensa, além de poder fazer justiça a outra vítima de abuso, já que ela não conseguiu isso no tribunal meses antes.

 

“-A mesma coisa poderia ter acontecido comigo, e outra pessoa talvez estivesse escrevendo sobre a minha morte.
-Sim, mas não aconteceu.
-Não, não aconteceu. Ms por que não? Por que Becca, e não eu? A pergunta é: por que não consigo dormir? No meio da noite, dei-me conta de que tenho de achar uma maneira de ajudar essa garota. Tenho de chegar a alguma conclusão por ela.”

 

 

A garota do lago

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Eu fiquei abismada lendo o desenrolar de certas coisas; os detalhes da cena do assassinato de Becca me deixaram com estômago embrulhado e, o pior, estava bem detalhado, então é possível se imaginar e ver tudo acontecendo. E me senti solidária com Becca e Kelsey também. Elas passaram por uma situação que sabemos que existe, mas não desejamos para ninguém e mais, Kelsey saiu viva. Becca não. Além disso, Kelsey não conseguiu provar quem fez isso com ela, mas vê a oportunidade de poder fazer isso em solidariedade a Becca.

E tem uma coisa que o autor pensou, mas que a gente não comenta muito. A gente pensa em como fica a cabeça da vítima, como ela vai superar o que aconteceu, como ser solidário, mas como fica a cabeça de quem cometeu esse tipo de crime? Quanto tempo levou planejando? Ou não foi planejado? E depois?

O Charlie Donlea descreveu a mente do “culpado” antes e depois. E devo dizer que não eu sabia como definir a mente dele. Não falarei muito sobre essa questão, pois corro o risco de dar spoiler, mas devo dizer que tem que ter muita coragem para ler, tanto a cena do crime, quanto a da cabeça do assassino. 😖

Com relação à escrita do autor, ela é bem envolvente, tanto que eu ia “ler apenas uns capítulos” e quando vi, já tinha terminado o livro. O Charlie faz isso com a gente, a linguagem dele é fluida e sem rodeios, além de amarrar as pontas soltas de uma forma que deixa a gente com aquela cara de “mas não era nada disso que pensei”. Pois é, os suspeitos são apresentados no decorrer do livro.

Cada um tem um motivo forte para matar Becca. E não sei vocês, mas eu fico logo imaginando quem seria o “culpado” no meio do livro. Muitas vezes eu acerto, outras vezes levo uma rasteira do autor, como aconteceu nesse livro. Estava o tempo todo convicta que era uma pessoa, depois eu mudei de ideia, e levei uma rasteira do autor, me revelando de uma forma bem clara quem era o “culpado” e me fazendo ficar de boa aberta.

Nenhum personagem ficou sem final e tudo foi explicado no seu devido tempo, sem muitas delongas… ou quase tudo. Tipo, sabia-se que era algo abafado por “gente grande”. Mas em nenhum momento explicaram o porque de terem feito isso, muito menos quem fez isso, ainda mais se Becca era inocente nesse caso. Apesar de ser uma reviravolta no final, eu gostei do livro, mas achava que teria mais coisa.

Outra coisa que me deixou confusa foi o fato de logo no primeiro capítulo sermos apresentados à cena do crime. Ela acontece de um jeito, porém sem mencionar o assassino. No final, essa cena é recontada, com a participação do assassino, só que a cena está completamente diferente. Acontece um monte de coisa que deveria ter sido dita logo no início, pois fazia parte da “cena do crime”. Isso deixa o motivo do assassino sem sentido.

Apesar de me sentir solidária com Becca e Kelsey pelo que aconteceu com elas no passado. Para uma jornalista de conceito como Kelsey, ela é bem idiota. Tudo aconteceu tão bem, mas tão bem, que todos na cidade estavam dispostos a ajudar.

Tudo bem, todos quando veem uma jornalista famosa, querem seu quinhão para aparecer num jornal (eu acho), mas todos?! Eu acho que ela poderia ter encontrado mais uns desafios no meio do caminho, para dar mais um pouco de emoção na história, ficou faltando um pouco do sal ali.

 

A garota do lago
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Falando sobre o livro em sim, essa edição eu achei na medida certa. A capa é bem informativa, mas confesso que não entendi o motivo de ser “A garota do lago”, mas a menina da capa não está num lago. A fonte do texto é bem legível e, apesar de ter uma quantidade considerável de páginas, a edição que tenho é bem levinha.

As páginas são de papel pólen e bem grossinha. Apesar de ser de fácil leitura, na hora de passar as páginas eu ficava sempre com aquela sensação de passar mais de uma página por vez, já que era bem grossinha. Os capítulos são bem divididos e objetivos, assim como os diálogos.

Apesar de uns furos aqui e ali, eu dou nota máxima para o livro. Se ainda não leu ‘A garota do lago’, recomendo que leiam, pois é um ótimo livro de suspense e que vai mexer com sua cabeça, apesar de não parecer no início. Acho que também esses furos seriam por ser a obra de estreia do autor, afinal ele está apenas começando. Outro motivo da nota máxima seria uma chance que dou e perdoo as falhas da história. Espero que as outras obras dele tenham menos pontas soltas.

 

Sobre o autor:

Charlie Donlea
Foto: Divulgação/Google

 

Charlie Donlea vive em Chicago com sua esposa e dois filhos pequenos. Um de seus hobbies é pescar em lugares praticamente desertos do Canadá. Essas viagens por estradas paradisíacas inspiraram o cenário para seu livro de estreia. Ávido leitor, é também apaixonado por música, filmes, seriados e esportes. Quando decidiu escrever seu primeiro livro, ele se preparou para produzir algo com tudo o que gosta de encontrar em seus filmes e livros prediletos: uma história capaz de deixar o leitor refletindo sobre aqueles acontecimentos por um longo tempo.

 

E aí, já tinham lido ‘A garota do lago’? O que acharam? Me contem aí!

Postado por:

Hanna de Paiva

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