16 de fevereiro de 2023

Sangue na Neve | Lisa Gardner

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de um thriller relativamente antigo, mas que me arrebatou. Com vocês: ‘Sangue na Neve’, de Lisa Gardner.
 
Sangue na Neve | Lisa Gardner
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

ALERTA: Pode conter gatilhos de assassinato, violência doméstica e sequestro de crianças.

8/60 
Livro: Sangue na Neve
Autora: Lisa Gardner
Tradutor: Sylvio Deutsch
Editora: Novo Conceito
Páginas: 416
Ano: 2013
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A policial Tessa Leoni matou seu marido, Brian Darby, em legítima defesa. A arma do crime está à vista de todos e os hematomas no corpo de Tessa confirmam a ocorrência. A policial também não fez questão de fugir, ou de arrumar qualquer justificativa para explicar aquele corpo estendido no chão da cozinha, portanto, aparentemente, o que a investigadora D.D.Warren tem à sua frente é o desfecho de uma briga doméstica. Um caso simples.

No entanto, ao abrir o inquérito, D. D. terá uma surpresa: este não é o primeiro homicídio de Tessa Leoni e — afinal — onde está a filhinha de seis anos da policial? Será que a policial Leoni realmente atirou em seu marido para matá-lo? Uma mãe seria capaz de prejudicar intencionalmente sua filha?

D. D. Warren, a experiente detetive que acredita que desvendar um caso é como mergulhar na vida do criminoso, enfrentará mais uma investigação que a levará a uma busca frenética por uma criança desaparecida enquanto tenta encaixar as peças de um mistério familiar que a levará a quebrar os muros do corporativismo policial.

 

 
 
 
 
Sangue na Neve | Lisa Gardner

 

 
A polícia estadual de Boston é notificada de um caso de violência doméstica. Porém, a surpresa vem quando os primeiros socorristas a chegarem no local identificam a vítima: Tessa Leoni, uma tropper condecorada. 
Encontrada com o rosto desfigurado e sem conseguir se manter de pé, a jovem alega que atirou no marido como legítima defesa. O que parece fazer sentido, dada a cena do crime.
A situação se complica ainda mais quando Tessa se recusa a ser levada para o hospital. Ela está muito nervosa por conta de sua filha, Sophie, de apenas 6 anos, que sumiu durante o incidente. 
A polícia se vê em uma situação delicada, pois além de uma cena de homicídio, precisa emitir Alerta Âmbar para o desaparecimento da criança. Ainda, levando em consideração as vítimas, a polícia estadual e os troopers precisarão unir suas forças e correr contra o tempo. Embora seja uma missão quase impossível, visto que ambas as forças não se bicam.
Assim, o caso é passado quase que instantaneamente para D. D. Warren, a melhor detetive do departamento da polícia de Boston e Bobby Dodger, um ex-trooper que ainda mantém seus laços com a unidade.

 Esse é o meu segundo contato com as obras da Lisa Gardner. Após ‘Bem Atrás de Você’, tinha decidido que não leria mais nada da autora. Porém, em conversa com o Leitor Oculto, ele me convenceu a dar uma nova chance, indicando ‘Sangue na Neve’. Mesmo aceitando a proposta, comecei a leitura com o pé atrás e não criei expectativas, para não me decepcionar de novo. E talvez por isso eu tenha me surpreendido positivamente.

Mantendo a “receitinha de bolo”, a narrativa é alternada. Assim, temos uma em terceira pessoa, mostrando a investigação por um ângulo mais amplo e focando em D. D. e Bobby, além de outra em primeira, com fatos narrados por Tessa. Embora pareça confuso em um primeiro contato, percebi que nesse caso funcionou, pois me ajudou a ter uma opinião mais geral sobre tudo que estava acontecendo durante a investigação.
 
 

 

Sangue na Neve | Lisa Gardner
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
Além disso, apesar do livro ser relativamente grande, fiquei surpresa que boa parte da trama se passa no intervalo de poucos dias. O que me lembrou bastante a série ‘24 Horas’. Aos poucos, somos apresentados ao passado de Tessa, como se montasse um plano de fundo para todas as suas atitudes até o atual momento. De modo especial, são fatos relevantes para entendermos o que levou a muitas situações atuais e o porquê de ser alvo da total desconfiança de D. D., a qual tem a fama de ser implacável quando o caso envolve crianças.
Logo, Tessa passa de vítima a culpada em questão de minutos, conforme a investigação avança e ela não parece querer colaborar. Isso porque a moça não tem um passado do qual se orgulhe. Sua escolha em se tornar uma trooper não foi um mar de rosas. Olhando os fatos pelo ponto de vista da acusada, senti um misto de pena, dor e revolta (especialmente lendo dores que apenas mulheres entendem). Sendo assim, não
posso dizer que julgo suas ações, mas também não são das mais louváveis. O tempo todo me via dividida e sem saber se torcia para que ela se desse bem ou pagasse logo por seus pecados.
Por outro lado, conhecemos, ainda que de uma vista mais superficial, a vida da detetive. Aliás, vendo o ponto de vista das duas, percebi que eram os lados de uma mesma moeda. Assim como Tessa, D. D. precisa demonstrar uma força muito maior, a fim de ser reconhecida no cargo, ao contrário do que aconteceria se fosse um homem. 
Ambas têm os seus dilemas em suas profissões. Além disso, gostei de ver como a autora se dedicou ao abordar o assunto de uma forma envolvente que não soasse mais densa do que já é.

 

“Era isso que importava no fim. Quem você amava e o quanto arriscaria por essas pessoas?”

 

 Além disso, enquanto D. D. é uma detetive sensacional, Tessa é uma ótima estrategista. Então, o livro todo ficou como uma espécie de batalha de mentes brilhantes, na qual nunca se sabia quem seria a vencedora. A cada pista que a detetive achava, a acusada parecia estar dois passos a frente e a trama ficava mais elaborada. Eu só queria continuar lendo e saber qual seria a próxima treta.
 
 
 

 

Sangue na Neve | Lisa Gardner
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
Não apenas as protagonistas, mas os personagens secundários também cumprem um bom papel. Bobby é um bom detetive e forma uma bela dupla com D. D. No entanto, a relação entre eles é um tanto conturbada, o que dá um quê de drama ao longo da leitura. Apesar de ser um risco, gostei da forma como a autora lidou com essa peculiaridade e conseguiu equilibrar bem cada problema, sem desviar do assunto principal.
Além disso, conforme a investigação avança, percebi uma espécie de ranço da Lisa em relação aos homens (o que eu não julgo, confesso). Isso porque não mediu esforços em criar personagens masculinos babacas até o talo, dos quais era impossível gostar. 
A começar pelo marido de Tessa, Brian Darby. O rapaz parecia um príncipe encantado logo que se conheceram. Mas por trás da pele de bom moço se esconde um adolescente de meia idade, que me dava nos nervos.

 

“Casamento, no final das contas, terminava com ‘ele disse, ela disse’, mesmo depois de um dos esposos estar morto.”

 

 

 Ao ler a versão da trooper sobre o falecido, minha vontade era dar umas sacudidas nela e cantarolar um “não era amor, era cilada”, para ver se acordava. Sério, como que ela me casa com um cara irresponsável daquele e ainda me deixa uma criança para ele tomar conta? Eu teria os dois pés atrás com esse babaca e teria mandado pastar na primeira oportunidade.
Parece que todos tem a mesma ideia que eu quando o caso de violência doméstica vem à tona. No entanto, por mais óbvio que pareça, as pistas deixam a denúncia em dúvida, especialmente quando Tessa passa de vítima a assassina. O tempo todo o leitor é levado a se questionar o que de fato aconteceu naquele dia fatídico e nenhum detalhe pode ser deixado para trás.
Brian seria mesmo capaz de levantar a mão para a esposa, ainda mais sabendo de sua patente? Se sim, por que Tessa não relatou logo o ocorrido? E se não, o que teria levado à cena grotesca encontrada pela polícia?

 

“Uma mulher nunca esquece a primeira vez que apanha.”

 

Para completar, o desaparecimento de Sophie parece longe de ser solucionado, complicando ainda mais a situação de Tessa. Seria ela também acusada de tamanha crueldade? Ou é apenas uma vítima de um sistema quebrado e machista? São muitas perguntas e o tempo é curto para responder a todas elas.
Mas a autora consegue de uma maneira fantástica. As cenas de ação são muito bem detalhadas e elaboradas, me mantendo imersa em todo tempo. A escrita fluida, somada às mentes brilhantes das personagens femininas também ajudaram um bocado. O que me fez até largar as outras leituras associadas para me dedicar apenas a ela.
Preciso alertar para cenas bem pesadas e até indigestas ao longo da leitura. É impossível não sentir ranço nem agonia ao ler. Ainda mais sabendo que algumas dessas passagens são comuns em muitos lares hoje em dia, gerando revolta e tristeza.
 
 

 

Sangue na Neve | Lisa Gardner
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
O desfecho é bem desenvolvido e condizente com tudo o que a trama trazia. Assim como a leitura em si, as respostas me tiraram o fôlego e fiquei com a sensação de ter visto um filme de esquemas políticos bem arranjados. Acho que posso dizer que “fiz as pazes” com as obras de Lisa Gardner, pois gostei bastante de ‘Sangue na Neve’ e já peguei mais dois livros dela (no Kindle Unlimited) para ler nos próximos dias. Se eles mantiverem o ritmo frenético que encontrei aqui, certamente a escritora ganhará uma nova fã.
Em relação ao livro em si, li a versão digital. Então, posso dizer que a diagramação e a revisão estão bem feitas.  A capa é condizente com o tema do livro e traz o nome em destaque, parecendo um pôster de filme, o que gostei bastante. Recomendo a leitura, especialmente se estiver procurando um thriller de tirar o fôlego.
 
 

 

 
 
 
 
Texto revisado por Emerson Silva
Postado por:

Hanna de Paiva

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